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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

17
Set17

Permanece.

Carolina Cruz

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Vem curar as minhas feridas, só tu o consegues fazer…
Vem, fica aí bem do meu lado, nesse abraço apertado e nesse mar imenso que é o silêncio dos teus olhos e com esse sorriso que me traz paz.
Fica, permanece, quero-te num querer para toda a vida. 
Quero-te por mil razões, sem as conseguir dizer. 
Quero-te porque é em ti que penso quando acordo, que sonho quando me deito, és tudo isso porque te amo e amo-te porque, na verdade, és tudo aquilo que sempre quis.
Amar-te é tão simples, o meu sorriso é teu e é tão fácil sorrir contigo, o meu coração não chora.
Tornas os meus problemas numa habilidade de criança fácil de superar, vens e o meu olhar sobre o mundo é mais limpo, o mundo é melhor para se morar.
Contigo, é tão fácil compreender que não precisamos de pessoas que não nos querem nas suas vidas, que não gostam de nós, ou que não podemos agradar a todos.
O mundo torna-se mais fácil de se encarar.
És meu amigo, fazes-me chorar a rir, trazes-me sensatez, aqueces-me o peito e o corpo inteiro com o teu beijo, o que posso querer mais?
A vida é um completo perfeito de simplicidades e eu só quero morar para sempre no teu colo.
Não me importa para onde vou ou onde fico, se estiver ao teu lado.

02
Set17

O que somos após tudo terminar?

Carolina Cruz

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Somos lume aceso pronto a arder. 
Somos prato servido para ser pó e além da nossa alma que fica no coração dos outros, daqueles que nos amam, nada seremos após a nossa morte. 
Vimos ao mundo para ser, para ousar ser livre, no entanto há sempre algo que nos prende: a ansiedade, o medo, o tempo finito. 
Não há ninguém que não tema a morte, não existe, usamo-la como segurança dos nossos erros ou um escape para quando já não conseguimos viver com as consequências deles. 
Somos nada que é um tudo para alguém. Amamos, profundamente, loucamente, fazemos coisas impensáveis em busca de nos tornarmos eternos para alguém. 
Mas será essa eternidade executável? Verdadeira? Exata? 
Será que não nos esquecerão quando nada restará se não as memórias, se não o tempo da nossa ausência?
Quem somos depois de partirmos? Qual é a definição do amor após só nos restar a alma? É a alma que ama ou o corpo por inteiro?
Há dias em que viver não me basta, por isso vou à procura de razões a perguntas que nunca serão respondidas... 
Nunca? Será? Eu não deixo de pensar, enquanto não tiver respostas! 
O que somos após tudo terminar?
 
 

 

05
Ago17

[Ficção] Resposta de Susan

Carolina Cruz

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Leonardo,
Passei todos os meus verões à espera que voltasses.
Permaneci todos os primeiros dias de julho de cada ano à tua espera na estação.
À espera que o tempo nos trouxesse o que era nosso por direito.
Mas os anos foram passando, eu fui amadurecendo, criei a minha vida, experienciei vários empregos, casei, tive filhos.
Dois filhos maravilhosos. Vejo neles a nossa juventude, o amor pela vida, o sorriso nos lábios e o brilho nos seus olhos.
Nunca me esqueci de ti, nem do que vivemos, ou do que podíamos ter vivido.
Tal como esperei por ti todos aqueles anos, esperei por estas palavras.
Porém, lamento dizer-te, mas sim, é tarde demais para vivermos de novo este amor.
O meu marido morreu este ano. Lamento tanto a sua partida, o amor que ele tinha por mim, o meu amor por ele que ficou incompleto, a cumplicidade e a amizade que tínhamos.
É verdade que nunca me esqueci do que vivemos, mas ele fez de mim a mulher mais feliz na tua ausência. Não quero que, na sua ausência, tu sejas a minha felicidade. Peço que respeites.
Ainda assim, ainda que o tempo não volte atrás e nenhum de nós seja o mesmo daquele verão, gostava de te olhar nos olhos, reconhecer o teu rosto.
O que vivemos foi um amor infinito, também podemos chamar isso de amizade, certo?
Espero uma resposta e um sorriso de acordo.

