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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

10
Jan18

[Completas-me] Com a Elsa

Carolina Cruz

Olá, sorrisos! 
Vocês ainda se lembram desta rúbrica?!
Pois é, está de volta ao blog, desta vez quem me acompanha na escrita é a minha querida Elsa, que é muito simpática e o seu sorriso é maravilhoso! Ainda não conhecem o blog "As teorias da Elsa"?. Tratem já disso porque o seu blog transmite imensa felicidade e conforto a quem o visita. E é mesmo sobre felicidade que escrevemos (juntas) hoje! Espero que gostem!

 

"Todos os dias faço o mesmo percurso na procura do meu eu. Na busca da perfeição interior. No encontro comigo própria. Encontro a felicidade em cada movimento. Encontro a felicidade no cruzamento com os outros. Num pequeno gesto incalculado, esboço um sorriso. Uma satisfação que me completa... O que me preenche são as pessoas. Os seus passos. Os seus sorrisos. As suas vivências. Os seus ensinamentos. Completo-me de pessoas e guardo atitudes. Existem pessoas que me magoam. Afasto-me. Nego a sua existência. Não me completam. Pego nas experiências que me transmitem e absorvo. Tenho um chip sentimental muito sensível. Choro, grito e odeio, mas tudo passa. Eu quero que passe. Quero que apenas os bons sentimentos fiquem. Empurro o que não me interessa até ao precipício e rio maquiavelicamente quando cai. Quero ser feliz. Sou feliz. Eu só sou o que eu quero. Ninguém manda no meu ser. Eu completo-me. Tu completas-me. Existe outro ser. Uma realidade paralela. Um patamar superior. Quem sou eu? Alguém. O que quero ser eu? Feliz! Com quem? Com a metade que me completa. Quem é? És tu. És tu... Um ser imperfeito que vive na perfeição da minha vida. Que estou eu a dizer? Chama-se procura... Vivo numa eterna procura sem sentido. Sou e serei uma eterna insatisfeita e incompleta. Tenho tudo, sempre tive. O que me falta? Nada."

 

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Por isso não me compreendo, sei o que quero, luto por isso, mas ao mesmo tempo há um medo que surge, é um medo que tem nome: amor. E eu amo-te tanto que tenho receio perder-te no tempo das memórias. Porque esta procura incessante de mim, não existe sem ti, mas tu já não estás do meu lado, partiste e desde que partiste eu continuo a minha vida, mas não da mesma forma que me encontraste naquele tempo, porém esse tempo não passou por mim e eu continuo a querer-te como sempre te quis, podes voltar?
Porque quando digo que não me falta nada, eu acredito que ao faltares-me tu, falta-me o coração que bate, falta a vida, falta tudo e eu ainda digo que não me falta nada. Se eu não me percebo porque irias tu perceber-me?
Apetece-me matar a rotina, os gestos, as formas de vida e procurar a constante certeza que é ter-te nos meus braços. Tu és a minha pessoa preferida e sem ti, tenho tudo, mas não tenho nada.

22
Fev17

[O teu olhar] Agradece à natureza

Carolina Cruz

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Eu gosto de perguntar muitas vezes. Juro que gosto de me questionar porque é que o ser humano não poupa a natureza? E é nestes momentos em que me sento e me sinto só eu e o mundo, que penso que perdemos tanto por fazê-lo. Muito mais que julgar que ganhamos, nós sabemos que estamos a perder.
E por isso não ganhamos nada, rigorosamente nada. Estamos a perder a nossa dignidade, o nosso ar puro, a nossa vida.
Os que muito têm, na verdade não têm nada, porque a vida é muito mais que um bolso cheio, é poder sentar-se aqui, ter tempo para respirar e agradecer à natureza pelo seu ar puro, quando o faço sinto que não necessito de nada, que tenho tudo. Agradeço.
Agradecer faz tão bem, sinto que muitas pessoas não o fazem, resignam-se à sua mestria, à sua rotina, àquilo que acham que têm de melhor, que é melhor do que o dos outros.
Sou da opinião, que se a maioria da gente a quem o coração bate, agradecesse, o mundo tornar-se-ia um lugar melhor, as pessoas aprendiam a agradecer o que têm, sem depender do dinheiro que lhes pagam ou lhes devem, seriam mais calmas, mais generosas, e mais pacificas como ensina a natureza, porque se ela se enfurece foi porque o homem não foi de todo simpático para com ela.
Por isso, senta-te, inspira, expira, agradece pelo que tens, à simplicidade da tua natureza e sê feliz, depois o amor nasce, a amizade cresce, e o teu ego também.
É tão simples não é? Agradece.

