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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

07
Abr17

7 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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Havia um conjunto de sentimentos em Sara que eram tão confusos que ela não sabia como explicá-los. Embora não esquecesse o seu primeiro amor, Manuel; John (um famoso baterista em Londres, um amigo mais íntimo que os outros) curava um pouco o sopro que Manuel deixara no seu coração.
Era mais amor que amizade, embora não quisessem revelar. Era uma relação como as da nova geração – sem compromissos. Ainda assim, eram inseparáveis, não ficavam um dia sem se falarem ou sem se verem.
Embora fosse sem compromissos – querer estar e ser quando lhes apetecesse – Sara queria apresentar-lhe a sua família, eles já tinham ouvido falar muito nele e John também queria conhecer o forte suporte da amiga. Portanto, dali a vinte dias (já faltava menos de um mês) Sara partiria com John de férias para a cidade natal.
O que sentia, nos braços de John era uma inquietude e, perante a sua presença apenas, calma e proteção, polvilhada com um grande de toque de empatia. No entanto, havia algo que ficara no passado, que estava incompleto, que decerto não a deixava avançar ou acreditar no amor. Muitas vezes questionava-se a si própria. Ela tinha tudo o que queria, porque é que o seu pensamento não mudava?
 
 

(Continua...)

 
 

 

06
Abr17

6 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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Sara, com os seus 28 anos, uma mulher lindíssima, cobiçada por tantos, e invejada por tantas.
É uma enfermeira de sucesso, continuando a ser uma pessoa íntegra e boa como sempre fora.
Muito tinha mudado na sua vida e hoje, emigrada em Londres, o seu dia-a-dia era uma verdadeira adrenalina, e embora tenha seguido enfermagem, não largou os palcos, juntando-se a um grupo de declamadores de Shakespeare.
Entre as tragédias e as desgraçadas declamadas às paredes do quarto ou às salas cheias, Sara lembrava-se do seu amor passado, da juventude, da clareza dos seus sentimentos de outrora, que nunca voltara a viver, e pensava como talvez também o seu destino fosse trágico, por não reencontrar esse velho amor.
Ironicamente, Manuel estava em Lisboa a pensar que Sara talvez ainda lá vivesse e Sara atravessava as longas e movimentadas ruas da cidade inglesa sempre julgando que um dia poderá vir a dar de caras com Manuel.
O destino era mesmo traiçoeiro! Ou não seria o destino e sim as escolhas que os tinham separado?

 

(Continua...)

05
Abr17

5 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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14 anos passaram desde então, desde esse beijo, dessa despedida. Não se voltaram a encontrar, mas a verdade é que nunca esqueceram, nunca se esqueceram um do outro. Ainda que a vida tenha trazido novas pessoas, novos rumos, aquele beijo fora intenso e o seu amor, ainda que escondido, também. Parece que fora tão intenso e tao escasso que ficara alguma coisa por fazer, por dizer.
Manuel, agora gestor de relações públicas, em Lisboa, continuava a fazer teatro apenas nas horas vagas. Londres foi um sonho, que ele diz até ter sido uma miragem, pois não passou disso, de uma certeza pautada do momento e quando não vemos sucesso ou rendimento no que amamos fazer, o melhor é procurar outra ocupação que nos dê prazer para aliar ao que se chama de paixão. A sua paixão era o teatro, essa arte que continuava a tratar por tu, para aliviar o stress e poder se recordar do seu passado e de Sara, que tanto amou.
Poderá um amor tão forte, que tanto inflama o peito, ser dado como morto?

 

 (Continua...)

