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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

As asas que me fazem voar (5)

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A fila de fãs era enorme. Era curioso observá-la, quase conseguia fazer uma investigação melhor que qualquer um daqueles estudos que espremido não se retira conteúdo nenhum. Eram, na sua maioria, jovens entre os dezoito e os vinte e pouco anos, que aparentemente pareciam dar mais valor àquele momento pós concerto que a música em si. Umas mostravam-se histéricas, outras engasgavam-se, riam-se, coravam, sem saber bem o que dizer. Não podiam rir-me, fiz a mesma coisa na primeira vez que tivera com ele.
Os rapazes que apareciam eram mais velhos e agradava-me ouvi-los falar, porque interessavam-se pela música que ele criava, tiravam dúvidas e falavam no seu talento!
Eu pensava em tudo para não desesperar, ao mesmo tempo que trocava mensagens com a Guida.
«Ele só pode estar a gozar comigo.» - disse-lhe.
«Está, está! Está é aguardar-te como quem chora de saudade!» - disse ela a gozar comigo.
Eram duas da manhã. A fila tinha chegado ao fim. Os seus olhos castanhos gigantes e tão bonitos vinham na minha direção.
- Desculpa.
Estava cansada, esgotada de esperar e pareceu-me no momento, pelo tom da minha voz que lhe respondera mal. Ele não tinha culpa, eu é que tinha esperado, ele também não me tinha obrigado a fazê-lo, esperei porque quis.
- O que queres saber sobre o meu curso?
Ele sorriu perante o meu mau humor.
- Não disseste que estudavas música?
- Sim… - respondi reticente.
- Eu quero saber mais sobre ti, não apenas de música. – disse-me puxando singelamente o meu cabelo para trás das orelha.
Não tinha grande jeito para conversa de engate, mas ao mesmo tempo conquistava. Não sei se tentava ter aquela conversa com todas as miúdas, se era um músico tímido que apenas sonhava com a tal.
- Senta-te. – disse.
- Meu, temos de abandonar. Vamos para o hotel. – disse um dos rapazes que o acompanhavam.
- João. Vou lá ter.
»Tomamos um café? – Perguntou.
Ele não estava em si. Café? Onde? Tinha a Guida à minha espera. Não conhecia Lisboa. Ele não se sentia importado com a multidão?
Questionei-lhe, não sobre tudo isso, mas parcialmente!
- Não importa nada disso. – Disse abraçando a minha cintura com a sua mão.
Teste? Força da razão? Vontade de algo mais? Retirei-a. E ele nada disse, sorriu. Ele era uma mistura de timidez com vontade, sensualidade com nervosismo.
Acabei por dizer à Guida para nos acompanhar, embora tenha reparado que não era vontade dele que eu a convidasse, no entanto não ia abandonar a minha amiga e como me mostrara desconfiada decidi levá-la, se é que me faço entender.
Eu nunca fui cética em relação ao amor, por isso já tinha sofrido demasiado e eu sabia que o folgo do meu coração pedia a sua mão na minha cintura como ele fizera nesse dia, mas eu não podia sofrer mais… E então lá seguimos os três para uma velha taberna com música dos anos 80.

(continua...)

As asas que me fazem voar (4)

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Lisboa.
O meu terceiro concerto e um toque especial.
O concerto foi perfeito. Ele trazia consigo uma rapariga para cantar em dueto as melodias mais românticas.
Ele tinha um talento indiscutível, era o exemplo de músico de que se devia falar nas aulas. Chamem-me exagerada, mas eu colocava-o no mesmo patamar de Eddie Vedder e outros cantores míticos e conceituados.
Falei-lhe disso nesse dia e ele achou claramente um exagero, mas agradeceu-me o elogio pousando a sua mão sobre a minha. Acto esse que fora observado de lado.
Antes disso (já volto àquele momento) passei de novo à frente de todas as suas fãs. Ele ainda se lembrava do meu nome, viu-me na fila e mandou-me chamar.
Por mais que possam pensar não me senti importante, nada disso. Por vezes até era contra a forma como ele lidava com as fãs. Não era mal educado, mas por vezes tornava-se um pouco altivo, menos terra-a-terra. Mas isso era um comportamento de defesa, que vim a descobrir-lhe meses mais tarde.
Quando cheguei ao pé dele, apercebi-me de que estava nervosa, mas tentei sorrir da forma mais natural possível. Ele abraçou-me e sorriu.
- Espera um pouco. Vou querer saber mais sobre esse teu curso, não te vás embora.
Foi dar autógrafos e eu fiquei ali sozinha. Mandei mensagem à Guida, que do lado de fora do camarim se encontrava mais histérica do que eu. Eu, na minha paz, aguardava-o.
Que quereria ele conversar comigo?

