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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

17
Fev18

[Ficção] Desculpa-me

Carolina Cruz

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Desculpa-me.
Desculpa, mas não consigo amar-te de volta.
Desculpa por, mesmo ele já não merecer, a sua pele ainda viver em mim.
Desculpa, ainda não consigo amar outro alguém que não o homem com o qual me divorciei.
Desculpa, por ver esses olhos brilharem como esmeraldas, anunciando todo o amor do mundo e eu não poder sequer tocá-lo.
No meu peito ainda não há espaço para o teu coração. Há apenas um vazio enorme por amar quem já não me ama.
Pudesse eu ouvir-te cantar todas as canções do mundo, nessa tua forma doce de me amares, e me embalar nos teus braços. Mas não posso... 
Seria cruel e cobarde demais pedir que vivesses esse amor não correspondido e que amasses pelos dois.
És o homem de sonho de qualquer mulher... pudesse o coração escolher quem ama!
Esperaria anos a fio para que colasses todos os pedaços que se partiram no meu coração, mas pedi-lo era egoísta, tens uma vida à tua frente com esses olhos a brilhar.
Não esperes por mim.
Desculpa-me.

 

 

-- fotografia do filme "Newness" --

31
Jan18

[Ficção] Louca, sim!

Carolina Cruz

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Ouçam-me… Quero gritar ao mundo!
Sei que é amor quando o amo pelo seu lado mais escuro.
Sei que é amor quando no feio, eu vejo o belo… quando o amo mesmo depois de todos os seus erros, das suas falhas, dos seus defeitos. 
Sei que é amor quando lhe toco e o sei de cor, quando fecho os olhos e sei que posso sorrir, por perdoar, por pertencer, por amar. 
Digam-me que sou louca por amor este bandido,pois mais bandido é o meu coração que se inflamou neste fogo ardente. Não se escolhe quem se ama, mas mesmo não escolhendo pode viver-se tanto por esse amor, que eu prefiro morrer louca que triste. 
Por mais pecados que ele possa ter cometido, eu fui o seu melhor pecado, ele será sempre o meu preferido, pois nos seus olhos eu vejo que a cura da sua alma está em mim. 
Deixem a minha vida, deixem de tentar pensar pela minha cabeça, com os meus pensamentos, sou crescida! Vivam as vossas vidas desinteressantes, seus mal-amados, o que vos falta é amor, amor poderoso e bem vivido que abre em flor e desmaia pelo prazer tamanho da paixão. 
Sou louca desmedida e quero continuar a sê-lo, a sentir, a senti-lo, a sentir que posso morrer de amor e continuar a viver intensamente.
 
 
 

 

23
Jan18

[Ficção] Traz o meu abraço contigo

Carolina Cruz

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Vem e traz o meu abraço contigo.
Não chores, princesa. Conta-me os teus problemas, senta-te no meu colo e deita-te sobre o meu leito. Vem que eu já estou de braços abertos. 
Lembras-te de eu te pedir para trazeres o meu abraço contigo? O meu abraço? Não é estranho dizer-te isto, não. Quero que tragas o abraço que nunca te dei com medo de te apertar o peito de dor. Hoje eu não tenho receio algum, sei que o tempo curou todas as feridas, por isso deixa-me curar-te essa que vejo pelos teus olhos que está aberta.
Anda, desliga-te do meu corpo e observa-me a alma. Esquece o passado e o que fomos, o que tivemos foi especial, mas eu errei, não soube ser bom namorado, mas isso não significa que seja mau amigo.
Vem, que este corpo que outrora te deu prazer, está arrumado nas gavetas da solidão, quer te dar um abraço, quer dar-te a mão, na condição de porto de abrigo, não de amor, mas de ombro amigo.
Vem que embora não tenhamos resultado no que toca ao amor, eu ainda acredito que não viverei bem com a minha consciência se não formos cúmplices para a vida toda.
Vem e deita-te no meu abraço.