04
Abr17

4 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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«Ela é uma pita, Manel!», «tão nova para ti», «isso é proibido», «é menor, isso é pedofilia» - era tudo o que ele ouvia, quando revelava a um amigo mais chegado o seu segredo mais secreto - estar apaixonado por Sara.
Ele sabia que era arriscado, mas queria tanto, que por ele esse amor era vivido em segredo, mas em tantas horas em que a vida se cruzava, conseguiria ele e, também ela, esconder a cumplicidade e o amor que os unia?
Por mais dúvidas ou certezas que tivesse, o destino soube-lhe dizer o que fazer.
Manuel andou dias a pensar nisso e quando julgava que se iria entregar ao seu amor proibido, o destino fê-lo escolher o seu sonho – Manuel fora aceite no casting para fazer parte de um curso em Londres. Ele não tinha como negar aquela oportunidade, embora o seu amor lhe inflamasse o peito, raparigas e novos amores viriam, mas oportunidades de seguir o seu sonho podiam não existir como naquela altura.
Na sexta seguinte seria a última aula que iria dar antes de partir. Ele sabia que magoaria Sara se não lhe dissesse primeiro que a todos os outros, mas se ela ficasse magoada com ele, talvez fosse mais fácil partir. Um pensamento idiota. No entanto, não custava tentar. Resultaria? Sinceramente? Não.
Ao saber, Sara, ficou triste sim, mas entendera na perfeição, não só a escolha dele seguir o seu sonho, como o facto de a ter tratado por igual. Ela sabia que ele não queria confundir o seu próprio coração, especialmente naquela altura, em que iria partir. A atitude dela deu, na verdade, cabo dele. Deu-lhe mais vontade de ficar, de querer o seu abraço. Porque antes de partir, ela quis guardar dele, o melhor e deixar-lhe uma marca do seu amor, que será sempre uma paixão infinita. Então, sem que ele pudesse reagir, agarrou-lhe nas mãos e puxou-as para a sua cintura, pousou as suas nos seus ombros, deslocando uma delas para o seu rosto. Manuel não queria acreditar quando olhou nos seus olhos que se encontravam tão próximos dos seus. A sua boca na dele. 14 anos que não importavam mais, 14 anos que seriam insignificantes, 14 anos que ficaram na sua memória, 14 anos da Sara e 14 anos que passaram desde então.
 

 

(Continua...)

 

 
03
Abr17

3 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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Nesse dia, em que só existia apenas ele e ela, e o mar. Nesse dia em que apenas existia essa luzidia mensagem de amor, o seu coração falou mais alto.
Manuel não conseguiu evitar dar-lhe a mão. Mesmo sem compromissos, sem ligar as palavras que falavam pela boca, sem ligar o corpo inteiro. Apenas deram as mãos e, nesse gesto, nesse pequeno gesto cabia o mundo inteiro.
Quando o entrelaçar das mãos aconteceu, baixaram o olhar e os sorrisos surgiram um pouco a medo. Nenhum dos dois falou, ambos permaneceram em silêncio. Era um pedacinho de certeza, para eles, que não podia ser quebrado.
Por incrível que possa parecer, foram de mãos dadas até ao carro, como se a simplicidade desse gesto durasse toda a vida, sem precisarem de mais nada que os ligasse para sempre. Na despedida trocaram dois beijinhos apenas como dois amigos e cada um seguiu o seu caminho a sorrir e a sonhar. Ele sabia e ela também! Era amor. E agora?
 

 

 (Continua...)

 

 
02
Abr17

2 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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Aquele sorriso derretia-a e, por ele, o seu coração palpitava. Mas o sorriso de quem? A quem pertencia esse sorriso?
Sara pertencia a um clube de teatro.
Às quartas e sextas após as aulas, Sara deslocava-se à companhia de teatro que ficava mesmo ao lado da sua escola.
Sara adorava aquele momento, até porque, na verdade, acabava por ser dos seus poucos momentos de lazer e, sobretudo, de luta pelo seu sonho, esse que sonhava concretizar um dia - ser atriz!
Naquele grupo todos tinham esse gosto, embora o teatro não fosse para todos um sonho, como era para Sara ou para Manuel. Um dos professores que encenava as peças apresentadas e, por quem, o coração de Sara palpitava. Ela sabia que era um amor impossível como os que aconteciam nos filmes, ou nas novelas mais dramáticas.
Manuel tinha 22 anos e Sara apenas 14 anos, era menor, decerto para ele uma miúda.
Quem sabe ele já não tivesse alguém, pensava ela.
No entanto, havia tanto em comum, tanto que os ligava e não era apenas o seu sonho comum.
Às sextas-feiras, quando a mãe saía mais cedo do trabalho e podia ficar com os irmãos, Manuel costumava convidar Sara para um café no bar da praia. Mesmo no inverno, o cheiro a mar consolava as intempéries na vida dela, e ele sabia disso. Gostava de lhe fazer bem, de ajudá-la, de ser seu amigo.
No entanto, aquele olhar, aquele sorriso, diziam muito mais que compaixão, talvez no pensamento dele o prefixo "com" não fosse necessário.
Mas e... se fosse realmente paixão?
 