(continua...)

As asas que me fazem voar (3)

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- Gosto muito do seu trabalho – consegui por fim dizer.
- Obrigado. – disse ele, de forma descontraída.
Guida, uma das amigas que me acompanhava quis tirar uma fotografia.
- Anda! – disse ela.
Eu recusei, timidamente, e ele puxou simpaticamente para a fotografia.
- Anda daí!
E tirámos.
Eu não me preocupava muito em tirar fotografias, nunca fui muito disso, acho que as boas memórias ficam sempre gravadas na nossa memória. Parece que, com as fotografias, somos constantemente obrigados a lembrar esses momentos sem um menor esforço. Além disso, eu gostava do seu trabalho, não do seu aspeto ou beleza, que na verdade, chamava a atenção.
Apetecia-me apenas estar ali, não para o ver simplesmente, mas poder absorver um pouco do seu talento, da felicidade que ele transmitia no amor que tinha pela música.
Fiz-lhe algumas perguntas sobre música e reparei que, notoriamente, ele estava a sentir-se apelado à conversa. Falava com um sorriso grande nos lábios e parecia que a fila interminável de fãs podia esperar. Mas, infelizmente, não podia. E fiquei com vontade de voltar e ele de me presenciar de novo para aqueles assuntos em nada fúteis que raramente recebia.
Sorriu de novo e disse-me – Gostei muito. Quero voltar a ver-te!
Eu sorri, envergonhada, e notei no rosto das restantes raparigas da fila que quase me podiam comer viva de inveja, mas porquê? O que havia de tanto alarido na sua pessoa? Que além de fazer o seu trabalho, é uma pessoa normal? Que erra, sorri, sente, chora, murmura e também sonha?
Eu conseguia vê-lo com a sua alma completa e foi isso que me destacou.
Dias mais tarde voltamo-nos a ver.

(continua...)

Gostas, mas...

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Deixa que a vida corra.
Deixa que eu me afaste.
Estou cansado de correr atrás de ti, quando és tu que constantemente me ignoras.
Sim, eu sei. Eu sei que gostas de mim. Porém, eu não sei, não consigo compreender essa forma que tu tens de gostar de mim.
Gostas, mas não estás presente.
Gostas, mas parece que não me queres na tua vida.
Dás desculpas.
Eu sei que gostas, mas quem gosta com todo o coração, não dá desculpa, mas razões e tempo para estarmos juntos.
Por isso, não percebo.
Por isso, deixa que eu me afaste.
Deixa que a vida corra...
Foi o que fizeste, ainda que digas que não...
E ainda que digas que não
A vida vai sempre correr e os nossos caminhos irão tomar rumos diferentes.
Tens pena? Eu também.
No entanto, não há mais nada a fazer... Escreveste o teu caminho, fizeste a tua escolha.
E eu...
Eu não estarei mais aqui à tua espera!
 

 

 

 

Quem ama...

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És valente por vir pedir desculpa? Por vires dizer a verdade? Até podes ser, mas… uma ova! Quem ama não trai.
És um cobarde. De que é que sentiste falta? Do teu espaço de solteiro? Do teu engate piroso, só pelo facto de eu já estar conquistada?
Metes-me nojo. É só isso que te consigo dizer.
Tu sabes que não perdoo, eu não sou ninguém a menos para estar a mais.
Mesmo que aches que não, eu tenho amor-próprio. O suficiente para te dizer que as tuas lágrimas de crocodilo não me afetam, que tenho mais pena de ti que de mim. Eu não perdi nada, mas tu perdeste o teu melhor. Se tivesses mantido a tua dedicação, eu seria a mulher da tua vida, mas não sou do tipo de mulher que implora para ficares ou que quer fiques, depois de toda a desilusão, de toda a merda que fizeste.
Não me irei ajoelhar, muito menos implorar esse amor que ainda dizes sentir. Se para ti, isso é amor, não é igual à minha definição. Quem ama não trai.
Quem ama, não vive somente para essa pessoa, mas a sua vida amorosa pertence a um só corpo, a um só coração. Se partilhaste esse desejo, mesmo que não tenha sido amor, não te quero mais.

