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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

Tempo?

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Dá-me tempo, serenidade. Eu sei que gostas de mim, sei que esse amor te consome ainda que não o digas. E eu preciso que digas, que concretizes esse amor. Amares-me não basta, amar-te também não. 
Dá-me tempo, eu preciso de ti, mas preciso de mim por inteiro para pensar sobre nós. 
Porque não nos podemos ter? Porque não podemos amar simplesmente, se te amo e nos amamos tão completamente? 
Não fomos feitos para estar juntos. Será isso?
Somos pedaços de um mundo desfeito onde nenhum de nós se encontra!
Quero-te, queres-me, mas isso não basta. Consome-nos. Aperta-nos o peito. 
Tu és simplicidade, eu sou confusão. 
Tu és confiança, eu sou ilusão. 
Somos tão diferentes um do outro, como a noite e o dia, o sol e lua...
Não fará isso sentido? No sentido exato de que nos encaixamos na perfeição?
Por favor esqueçamos o destino, vamos amar de coração.

Já não és quem foste.

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Digo-te e não minto, apaixonei-me por ti, na hora em que te conheci, vieste com um olhar terno e um jeito acolhedor. Tínhamos onze anos e marcaste-me para sempre. 
Foste tu que roubaste o meu primeiro beijo aos treze e levaste o meu coração aos quinze quando partiste. 
Hoje aos vinte voltaste e eu ainda estou apaixonada pela pessoa que foste. Acredita que me arrependo por te amar, porque tornaste-te num erro na minha vida, mudaste tanto... O teu sorriso virou mania e o teu jeito é de um Casa Nova disfarçado de Don Juan. 
Ainda gravo o teu beijo no meu corpo, mas a mim não me enganas mais. Passas por mim não me conheces, quando outrora disseste ser eu a tua melhor amiga. Fui para ti apenas mais uma do teu historial aborrecido, sou passado e não te marquei, são um pão sem sal e não uma experiência para te gabares. 
Ainda assim eu amei-te. Ainda assim eu ainda amo o teu sorriso! 
Como é que o amor pode ser tão impuro? Tão infeliz... 
Já não és quem foste, nunca mais serás, ficam as memórias e os caminhos apagados do que nunca nos tornámos.

 

 

Na pele e no corpo

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Por entre a multidão, naquele concerto, um ao outro, destacaram-se como que numa luz infinita. 
Quando se conheceram houve algo no olhar de ambos que prometera mutuamente: “hei de te conhecer melhor que ninguém, não vais largar mais a minha mão quando eu responder a esse ato de as entrelaçar, a minha na tua.”
Perfeito, dito e feito.
Tornaram-se unha com carne, amigos inseparáveis, não precisavam expressar palavras para falarem, o silêncio dizia tudo o que era preciso pois os sorrisos e os olhares eram mais especiais que todo o mundo à volta. 
Secretamente e timidamente amavam-se, mas nenhum deles conversava sobre isso, a ligação que tinham era forte demais para se perder. 
Corriam pela areia como crianças que confrontam o infinito correndo livremente pela rua. Nos entretantos, entre risos e brincadeiras o beijo aconteceu e das gargalhadas nasceram as lágrimas puras, porque ambos sorriram em silêncio, como neles era tão natural, coisa que só eles sabiam explicar, no entanto era algo que não precisavam de o fazer.
Irmãos de coração, melhores amigos, namorados se tornaram. O sabor cru e diferente de se amarem noutro prisma do amor trazia-lhe uma nova sabedoria, não tão díspar como a de outrora, mas era confuso, bom… 
Ele amava-a perdidamente, ela tornava-se sexy mesmo desarrumada, cheia de borbulhas ou apenas com a camisola dele vestida, mas quando se vestia para sair conseguia ser ainda mais a mulher mais bonita do mundo. Com todos os seus defeitos, feitio casmurro e teimoso, ele era o melhor namorado do mundo, nunca confiara tanto em alguém como nele, sentia-se protegida e amada nos seus abraços.
Como poderia tudo isto mudar? Quando o amor passou a ser demais, a não caber no peito, quando o medo de perder quem se ama agarrava-se à desconfiança. Tinham igualmente medo de se perder mutuamente, discutiam, discordavam, choravam e entrelaçavam-se em abraços, até ao dia em que perceberam que não podiam dar cabo de tudo aquilo que tinham, que a amizade inicial era mais forte que o que mais tarde crescera. 
Seguiram caminhos diferentes mas prometeram jamais criar distância entre eles, quem os amasse um dia mais tarde tinha de respeitar essa amizade que compreendia todo o amor existente na pele e no corpo. Talvez eles não soubessem que estavam destinados um ao outro, o medo de perder é o primeiro passo para a derrota, a vida sempre desvenda algo que está guardado para ser nosso. Por enquanto amavam-se nessa amizade de irmãos porque não é vergonha continuar a ser-se amigo de um ex-namorado, vergonha é apenas lembrar dos maus momentos quando se foi tão feliz.