 

 (Continua...)

 
 
 
 

 

01
Abr17

1 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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14 anos cheios de elegância. Cheios de inteligência. Desde a morte do irmão mais novo que aprendera que a vida devia ser vivida ao minuto, sem medos ou inquietudes que a fizessem desistir do seu sonho: o mundo da representação.
Sara tinha dentro de si um fulgor incomum, era uma miúda que parecia ter um saber muito maior que outra qualquer rapariga de 14 anos.
Os seus catorze era equiparáveis a uns vinte anos, não pelo seu corpo, não pela sua forma de andar ou seduzir, não, nada disso. Mas sim, pela sua forma de comunicar, pela sua presença madura, pelas suas conversas.
Sara era alta, ruiva e realmente bonita. Vinha de uma família de quatro irmãos. Era a irmã mais velha. O mais novo falecera com 3 meses, nascera com uma deficiência cardíaca e não resistira à vida ligada às máquinas, por mais que tenha doído, todos sabiam que a sua vida não seria nem comprida, nem saudável, era sim preciosa, mas partira, o melhor para ele – dizia-o sem medos.
Era ela quem, na ausência do pai e da mãe, que se matavam a trabalhar, cuidava dos outros dois irmãos, Filipe e Joel, de dez e seis anos.
Sara era, apesar das dificuldades da vida, uma menina cheia de sonhos, e alguém mexia com o seu coração grande e forte, mas será que era correspondida?
 

 

(Continua...)
 
 
 

 

08
Fev17

[Completas-me] com Cátia Madeira

Carolina Cruz

Hoje temos a querida Cátia, do blog "Em busca da felicidade" com um texto a duas mãos que é tudo menos feliz, no entanto, acredito que vos vai apegar do início ao fim. Espero que gostem tanto, como eu gostei desta parceria!

 

"As lágrimas que caem no meu rosto seguem o compasso das ondas que batem fortes na areia da praia. O som que me acalma os pensamentos. O coração. Os sentimentos. Tento acertar o bater do meu coração mas está descontrolado.
A mala a meu lado. Dois tarecos e meio. A saudade cá dentro. O medo de perder quando sei que fui eu que fugi.
Não queria ter virado costas. Pediste que ficasse. Que tudo se resolvia.
Resolvia?
- Às vezes parece que já não nos conhecemos.
- Mas como, se ninguém me conhece melhor que tu?
Como? Se nem eu me conheço como tu sabes o que sou? Como posso achar que já não nos conhecemos.
A minha cabeça. As minha dúvidas. A minha procura pela perfeição.
Não sei se te faço bem. Se sou o melhor para ti.
- És quem eu quero. Deixa-me ser eu a escolher.
Escolhi por ti. Bati a porta e saí.
O caminho não sei como o fiz e dei comigo em frente ao mar. Aquele que me lava a alma. Aquele com que acerto as batidas do meu coração. Aquele que espelha as lágrimas que trago no rosto. Dois mares salgados frente a frente. Um puro, outro ensombrado pela dor de quem escolheu da pior forma. De quem quer voltar atrás mas não tem coragem para isso.
Escolheste vir embora. Agora não podes voltar sem mais nem menos.
A minha mente comanda. O meu coração obedece.

