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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

30
Nov17

[Ficção] Não queiras saber de mim

Carolina Cruz

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Não queiras saber de mim. Não venhas agora com desculpas, com perdões ou certezas.
Esquece. Aliás, esquece-me.
Há coisas que o meu coração mole aprendeu a não perdoar. Ele não ficou frio, apenas se cansou de se aquecer ou vibrar pelas pessoas que são constantemente indiferentes para com ele. 
Acabou o coração que vive para todos, incluindo os ingratos. Acabou a alma que abraça ainda que magoada. Não dá mais. 
Não queiras saber de mim, porque vens agora, que estás só, sem mais ninguém.
Podes dizer à vontade que mudei, não vou interessar-me pelo que tu pensas, não tenho tempo para isso. 
Mudei sim, mudei e sinto-me bem com isso, estou mais calma, importo-me mais comigo mesma, estou em primeiro lugar na minha vida.
Pergunto-me a mim mesma: Queres sofrer por quem não merece? 
Nada disso. 
Quero amar, amar-me, sentir a vida. Sorrir, sorrir muito, sorrisos mil
Tu não mo permitias, contigo já não me conhecia, e é nos ombros de um amigo que devemos ser tudo, inteiramente. E se não me recebes como sou, se só queres a minha companhia quando estás só. Esquece, esquece-me.
Não queiras saber de mim, que eu já esqueci, esqueci-te, já não quero saber de ti.

23
Ago17

[Ficção] Esquece

Carolina Cruz

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É agora. É desta. Não há volta a dar. Já chega. Basta!
Para mim bastou! Não há mais desculpas sem precisar de pedi-las.
Não há mais coração a bater de medo. 
Não há mais alma sofrida ou lágrimas de desilusão.
Não há mais mensagens a dizer que te adoro. 
Não existem mais textos escritos em vão, sem que o lesses.
Não dá mais.
Não posso, não quero, não devo! 
Chega.
Quantos dias perdi à tua procura?
Quantos dias perdi à tua custa?
Sei que nunca se perde por fazer o bem, mas quantos minutos perdi a dar-te valor.
Esquece, não me terás nunca mais de mão beijada, ao serviço do teu beicinho.
Dei tudo de mim, sem receber.
Dei tudo de mim, em vão.
Dei tudo de mim e o que tu me deste?
Hipocrisia, ilusão desmedida, ingratidão. 
Não, não precisas mais de mim. 
Nem eu de ti. 
Sem ti serei melhor.
Um corpo livre, longe do enfado da tua presença. 
Só me querias a teu favor, 
Porém nem de longe nem de perto, isso é amizade ou amor.
 
 

 

14
Ago17

[Ficção] Já não és quem foste.

Carolina Cruz

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Digo-te e não minto, apaixonei-me por ti, na hora em que te conheci, vieste com um olhar terno e um jeito acolhedor. Tínhamos onze anos e marcaste-me para sempre. 
Foste tu que roubaste o meu primeiro beijo aos treze e levaste o meu coração aos quinze quando partiste. 
Hoje aos vinte voltaste e eu ainda estou apaixonada pela pessoa que foste. Acredita que me arrependo por te amar, porque tornaste-te num erro na minha vida, mudaste tanto... O teu sorriso virou mania e o teu jeito é de um Casa Nova disfarçado de Don Juan. 
Ainda gravo o teu beijo no meu corpo, mas a mim não me enganas mais. Passas por mim não me conheces, quando outrora disseste ser eu a tua melhor amiga. Fui para ti apenas mais uma do teu historial aborrecido, sou passado e não te marquei, são um pão sem sal e não uma experiência para te gabares. 
Ainda assim eu amei-te. Ainda assim eu ainda amo o teu sorriso! 
Como é que o amor pode ser tão impuro? Tão infeliz... 
Já não és quem foste, nunca mais serás, ficam as memórias e os caminhos apagados do que nunca nos tornámos.

 

 
02
Ago17

[Ficção] Corpo morto e só

Carolina Cruz

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Morreste-me nos braços.
Foi praticamente isso.
Foi exatamente isso que senti.

Fiquei sem ti, fiquei sem chão.
Quem sou eu sem ti? Onde estou? Como sou?
Vagueio-me e deixo-me fugir, andar somente por aí.
Partiste sem uma palavra, uma desculpa ou um perdão.
Eu não merecia isto.
Eu não merecia isto.
Não, repito, não merecia.


Dói-me o peito só de pensar.
Respirar era essencial, agora sinto que nem disso preciso.
Não preciso de nada sem ti, não quero mais nada.


Morreste-me.

