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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

14
Out17

De coração

Carolina Cruz

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Permitam-me que escreva sobre nós. Nunca o fiz, sinto essa necessidade.
Três amigas, três personalidades diferentes, três diferentes percursos de vida, três diferentes formas de olhar o mundo.
Nunca essas diferenças de ser, de estar ou de distância se impuseram no nosso caminho, nada disso, muito pelo contrário, é ela que nos torna mais especiais. 
Com a distância e com o tempo, a nossa amizade adensou-se e a alegria que brota em cada encontro torna tudo (ainda mais) mágico.
Especial é aquilo que nos une, somos uma família além da própria família. Sinto que o que nos une é inteiramente de coração.
As conversas, os segredos, o à-vontade, a partilha, a emoção, é algo que dou valor, sei que damos todas, e é isso que nos liga, num elo para toda a vida.
Permitam-me que sonhe e que diga que quero que seja para sempre assim, até sermos velhinhas. Pode ser?
Porque o amor mais bonito e infinito é o de amizade. 
E eu adoro-vos, de coração.

04
Out17

Sê.

Carolina Cruz

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Sê autêntico. Sê tu, sem máscaras, sem filtros. Sê para que te sintas bem contigo mesmo.
Dá, sem pedir nada em troca.
Dá(-te) de coração. Porque dar nem sempre significa receber. Dá porque te sentes bem com isso. Dá porque amas, porque queres ver alguém feliz. Não hesites. Faz de coração.
E não esperes nunca que façam o mesmo por ti, podes cair no erro das expectativas e por essa ordem saires magoado.
Não esperes dos outros tudo de bom, tudo o que dás, eles também têm defeitos, os outros também erram, também têm esse direito, tu tens, certo?
Ora por tempo, por indisponibilidade, às vezes magoamos sem dar conta ou atenção, isso não significa que não gostemos de alguém.
Por isso, sê autêntico.
Vive de coração e dá o melhor de ti, a quem tu sentes que vale a pena, porque o que surge, sem expectativas e com surpresa, traz-nos mais felicidade.
Sê, autêntico.
Sê, de coração. 

14
Set17

[Ficção] Dói.

Carolina Cruz

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Dói-me o corpo todo.
Dói-me olhar-te e não ver mais nada se não o espelho da minha falta de dignidade, do meu rancor, da minha frustração, do meu medo, do meu pesadelo.
Bebo mais um golo de whisky, misturo-lhe vodka pura, que explosão louca, mas não maior que aquela que provocas no meu coração e consequentemente na minha alma, por ferires o meu corpo.
Bato a porta, mas não sei para onde vou, volto a entrar, já nem consigo tomar conta de mim, o que tu fazes tão bem, dizes tu de uma forma tão imperativa.
Controlas este meu corpo como sendo inteiramente teu, magoas, violas, torturas, este corpo que já está mais morto que propriamente vivo, enquanto se mantém nos teus braços.
Assim não quero mais permanecer, eu que não tenho mais confiança em mim, eu que não acredito que sou capaz, que melhores dias virão e que te venham buscar.
Mesmo que o viessem, mesmo que te levassem da minha vida, eu não seria mais a mesma, não conseguiria voltar a ser eu mesma, a mulher linda e confiante de cabelos ruivos que amava tanto a loucura, mesmo sendo sensata.
Agora nada sou além de ti, sou um espelho do que não quero ser. Por isso, por não saber o que faço deste lado, por ter perdido o norte ou tendo morrido ainda que viva, termino com tudo o que dói e à vodka e ao whisky junto milhares de capsulas que me levam à loucura, à overdose e à sensação de alívio. Deixei tudo para encarares, deixei o meu corpo, a minha alma livre e jovem viaja agora para outro lugar.
Não sei se tomei a atitude certa, mas não há volta a dar.
Não sei se tomei a atitude certa, mas sinto-me melhor.
Morri, por tua culpa.
Morri, sem ti.
Morri triste, mas agora estou feliz, em paz.

12
Set17

[Ficção] Porquê agora?

Carolina Cruz

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Tenho 30 anos. 
Nunca antes vivi um amor platónico.
Porquê agora? Depois de ultrapassar todas as mágoas de relações amorosas…
Talvez por isso eu sinta que seja amor platónico, pois falta-me aquele que é o mais precioso, o amor que sinto por mim mesma. 
As relações falhadas levaram-mo todo. Uma e outra vez, sem restar nada de mim.
Por isso acho que apaixonar-me pelos teus olhos azuis é inútil, que tocar as tuas mãos como simples cumprimento e fervilhar o coração dentro de mim é ridículo.
O que resta de mim depois de tudo o que me levaram? Se eu não me amar, não posso amar outro alguém, mesmo que seja correspondida. 
Ainda assim não é o que sinto que sintas por mim, o mesmo amor, a mesma obsessão inocente, a mesma paixão.
Estarei a confundir certamente tudo o que há dentro de mim, preciso de me sentar e conversar comigo mesma, situar-me e sentir-me, só depois com certeza poderei conversar contigo, se quiseres dar-me um pouco de atenção. 
Estou cansada de sofrer, por isso se um dia vieres, vem para ficar e faz-me sentir completa, ama-me e faz com que eu me apaixone de novo pela pessoa que sou. 
Isso é o mais importante. O amor-próprio. 
Depois amar-te-ei completamente, do fundo do meu coração.