 

(Fotografia da autoria de Daniela Marinho, autora inspiradora do blog fantástico - "Not my cup of tea")

 

 

21
Dez16

[Completas-me] com a Marina

Carolina Cruz

É com todo o prazer que hoje trago a simpática Marina, do blog "O olhar da Marina" para comigo contar uma história sobre amor verdadeiro. Espero que gostem do texto tanto como eu gosto da Marina (ainda não visitaram o blog? Tratem disso!).
Aqui vai o nosso texto a duas mãos. 

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“Ele olhou para mim e de repente o meu sorriso desapareceu pois eu notava que aquele olhar estava cheio de perguntas, cheio de sentimentos, ele parou nesse instante analisando o meu rosto e eu virei a cara para ele não perceber, reagindo friamente.
Ele aproximou-se de mim como que em câmara lenta “porque é que não o viste antes assim?! agora tudo está perdido, não vale a pena”, e sem querer uma lágrima escorreu me pelo rosto.
Ele olhando me nos olhos acariciou-me o rosto limpando a lágrima que me caia, eu baixei a cabeça e ele gentilmente pegou no meu queixo com suavidade e aproximando-se de mim beijou-me lentamente os lábios, quase que podia sentir a minha cabeça a explodir de tanta paixão, sentimentos escondidos e reservados que naquele momento
ganharam vida.
O beijo foi cada vez mais ganhando vida, e passou de um beijo lento e suave a um beijo mais desesperado e intenso. Eu correspondia, pois nesse momento ambos descobrimos que apesar de todos os obstáculos, apesar de tantos erros, apesar de a vida por vezes querer que nos afastássemos, nós estávamos completamente apaixonados e nada poderia nos separar naquele momento, porém…” ainda eramos o típico casal “Romeu e Julieta”, ainda que apaixonados e jurando amor eterno, tínhamos de o fazer em segredo, porque se o meu pai descobrisse e o dele estávamos bem lixados, tínhamos de, tal como num filme, morrer por amor.
- Receio perder-te de novo. – Disse-lhe.
- Isso não vai acontecer, não agora, nunca! – Respondeu-me. – Se eu tiver de dizer ao mundo que te amo, nada me poderá impedir de o fazer, nem os nossos pais.
Júlio era indiano, e fugira ao seu casamento prometido pela sua cultura e eu, portuguesa de gema, de uma família endinheirada, devia estar casada com um empresário ou um médico de eleição, mas não, em plenos 34 anos permaneço aqui, a escolher o amor, mesmo depois de todas vezes em que neguei a mim mesma, gostar de alguém como ele. Como ele? O que ele tinha a menos que um médico de sucesso? Talvez dinheiro, mas isso não era nada comparado com as horas de amor a mais que podia ter comigo, do tempo que dispensaria a amar-me e não a ter-me como apenas mais uma medalha na sua vida tão conceituada. Não, mesmo que me dissessem que morreria se escolhesse com ele ficar, eu continuava a querê-lo, sem sombra de dúvidas. Mas eu não iria morrer. Eu iria amar o homem a quem prometi, sem saber outrora, anos da minha vida e, então, sendo amor, amor verdadeiro, essa força sobre-humana, ninguém podia (de)terminá-lo, nem mesmo a morte.
Por isso após recear, recomecei uma nova vida fora da minha zona de conforto, a zona de outrora, porque junto de quem menos julgaram estar junta o meu conforto renasceu e, hoje eu sei ver no amor, o caminho para a felicidade.

