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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

07
Dez17

[Ficção] Sozinha!

Carolina Cruz

Aconteça o que acontecer, vou amar-te sempre.
Aconteça o que acontecer, jamais conseguirei amar da mesma forma como te amei a ti. 
Não se consegue definir, sentir, a ausência desse amor que me corria nas veias, que me queimava o corpo e me inflamava o peito. 
O primeiro beijo, o primeiro toque, o primeiro sorriso, o primeiro abraço, a primeira vez que os nossos corpos sentiram e deram prazer um ao outro, o teu corpo dentro de mim, o teu grito gélido, a tua boca sobre a minha.
Não, nada disso dá para esquecer. Nada disso terá o mesmo cheiro, o mesmo sabor e a mesma paixão com outra pessoa.
Não dá para amar outro coração, para conhecer outra alma, para atiçar outro corpo, para inflamar outro peito.
Não dá mais. 
Sem ti, o amor não existe.
Sem ti, não haverá mais paixão.
E sem ti...
Ora sem ti, morro..
Sozinha!

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02
Dez17

[Ficção] Fecho os olhos...

Carolina Cruz

 

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Tenho saudades tuas.
Fecho os olhos e aconchego-me, estou de volta aos teus braços.
O meu corpo está novamente sobre o teu. Volta a ter prazer entre as tuas mãos doces.
Volto a querer-te para sempre como se nada nos separasse, nem a morte. Mas abro os olhos e tu não estás, choro porque a tristeza me invade.
Sabes o que me acalma? Pensar que estejas onde estiveres estás a pensar em mim e a sorrir de forma tola como sorrias quando dizias que me amavas.
Isso consola-me, saber que me amas da mesma forma ainda que em mundos e vidas diferentes, porque eu hei-de amar-te sempre.
A morte só te levou fisicamente, o teu coração continua a amar o meu, em forma de amor e alma e esses nunca partem, nem mesmo no coração de quem morre.

21
Nov17

[Ficção] Amas-me, certo?

Carolina Cruz

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Vem, sem medos, abraçar-me, beijar-me, deixar-me em brasa. Por aí, em casa, na rua.
Não tenhas medo de mostrar o que sentes. Olhares vão existir, pensamentos confusos, maldosos, mentes fechadas. 
Amas-me certo? É isso que sentes de coração aberto, não é? Então que esse amor nunca te morra no peito por causa do que os outros vão pensar de ti. 
É esta a tua essência - amar!... E amar alguém não é um crime.
Porquê ter vergonha de mostrar que gostas de mim? Não é o que se diz? Que o amor não se escolhe, sente-se? Que não escolhemos quem amamos?
Tu podes escolher amar-me, ainda que não tenhas tido qualquer motivo. 
Por favor, não te escondas. Pensa na beleza que é poder sentirmos de alma completa e de coração cheio - o mundo sorri. 
E se o teu mundo sorri do meu lado, então não te importes e vem amar-me, vem provar que é comigo que queres ficar, independentemente de todo o mal que possa existir na cabeça daqueles que não sabem que a essência do amor não é o corpo, mas a alma, que não é o seu sexo, mas a pessoa e o seu sentir.

 

20
Nov17

[Ficção] Quem me ama pela metade

Carolina Cruz

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Choro.
Deixo que o meu corpo chore o teu, que ainda vivo permanece morto em mim, seco, rasco, sem cor, sem vida.
Não sou, não és e nada somos. Obrigamo-nos um ao outro a querer ser esse abrigo que já não existe.
Cansámo-nos de fazer as pazes, habituámo-nos a esta repulsa, a este amor que não tem toque nem sensatez.
Choro…
Porque quero ser livre e ainda assim não quero perder-te.
Choro…
Porque esse sorriso ainda me fere o peito, porque não dói, traz-me paz. Já não vivo sem esse sorriso, ainda que morra por saudades de ele me beijar.
A verdade é que ainda que recuse dizê-lo, não vivo sem ti, mesmo que esse corpo ainda que novo esteja velho e cansado de me amar.
Porra de mim, que ama de coração inteiro. 
Porra de mim, que te abraça sem te tocar.
E que ama mesmo quem me ama pela metade.

