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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

* Filmes com história: Brothers

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Os homens que partem para a guerra, são heróis. Não porque fazem o bem, porque o bem é, neste caso, muito relativo. Mas são heróis porque se sujeitam a morrer pela pátria, pelo seu país, são heróis pela força interior que consomem, que possuem.
No entanto, muitos deles sofrem grandes perdas, tal como as suas famílias. Perdas não significa apenas morte, morremos por dentro quando algo deixa de viver em nós. Neles morre a felicidade, surge a culpa. Vem o medo, a depressão e a desconfiança.
Sam é enviado para o Afeganistão, deixando a sua mulher Grace e as suas duas filhas. Quando é destacado para a guerra, o seu irmão Tommy deixa a prisão. Tommy é odiado pela sua família.
No entanto, tudo muda quando Sam é dado como morto. Tommy, sentindo o peso da responsabilidade, altera a sua forma de viver, prometendo cuidar da mulher e das filhas do seu adorado irmão. É aqui que as questões mais mediáticas deste filme surgem.
Estará Sam realmente morto? O que acontecerá na sua ausência?
O que perdoaríamos após a nossa morte? O que perdoaríamos à nossa mulher, filhas ou irmão? Como regressar? Como viver depois de tudo?
Vejam e tirem todas as dúvidas!

 

 

* Simplicidades da vida: teatro

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Encarnar e viver a pele de outro alguém não é fácil, é preciso estudar.
Muitos julgam que é feito com uma perna às costas, mas não. Precisamos de conhecer quem somos em palco ou que pessoa vai viver em nós.
Depois vem a ansiedade, o nervosismo, os textos para decorar, as roupas e a procura da melhor performance.
As escadas para o palco parecem enormes, mas quando as piso é como se me transformasse, a minha vida não importa mais, não existe, vivo na pele de outro alguém.
As personagens ao meu redor fazem tudo tornar-se no sonho.
O público é o consciente de que tudo está a acontecer.
Mais uma história termina, uma moral contada, milhares de pensamentos e reflexões e… o mais importante: a salva de palmas. Que faz, então, tudo valer a pena!

As asas que me fazem voar (21)

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Se ele queria começar uma nova vida, ser uma nova pessoa, mostrar à filha que era uma pessoa de valores e um exemplo a seguir, tinha de agradecer a alguém que foi especial na sua vida, tinha de tentar pela última vez pedir-lhe desculpa… A Carol.
Deu-me um beijo na testa e seguiu caminho até sua casa. Lamentou não ter telefonado, porque sabia que ela não o aceitaria ali. Implorou por entrar e Carol acabou por ceder à sua entrada. Pegou-lhe nas mãos e pediu-lhe desculpa pelo homem que tinha sido no passado, sabia que as desculpas não mereciam ser aceites, mas ainda assim tinha ido fazê-lo.
Carol não afastou as suas mãos e serenamente perdoou-o. Tinha conhecido um rapaz, no grupo de apoio para pessoas vítimas da perda e iria casar-se.
- A minha vida voltou a ter o meu sorriso, acho que desta vez sou capaz de te perdoar.
Abraçaram-se.
- Sê feliz, Jack. Eu quero que sejas feliz. Eu também serei, sei que sim. O médico diz que o aborto não me afetará no futuro, se quiser engravidar de novo. Erámos jovens, podia culpar-te, e culpei-te… mas já não existe raiva dentro de mim, que não te possa perdoar!
- Obrigada. – disse ele.
A Vicky nasceu uma semana depois, Carol ficou a conhecê-la. Jack era um pai extremoso como sempre sonhou ser. Continuou a carreira, com o mesmo sucesso e canta-nos todas as noites a mesma canção… a que mudou a minha vida, ouvi-la é como ter asas que me fazem voar!
Sou feliz por tudo o que construi, pelo homem que mudei. Amar também é isso: agradecer.
 