 

Susan.

27
Jul17

Hey rapariga!

Carolina Cruz

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Hey rapariga, dança!
Aproveita! A vida é curta. É uma passagem.
És jovem. Bonita.
Vem, dança!
Esquece os problemas, o que dizem os outros, o cansaço!
Vive, dança!
Estás a ficar demasiado séria.
Quando te aperceberes disso será tarde demais.
Não queres aproveitar agora?
Vem, dança.
A vida não pode ser levada assim. Temos de largar os receios, esquecer os medos, as prisões da mente.
Vive o presente. 
Vive, dança!
Que quem é feliz, nunca se cansa!
Vem!
 

 

 
 

 

25
Jul17

[O teu olhar] Voa sem medos

Carolina Cruz

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Voa, sem medos… 
São os teus sonhos, intensifica-os, agarra-os, luta até ao tutano. Tu és forte, guerreira e amas aquilo que a vida te dá. Amanhã não será diferente, não poderá ser diferente… 
Vai e luta! Tu és capaz…
É nessa capacidade que tens de acreditar… Acreditar que, mesmo sem asas, tu és capaz de voar. 
Voa em frente… Não baixes os braços, não tombes a cabeça. És forte demais para te diminuíres, és grande e tens o mundo a teus pés, que é teu pequenino ao pé da grandeza dos teus sonhos. 
Vem, voa, sem medos… 
Tu tens a cor da luta, tens a imagem de um sorriso infinito de braço dado com a tua loucura saudável de que chamas de amor, inteiramente com o coração, com a força de uma vida que aí vem e que será sempre tua.

 

Fotografia da autoria de Carla Santos :)

20
Jul17

Porque é que não acreditas?

Carolina Cruz

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Porquê? Porque é que não acreditas que é o amor que nos move? 
Sem ele nada faz sentido. A vida não tem sentido. 
O que achas que é mais importante que o amor? O dinheiro? Esquece isso. 
Enquanto pensares assim, podes conhecer todos os recantos do mundo, todos os mais belos, os mais caros, os lugares que muitos invejam, mas eu não. 
O meu lugar preferido é num abraço, é no peito de alguém que amo, no coração daqueles que tenho por perto e que me querem tão bem quanto lhes quero a eles. 
Se sou pobre? Não, nada disso. Sou grata, rica nas pequenas coisas que são muito mais importantes que tudo aquilo que se possa comprar. 
Quem muito tem e vê “amor” no dinheiro, não tem nada. Tem um vazio no lugar da alma. 
Não digo que o dinheiro não seja importante, claro que sim. 
Mas eu… Eu prefiro ser simples, prefiro amar o amor e poder estar com quem gosta de mim. Porque não pode ser simples assim para toda a gente? 
O mundo seria um lugar melhor.

 

 

07
Jul17

[O teu olhar] Fotografar é...

Carolina Cruz

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“Fotografar” é um verbo tão idêntico ao de “viver”. É não é? Saborear as pequenas coisas, ver o mundo com os nossos olhos, dar ao mundo a perspetiva daquilo com que sonhamos.
Fotografar é exatamente isso, olhar o mundo, ver a beleza nos pequenos prazeres, numa simples flor, numa casa ornamentada tão diferente do que estamos habituados. Fotografar é como viver: explorar, sentir, absorver… E mais! Muito mais…
Fotografar é retirar de nós memórias, de um passado que foi nosso, de uma realidade inquieta que já não nos pertence… Quando fotografamos vemos o mundo com amor, com interior, com delicadeza na alma, uma fotografia é uma identidade, de nós, dos outros, de quem somos, do que nos rodeia.
Viver e fotografar só podem ser verbos infinitamente e intimamente ligados. Assim como o mundo e os nossos olhos, são realidades pura e simplesmente em concordância com o universo.
As memórias e quem somos, o passado e o presente representados numa simples imagem que nos marca para a vida toda.