Perdes-te, perdi-te, perdemo-nos.
Tudo fomos, nada somos, nada mais seremos.
Tu escolheste, tu partiste, tu foste sem mim.
Tu quiseste, tu viverás bem assim.
Mas então porque me falta o ar desta forma se não mereces?
Não entendo.
Não te entendo.
Não me entenderei nunca por te ter amado assim.
Morro sem nada, vivi com tudo, contigo.
Sou uma levre brisa que assenta no tempo,
Sou pó,
Corpo morto e só.

08
Jul17

[Ficção] O meu corpo

Carolina Cruz

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O meu corpo sujo nas tuas mãos. 
Ou serão as tuas mãos sujas no meu corpo? Não tens direito... Não tens direito de me magoares assim, de achares que tenho de estar ciente e sabedora de que eu sou a culpada, que te provoquei, a estas horas, com a roupa que trazia vestida. O tanas. 
As tuas mãos sujas no meu corpo. Não tens o direito, não tens de ser portador do prazer se eu não o quero contigo. Só porque és homem? 
Essas mãos sujas não mandam em mim, esse olhar de "eu mando, tu obedeces" há de morrer, não comigo, contigo. 
As mil facas espetadas no meu coração, sentidas no meu corpo, são embaladas para outra alma, qual a tua...? 
Embora não a tenhas, essas facadas que te dou (agora que prometo matar-te para não morrer por ti) são as imensas dores que toda a vida me deste. 
A violência doméstica não é apenas bater. Há muitas formas de cuidar e muitas formas de dizer "quero que morras", mil formas de se ser maltratado, de sofrer violência. 
O meu corpo sujo, repudiado de ódio e rancor, não existe mais nas tuas mãos. Essas tuas mãos sujas morreram na ação, numa justiça feita pelas minhas mãos carregadas de medo, na busca de proteção, na busca de um futuro sem ti. 
Jamais morrerei por ti, por isso o meu amor-próprio defendeu-se, vi-te morrer nos meus braços e, então, o alívio da minha alma sorriu.
 
 

 

 

 
04
Jul17

[Ficção] O beijo sonhado

Carolina Cruz

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Apaixonei-me por ti como quem sente o vento, sem intenção, foi um sopro do momento.
O beijo foi sonhado por ambos durante horas, dias, meses e talvez apenas isso tenhamos sonhado juntos.
Nunca soubera nada de ti na verdade, acho que criei alguém à imagem do meu amor, no entanto sei que no mais fundo de ti tu me amaste mas não podias ficar.
Quando nos conhecemos eu jurei fazer a coisa certa - deixar que terminasses essa relação que não te fazia feliz.
Um dia vieste em busca dos meus braços, desse beijo há tanto tempo prometido, dizendo estar tudo terminado. Abracei-te como quem beija o mundo do avesso, senti a vibração da minha alma chorar de alegria.
No entanto, chorava também de receio pois não querias mostrar que esse beijo existia a mais ninguém. E debaixo deste céu que nos condena por amarmos demais quem não devemos eu corri, saltando as nuvens da incerteza que em mim me invadia.
Corri em busca da saudade de ti, saudade de uma paixão que foi apenas um sonho maltratado, de um amor que nunca vivi.
Descobri depois que fui apenas um contratempo nesse tempo que deste à tua mulher.
Desligaste do que fui para ti, na tua opinião nem uma palavra mereci.
Sem eu saber voltaste à "amargura" de te sentires preso a um casamento e a um bebé... Um bebé? Tornaste-te para mim repugnante e com orgulho te digo adeus por sentir que apenas um vazio existira em ti nestes meses em que fui a má da fita e não soubera. No entanto sinto saudades do homem decente que nunca foste! Cresce e cria, sê bom... Eu serei melhor sem ti.

 

 

02
Jul17

[Ficção] Mereço ser feliz

Carolina Cruz

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Houve dias em que o meu coração chorou. Houve dias em que implorou. Mas não pode fazê-lo mais. Lamentar não é para mim. Esperar por ti era, mas não é mais.
Sabes… não posso adorar mais uma ilusão que aos poucos se torna desilusão entre um passo e outro.
Como posso dizer-te que não te quero mais na minha vida? Se tu chegas e dás-me a volta e eu não sei mais o que dizer, volto a dar-te o meu abraço.
Eu falo em palavras, não em gestos, porque este coração parvo adora-te demais e eu não sei dizer-lhe que não.
Mas eu não quero amar-te mais, não quero implorar o teu amor e chorar pelos cantos. Já sei que depois de eu te fazer bem, de eu te oferecer o melhor, de te ajudar a alcançar a vida com olhos de alegria, tu partes assim, com ingratidão para comigo. Esses olhos felizes foram viver a sua vida sem mim, com sorrisos para alguém.
Achas que depois de tudo, mereces que te diga que perdoo? Que te amo da mesma forma?
Cansei de ser a idiota que implora e para quem voltas quando não tens mais ninguém. Fartei-me de sentir-me a mais na tua lista infinita de amigas. Eu pensei que era a mais especial, mas não passei de apenas e só mais uma do teu leque.
Lamento, não serei mais o prato que comes, o chão em que pisas.
Lamento, mas vou quebrar o meu próprio coração anotando-lhe que não dá mais, mereço melhor, mereço esquecer-te, mereço ser feliz.