 

 

Tarde demais!

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De que me vale querer? Querer dizer-te seja o que for, quando for. Esquece, para mim acabou. Sempre ouvi dizer que seja o que vier do coração não se implora, se eu um dia implorei o teu amor, hoje nem com a amizade o faço.
Sabes? Cresci. Já não sou aquela miúda que sonhava ser a tua melhor amiga ou adormecer nos teus braços se me aceitasse como mais que isso.
Sei que ninguém é obrigado a gostar de outro alguém, nem como amigo, o que quer que seja, não podemos agradar a todos, eu só pedia apenas respeito da tua parte porque outrora… outrora gostaste tanto, como se deixa de gostar assim?
Não venhas dizer que fui eu que mudei, não venhas dizer que já não sabes quem sou ou que já não sabes ter-me ou pertencer-me. Se assim for, olha… ótimo. Só me mostras que mereço melhor, que quando se implora não é amor, deixei-me disso.
Vou deixar de implorar, aliás… já deixei! Quando voltares, aí é que me verás diferente, talvez fria, mas cheia de calor e amor-próprio por dentro, esse é que me merece, é esse amor que nunca poderei esquecer.
Quando voltares, vou dar-te com a porta na cara, será então, tarde demais!

 

 

Tu não me dás amor

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Tu não me dás amor.
Mudaste e partiste como se o teu corpo tivesse morrido, mas quem partiu foi a tua alma.
Não dá mais amar-te. Não dá mais te querer sem me quereres a mim.
Amar não é mentir, omitir, ou esquecer todo o bem que fiz por ti, tudo aquilo que deixei de fazer por mim, para fazer para ti.
Quando todos não te entendiam e não te estendiam os braços, eu estava cá. Ainda assim foste ingrata, esqueceste o passado antes mesmo de eu o fazer. Pediste-me um tempo e não arriscaste magoar-me dizendo que era comum, que era alma do destino a nossa separação. O tanas! Tu simplesmente não quiseste tentar conquistar-me. Não mereces a minha amizade, muito menos isto, todo o amor que sinto por ti.
Magoo-me de todas as vezes que voltas a dizer-me que estás aí para mim, que vens e que ficas, mas sem ficares. Que corriges os teus erros, quando acabas por me culpar por todos eles.
É inquieta essa tua forma de ser, mas se tivesses querido, acontecia... E o nosso rumo mudava. Porém, só nos resta o tempo, esse engano onde sempre voltamos a cair.

 

 

* Inspirações: Da minha história

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É isso mesmo, o que o Diogo Piçarra já escreveu: “Sempre serás o fim e o início da minha história”.
És sim, sempre serás.
És o meu início porque sempre sonhei contigo. Mesmo sem te conhecer, era contigo que eu sonhava, como alguém como tu, para me viver, para me amar por completo.
Sim, também serás o meu fim, porque mesmo encobertos deste nojento orgulho perverso e autodestrutivo, sabemos que seremos sempre parte um do outro, da história pessoal de cada um, de cada coração que bate em nós.
Nunca te agradeci. Não. Fui cobarde em não ter gratidão suficiente para manter esse amor que construímos, essa mesma história que virou passado. Desculpa, em vez de me desculpar, devia agradecer-te. Eu nunca mereci cada pedaço de sonho que viveste do meu lado e agora eu vou morrer sozinho, sem ti.
Desculpa, peço-te, por não te agradecer. Mas é em vão. Neste orgulho que me invade eu nada sou sem ti. Morrerei incompleto.
Quem sabe noutra vida, renasceremos nesse amor que outrora foi nosso e nos apaixonaremos de novo, de mãos dadas e de gratidão amarrado ao peito.
Ainda assim aceito que se vieres estarei de braços abertos, sem nunca te abandonar. Errei mas nunca deixei de te amar.