14
Nov17

[Ficção] Desapego

Carolina Cruz

 

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Permito, finalmente, ao meu corpo, libertar-me de ti. A mente, a pele, o coração, o olhar, tudo em mim se esqueceu de ti e é tão bom.
Não há nada melhor que sentir esta (tua) ausência sem dor. 
Já não sinto a necessidade de saber como estás, com quem andas, se já me esqueceste, se tens outro alguém.
Olho para ti e não passas de um mero conhecido. 
É tão bom este desapego. Esta porta que se abre. Esta liberdade que sinto em já não sentir rigorosamente nada mais por ti, nem um pingo de raiva.
Sou livre, estou livre para amar, não me mudaste nem um bocado. Não tenho medo do amor, não tenho medo de me entregar. Sei ser, sei estar e sei que, algures e algum dia, alguém estará de coração aberto para me viver e me sentir, por inteiro.

03
Nov17

[Ficção] Amo-te, mas...

Carolina Cruz

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Custa-me dizer-te isto. Mas tenho de escrever para me sentir bem comigo mesmo.
Amo-te, mas tenho vindo a aperceber-me que somos incompatíveis.
Isso é possível não é? Amar alguém e não conseguir viver com ela? Sentir amor por alguém e ainda assim não a suportar?
Meu Deus. Que confuso que me sinto. Que confusa é toda esta situação.
Amo-te mas evito-te, porque detesto as tuas escolhas.
Amo-te, mas não consigo estar contigo porque me enjoei da tua mania inquieta de estar sempre tudo errado, das tuas manias em ser certa e correta demais.
Será que apesar de não te querer por perto, eu viverei bem com a tua ausência definitiva na minha vida?
Custa-me pensar tudo isto, mas precisava de escrever-te, de dizer-te, de falar por palavras aquilo que sente o meu coração, mas que a minha boca não consegue proferir.
Bem dizem, por vezes, que o amor é algo tão pouco são e é assim que me sinto: um louco. Inteiramente, completamente, solenemente.
Porque sou louco por ti, mas não te quero. Porque te amo, mas não te suporto.
Como defino isto? Como defino quem somos?
E depois disto o que escolhemos? O melhor? O pior? O correto?
Não sei que consequências terão na tua vida as palavras que escrevo, mas sinto-me feliz por escrever-te, pois sinto-me feliz por fazê-lo, em tentar compreender se calhar algo que não se define, essa intempérie indescritível que nem o poeta soube descrever: o amor.

29
Out17

[Ficção] O meu pior

Carolina Cruz

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É sobre o tempo que escrevo, esse tempo que anda à deriva, nesse balançar do passado que não regressa.
Há horas em que sumo, parto deste mundo, desta Terra que me abraça e faço expedição a outro universo. Não me sinto ser merecedor para pisar este chão que também tu pisas. É como se me doesse a alma por já não te pertencer, é como se a minha existência já não fizesse sentido.
Fui o barco naufragado no teu porto, fui a maré dos teus sonhos e deixei-os morrer. 
Não há direito, eu não mereço sequer que existas como memória, fui uma marca na tua história que deverias apagar para sempre. Errei, redondamente, tenho noção disso.
Fui hipócrita, pouco generoso e nada humilde, revoltei-me com o que me rodeava e levei-te comigo. Fui mau, presunçoso e perdi o que de melhor encontrei na vida: tu.
Tu que compreendias tudo aquilo que sentia, tudo aquilo que não sabia dizer. Eu disse-te e não menti que não fui feito para amar, ainda que tu me tenhas ensinado. Mas será o amor algo que se ensine? Ou se sente e pronto?
Só sei que agora, depois de querer morrer e renascer de novo é que aprendi que o amor é esta dor da ausência, é este querer o teu bem, é saber que estás melhor sem aquilo que te dei do pior de mim, é saber que te quero ver feliz mesmo ao lado de outro alguém se isso te tornar completa, é aceitar que os nossos caminhos se separaram porque eu errei, e amar também é isso: aceitar que errei. Pôr um ponto final à corda do relógio que nunca mais deixa de regressar àquilo que fomos e por fim, deixámos de ser. 
Amar é lamentar, é pedir desculpa, ainda que não seja aceite.
Amar é também aceitar e seguir em frente.