Sinto passos atrás de mim. Como quero que sejas tu. Como quero que me abraces e me digas que tudo vai ficar bem. Que me amas mesmo louca. Que me envolvas nos teus braços. Ponhas o teu casaco sobre os meus ombros e pegues na minha mala.
- Vamos para casa. – dizias – para nossa casa.
E eu ia contigo.
Se me conheces como sei que sabes quem sou, encontras-me aqui. Neste espaço que me acalma as batidas do coração."

 

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Mas não, não eras tu. Nunca serás tu, depois de toda a desilusão que prendi em ti, nunca serei eu de volta ao teu coração. No entanto, no meu coração estarás sempre até ele deixar de bater. Apesar de tudo, amo-te. E o meu coração só deixará de te amar quando tudo terminar.
É isso, é isso mesmo. Quero que ele deixe de bater, já, agora.
As ondas estão revoltas, o mar está bravo, dispo a roupa, tal e qual como gostavas que me despisse para ti, ali estava o meu corpo nu a amar-te como uma louca, como se as ondas fossem a tua cama, como se o mar fosse o meu crematório.
Entrei a medo, a água gelada quebrou o meu corpo quente, naquele inverno frio. Não podia desistir, eu tinha sido fraca toda a vida, mas naquele momento tinha de ser forte, quebrar tudo, quebrar-me a mim. A louca não partira apenas da tua vida, mas do meu corpo também, partira para sempre.
O meu corpo começava a gelar, os meus pés não viam o fundo e eu via o meu fim à vista, estava a conseguir.
Estava prestes a perder os sentidos, quando ouvi uma voz dentro de mim, eras tu, a tua voz doce, que me fazia recuar, mas já não conseguia, os meus olhos já se tinham fechado.
Eras mesmo tu e não uma voz dentro de mim, eras tu que me agarravas, e choravas, só a minha alma te podia ver, o meu corpo já não te podia tocar.
Chegaste tarde demais, e eu parti demasiado cedo. Não devia, desculpa. Hoje choro, mas não serve de nada. Será que se arrependimento matasse, eu voltaria a viver?
Por vezes não entendemos que os nossos atos magoam os outros. Eu marquei-te e magoei-te para a vida toda, deixando partir a minha.
Sei que esse teu corpo é só apenas uma miragem, porque também desejas partir nesse mar, mas pensa em mim, e sempre que quiseres, se isso te liberta, vem lembrar-me, encontra-me aqui, talvez um dia quando houver pozinhos mágicos, eu possa voltar.

  

11
Dez16

[Ficção] Miragem

Carolina Cruz

Fechaste os olhos, não quiseste ver o que existia para além do sonho.
Deixaste-te prender a alguém que te pedia mais que aquilo que não sabes ser.
A tua realidade é aquela que vive no teu subconsciente, não sabes usar as palavras que não são tuas, improvisar as ações que ofereces a alguém que te diz tanto e a quem não sabes sentir.
Foste a voz que o vento levou e eu sou o marco atravessado no tempo da tua imagem, a ferida que queres apagar porque ainda sentes. Vives no teu buraquinho do qual não te deixam sair, és um bicho que come e dorme sem fé e coragem num mundo onde todos pedem luta.
Não afastes dos teus olhos a coragem, o pedaço de brilho que findou, porque afinal de contas eu só fui uma miragem que passou.

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[fotografia do filme "If I stay"]

26
Nov16

[Ficção] Eu escolho ficar

Carolina Cruz

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Sento-me, as lágrimas permanecem aqui, fechadas, comigo, porque tal como elas eu permaneço e assim hei-de ficar.
A dor ainda é a mesma, o sentimento vai devagarinho tocando-me no meu ponto mais fraco: a saudade.
Hás-de voltar e a dor ainda permanece na esperança de se transformar na felicidade por apenas um abraço.
Voltaste e os braços que me apertaram naquele dia não eram os mesmos, não os senti.
Química ou desenlace? Palavras que não fazem sentido. Não há guerra que não termine, o meu coração está feito numa batalha e a cabeça ainda luta.
Sou aquela que enfrenta o problema com jeito de ironia, com um sorriso.
" - Que escolhes tu? "
" - Eu? Escolho ficar. "

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