15
Jan18

[Ficção] Calo-me

Carolina Cruz

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Hoje prefiro ser de poucas palavras.
Prefiro não falar tanto, escrever mais. 
Eu sei que tu não lês, por isso posso dizer aqui tudo aquilo que ao sair da minha boca magoar-te-ia. 
Sabes, eu amo-te e por te amar continuo a consentir e a aguentar, calado, essa tua mania patética de achares que és o centro do mundo.
Tens a mania que só tu tens histórias para contar, que o tempo da vida seja qual for é sempre o teu tempo de antena. Tens uma mania de nunca teres palavras que se gastam e o que te digo não é importante.
A tua alegria é sempre maior que a minha. A tua dor? Nem vamos falar disso...
E porque aturo tudo isto, embora deteste? Porque te amo e amar-te é a partilha, embora eu não partilhe nada do que é meu. Só fazemos o que queres, só te ouvimos a ti, sempre. 
Os meus amigos abrem-me os olhos todos os dias e eu sei disso, mas mantenho-me calado. Amo-te, mesmo que me diminuas para poder caber em ti essa grandiosidade extrema por baixo dessa obsessão de prenderes quem mais gostas. Leias ou não isto, só te quero dizer que isso não aproxima ninguém, só afasta. 
Sabes... ouvir os outros é tão importante e, por isso, daqui para a frente não vou mais partilhar contigo o que for, até que também tu nesse erro constante de seres mais, vais perguntar-me porquê e se a tua resposta for "e eu?" dir-te-ei "adeus".

12
Jan18

[Ficção] Amá-lo.

Carolina Cruz

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Nunca foi fácil amá-lo. Mas amá-lo e saber que ele me amava, independentemente de todos os erros que cometia era um desafio. Toda a minha vida levei dos outros a dor, preocupei-me sempre demais com eles, menos comigo. Nesse dia, em que me apaixonei por ele, comecei a preocupar-me comigo. Não porque achava inconsequente apaixonar-me por alguém assim, mas porque amá-lo era um desafio, pensei em mim e no que queria e por mais que eu soubesse que era difícil, tê-lo nas minhas mãos ainda que por tempo indeterminado soube-me pela eternidade.
Chamem-me louca, por ele ser alguém que todas as mulheres abominam, galã, rodado, cabrão, mas eu sei que um dia ele irá cair nos meus braços para sempre, até lá, não me importa, eu simplesmente vou tentando.
Eu sei que o brilho do seu olhar não é o mesmo, digam-me que é ilusão, podem dizer à vontade, que eu sei que não.
Amá-lo nunca foi fácil, desde o início que eu sabia que não o seria, mas precisamos de cometer loucuras, pelo menos uma vez na vida, e amá-lo é tão bom que não me inquieta se estou na minha pele ou demente, se o amor é um estado de sonho, eu não quero acordar nunca, mesmo que um dia amá-lo seja um pesadelo, quando assim for, eu saberei, quando assim for eu não morrerei, talvez sofra, mas ninguém morre de amor, apenas dói, e doer faz parte.
Não me importa o que virá, importa-me o presente, em que ele se deita ao meu lado. E eu sei que não é fácil amá-lo, mas é tão fácil fazê-lo sorrir, e é o que interessa: o lado bonito do amor, nada mais. Se o feio virá, cá estarei. Por enquanto, viverei o sonho. Se a moeda rodar, eu só sei que vou continuar.

 

Fotografia: tres metros sobre el cielo (filme)

11
Jan18

[Ficção] O que houve em nós findou

Carolina Cruz

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Apoderei-me de ti com medo de te perder.. Diziam que sentir ciúmes era sinal de que te amava. Mas o meu controlo foi desmedido e fui eu que findei o que houve em nós, aquilo que mais temia aconteceu, perdi-te, por minha tão grande culpa.
Prendi-te a cada passo que davas, queria mais e mais, amor sem cessar, queria-te para mim, a todas as horas, a todos os minutos.
Tornei-me obsessiva, controladora, controlava os teus passos, sonhava com um futuro, imaginava anos de amor e perder-te era perder tudo isso e eu temia, temia demais e não sabia temperar este amor desmedido que te magoou.
Tu amavas-me e não precisavas de mais nada que não fosse eu amar-te de volta. Estavas farto, cansado, não tinhas culpa, choraste, choramos, berrámos um com o outro e a culpa foi inteiramente minha. Não soube respeitar o tempo ou esse amor que por mim tinhas, desculpa.
Queria pedir que voltasses, mas a tua confiança não será a mesma e eu não quero que sofras. Eu não quero que sofras comigo, porque embora eu te queira de volta, eu não sei se consigo mudar, vou acalmar este fogo que me arde no peito, vou render-me à solidão, depois aceito uma palavra, se aceitares também e um abraço profundo que mesmo que a minha boca não diga, o meu corpo apertado no teu dirá: ama-me, que só isso me bastará, desculpa.

