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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

20
Nov17

[Ficção] Quem me ama pela metade

Carolina Cruz

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Choro.
Deixo que o meu corpo chore o teu, que ainda vivo permanece morto em mim, seco, rasco, sem cor, sem vida.
Não sou, não és e nada somos. Obrigamo-nos um ao outro a querer ser esse abrigo que já não existe.
Cansámo-nos de fazer as pazes, habituámo-nos a esta repulsa, a este amor que não tem toque nem sensatez.
Choro…
Porque quero ser livre e ainda assim não quero perder-te.
Choro…
Porque esse sorriso ainda me fere o peito, porque não dói, traz-me paz. Já não vivo sem esse sorriso, ainda que morra por saudades de ele me beijar.
A verdade é que ainda que recuse dizê-lo, não vivo sem ti, mesmo que esse corpo ainda que novo esteja velho e cansado de me amar.
Porra de mim, que ama de coração inteiro. 
Porra de mim, que te abraça sem te tocar.
E que ama mesmo quem me ama pela metade.

14
Nov17

[Ficção] Desapego

Carolina Cruz

 

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Permito, finalmente, ao meu corpo, libertar-me de ti. A mente, a pele, o coração, o olhar, tudo em mim se esqueceu de ti e é tão bom.
Não há nada melhor que sentir esta (tua) ausência sem dor. 
Já não sinto a necessidade de saber como estás, com quem andas, se já me esqueceste, se tens outro alguém.
Olho para ti e não passas de um mero conhecido. 
É tão bom este desapego. Esta porta que se abre. Esta liberdade que sinto em já não sentir rigorosamente nada mais por ti, nem um pingo de raiva.
Sou livre, estou livre para amar, não me mudaste nem um bocado. Não tenho medo do amor, não tenho medo de me entregar. Sei ser, sei estar e sei que, algures e algum dia, alguém estará de coração aberto para me viver e me sentir, por inteiro.

03
Nov17

[Ficção] Amo-te, mas...

Carolina Cruz

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Custa-me dizer-te isto. Mas tenho de escrever para me sentir bem comigo mesmo.
Amo-te, mas tenho vindo a aperceber-me que somos incompatíveis.
Isso é possível não é? Amar alguém e não conseguir viver com ela? Sentir amor por alguém e ainda assim não a suportar?
Meu Deus. Que confuso que me sinto. Que confusa é toda esta situação.
Amo-te mas evito-te, porque detesto as tuas escolhas.
Amo-te, mas não consigo estar contigo porque me enjoei da tua mania inquieta de estar sempre tudo errado, das tuas manias em ser certa e correta demais.
Será que apesar de não te querer por perto, eu viverei bem com a tua ausência definitiva na minha vida?
Custa-me pensar tudo isto, mas precisava de escrever-te, de dizer-te, de falar por palavras aquilo que sente o meu coração, mas que a minha boca não consegue proferir.
Bem dizem, por vezes, que o amor é algo tão pouco são e é assim que me sinto: um louco. Inteiramente, completamente, solenemente.
Porque sou louco por ti, mas não te quero. Porque te amo, mas não te suporto.
Como defino isto? Como defino quem somos?
E depois disto o que escolhemos? O melhor? O pior? O correto?
Não sei que consequências terão na tua vida as palavras que escrevo, mas sinto-me feliz por escrever-te, pois sinto-me feliz por fazê-lo, em tentar compreender se calhar algo que não se define, essa intempérie indescritível que nem o poeta soube descrever: o amor.