O meu corpo

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O meu corpo sujo nas tuas mãos. 
Ou serão as tuas mãos sujas no meu corpo? Não tens direito... Não tens direito de me magoares assim, de achares que tenho de estar ciente e sabedora de que eu sou a culpada, que te provoquei, a estas horas, com a roupa que trazia vestida. O tanas. 
As tuas mãos sujas no meu corpo. Não tens o direito, não tens de ser portador do prazer se eu não o quero contigo. Só porque és homem? 
Essas mãos sujas não mandam em mim, esse olhar de "eu mando, tu obedeces" há de morrer, não comigo, contigo. 
As mil facas espetadas no meu coração, sentidas no meu corpo, são embaladas para outra alma, qual a tua...? 
Embora não a tenhas, essas facadas que te dou (agora que prometo matar-te para não morrer por ti) são as imensas dores que toda a vida me deste. 
A violência doméstica não é apenas bater. Há muitas formas de cuidar e muitas formas de dizer "quero que morras", mil formas de se ser maltratado, de sofrer violência. 
O meu corpo sujo, repudiado de ódio e rancor, não existe mais nas tuas mãos. Essas tuas mãos sujas morreram na ação, numa justiça feita pelas minhas mãos carregadas de medo, na busca de proteção, na busca de um futuro sem ti. 
Jamais morrerei por ti, por isso o meu amor-próprio defendeu-se, vi-te morrer nos meus braços e, então, o alívio da minha alma sorriu.
 
 

 

 

 

Mereço ser feliz

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Houve dias em que o meu coração chorou. Houve dias em que implorou. Mas não pode fazê-lo mais. Lamentar não é para mim. Esperar por ti era, mas não é mais.
Sabes… não posso adorar mais uma ilusão que aos poucos se torna desilusão entre um passo e outro.
Como posso dizer-te que não te quero mais na minha vida? Se tu chegas e dás-me a volta e eu não sei mais o que dizer, volto a dar-te o meu abraço.
Eu falo em palavras, não em gestos, porque este coração parvo adora-te demais e eu não sei dizer-lhe que não.
Mas eu não quero amar-te mais, não quero implorar o teu amor e chorar pelos cantos. Já sei que depois de eu te fazer bem, de eu te oferecer o melhor, de te ajudar a alcançar a vida com olhos de alegria, tu partes assim, com ingratidão para comigo. Esses olhos felizes foram viver a sua vida sem mim, com sorrisos para alguém.
Achas que depois de tudo, mereces que te diga que perdoo? Que te amo da mesma forma?
Cansei de ser a idiota que implora e para quem voltas quando não tens mais ninguém. Fartei-me de sentir-me a mais na tua lista infinita de amigas. Eu pensei que era a mais especial, mas não passei de apenas e só mais uma do teu leque.
Lamento, não serei mais o prato que comes, o chão em que pisas.
Lamento, mas vou quebrar o meu próprio coração anotando-lhe que não dá mais, mereço melhor, mereço esquecer-te, mereço ser feliz.

 

 

As asas que me fazem voar (10)

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Pela primeira vez senti desconfiança, ciúmes. No entanto, quando entrei no camarim para o abraçar e nos perdemos nas gargalhadas e nos braços um do outro, quem fez uma cena de ciúmes foi Jade, dizendo entre dentes:
- Sol de pouca dura, como sempre.
Não consegui conter-me e quando seguimos juntos para o hotel questionei-o, mas ele omitiu-me tudo com quantas pedras poderia ter na mão. Omitiu-me, será que me mentiria também? Que esconderia ele? Porque lhe doía tanto que eu o questionasse?
- Posso apenas aproveitar que estamos juntos, para falarmos de outra coisa? – disse, com os olhos vidrados, apaixonados, consegui senti-lo.
Deixei-me levar. O seu corpo, as suas mãos sobre mim, sobre o meu corpo. Quando eu dizia que ambos tínhamos vidas separadas, era verdade, mas nunca estiveram tão ligadas como naquele dia. Éramos certos, perfeitos um no outro, sobre o prazer, que era muito mais que isso.
No entanto, embora eu não lhe pressionasse para falar sobre o seu passado e ele sobre o meu, o dele intrigava-me imenso, como podia eu tirar essa ideia da minha cabeça sem lhe dizer?

(continua...)