 

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02
Dez16

[O teu olhar] Dezembro está de volta

Carolina Cruz

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Dezembro está de volta.
Vem carregado com o seu frio característico e a sua neve que mesmo arrefecendo as mãos, aquece o coração com brincadeiras em família.
Dezembro está de volta. Já? É verdade, parece que foi ontem que 2016 estava a começar e agora pouco falta para terminar.
O tempo voa, o tempo é uma constante rapidez, ontem ainda era Agosto, hoje embrulhamo-nos nas mantinhas, no consumismo natalício e na sua magia das pequenas coisas.
O Inverno virá com o seu chocolate quente, com os presentes variados e a neve que cai no beiral fazendo com que desejemos que os nossos sonhos maiores se concretizem, e que o novo ano venha com saúde e mais felicidade, aproveitando cada segundo desta vida que passa na rapidez de um piscar de olhos.
Por isso vamos ser felizes em Dezembro, vamos ser felizes no ano inteiro que virá.

 

(Fotografia do simpático João Pires, do blog "anjo da esquina", visitem porque o João tem muitas histórias para contar neste olhar e noutros muito bonitos) 

25
Nov16

[Por aí] Follow Friday no blog da "Simple Girl"

Carolina Cruz

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Sempre achei especial que o facto de escrever me deixasse tão completa, tão feliz, motivada para o que desse e viesse. Escrever sempre me ajudou a aceitar e a receber o que a vida tem para me ofercer - o bom, o mau e consigo a aprendizagem. 
Criar um blog foi um desafio, um lugar onde colocar as minhas palavras foi de início o meu objetivo. 
De dia para dia, esse lugar tornou-se um sonho e também uma partilha para os poucos que me seguiam. 
Passaram-se anos (sete) e esses poucos começaram a ser mais, muitos mais e o gosto pela escrita tem vindo igualmente a aumentar, assim como o sonho de lhes dar vida.
O objetivo passou a ser que quem me lesse sentisse que todos erramos, que todos temos dias maus, feridas, mas que ainda assim, ainda há tanto de bom, que a vida sabe como nos compensarmo e nos fazer felizes. Acreditava que podia fazer acreditar, que ao oferecer as minhas palavras a quem as quisesse ler, tornaria o "mundo" num lugar melhor. E o blog passou a ser um desafio maior, meu, com a vossa participação.

Hoje tive mais uma prova viva de que nada do que escrevo é em vão. Que valeu (e vale) a pena todo este crescimento, todo este tempo que dedico às minhas palavras, que dedico a quem me lê, a quem também me escreve e escreve comigo.

A "Simple Girl", essa querida blogger que usa da simplicidade a sua forma de olhar o mundo e de escrever, dedicou-me hoje, o seu "Follow Friday" (o seu primeiro), fazendo-me sorrir até às lágrimas. Fazendo-me entender que, nas pequenas coisas, nós conseguimos tão bem, ajudar e transformar o mundo num lugar melhor.

Vou mencionar algumas das suas palavras, mas prometam-me (por favor!) que passam por lá para lerem a dedicatória completa e, é claro, para visitarem o seu cantinho tão especial.

 

"Não sei porque estou a escrever tanto. Talvez porque adoro a Carolina e aos textos dela. Talvez porque ao ler o que ela escreve consigo arranjar mais força em momentos que estou a perdê-la. Talvez porque as palavras dela me inspiram a ser melhor a cada dia, a lutar pelo que quero, a não desistir quando é o que mais me apetece fazer.
O blog da Carolina é o Gesto, Olhar e Sorriso e é para mim um dos melhores blogs que sigo. Numa altura atarefada da minha vida com trabalhos para a faculdade, era lá que passava uns momentos de pausa a deliciar-me com os seus textos maravihosos. Não era - nem é - uma perda de tempo porque ao ler as palavras dela parece que me acalmo, que volto a ter esperança na vida, que o melhor é não desistir e continuar a tentar."

 

Sinto-me como se me tivesses abraçado, e sabes como eu adoro abraços. Aqui tens o meu também 
Sinto-me grata. 
Um obrigada, é pouco. 