20
Out17

[Ficção] Sorrio

Carolina Cruz

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Sorrio. Mordo o lábio. Sorrio novamente. Mordo de novo o lábio.
Olho-te nos olhos e simplesmente não sei o que dizer.
Adoro-te, sabes?
Mas as palavras não me saem da boca, digo o contrário do que diria, e rio-me de nervoso. Embrulho frases, sou um gago idiota.
Bloqueio quando te olho, não sei dizer nada, só sei sorrir perante o teu sorriso.
Adoro o teu sorriso, sabias?
Já que não consigo falar-te, escrevo-te, sou melhor a falar como escritor, poeta, só no papel consigo ter o dom da palavra. Aqui é tudo mais fácil, liberto-me, consigo ser o homem que querias. Ou já sou?
Desculpa o meu ar atabalhoado, a minha timidez tamanha, mas eu sou assim. Fazer o quê?
Gostas de mim assim?
Se sim, sou teu, por inteiro.
Adoro-te, já o disse?
Sim, adoro-te.

19
Out17

[Ficção] Gosto sim.

Carolina Cruz

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Posso amar-te?
Por favor, deixa-me, nem que seja no meu segredo mais intimo. Não quero muito, só quero que saibas o meu nome, que lhe dês valor, que me dês a mão, nem que seja apenas com o coração. É o que fazem os amigos. Certo?
Admiro-te, admiro-te de coração, pudesse eu arranjar palavras que descrevessem o tão puro sentimento que me invade.
És especial e é tão simples gostar de ti, apenas quando te abraço com o olhar.
Dizem que os olhos são o espelho da alma, por isso sente-te abraçado por completo.
Não sei, sinceramente, o que sinto, porque o sinto, mas gosto de o sentir, gosto do sorriso que provocas em mim. Gosto de gostar do sorriso que provocas em mim. Gosto de gostar de ti, mesmo que não saibas o meu nome, ainda que não conheças quem sou, os meus sonhos.
Gosto simplesmente.
E gostar é bom, não é? Gosto de ti, gosto sim.

13
Out17

[Ficção] Sem fim

Carolina Cruz

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Estou aqui. Vens receber-me?
Estou aqui, meu amor.
Estou de volta, ao refúgio da nossa memória.
Vamos aproveitar o tempo perdido.
Desculpa, meu amor, estou aqui.
Consigo lembrar-me de quem és, de quem somos. Por momentos, esta maldita doença não me consome, consigo recordar-me de quem sou.
Vamos aproveitar que estou viva, é tão bom estar na minha pele, sentir-me, sentir-te, sem que sejas um estranho para mim. 
Vem, que o agora é o maior presente que temos.
Vem, meu amor. Que eu não conheço o amanhã.
Vem, meu amor.
Vem, que eu estou aqui,
Sou eu, ainda te amo como o passado que não consigo recordar mas onde regresso tantas vezes.
Amo-te, ainda que o tempo se esgote, amo-te ainda que o Alzheimer me desfaça em mil pedaços do que não sou.
Amo-te, sempre, ainda que não me recorde disso, todos os dias da minha vida.
Amo-te, pelo amor maior que tens por mim.
Amo-te, por tudo.
Amo-te, sem fim.
Até ao fim.

 

 

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