10
Jul17

[O teu olhar] Porto do meu coração

Carolina Cruz

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Porto.
Há muito que não te escrevia. E tu sabes porquê, enamoraste-me na paixão pelo teu rio e deixaste o meu amor por ti morrer. Ainda assim eu não sinto rancor, sinto saudade. Saudade de te dizer "estou aqui" e estar realmente de braços abertos para te receber, porque deste-me o maior encanto de todos, o amor-próprio.
É por isso que mesmo depois de tudo, de tanto tempo, eu ainda consiga gostar de ti da mesma forma e recordar o teu sorriso ao nascer do sol.
Essas tuas pontes são a forma de compreender que existirá sempre uma razão para nos unir, mesmo antes de nos separar.
Porto, desculpa não escrevo só para ti, escrevo para um amor perdido, no entanto decidi em escrever-te.
Foste tu o meu remetente porque foi nos braços dele que me perdi mas foi no teu regaço que me encontrei.
Porto, feito de memórias. Porto feito de razão, porto de abrigo, de amor. Porto do meu coração.

 

 

(Adoro o Porto, a Sara sabe disso. Esta fotografia está maravilhosa, é uma das tantas fantásticas que tira. Já seguem o seu blog "Just Saying"? Tratem disso porque vão adorar!)

08
Jul17

[Por aí] Salvador Sobral no Convento de S. Francisco

Carolina Cruz

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Salvador Sobral tem uma voz inquietante e um talento inquestionável.
Sobral é uma alma revolucionária e isso tem vindo a fazer dele um alvo de críticas positivas e menos positivas.
Creio que Salvador está mais importado em viver aquilo que mais ama fazer, do que agradar a todos. É verdade que ninguém consegue fazê-lo, porque teria uma figura pública de consegui-lo?
Não se considerando uma, Salvador vive com intensidade a música e isso é visível, ele diverte-se à brava com o que faz e isso, na minha humilde opinião, é o mais importante. Afastando-se das máquinas tecnológicas e pedindo ao público para em vez de usá-las, usufruir do seu trabalho e do puro jazz, leva esse mesmo público a apaixonar-se por cada nota musical que, de outra forma, talvez não tivesse tanta atenção.
Com piadas próprias que não são do gosto de toda a gente, Salvador troca tudo o que pode ser mau na sua vida pela coragem de rir e que coragem é preciso ter!
Mas como esta publicação não é para falar do seu coração que sabemos que é fraco digo metaforicamente, mas de forma verdadeira, que é poderosamente forte no que toca à música.
A música é a sua força e isso torna tudo transcende, mágico, inexplicável, ouvir Salvador Sobral ao vivo é como entrar noutra dimensão, é um explodir de sentimentos, apertar o peito, respirar fundo, agradecer e querer mais e mais.
Salvador Sobral faz-se acompanhar por uma banda incrivelmente talentosa, composta por Júlio Resende (piano), André Rosinha (contrabaixo) e Bruno Pedroso (bateria). Uma equipa unida, uma família que faz de quem os vê e escuta um grupo de amigos, como se estivéssemos em sua casa ou num bar bem simpático e acolhedor.
Humildemente Sobral sai muitas vezes para a penumbra para deixar os seus colegas brilharem, como se também ele se colocasse na plateia. O orgulho que ele tem em quem o acompanha é enorme e visível.
Um pianista que é um talento incrível, um contrabaixo doce e uma bateria tocante, uma voz arrepiante que brincam seriamente com o verdadeiro jazz. Aqui, há música pura, sem rodeios, sem questões, sem arranjos.19970629_1614215851923247_765967326_n.jpg
Merecem salas esgotadas, merecem aplausos, merecem sucesso e quando falo em sucesso, falo do intemporal, do que marca para sempre, não do momentâneo, porque o que se faz não é apenas com o corpo, é com tudo, porque como diz uma das novas músicas do cantor e que tão bem o define: “No corpo e na alma estava o coração”, o mesmo coração que bate inteiramente por esta arte.

Tive o prazer de presenciar tudo isto, no passado dia 6 de julho, em Coimbra, no Convento de S. Francisco e agradeço por isso.

 

 

30
Mai17

[Ficção] Gostas, mas...