 

16
Nov16

[Completas-me] Com a RP

Carolina Cruz

Hoje o "Completas-me" está de volta! Finalmente! - devem dizer vocês. É verdade, mas como disse no facebook, eu não gosto de fazer as coisas à pressa, mas sim dedicar-me de todo o coração àquilo que abraço. E esta rúbrica, como todas as outras, merece a minha perfeição, e como ela não existe, eu procuro dar o meu melhor. 
Hoje trago-vos a minha querida e simpática RP para um texto sobre quebra de monotonia e mudanças. E é engraçado que esta história fez-me sonhar que estava num avião com ela, não é curioso? :D

Vamos ler? Espero que gostem desta história escrita a duas mãos!

 

"Agora que o avião colocou as rodas no chão é que caí em mim. O meu estômago embrulha-se, tal é a minha ansiedade. Constato, agora que estou mais lúcida, que pouco me falta para ter um ataque de pânico. Mas onde é que estava com a cabeça? Como fui capaz de largar toda uma vida? Uma bagagem? Os amigos? A família? Os meus pais choraram tanto. Disseram que todos temos segundas oportunidades. Que fugir não é solução, nunca é! Não concordo. Acho que a pior das hipóteses era ficar. Voltar aos mesmos lugares, ver as mesmas pessoas. A cabeça quente achei que sair do país era o ideal. Mas não para a Europa já com um emprego e uma casa garantidos para os tempos de adaptação. Conheceria alguém. Isso resultaria em familiaridade, em questões, em voltar ao mesmo. Não queria isso. Tudo menos isso... Talvez o meu pânico se deva a sair da zona de conforto. Ao facto de não conhecer ninguém a quem recorrer, a não conhecer o lugar. Ou a ambos. Que raios! Lancei-me de cabeça. Nem sequer o idioma sei. Não tenho emprego. E se não arranjar? Não tenho conta bancária para uma estadia demasiado longa.   As portas do avião abriram. Nem sequer sei onde é a saída do aeroporto. Sigo a multidão. Faço neste momento parte do rebanho. Eu que sempre fui contra isso, que sempre me revoltei com as imposições. Aliás agora que penso nisso lembro-me das pessoas que tanto dececionei. Os meus pais que sempre batalharam para me darem uma vida estável. E cujas regras sempre me obstinei a cumprir. Os meus amigos que sempre me deram um apoio e conselhos e eu largo-os. O meu cão, até ele que tanto gosto dececionei ao não o trazer comigo. Todas as relações falhadas que tive. Não culpo nenhum deles. Culpo a minha pessoa, a insatisfação crónica, o só querer estar onde não estou... Eu fui a pessoa mais dececionante que lhes poderia passar na vida. E nenhum deles merece. Estão táxis à porta. Rabisco o nome do centro da cidade e mostro ao taxista que acena com a cabeça como quem diz que entendeu. Olho pela janela e reparo em como tudo é tão novo, o que me entusiasma, e tão estranho, o que me aterroriza ainda mais. O taxista deve ter reparado na minha cara porque o ouço a dizer com um sorriso encorajador: "No worries miss. It's safe!" Deve pensar que o facto de já terem sido alvos de terrorismo me amedronta. Como se isso não acontecesse cada vez mais na Europa. Olho para ele e devolvo o sorriso. Tenho mais medo da minha pessoa para ser sincera. Deixa-me no centro, pago e agradeço com a melhor pronúncia que consigo arranjar. Olho à minha volta. Toda a gente passa, todos se conhecem, todos parecem seguros para onde vão, todos estão no seu mundo, ninguém repara em mim. A pergunta que me assola é: "E agora? Para onde?".

 