 

 

04
Jun17

[Séries] 13 reasons why

Carolina Cruz

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Já aqui falei sobre o livro, hoje vou falar da série do Netflix baseada em "Por treze razões".
Na minha opinião, tal como tinha vindo a ouvir das outras pessoas, a série, é sem dúvida, melhor que o livro. Vou passar a explicar porquê.
Enquanto o livro se centra mais em Clay e na descoberta deste sobre as treze razões que levaram a rapariga que amava a acabar com a vida. Na série, conseguimos compreender melhor a envolvência das treze pessoas a quem pertencem as cassetes.
Quero dizer que, durante estes treze episódios conhecemos mais detalhadamente as personagens.
Porém algumas diferenças são visíveis. Na minha opinião, o livro apresenta um Clay que é mais reservado ainda e que, a meu ver, tem muito menos ligação com a Hannah do que o Clay da série.
As razões da Hannah, tal como no livro, começam a ter maior intensidade a meio e conseguimos sentir o seu declínio, porque tal como disse anteriormente conhecemos melhor a forma como ela se relaciona com as outras personagens e como elas são.
É uma série com conteúdo forte e susceptivel e, como o livro, creio que não deve ser visto por todos os jovens. Pode ser um certo despoletar para quem, tal como Hannah, pensa nesse fim.
Também por isso, penso que mais importante do que ser vista pelos jovens, deve ser vista pelos pais e educadores, surgindo como um alerta, para que casos como o de Hannah não aconteçam nas suas vidas.

 

 

30
Mai17

[Ficção] Gostas, mas...

Carolina Cruz

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Deixa que a vida corra.
Deixa que eu me afaste.
Estou cansado de correr atrás de ti, quando és tu que constantemente me ignoras.
Sim, eu sei. Eu sei que gostas de mim. Porém, eu não sei, não consigo compreender essa forma que tu tens de gostar de mim.
Gostas, mas não estás presente.
Gostas, mas parece que não me queres na tua vida.
Dás desculpas.
Eu sei que gostas, mas quem gosta com todo o coração, não dá desculpa, mas razões e tempo para estarmos juntos.
Por isso, não percebo.
Por isso, deixa que eu me afaste.
Deixa que a vida corra...
Foi o que fizeste, ainda que digas que não...
E ainda que digas que não
A vida vai sempre correr e os nossos caminhos irão tomar rumos diferentes.
Tens pena? Eu também.
No entanto, não há mais nada a fazer... Escreveste o teu caminho, fizeste a tua escolha.
E eu...
Eu não estarei mais aqui à tua espera!
 

 

 

 
22
Mai17

[Ficção] Quem ama...

Carolina Cruz

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És valente por vir pedir desculpa? Por vires dizer a verdade? Até podes ser, mas… uma ova! Quem ama não trai.
És um cobarde. De que é que sentiste falta? Do teu espaço de solteiro? Do teu engate piroso, só pelo facto de eu já estar conquistada?
Metes-me nojo. É só isso que te consigo dizer.
Tu sabes que não perdoo, eu não sou ninguém a menos para estar a mais.
Mesmo que aches que não, eu tenho amor-próprio. O suficiente para te dizer que as tuas lágrimas de crocodilo não me afetam, que tenho mais pena de ti que de mim. Eu não perdi nada, mas tu perdeste o teu melhor. Se tivesses mantido a tua dedicação, eu seria a mulher da tua vida, mas não sou do tipo de mulher que implora para ficares ou que quer fiques, depois de toda a desilusão, de toda a merda que fizeste.
Não me irei ajoelhar, muito menos implorar esse amor que ainda dizes sentir. Se para ti, isso é amor, não é igual à minha definição. Quem ama não trai.
Quem ama, não vive somente para essa pessoa, mas a sua vida amorosa pertence a um só corpo, a um só coração. Se partilhaste esse desejo, mesmo que não tenha sido amor, não te quero mais.

 

 

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