08
Jan18

[Ficção] Primeiras impressões

Carolina Cruz

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Sorrio. 
São tão engraçadas as primeiras impressões, não são?
Eu não tinha opinião nenhuma sobre ti, mas na minha pequenez, a tua grandeza impunha-me respeito. Não tinhas um ar rude, mas a tua forma de estar parecia-me de uma pessoa séria que não dizia muitas piadas. 
Porém, mais giro que as primeiras impressões, é quando aquilo que pensavámos cai por terra.
O tempo ajudou-me a arrancar-te uma piada seca e uma gargalhada alta, não eras casmurro, nem lá perto, umas quantas piadas surgiram como a cumplicidade de um olhar, assim nasceu um amigo.
Até ao dia em que colocaste a tua mão na minha.
- Vamos? - disseste. 
- Para onde? 
Levaste.me ao cimo da serra para ver o mar. Olhei-te nos olhos e então apaixonei-me. 
Hoje sorrio, porque partiste, não literalmente, mas da minha vida. 
Foste um bom amigo, um bom amante, um bom namorado. 
Terminámos porque as nossas vidas seguiram diferentes caminhos, mas mesmo que apareça alguém na minha vida, nunca me esquecerei de ti, isso não significa que ainda te ame, mas é tão importante que saibas que gosto tanto de ti e que hei-de gostar sempre. 
Quando olho as fotografias, as nossas, sorrio. 
Porque a distância entre um desconhecido e um amigo está num sorriso. 
Que nunca daremos realmente atenção às primeiras impressões, porque elas não definem uma pessoa.
Connosco foi assim, uma história de fazer sorrir. 

26
Dez17

[Ficção] Deitaste tudo a perder

Carolina Cruz

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Deitaste tudo a perder. 
Eu amava-te, sabias? Desse amor que não se contempla, que se intensifica na dor, que se inquieta na tua presença.
Morri de amores por ti, em vão. 
Deste-me esperança desmedida, abracei-me à ideia de que ia ter-te para sempre, mas tu não ficaste, não quiseste ficar. Disseste não poder, mas a verdade é que não quiseste. 
Não há assim tanta diferença em sermos diferentes, podemos mudar, eu acreditava que nos habituaríamos às diferenças um ao outro, sem saber na verdade que "habituar" é um verbo que não se adequa a uma relação de amor.
Eu respeitava as tuas ideias, porém não as suportava, menti de todas essas vezes que disse habituar-me a isso. Fui-te sincera, confrontei-te com a verdade. E tu disseste que não resultavamos juntos, que o correto era tornarmos o nosso presente num passado. 
Iriamos resultar se fizesses um esforço, mas creio que não se faz um esforço quando se ama e se forçamos é porque, na verdade, não é amor. 
Quando compreendi isso deixei de pensar em pedir mais uma última oportunidade ao que tinhamos tido, fechei o capítulo e abri um livro para contar uma história. 
Assim tornaste-te numa história, tento desenhá-la como se não fosse minha, mas de alguém, porque se eu abrir o meu peito, vão sair lágrimas, saudade e desilusão. Vou inundar o papel que escrevo, inundando por completo a minha sala e também a minha vida. 
Deitaste tudo a perder e eu só te quero esquecer.
Não esquecer que exististe na minha vida, apesar de tudo creio que tenha sido bom, mas quero esquecer apenas (e já é tanto) que não quiseste quem te amou por completo - eu.