Carolina Cruz

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Deixa que a vida corra.
Deixa que eu me afaste.
Estou cansado de correr atrás de ti, quando és tu que constantemente me ignoras.
Sim, eu sei. Eu sei que gostas de mim. Porém, eu não sei, não consigo compreender essa forma que tu tens de gostar de mim.
Gostas, mas não estás presente.
Gostas, mas parece que não me queres na tua vida.
Dás desculpas.
Eu sei que gostas, mas quem gosta com todo o coração, não dá desculpa, mas razões e tempo para estarmos juntos.
Por isso, não percebo.
Por isso, deixa que eu me afaste.
Deixa que a vida corra...
Foi o que fizeste, ainda que digas que não...
E ainda que digas que não
A vida vai sempre correr e os nossos caminhos irão tomar rumos diferentes.
Tens pena? Eu também.
No entanto, não há mais nada a fazer... Escreveste o teu caminho, fizeste a tua escolha.
E eu...
Eu não estarei mais aqui à tua espera!
 

 

 

 
22
Mai17

[Ficção] Quem ama...

Carolina Cruz

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És valente por vir pedir desculpa? Por vires dizer a verdade? Até podes ser, mas… uma ova! Quem ama não trai.
És um cobarde. De que é que sentiste falta? Do teu espaço de solteiro? Do teu engate piroso, só pelo facto de eu já estar conquistada?
Metes-me nojo. É só isso que te consigo dizer.
Tu sabes que não perdoo, eu não sou ninguém a menos para estar a mais.
Mesmo que aches que não, eu tenho amor-próprio. O suficiente para te dizer que as tuas lágrimas de crocodilo não me afetam, que tenho mais pena de ti que de mim. Eu não perdi nada, mas tu perdeste o teu melhor. Se tivesses mantido a tua dedicação, eu seria a mulher da tua vida, mas não sou do tipo de mulher que implora para ficares ou que quer fiques, depois de toda a desilusão, de toda a merda que fizeste.
Não me irei ajoelhar, muito menos implorar esse amor que ainda dizes sentir. Se para ti, isso é amor, não é igual à minha definição. Quem ama não trai.
Quem ama, não vive somente para essa pessoa, mas a sua vida amorosa pertence a um só corpo, a um só coração. Se partilhaste esse desejo, mesmo que não tenha sido amor, não te quero mais.

 

 

05
Mai17

[O teu olhar] meu "cãopanheiro"

Carolina Cruz

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Meu “cãopanheiro” é contigo, e foi contigo que eu acreditei que a amizade pode ser muito mais que algo entre géneros, forças ou humanos. Não acreditas? Bem podes fazê-lo, porque, na minha opinião, és o melhor amigo que alguém pode ter. Entendes-me, conheces todos os meus defeitos e não criticas, não dizes mal, compreendes e ainda assim manténs-te do meu lado, a amar-me da mesma forma.
És tu que estás sempre lá. És tu que me abraças como se fosses a areia e eu o mar. És tu que me sabes realmente amar. Sem rodeios, sem formas, sem complexos ou complexidades. O Homem é demasiado comum, demasiado complexo para compreender sem julgar os outros, ouvir sem conversar ou sem pôr erros de parte. Tu, pelo contrário, ouves-me, choras comigo e mesmo sem conhecer a realidade sabes que do preciso, de conforto e de alguém esteja lá, tu sabes tudo sem, se calhar, saber realmente. No entanto, não importa, pois sabes amar, amar sem vírgulas ou pontos finais, amar no mais simples da palavra e do verbo.
Não me perderás nunca, pois vivo no teu coração, que embora pequeno, é tão grande e, eu sei, que nunca me abandonarás. O teu maior erro tu não podes controlar, mas eu sei que partes cedo, pois o teu objetivo é o de me marcar. Um marca de amor para sempre.

 

(fotografia da autoria de Zinder León)

04
Mai17

[Ficção] Da minha história

Carolina Cruz

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É isso mesmo, o que o Diogo Piçarra já escreveu: “Sempre serás o fim e o início da minha história”.
És sim, sempre serás.
És o meu início porque sempre sonhei contigo. Mesmo sem te conhecer, era contigo que eu sonhava, como alguém como tu, para me viver, para me amar por completo.
Sim, também serás o meu fim, porque mesmo encobertos deste nojento orgulho perverso e autodestrutivo, sabemos que seremos sempre parte um do outro, da história pessoal de cada um, de cada coração que bate em nós.
Nunca te agradeci. Não. Fui cobarde em não ter gratidão suficiente para manter esse amor que construímos, essa mesma história que virou passado. Desculpa, em vez de me desculpar, devia agradecer-te. Eu nunca mereci cada pedaço de sonho que viveste do meu lado e agora eu vou morrer sozinho, sem ti.
Desculpa, peço-te, por não te agradecer. Mas é em vão. Neste orgulho que me invade eu nada sou sem ti. Morrerei incompleto.
Quem sabe noutra vida, renasceremos nesse amor que outrora foi nosso e nos apaixonaremos de novo, de mãos dadas e de gratidão amarrado ao peito.
Ainda assim aceito que se vieres estarei de braços abertos, sem nunca te abandonar. Errei mas nunca deixei de te amar.

 

 

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