29
Out17

[Ficção] O meu pior

Carolina Cruz

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É sobre o tempo que escrevo, esse tempo que anda à deriva, nesse balançar do passado que não regressa.
Há horas em que sumo, parto deste mundo, desta Terra que me abraça e faço expedição a outro universo. Não me sinto ser merecedor para pisar este chão que também tu pisas. É como se me doesse a alma por já não te pertencer, é como se a minha existência já não fizesse sentido.
Fui o barco naufragado no teu porto, fui a maré dos teus sonhos e deixei-os morrer. 
Não há direito, eu não mereço sequer que existas como memória, fui uma marca na tua história que deverias apagar para sempre. Errei, redondamente, tenho noção disso.
Fui hipócrita, pouco generoso e nada humilde, revoltei-me com o que me rodeava e levei-te comigo. Fui mau, presunçoso e perdi o que de melhor encontrei na vida: tu.
Tu que compreendias tudo aquilo que sentia, tudo aquilo que não sabia dizer. Eu disse-te e não menti que não fui feito para amar, ainda que tu me tenhas ensinado. Mas será o amor algo que se ensine? Ou se sente e pronto?
Só sei que agora, depois de querer morrer e renascer de novo é que aprendi que o amor é esta dor da ausência, é este querer o teu bem, é saber que estás melhor sem aquilo que te dei do pior de mim, é saber que te quero ver feliz mesmo ao lado de outro alguém se isso te tornar completa, é aceitar que os nossos caminhos se separaram porque eu errei, e amar também é isso: aceitar que errei. Pôr um ponto final à corda do relógio que nunca mais deixa de regressar àquilo que fomos e por fim, deixámos de ser. 
Amar é lamentar, é pedir desculpa, ainda que não seja aceite.
Amar é também aceitar e seguir em frente.

20
Out17

[Ficção] Sorrio

Carolina Cruz

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Sorrio. Mordo o lábio. Sorrio novamente. Mordo de novo o lábio.
Olho-te nos olhos e simplesmente não sei o que dizer.
Adoro-te, sabes?
Mas as palavras não me saem da boca, digo o contrário do que diria, e rio-me de nervoso. Embrulho frases, sou um gago idiota.
Bloqueio quando te olho, não sei dizer nada, só sei sorrir perante o teu sorriso.
Adoro o teu sorriso, sabias?
Já que não consigo falar-te, escrevo-te, sou melhor a falar como escritor, poeta, só no papel consigo ter o dom da palavra. Aqui é tudo mais fácil, liberto-me, consigo ser o homem que querias. Ou já sou?
Desculpa o meu ar atabalhoado, a minha timidez tamanha, mas eu sou assim. Fazer o quê?
Gostas de mim assim?
Se sim, sou teu, por inteiro.
Adoro-te, já o disse?
Sim, adoro-te.

19
Out17

[Ficção] Gosto sim.

Carolina Cruz

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Posso amar-te?
Por favor, deixa-me, nem que seja no meu segredo mais intimo. Não quero muito, só quero que saibas o meu nome, que lhe dês valor, que me dês a mão, nem que seja apenas com o coração. É o que fazem os amigos. Certo?
Admiro-te, admiro-te de coração, pudesse eu arranjar palavras que descrevessem o tão puro sentimento que me invade.
És especial e é tão simples gostar de ti, apenas quando te abraço com o olhar.
Dizem que os olhos são o espelho da alma, por isso sente-te abraçado por completo.
Não sei, sinceramente, o que sinto, porque o sinto, mas gosto de o sentir, gosto do sorriso que provocas em mim. Gosto de gostar do sorriso que provocas em mim. Gosto de gostar de ti, mesmo que não saibas o meu nome, ainda que não conheças quem sou, os meus sonhos.
Gosto simplesmente.
E gostar é bom, não é? Gosto de ti, gosto sim.

13
Out17

[Ficção] Sem fim

Carolina Cruz

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Estou aqui. Vens receber-me?
Estou aqui, meu amor.
Estou de volta, ao refúgio da nossa memória.
Vamos aproveitar o tempo perdido.
Desculpa, meu amor, estou aqui.
Consigo lembrar-me de quem és, de quem somos. Por momentos, esta maldita doença não me consome, consigo recordar-me de quem sou.
Vamos aproveitar que estou viva, é tão bom estar na minha pele, sentir-me, sentir-te, sem que sejas um estranho para mim. 
Vem, que o agora é o maior presente que temos.
Vem, meu amor. Que eu não conheço o amanhã.
Vem, meu amor.
Vem, que eu estou aqui,
Sou eu, ainda te amo como o passado que não consigo recordar mas onde regresso tantas vezes.
Amo-te, ainda que o tempo se esgote, amo-te ainda que o Alzheimer me desfaça em mil pedaços do que não sou.
Amo-te, sempre, ainda que não me recorde disso, todos os dias da minha vida.
Amo-te, pelo amor maior que tens por mim.
Amo-te, por tudo.
Amo-te, sem fim.
Até ao fim.

 

 
29
Set17

[Ficção] Desculpa.