(Fim)

As asas que me fazem voar (20)

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O mês passou, o estágio terminou.
Lá estava eu, lá estava ele, nós, juntos. A minha mão na sua, os seus lábios no meu pescoço. Um sorriso a medo e uma confissão.
Um abraço terno e lágrimas a correr pelo rosto de ambos.
- Nem consigo imaginar como pode ser bom o nosso futuro. Não tenhas medo, eu disse que mudei, seremos uma família feliz. A família mais feliz do mundo.
» Malta, vou ser pai! – gritou para os colegas de palco e som.
E abraçou-me de novo… Não continha as lágrimas, não caía de contente.
Os concertos continuavam numa agitação total e sempre que podia era a sua parceira musical. Era mágico, a barriga a crescer, sentir os seus pezinhos, a mão do Jack na minha barriga, as lágrimas que se enchiam nos seus olhos… Era uma menina e demos-lhe o nome de Victória. A nossa vitória, a vitória das nossas vidas. Havia em Jack um homem renovado, era visível, era um adulto responsável, um ser humano extraordinário.
- Obrigada por acreditares em mim, obrigada por me dares uma segunda vida e uma segunda oportunidade…
- Espera… - disse-lhe. – há uma coisa que eu quero que faças… por ti.
- O quê? – perguntou-me

(continua...)
 
 

 

As asas que me fazem voar (19)

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Fez-se luz em mim… A nossa última noite… Os enjoos, a vontade de chorar e de dormir…
Desloquei-me à farmácia e fiz o teste.
O medo tomou conta de mim, de novo… Eu estava grávida… Como iria ele reagir?
Tive medo a dobrar, mesmo que fosse idiota, vinha-me à memória tudo aquilo que acontecera com a sua ex-mulher. Ele ia voltar a ser pai… Será que desta vez ele iria merecer o seu amor?
Faltava um mês para o estágio terminar. Omiti durante esse mês que trazia um filho seu na minha barriga. Um mês não iria fazer diferença, um mês não iria haver assim tanta mudança no meu corpo. Escondi para poder também assentar ideias, para fazer-me acreditar que merecíamos isto, que este filho ia ser amado, que embora não planeado, seria a nossa felicidade comum, o nosso amor maior… eu pensava nisso, mas o seu passado não me saía da cabeça…

(continua)

As asas que me fazem voar (18)

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Trocávamos mensagens todos os dias. Ele ia-me contando par e passo de tudo o que acontecia, tudo o que fazia, como corriam os concertos e eu falava sobre o estágio.
Sentia-me ansiosa a cada mensagem que chegava. Não conseguia compreender o meu corpo porque eu não estava assim tão nervosa. Estava a correr tudo bem connosco. No entanto, sentia-me enjoada todos os dias com uma ansiedade tamanha.
Jack dissera-me que no dia em que chegara, muito antes de pensar em ir falar com a Jade, ela foi falar com ele com a intuição de se despedir, pediu-lhe desculpa pela merda que tinha feito ao contar-me tudo. Disse ter outro projeto, para ele não se preocupar, ficaria bem, deu-lhe um abraço e agradeceu-lhe pelo que, apesar de tudo, ele tinha feito por ela.
“Vês? Tudo irá compor-se. Tudo será nosso. Acaba o estágio. E serás a minha próxima violoncelista… aceitas?”
Ao ver aquela mensagem, um misto de sensações me invadiu, tinha vontade de chorar, de sorrir e o que fiz foi vomitar. O que se passava comigo? Seria medo de estar errada em aceitar um novo começo? Um novo Jack?

(continua...)

As asas que me fazem voar (17)

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Eu teria de ficar mais um tempo, pelo menos até terminar a fase do estágio e ele tinha de continuar os concertos.
- Eu prometo que volto, quando a minha vida arrumada estiver arrumada. Vou falar com a Jade. - disse-me ele.
- Não! Não lhe faças mal… Quero dizer, não lhe tires um futuro melhor… Eu não quero isso para ela…
- Vês? É por isso que eu gosto tanto de ti, és diferente, fazes com que o mundo se torne num lugar melhor. Não te preocupes eu vou fazer o melhor para todos. Acredita em mim, também eu me tornei num homem melhor.
E eu acreditava. Abracei-o, de forma apertada. Despedir custou-me. Despedimo-nos com um beijo intenso, carregado de tanto sentido e sentimento, que ainda hoje ainda não o consigo definir.
Ele partiu, eu fiquei.

(continua...)