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Sinto-me perdida, mas já que tomei esta decisão, não posso tornar-me mais cruel comigo mesma. Sei que ainda guardo os últimos tostões e se conseguir ainda me dão para alguns dias, mas não muitos. Trago a guitarra comigo. Faz tanto frio, estou encasacada como uma esquimó. Pareço uma idiota. Decerto haverá por aqui pousadas baratas. “Caramba” – penso – “Nova Iorque é um mundo e eu sou uma formiga em cada rua que passo”. Estou enganada, aqui ninguém se conhece, como vou eu conhecer alguém? Merda. Todos os pequenos seres são formigas que olham para o seu umbigo. Ainda agora cheguei e sinto-me impaciente, não quero isto, mas também não quero ceder aos meus medos. Creio que também eu olhei apenas pelo meu umbigo, e quando julgava que perdia o mundo, por perdê-lo a ele, por estupidez minha, perdi na verdade todos os que tinha à minha volta. Como voltar atrás? Como fazer diferente?
Agora não posso, e para me deixar de consciência tranquila vou fazer o melhor por mim. Se a vida me desse uma segunda oportunidade para amar eu seria a pessoa mais recompensada do mundo e então todos os meus fantasmas partiriam, mas a vida não é como nos filmes.
No exato momento em que pensava nisto, um rosto simpático mergulhado na penumbra veio falar-me… A sua mão pousara no meu ombro.
Com um português misturado num inglês dito a medo, perguntou-me onde podia jantar em conta, sem que precisasse de pagar muito.
Soltei uma gargalhada, não que tivesse piada, mas por instantes não me senti só.
- Eu falo português. – Disse eu depois de parar de rir.
- Uff. – Disse ele soltando um suspiro simpático, acabando por sorrir. – David. – Disse-me, apresentando e estendendo a mão ao mesmo tempo que me oferecia de novo um sorriso. Tinha uns olhos verdes quase da cor de lima e um olhar sonhador.
- Sofia. – Disse, retribuindo o aperto de mão.
Naquele instante em que ele me olhou, eu podia imaginar que tinha acreditado no amor à primeira vista e que o meu coração voltou a sonhar, mas não quis levantar falso alarme. Sim, estava cansada de falsos alarmes, de trair os outros como fiz com ele e comigo também.
- Felizmente não estou sozinha nisto. – Acabei por dizer.
- Quer ir a algum lado? Vamos procurar juntos algum lugar para jantar?
- Se me tratar por tu. Devemos ter a mesma idade.
Curiosamente tínhamos, a mesma idade, os meus gostos, as mesmas vontades, por incrível que pareça – os mesmos escapes.
Dividimos o maço de cigarros que ainda me restava e conversámos sobre tantas e variadas coisas pela noite fora, que parecia que o conhecia há mais de mil anos.
Ele tinha chegado há uns dois dias e andava tão perdido quanto eu, vinha de uma viagem pela Europa, em busca de mudança, vinha com intenções de mudar de vida e gastar pouco, aprender com o mundo, tal como eu fugia à monotonia, mas não me dissera quaisquer razões para a quebrar. O tempo encarregar-se-ia de mo dizer. Eu apenas desejava esse tempo para o conhecer melhor.
- O que pretendes? Ficar?
- Se tiver motivos. Porque não?
Por momentos, na minha inocência parva, sempre a chamar o coração, tive vontade de ser eu esse motivo, mas fantasia-lo, era, por si só, ridículo. Desde que partira naquele avião sentia-me uma louca à deriva, mas encontrar David foi, na verdade, o melhor que me podia ter acontecido.
Porque tempos mais tarde encontrámos razão um no outro para ficar, para ser, para estar. Ele concordou que eu devia fazer as pazes com o meu passado, pedir-me desculpa e depois fazer o mesmo com quem magoei.
Uma amizade verdadeira nasceu entre nós. Ele também era músico amador, mas juntos tomámos a música como opção, começando a tocar juntos nas ruelas, nas ruas mais movimentados, nos metros.
A primeira vez foi por brincadeira e, ao ver que fazíamos sucesso, a brincadeira tornou-se algo mais sério, um sonho, uma mudança no mundo, dos outros e do nosso.
Um ano mais tarde, fomos desafiados por uma discográfica, dividíamos um apartamento minúsculo sem nada haver entre nós, além da amizade profunda. Até ao dia, que o verdadeiro sonho de ambos se tornou real – o palco.
Aquele abraço na subida e no desejo de sorte, desenrolou-se no beijo mais especial de todos os tempos e, naquele momento e em todos os outros, em que a mudança foi a vitória da minha vida, eu agradeci ter partido, ter quebrado a minha tristeza, fugindo da rotina. Embora fugir nunca seja a solução, para mim foi a mudança. Hoje sou alguém bem resolvida com a minha pessoa, com quem sou, como o meu passado. E o meu presente? Com ele é especial, com a minha profissão, com o que somos, com o que temos – o mundo nas nossas mãos – e os seus dois dialetos universais – o amor e a música.

