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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

O que somos após tudo terminar?

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Somos lume aceso pronto a arder. 
Somos prato servido para ser pó e além da nossa alma que fica no coração dos outros, daqueles que nos amam, nada seremos após a nossa morte. 
Vimos ao mundo para ser, para ousar ser livre, no entanto há sempre algo que nos prende: a ansiedade, o medo, o tempo finito. 
Não há ninguém que não tema a morte, não existe, usamo-la como segurança dos nossos erros ou um escape para quando já não conseguimos viver com as consequências deles. 
Somos nada que é um tudo para alguém. Amamos, profundamente, loucamente, fazemos coisas impensáveis em busca de nos tornarmos eternos para alguém. 
Mas será essa eternidade executável? Verdadeira? Exata? 
Será que não nos esquecerão quando nada restará se não as memórias, se não o tempo da nossa ausência?
Quem somos depois de partirmos? Qual é a definição do amor após só nos restar a alma? É a alma que ama ou o corpo por inteiro?
Há dias em que viver não me basta, por isso vou à procura de razões a perguntas que nunca serão respondidas... 
Nunca? Será? Eu não deixo de pensar, enquanto não tiver respostas! 
O que somos após tudo terminar?
 
 

 

* O teu olhar: Fotografar é tão idêntico com viver

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“Fotografar” é um verbo tão idêntico ao de “viver”. É não é? Saborear as pequenas coisas, ver o mundo com os nossos olhos, dar ao mundo a perspetiva daquilo com que sonhamos.
Fotografar é exatamente isso, olhar o mundo, ver a beleza nos pequenos prazeres, numa simples flor, numa casa ornamentada tão diferente do que estamos habituados. Fotografar é como viver: explorar, sentir, absorver… E mais! Muito mais…
Fotografar é retirar de nós memórias, de um passado que foi nosso, de uma realidade inquieta que já não nos pertence… Quando fotografamos vemos o mundo com amor, com interior, com delicadeza na alma, uma fotografia é uma identidade, de nós, dos outros, de quem somos, do que nos rodeia.
Viver e fotografar só podem ser verbos infinitamente e intimamente ligados. Assim como o mundo e os nossos olhos, são realidades pura e simplesmente em concordância com o universo.
As memórias e quem somos, o passado e o presente representados numa simples imagem que nos marca para a vida toda.

 

 

 

Fotografia da autoria da Alexandra Duque, uma talentosa blog, que além de tirar fotografias fantásticas, é simpática e muito querida, ainda não conhecem o seu blog Al-duque? É espetacular, visitem! :)

Tu bastas-me.

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Pipocas (um balde cheio), uma série e milhares de sorrisos. Basta-me.
Tu bastas-me.
O teu carinho, o teu conforto, o teu sorriso e o teu amor.
Esse amor que não cessa, esse amor que se constrói a cada dia.
Por isso, no calor da noite, eu só quero que me aconchegues.
Contigo, posso até virar rotina, desde que os nossos beijos sejam sempre iguais, cheios de pedaços gigantes de cumplicidade.
Contigo, tu e eu, para sempre. Até sermos velhinhos.
Tu e a bola, eu e um livro. Mas no fim da noite, ai o fim da noite!
Pipocas (um balde cheio), uma série e milhares de sorrisos!
O que vier depois disso será segredo, será nosso, será amor. Amor para viver, não para mostrar ao mundo. Eu e tu, para sempre. Até sermos velhinhos. Até não conseguirmos amar mais, porque os braços cessam e porque o corpo pesa.
Virá a morte, mas não o esquecimento. Virá a morte, mas não o término. Porque este “para sempre”, vai muito além da eternidade.
Eu e tu, para sempre. Basta-me.

 

 

 

* Simplicidades da vida: nadar

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Nadar é sentir-me em casa, livre, dispensada de receios.
Sinto-me um peixe na água, devorando sorrisos e sonhos profundos.
Quando saio tudo o que sinto é paz, o meu corpo cansado envolve mistérios, capazes de dar e fazer o seu melhor.
Há uma magia inerente ao nadar, a nossa alma mais que o nosso copo tem a certeza de que sabe respirar e acreditar em como é bom estar-se vivo!

* O teu olhar: Nas teias do amor

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(fotografia da autoria de Ana Francisco da página "Mundo em fotografia")

 

Sou um estranho bicho-de-mato que pelas teias do amor, se tornou na sua mais bela fala - uma flor.
Rebentei por entre os raios de sol ferido e levantei-me como quem deseja café. No entanto, a minha maré era o teu jardim, onde me abandonaste. A minha sorte é que me aguentei de pé sem murchar, porque o amor-próprio sobreviveu após todas as colheitas que me fizeram morrer. À parte dos teus jeitos vaidosos de me quereres só para teu proveito eu tornei-me o olhar dos interessados, o olhar dos mais curiosos, que sabem reconhecer a arte, a beleza interior e a simplicidade.
Tu não o quiseste ver, abandonaste todas as ideias simples e só me tentaste comprar com a tua beleza, no entanto tudo o que me soubeste dar foi abandono.
Embora não possa, abandono eu mentalmente o teu jardim e dou graças a Deus por me abençoar e nunca me fazer esquecer quem me planta, me dá vida, e me deixa viver sorrindo.