As asas que me fazem voar (16)

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Não, depois de tudo aquilo que ele me dissera, não era justo. Não era justo eu prejudicar a Jade, ela não merecia, apesar de tudo não era má pessoa, apenas viveu rendida ao amor que tinha por Jack. Ele é que tinha a culpa toda. Mas isso fora passado. O que faria eu com o novo Jack? Ele estava a ser sincero, a oferecer-me tudo aquilo que tinha, a mostrar-se a nu, com toda a sua alma exposta.
Os seus erros foram graves, muito graves, tinham dado cabo da vida de muita gente, mas ele provara estar mudado, ele nunca me enganara com mais ninguém, punha-me ao dispor, à espera no camarim como que a mostrar que não havia nada a esconder… e se algo tivesse que esconder fazia-o muito bem. E quem engana, não se expõe assim, não mostra estar mudado, não faz viagens longas com intenção de magoar.
Estaria mesmo perante o homem da minha vida? Aquele que me amaria sem medidas?
Eu não queria voltar a sofrer…

(continua...)

As asas que me fazem voar (15)

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Ela acreditou que eu voltava para ela depois da reabilitação. Ela disse-me inúmeras vezes que íamos ficar juntos e que eu estava mudado e ela acreditava mesmo que teríamos uma relação estável, até tu apareceres.
Eu mudei completamente depois da reabilitação, ela tinha razão, tinha deixado de consumir, de me culpar e magoar os outros. Aprendi a ver realmente a música e a minha vida como uma paixão e, quando apareceste tu, foi como voltar a acreditar de novo no amor. Tu vinhas e querias falar sobre música, não sobre quem eu era, porque eu detesto quem sou, sim ainda detesto quem sou porque isso lembra-me o meu passado… mas contigo, eu gosto mais de mim. Tu valorizaste-me. Tu foste diferente, contigo voltei a acreditar no amor. Por isso pergunto-te: o que posso fazer para me perdoares? Se tu quiseres até deixo isto tudo para trás… Ou digo à Jade para se afastar, arranjo-lhe outro trabalho na empresa, ou outra banda. Por ti tudo farei… Só espero que me perdoes.

(continua...)

 

 

As asas que me fazem voar (14)

Quando fui para casa não lhe contei, é claro, estava a traí-la, eu era um cobarde e não lhe ia dizer. Quando ia a casa tentava fazer-me entender que gostava da Carol e que gostaria de ser pai, trata-los como se vivesse num castelo, como se ela fosse a minha rainha e que íamos ter um pequeno príncipe. No entanto, ela acabou por descobrir, não por mim, mas pelas revistas.
A fotografia do beijo tinha aparecido em várias revistas e por mais que eu tentasse negar quando nos reencontrámos em casa, não consegui.
A discussão foi feia, berrámos um com o outro. Não me orgulho nisto, nada. Quando ela me disse que eu não passava de um cabrão, eu agarrei-a e apertei-lhe o braço com força. Ela começou a chorar desmedidamente e eu acabei por chorar também. Eu tinha errado. O tempo errou connosco, eu fui o maior erro da vida dela, abraçámo-nos e pedimos desculpa um ao outro, como se a desculpa pudesse perdoar.
Uma dor profunda ficou-lhe carregada no peito, dor, raiva, emoções fortes, tanto que ao levantar-se doeram no ventre, nas costas, toda ela estava dorida, como se fosse para parir, mas não chegámos a tempo ao hospital. Uma mancha de sangue escorria-lhe pelas pernas e eu tinha escrito a minha história, uma culpa infinita que eu não perdoo a mim mesmo. Eu tinha perdido o meu filho, o meu filho morrera, não nascera por minha culpa.
Foram dias infinitos de dor, de embriaguez. Por mais que eu tenha tentado pedir desculpa, por mais que eu tenha tentado tomar medidas e formas de ela me perdoar e de me perdoar a mim próprio, eu não consegui, ainda hoje não consigo. Com razão, ela afastou-se e eu após uma pausa, eu regressei, divorciamo-nos e eu voltei às minhas rotinas de palco, drogas e álcool. Infelizmente prometi amor à Jade naquela noite, o que não era mentira, mas tornei-me possessivo, magoei-a, porque estava também magoado, mas ela continua a fazer carreira comigo porque eu sei que, apesar de tudo, ela ainda me ama…

(continua...)
 
 

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