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(fotografia do filme "Walk the line")

18
Out16

[Tag] Filmes

Carolina Cruz

A justanordinarygirl e a Anna desafiaram-me para esta tag e como adoro cinema, já não é novidade para ninguém, tive de aceitar é claro! Vou tentar não repetir nenhum filme ok? Bora lá começar o desafio!

1. Último filme que vi: Remember Sunday! - simples, divertido e muito amoroso *.*

2. Filme para rir: Love, Rosie - divertido, romântico, choras e ris ao mesmo tempo!

3. Filme para chorar: A culpa é das estrelas - já o vi 7 vezes e choro sempre!

4. Um filme que quero muito ver: Ela.

5. Um suspense: Mata-me de prazer - "Killing me softly" 

6. Um filme para ver com a família: De repente já nos 30!

7. Um romance: O diário da nossa paixão

8. Um filme lindo: Amor sem fim (2014)

9. Um filme para morrer de medo: The ring

10. Um filme de ação: Divergente.

11. Um filme que não vale a pena/não gostei/não recomendo: Uma segunda juventude.

12. Um filme para o feriado: Paixão de Shakespeare

13. Um desenho animado: Mickey Mouse, of course!!

14. Um filme que toda a gente tem que ver/que recomendo: A vida é bela - dispensa apresentações e justificações certo? Bem me parecia!

15. Um filme que vi 3 ou mais vezes: O diário da nossa paixão

16. Um filme para meninas? Juntos ao luar.

17. Melhor filme que já vi: Um dos melhores - A lista de Schindler - nu e cru.

18. Um filme que deixei pela metade: Ned Kelly

19. Personagem preferido: Guido, de  "A Vida é Bela" pela tamanho coragem. 

20. Diretor/realizador preferido: Steven Spielberg, entre outros!

21. Melhor filme de ficção científica: Só vi um, creio! Não gosto do género - A ilha.

22. Primeiro filme que vi: Os cento e um dálmatas *.*

23. Melhor filme de fantasia: O ilusionista

24. Género favorito: Drama.

25. Clássico da Disney preferido: O Rei Leão 

 

Done! Falta sempre alguns mas desafio é desafio, não repeti nenhum! Desafio quem se sentir desafiado!
Boa noite :)

02
Set16

[Resenha Literária] Um amor inexplicável

Carolina Cruz

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“Um amor inexplicável” é o primeiro livro da blogger Ana Ribeiro, do blog “Escreviver”.
A sua paixão pela escrita é também ela inexplicável, sendo que através da editora Capital Books, Ana publicou o seu livro, que conta a história de João Pedro, um jovem apaixonado pela vida, que a vê fugir quando lhe é diagnosticada uma leucemia.
Quando todos os amigos o abandonam nesta sua fase mais crítica, é Laura quem o abraça com esperança e que acredita em todas as suas vitórias.
Laura não conhece muito bem João Pedro, no entanto uma amizade surge quando todas as outras partem, surgindo também um amor que se torna especial. Porque é na dureza que a vida nos transmite, que tudo se torna verdadeiro.
Um livro que podia ter tudo para ser dramático mas que não é, fazendo-nos sim, procurar seguir sempre os nossos sonhos.
Uma história importante e com factos interessantes para serem debatidos com os mais jovens, o que tem vindo a fazer a autora.

24
Ago16

[Completas-me] com Andreia de "O meu poema"

Carolina Cruz

E lá vamos nós, para uma viagem a duas mãos, as minhas e as talentosas mãos de escrita da Andreia, do fantástico blog "O meu poema"
Espero que gostem tanto, quanto eu gostei desta partilha. 

