Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

09
Jun17

As asas que me fazem voar (5)

Carolina Cruz

14684537_pBMBT.jpeg

 

A fila de fãs era enorme. Era curioso observá-la, quase conseguia fazer uma investigação melhor que qualquer um daqueles estudos que espremido não se retira conteúdo nenhum. Eram, na sua maioria, jovens entre os dezoito e os vinte e pouco anos, que aparentemente pareciam dar mais valor àquele momento pós concerto que a música em si. Umas mostravam-se histéricas, outras engasgavam-se, riam-se, coravam, sem saber bem o que dizer. Não podiam rir-me, fiz a mesma coisa na primeira vez que tivera com ele.
Os rapazes que apareciam eram mais velhos e agradava-me ouvi-los falar, porque interessavam-se pela música que ele criava, tiravam dúvidas e falavam no seu talento!
Eu pensava em tudo para não desesperar, ao mesmo tempo que trocava mensagens com a Guida.
«Ele só pode estar a gozar comigo.» - disse-lhe.
«Está, está! Está é aguardar-te como quem chora de saudade!» - disse ela a gozar comigo.
Eram duas da manhã. A fila tinha chegado ao fim. Os seus olhos castanhos gigantes e tão bonitos vinham na minha direção.
- Desculpa.
Estava cansada, esgotada de esperar e pareceu-me no momento, pelo tom da minha voz que lhe respondera mal. Ele não tinha culpa, eu é que tinha esperado, ele também não me tinha obrigado a fazê-lo, esperei porque quis.
- O que queres saber sobre o meu curso?
Ele sorriu perante o meu mau humor.
- Não disseste que estudavas música?
- Sim… - respondi reticente.
- Eu quero saber mais sobre ti, não apenas de música. – disse-me puxando singelamente o meu cabelo para trás das orelha.
Não tinha grande jeito para conversa de engate, mas ao mesmo tempo conquistava. Não sei se tentava ter aquela conversa com todas as miúdas, se era um músico tímido que apenas sonhava com a tal.
- Senta-te. – disse.
- Meu, temos de abandonar. Vamos para o hotel. – disse um dos rapazes que o acompanhavam.
- João. Vou lá ter.
»Tomamos um café? – Perguntou.
Ele não estava em si. Café? Onde? Tinha a Guida à minha espera. Não conhecia Lisboa. Ele não se sentia importado com a multidão?
Questionei-lhe, não sobre tudo isso, mas parcialmente!
- Não importa nada disso. – Disse abraçando a minha cintura com a sua mão.
Teste? Força da razão? Vontade de algo mais? Retirei-a. E ele nada disse, sorriu. Ele era uma mistura de timidez com vontade, sensualidade com nervosismo.
Acabei por dizer à Guida para nos acompanhar, embora tenha reparado que não era vontade dele que eu a convidasse, no entanto não ia abandonar a minha amiga e como me mostrara desconfiada decidi levá-la, se é que me faço entender.
Eu nunca fui cética em relação ao amor, por isso já tinha sofrido demasiado e eu sabia que o folgo do meu coração pedia a sua mão na minha cintura como ele fizera nesse dia, mas eu não podia sofrer mais… E então lá seguimos os três para uma velha taberna com música dos anos 80.

(continua...)

3 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D