22
Dez17

[Ficção] Inquietudes

Carolina Cruz

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E, de repente, o que somos é uma jogada fatal, como dados viciados, como nós que nos puxam, correntes que não nos largam e nos fazem acreditar naquilo que nunca quisemos crer: a eternidade. 
O meu corpo e a tua mão. O teu corpo e a minha alma. O teu coração e a minha saudade. A tua dor e o meu desejo. O teu querer e a minha vontade. O teu ser, a minha vida. Os meus atos, a tua essência. 
Não existo sem ti. A cama fica fria, o temperamento quente. 
Não estás, não sou. 
Não somos, a solidão existe. 
Perco-me vezes sem conta no teu sorriso e o que somos, faz-me poética, pirosa, lamechas e sabes o quê, no fundo? Feliz. Inteiramente. 
Detestava-te no primeiro momento e tu odiavas-me por ser assim - decidida a não te querer, a rejeitar-te. Mas sabes? No fundo eu queria-te tanto, mas sei que não era amor, mas desejo, como aquele que se sente na pele, num balanço entre o ódio e o amor, numa balança que não sabe o que pesar. 
Essa balança é a cabeça e o coração. Eu sabia que tu pensavas com a cabeça, por isso eu jamais pensaria com o coração, até ao dia em que juntos pensámos de uma outra forma. Foi um dado mal lançado, uma música para a vida toda e a melodia da minha mão sobre a tua. Fechei os olhos e pensei "não pode ser", abri-os e lá estavas tu: a sorrir, com aquele morder de lábio fiel, que abre os braços e oferece a alma, com a consciência de quem entrega o corpo por amor e me abraça com um desejo de morte e de prazer. 
Cedi, perfeitamente, às tuas inquietudes que eram também as minhas. E nesse entretanto, nesse balanço de prazer casual e paixão aprendi que me sentia segura, que amar não era assim tão complexo como todos diziam, eu queria estar contigo e isso bastava-me. Acordar e ter-te comigo, deitar-me e olhar-te pela última vez. Ver no espelho a pequena ruga e dizer-te "a culpa é tua que me fazes sorrir". Ouvir-te dizer "o meu primeiro cabelo branco de te aturar". E esse abraço, esse abraço que me prenderá para sempre e fará entender que melhor que o prazer carnal é o amor, e não há vergonha de sofrer ou amar, porque contigo aprendi que se é amor, do verdadeiro, é sempre a primeira vez. Exato, com essa mesma inquietude, sem desgaste, sem saturação. 
Porque quando se ama, é de coração. 

19
Dez17

[Ficção] É mais fácil morrer que partir.

Carolina Cruz

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Não sei porque escrevo para ti. 
Não sei porque é que repito tantas vezes para mim mesma que, no próximo ano, sairei do cerco em que me aperto todos os dias. 
Sim, vivo enclausurada nesse abraço teu que já não existe em mim, beijo-te em sonhos e toco-me lembrando-me de ti. Sinto-me inutil quando o faço, quando penso, quando ajo, sinto-me suja, impura e magoada. 
Sinto uma dor no peito e um vazio que me domina. Eu já não sei quem sou, mas sei o que era e deixei de ser por ti, hoje sou apenas a mágoa num corpo, despido e morto, rendido ao passado e ao que não volta mais.
Olhava para a depressão de alguém com desdém e pensava: "morrem amores, mas a vida continua".
Agora que penso nisso, choro, julguei e tornei-me igual, partilho da mesma dor, do mesmo sofrimento.
Eu sei, é verdade que a vida continua, mas a alegria não. Falta-me esse teu abraço, o teu cheiro nos meus lençóis, o teu regaço no meu peito, o teu amor por completo. 
Dispo-me da pele da mulher que amavas, estou nua de vaidades, nua de prazeres, de esperança. 
Morro, porque já não quero existir, mas não morro inteiramente hoje, vou deixando apenas que o tempo, que dizem que cura, me faça aprodecer aos poucos, para me levar, por fim. 
Assim acabarão as dores e o sofrimento de te querer e não estares, de te respirar e já não existires. 
Assim não existirei sem ti. 
E sem ti... 
É mais fácil morrer que partir.

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