 

 

# Completas-me 18 - Com a Melhor Amiga!

Bom dia, queridos sorrisos! Finalmente! - dirão vocês! 
Pois é, desta vez volto ao completas-me com a simpática "Melhor amiga procura-se", para quem não conhece o blog, tem de tratar disso porque serão mais do que melhor bem recebidos (hei, não escrevi mal por erro, foi com intenção!!!), quero dizer vão adorá-la! E espero que gostem tanto dela, como eu gostei deste texto a duas mãos. Vamos ler? 

 

"Chegar aos quarenta e estar solteira nunca esteve nos meus planos, mas também não estava nos meus planos sujeitar-me a uma relação onde quem perdia tudo era eu, desde família, amigos, carreira, etc. eram demasiadas coisas para mudar em tão pouco tempo.
Não sei se tomei a melhor decisão, nunca se sabe, mas hoje ia atrasada para uma reunião na empresa e ao entrar cruzei-me com ele e caiu-me “tudo”, o meu coração parou, não se foi de espanto, se foi de susto. Ele está diferente, até arriscaria que está mais bonito, tremi toda por dentro e talvez por fora também e o pensamento que me ocorreu no momento foi que ainda bem que hoje estou “bem” apresentável.
Nisto chego ao meu gabinete e sento-me na minha secretária e só vejo os meus pensamentos a divagarem em relação a ele: “Será que ele continua com aquele jeitinho de menino rebelde, superior a tudo e a todos, que tanto me conquistou?! O que será feito dele agora?! Estará casado?! Terá filhos?” Onde andará ele?! Continua pelo mundo?!”.
De repente lembrei-me que nós nunca terminamos a nossa relação, apenas as circunstâncias da vida nos afastaram e hoje ao vê-lo parece que me mandaram tudo para os pés… Nisto vou ver a minha agenda e o nome da pessoa com quem ia ter a reunião e qual é o meu espanto é o nome dele.
Respiro fundo e ligo para a rapariga da receção e digo para o mandarem subir…"

 

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Batem à porta, o meu coração acelera.
Levanto-me.
- Bom dia. – diz, de sorriso torto, como sempre foi seu característico. Mantinha-se amável, simpático.
Não me pareceu que ele me tenha reconhecido. E eu agi com a máxima naturalidade, mas questionava-me: “Como não me reconhecera?”.
No entanto, foi no fim de discutirmos variáveis, testes, probabilidades de seguros e questionários dos clientes, que ele questionou-me, tal como eu não tive coragem de o fazer:
- Carla? Já não me reconheces?
Eu sorrio. Era impossível não lembrar… A nossa história, a nossa forma de ir contra o mundo, a favor do nosso amor.
- Claro que sim. Pensei que tu não me reconhecesses.
- Sim estás diferente, mas há pessoas e traços que não se esquecem.
Acho que fiquei mais vermelha que a cor do meu vestido ou do meu batom que usava nesse dia.
Sorri, e tentei disfarçar o que era óbvio – fiquei de novo encantada!
Ele já tinha sido casado durante dez anos, tinha uma filha de 6 anos. Agora encontrava-se livre para amar de novo, e para um café para o qual me convidou nesse dia. Estava diferente, adulto. O que o deixava sexy por entre as memórias que tinha dele.
Fiquei com desejos de o conhecer de novo. Os nossos corpos e as nossas almas já se tinham encontrado outrora, mas será que seriam capazes de amar novamente?
Os cafés começaram a ser regulares, a empatia e as coisas em comum voltaram. Parecíamos dois miúdos ao retorno do primeiro amor, tudo devagarinho, as mãos dadas, o primeiro beijo, o despir, o sentir, o amar de corpo inteiro… e então eu aprendi que nunca é tarde para amar… aos trinta, aos quarenta, aos setenta, aos noventa… o amor não escolhe idades, mas corações, daqueles que sorriem. A vida sabe sempre como nos surpreender!

 

 

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