 

* Ficção: Tu não me deixas viver

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Não dás valor a nada do que faço, para ti sou e serei sempre aquele fracasso, aquele olhar perdido entristecido na presença do teu sorriso escasso, escondido.
No fundo, não paro de te amar, porque um dia sonho, sonho sempre que voltas ao mundo que eras, ao mundo em que ainda sabias o que era amar!
Não te julgo, nem te quero julgar, muito menos eu que não me canso de te amar. Mas o que sinto é tão puro, tão forte, mas encontro tudo tão escuro, tenho medo de um dia me encontrar com a morte.
Fala-me do que sentes, solta a mágoa que guardas dentro de ti. Eu sei que sentes, mas mentes, mentes sem fim, tentas ser forte, encorajar até a morte mas cada pedaço de ti se torna mais corda em vez de laço, e a mágoa invade o teu espaço.
Mudaste tanto o que há em ti, existe tanta história, tanta mágoa que eu já esqueci para não te fazer sofrer mas a cada passo, tu é que não me deixas viver.

 

 

Há uma parte de mim.

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Há uma parte de mim que sou eu…
Há uma parte de mim que é tua…
Há uma parte de mim que não sabe que existo
Enquanto não me canso de sofrer.
Há uma parte de mim que não se cansa de viver
E que tanto quer acreditar
Quer saltar e ver mais além.
Há uma parte de mim que não vive sem ti,
Não vive, vive só, não é ninguém.
É essa parte de mim que contradiz o suor
O suor da minha voz.
Há uma parte de mim que se junta ao outro lado,
O lado da emoção,
Essa parte que é nossa,
Há uma parte de mim que se chama coração.

 

O meu respirar.

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 (fotografia do filme "Endless Love")

 

Que nunca ninguém te leve dos meus braços. Que nada nem ninguém afaste os teus olhos dos meus. Não quero jamais que isso aconteça, nunca, nem por um dia, morro. Vou contigo, levo o meu pensamento junto de ti e o coração colado ao teu.
Vamos de mãos dadas encontrando o destino, sob o tempo, ainda há tanto por descobrir, milhares de minutos para amar o que temos em nós, partilhar pedaços de coração que foram destruídos no passado que a pouco e pouco se recompõem.
Vamos caminhando juntos, lado a lado, de sorrisos unidos num beijo eterno que nos abraça.
És o melhor que tenho, o melhor de mim. A minha força e forma de respirar.

 

 

 

 

 

 

Eu sou forte!

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Reflete comigo, repete comigo: eu não me armo em forte, eu sou forte! Eu não tenho a mania que sou forte, eu sou forte. Eu não acho que os outros são mais fracos que eu, eu apenas tenho a certeza que sou forte.
A vida ensinou-me assim, a ser forte, a dar-me por vencida só em último caso e a derrubar uma lágrima se for preciso.
Eu tenho ciente em mim como é bom viver com a realidade da morte para aprender com a vida, a dar-lhe valor, a usar a palavra.
Viver num constante pesar, sem nada aproveitar, chama-se a isso viver? Não, chama-se andar... caminhar sem destino.
Não digas que não sou forte quando as lágrimas me escorrem pelo rosto, porque é sinal que elas demoraram muito a fazer o seu percurso e estão cansadas! Meu Deus! Cansadas de tantas injustiças, de verem tanta coisa que os olhos realmente transmitem o que me lava a alma e então aí limpam de todo o jeito.
As lágrimas limpam a raiva, o ódio, a ansiedade, limpam, sim, para me dar força!

 

Fotografia do filme "Brooklyn"

* No (en)canto do meu olhar: Há um tempo para tudo

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O tempo muda-nos, o tempo sabe sempre como nos mudar.
Olho o passado e sinto como fui feliz, a nostalgia pode tomar conta de mim por breves segundos, mas liberto-me de seguida agarrando o presente.
A maturidade da própria idade critica-nos com o sarcasmo do que fomos e não nos deixa voltar atrás, se o permitir é naqueles breves segundos.
No entanto, apesar de sentirmos tudo aquilo que tivemos, só o presente está ao nosso alcance, portanto, deixemos que o passado seja o que completa a nossa história e nos faça crescer, construir e calcular melhor as falhas e os sentidos.
Quero sentir o presente como um verdadeiro presente, agarrar a vida e beber da sabedoria que ela traz consigo, molhar os pés na fonte fria e respirar livremente.
Sentir apenas a felicidade e nada mais que isso, tudo o que a completa virá de seguida, é preciso esperar o futuro.
Há um tempo para tudo, até para viver.

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