 

 

 

Fotografia da autoria da Alexandra Duque, uma talentosa blog, que além de tirar fotografias fantásticas, é simpática e muito querida, ainda não conhecem o seu blog Al-duque? É espetacular, visitem! :)

02
Jul17

[Ficção] Mereço ser feliz

Carolina Cruz

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Houve dias em que o meu coração chorou. Houve dias em que implorou. Mas não pode fazê-lo mais. Lamentar não é para mim. Esperar por ti era, mas não é mais.
Sabes… não posso adorar mais uma ilusão que aos poucos se torna desilusão entre um passo e outro.
Como posso dizer-te que não te quero mais na minha vida? Se tu chegas e dás-me a volta e eu não sei mais o que dizer, volto a dar-te o meu abraço.
Eu falo em palavras, não em gestos, porque este coração parvo adora-te demais e eu não sei dizer-lhe que não.
Mas eu não quero amar-te mais, não quero implorar o teu amor e chorar pelos cantos. Já sei que depois de eu te fazer bem, de eu te oferecer o melhor, de te ajudar a alcançar a vida com olhos de alegria, tu partes assim, com ingratidão para comigo. Esses olhos felizes foram viver a sua vida sem mim, com sorrisos para alguém.
Achas que depois de tudo, mereces que te diga que perdoo? Que te amo da mesma forma?
Cansei de ser a idiota que implora e para quem voltas quando não tens mais ninguém. Fartei-me de sentir-me a mais na tua lista infinita de amigas. Eu pensei que era a mais especial, mas não passei de apenas e só mais uma do teu leque.
Lamento, não serei mais o prato que comes, o chão em que pisas.
Lamento, mas vou quebrar o meu próprio coração anotando-lhe que não dá mais, mereço melhor, mereço esquecer-te, mereço ser feliz.

 

 

30
Mai17

[Ficção] Gostas, mas...

Carolina Cruz

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Deixa que a vida corra.
Deixa que eu me afaste.
Estou cansado de correr atrás de ti, quando és tu que constantemente me ignoras.
Sim, eu sei. Eu sei que gostas de mim. Porém, eu não sei, não consigo compreender essa forma que tu tens de gostar de mim.
Gostas, mas não estás presente.
Gostas, mas parece que não me queres na tua vida.
Dás desculpas.
Eu sei que gostas, mas quem gosta com todo o coração, não dá desculpa, mas razões e tempo para estarmos juntos.
Por isso, não percebo.
Por isso, deixa que eu me afaste.
Deixa que a vida corra...
Foi o que fizeste, ainda que digas que não...
E ainda que digas que não
A vida vai sempre correr e os nossos caminhos irão tomar rumos diferentes.
Tens pena? Eu também.
No entanto, não há mais nada a fazer... Escreveste o teu caminho, fizeste a tua escolha.
E eu...
Eu não estarei mais aqui à tua espera!
 

 

 

 
29
Mai17

A ti, que me lês

Carolina Cruz

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Vendo bem não é preciso muito, pois não?
Um lugar sossegado, um papel e uma caneta. Rodeada de paz e de sentimentos que me inspiram.
Uma mão cheia de felicidade, um balde cheio de amor, um pingo de saudade e uma pitada de magia.
Sem a chuva nada floresce. Assim sendo, junto-lhe um pouco de amargura e um tanto dos erros que me fizeram crescer. De que vale acreditar e não sofrer?
Se eu não sofresse, se eu não errasse, todas as minhas páginas estariam em branco. A minha inspiração talvez não existisse e então eu não seria ninguém.
Todas as palavras que escrevo são fruto de quem fui e de onde vim. Hoje? Hoje apenas preciso dessa caneta, desse papel, desse lugar para ser feliz.
Sinto que a paz deste mundo só existe aqui, nas palavras que escrevo e naquilo que me dou a conhecer, a mim mesma e a ti, que me lês.

 

 

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