Carolina Cruz

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Não me obrigues. Eu não preciso de dizer o que sinto. Eu não quero dizer o que sinto.
Tu sabes, se me amas entender-me-ás através dos meus olhos, que embora estejamos juntos, temos de terminar.
Não me perguntes porquê, não quero dizer-te, sei que a verdade magoa menos que esta ausência de justificações mas por te amar é que insisto em não querer dizer-to. Desculpa, sei que estou a ser injusto e injusto é uma palavra pequena demais para a cobardia que estou a sentir. 
Estou a ser egoísta, estou a pensar apenas e só em mim, mas fica a saber que é para tua proteção. Sei que a verdade seria melhor, que estarmos juntos era o que seria certo, mas não posso. 
Omito tudo o que fui, mas não me esqueço no que me tornei quando estive contigo, nunca me vou esquecer. 
Podes crer que é real este amor, mas há segredos que não posso desvendar, há segredos que são maiores do que a minha verdade.
Acredito que, quando tudo assentar, podemos voltar a ter um “nós” nas nossas vidas, quebrar os nós que deixarei na tua garganta, colar de novo o teu coração. 
Se não pudermos, se não quiseres, se não me perdoares, crê num amor melhor, que não o meu, porque tudo o que desejo é a tua felicidade, mais do que a minha.
 
 

 

14
Set17

[Ficção] Dói.

Carolina Cruz

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Dói-me o corpo todo.
Dói-me olhar-te e não ver mais nada se não o espelho da minha falta de dignidade, do meu rancor, da minha frustração, do meu medo, do meu pesadelo.
Bebo mais um golo de whisky, misturo-lhe vodka pura, que explosão louca, mas não maior que aquela que provocas no meu coração e consequentemente na minha alma, por ferires o meu corpo.
Bato a porta, mas não sei para onde vou, volto a entrar, já nem consigo tomar conta de mim, o que tu fazes tão bem, dizes tu de uma forma tão imperativa.
Controlas este meu corpo como sendo inteiramente teu, magoas, violas, torturas, este corpo que já está mais morto que propriamente vivo, enquanto se mantém nos teus braços.
Assim não quero mais permanecer, eu que não tenho mais confiança em mim, eu que não acredito que sou capaz, que melhores dias virão e que te venham buscar.
Mesmo que o viessem, mesmo que te levassem da minha vida, eu não seria mais a mesma, não conseguiria voltar a ser eu mesma, a mulher linda e confiante de cabelos ruivos que amava tanto a loucura, mesmo sendo sensata.
Agora nada sou além de ti, sou um espelho do que não quero ser. Por isso, por não saber o que faço deste lado, por ter perdido o norte ou tendo morrido ainda que viva, termino com tudo o que dói e à vodka e ao whisky junto milhares de capsulas que me levam à loucura, à overdose e à sensação de alívio. Deixei tudo para encarares, deixei o meu corpo, a minha alma livre e jovem viaja agora para outro lugar.
Não sei se tomei a atitude certa, mas não há volta a dar.
Não sei se tomei a atitude certa, mas sinto-me melhor.
Morri, por tua culpa.
Morri, sem ti.
Morri triste, mas agora estou feliz, em paz.

12
Set17

[Ficção] Porquê agora?

Carolina Cruz

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Tenho 30 anos. 
Nunca antes vivi um amor platónico.
Porquê agora? Depois de ultrapassar todas as mágoas de relações amorosas…
Talvez por isso eu sinta que seja amor platónico, pois falta-me aquele que é o mais precioso, o amor que sinto por mim mesma. 
As relações falhadas levaram-mo todo. Uma e outra vez, sem restar nada de mim.
Por isso acho que apaixonar-me pelos teus olhos azuis é inútil, que tocar as tuas mãos como simples cumprimento e fervilhar o coração dentro de mim é ridículo.
O que resta de mim depois de tudo o que me levaram? Se eu não me amar, não posso amar outro alguém, mesmo que seja correspondida. 
Ainda assim não é o que sinto que sintas por mim, o mesmo amor, a mesma obsessão inocente, a mesma paixão.
Estarei a confundir certamente tudo o que há dentro de mim, preciso de me sentar e conversar comigo mesma, situar-me e sentir-me, só depois com certeza poderei conversar contigo, se quiseres dar-me um pouco de atenção. 
Estou cansada de sofrer, por isso se um dia vieres, vem para ficar e faz-me sentir completa, ama-me e faz com que eu me apaixone de novo pela pessoa que sou. 
Isso é o mais importante. O amor-próprio. 
Depois amar-te-ei completamente, do fundo do meu coração.

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