 

“Encosta a porta.
Deixa que o vento te sussurre ao ouvido, enquanto gemem, em rebuliço, os cravos cor de sangue imortal. Deixa que o tempo leve de arrastão as lembranças que entrelaçaram os nossos caminhos. Deixa que o adormecer da madrugada te traga o silêncio de um lampião à escuta, a fuga das estrelas, o sentido das palavras feitas nas entrelinhas.
Lê, uma vez mais, as cartas que eu nunca te escrevi, os beijos quentes de outono, os passeios longos, as conversas banais…
Guarda em ti o nosso pretérito mais que perfeito, onde cabiam todos os sonhos do mundo, uma vida inteira sem último dia, um lugar sem pressa, sem futuro, sem questões.
Depois, quando a estação mudar, não penses mais!
Rasga os versos que escreveste e atira para o mar. Rasga a pele que há em ti e rompe a saudade mordaz que te prende, que te amarra, que te queima, que te destrói.
Denuncia-te!
Levanta os teus sonhos, ao nível dos olhos, e arrasta a poeira de cada calafrio. Levanta-te sem que destruas a história que te deixou ver o amor sem pernas e sem braços, sem dias a mais ou filas de espera. Esvazia o tempo em contrarrelógio, porque houve um dia em que contruímos o nosso castelo na areia, enquanto se deixavam bater, pelas ondas, as memórias de um refúgio antigo, de um desejo secreto, de uma mágoa apagada.
Por agora, agarra bem a almofada. Prende-te à humidade das lágrimas salgadas que irrompem do escuro, do relento de uma alma sem destino, de um ritmo descompassado, de uma angústia em tempo morto, onde a única certeza…”

 

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...é inutil. Cerca-te de uma coisa, de um pensamento que te encaminha à realidade: ele não voltará, como não volta a revolução de Abril. Tal como a história de outrora, ele apenas mora no teu pensamento, em cada recordação tua, do teu passado. Deixa que alguém mais tarde ocupe o seu lugar, ele será apenas uma lágrima, um pedaço de sangue que não te merecerá jamais.

Viveres nessa amargura, é só idiotice tua, não escarneças a tua pessoa. Vive. Abandona todas as dúvidas e segue o teu sonho, aquele que ninguém vivenciará por ti, tu és dona disso, da tua certeza, da tua vida, não deixes que ninguém diga para onde vais, se não é esse o teu caminho. Conta as horas, vive cada segundo e mostra o mundo que não és as muralhas desse castelo mas a rainha que ficou na história não por morrer pelo amado, mas por ser a primeira a vencer a mais terrível das batalhas.

 

22
Jun16

[Completas-me] Com Joana Freitas

Carolina Cruz

Hoje a nossa blogger convidada é a simpática Joana Freitas do blog "Quase Italiana" (um blog com temas variados e interessantes para diferentes públicos-alvo). O seu texto é sobre o amor, que tantas vezes nos dececiona... 
Escrevemos juntas este texto, espero que gostem! :)

 

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"Só estou a dizer adeus às memórias.... Sim, às nossas... Aquelas que simplesmente jogaste pela janela fora quando cada um foi para seu lado. 
Sabes... Confesso que ainda tinha 1% de esperança, até te encontrar em plena rua de mão dada com uma desconhecida. Desconhecida, para mim, porque, para ti,  pelo que vi, já a conhecias tão bem que até trocavam os mesmos carinhos que os nossos. 
E tu perguntas, "Se sempre tiveste esperança porque não vieste até mim?" 
Eu sempre ouvi dizer que devíamos deixar voar tudo aquilo que nos faz mal, e o que fiz, foi apenas te dar a liberdade que tu nunca me deste. 
Se ainda dói? Dói... Mas não tanto como ontem. E a dor, vai desaparecer com o passar dos dias. Vou ganhar novos hábitos, fazer novas amizades, conhecer coisas novas", a minha vida sera melhor, porque se te afastaste do meu caminho, por alguma razao foi, sobretudo para me dar força e para me fazer lutar pelo meu amor proprio, coisa que nunca existiu quando existias por perto. Amanha eu sei serei mais forte, mais capaz de vencer a saudade e abraçar outro alguem que me respeite, que veja em mim o que tu nunca viste. Nao terei pena se voltares e me quiseres de volta, se isso acontecer vou bater palmas e fazer troca de ti, mostrar que nao me abalaste, que consegui ser feliz, e provar que fiz isso tudo por mim, "tudo sem ti". 

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