 

 

As asas que me fazem voar (9)

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Eu estava em dúvida, em constante dúvida, não sabia o que queria. No entanto, fui a Coimbra sem lhe dizer, fiz-lhe uma surpresa, mantive o meu lugar sereno como uma simples fã e aproveitei o concerto de forma tranquila. Mandei-lhe uma mensagem antes do concerto: “Vou estar na primeira fila” e ele não acreditara.
O concerto como todos os outros fora perfeito, a sonoridade das vozes tornava tudo excecional. No entanto, naquele dia, ao olhar com outros olhos, sim, pode-se dizer “olhos de amor”, eu consegui decifrar que Jade, a rapariga que o acompanhava, o olhava de outra forma, havia dor no seu olhar, como que a pedir clemência, amor e ao mesmo tempo vingança e atenção, quem seria ela? Ou que história teriam eles?

(continua...)

As asas que me fazem voar (8)

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O sol nascera, a madrugada terminara, ele tinha de partir e eu também.
- Vem comigo, vou estar em Coimbra na próxima semana!
Abanei a cabeça, ia começar o meu estágio dali a uma semana. Não podia fazer noitadas. Tinha de me concentrar ou chumbava e perdia tudo aquilo que sonhara ser.
Ele assentiu e não ficou bravo, não me prendeu. O que tínhamos era especial, mas não, de todo, sério. Eu tinha a minha vida, ele tinha a dele, iriamo-nos voltar a encontrar, até porque nenhum de nós ficou indiferente e os nossos números estavam gravados na agenda um do outro, os nossos sorrisos no coração.

(continua...)

As asas que me fazem voar (7)

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Ele não deixou que eu respondesse, pegou na minha mão e fez com que eu não tivesse opção de escolha.
Atracámos no porto e as suas palavras eram mágicas, porém eu continuava sem querer quebrar o gelo.
- Por mais que possas pensar, isto nunca aconteceu comigo.
- O quê?
- Apaixonar-me perdidamente.
O meu coração martelou desalmado para fora do peito.
- Não foi quando disseste as primeiras palavras ou desde o primeiro momento que eu me apaixonei por ti, foi quando percebi que eras diferente de todas as outras.
» Há milhares de raparigas, todas as iguais, diferentes, sexys, bonitas como tu, que não entendem que somos pessoas normais como elas, que somos humanos, que erramos, que defecamos, que também cheiramos mal, elas só conseguem olhar para mim como um ser que domina, que é conhecido, bonito.
» Tu não, tu olhaste para mim por dentro, foste à minha alma, àquilo que chamas de meu talento, tens conversas interessantes, és inteligente, e não te inibes ou me seduzes de forma interesseira, por ser quem sou.
Era impossível não olhar para a nossa diferença de idades, eu tinha 22 anos, ele 33 anos, mas que me importava isso se nas conversas tudo parecia coincidir na perfeição?
Terminou as suas palavras com um beijo longo e eu cedi. Como resistir à verdade? Eu também estava apaixonada. Não sabia o seu passado, mas sabia que ele estava ali à minha frente, nem as suas palavras nem o seu olhar me mentiam, eu só queria aproveitar o momento.

(continua...)

As asas que me fazem voar (6)

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- Eish, esta música… - dizia ele.
E a conversa desenrolava-se alegremente. Jay era alguém bastante fácil de se falar sobre música. Tinha tirado o mesmo curso que eu há mais de dez anos, pois era praticamente a diferença que fazíamos um do outro.
A Guida só se ria. Embora minha amiga, ela não tinha grande conhecimento musical a não ser por insistência minha.
Confesso que não a inserimos na conversa, porque segundo ela, nada mais existia além de nós e a música.
- Take on meeee! – cantava ele.
Ele não se importava de quem era ou se as pessoas o olhavam ou se iam chateá-lo, o que felizmente não o fizeram com frequência.
A certa altura, a Guida levantou-se na mesa.
- Katie, vou-me embora para o hostel. Importaste?
- Sabes ir sozinha?
- Queres que te leve? – perguntou Jay
- Não, é já aqui a cima… Lembraste?
- Pois é. Quando chegares diz.
- Sim, diz. – disse ele.
Guida deixou-nos sozinhos. Quando chegou ao hostel, disse ter chegado bem e eu fiquei descansada.
Voltámos à conversa. Eu não o conhecia, não sabia como é que ele era como pessoa, mas sabia-me tão bem estar à conversa com ele.
Falámos sobre os meus dotes para tocar violoncelo.
- Tens de me mostrar isso! – disse ele sorrindo, pronto para encostar o seu rosto ao meu, como quem procura um beijo.
Momento esse interrompido pelo empregado do bar. Parte de mim agradeceu.
- Desculpe, mas vamos ter de fechar.
Eram 4h da manhã e a noite ainda era cerrada.
- Vamos ver o luar sobre o Tejo? – perguntou-me.
Fiquei perplexa, o que haveria eu de responder?

(continua...)

 

 

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