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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

11
Jun18

[Ficção] Sonhar-te

Carolina Cruz

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Feriste o meu peito. 
Fizeste um rasgo, de um lado ao outro, que não estanca, que não para de sangrar.
Há coisas que nem o tempo consegue curar. 
Vem-me à memória todas aquelas frases bonitas que dizias e todo o calor do teu corpo sobre o meu, palavras fantásticas, esperançosas e momentos eternos que não passaram de uma mentira. 
Hoje ainda me lembro de nós, hoje ainda queria viver-nos, viver essa mentira, porque o conforto da tua pele, o cheiro de todas as coisas, valia a pena, mesmo que fosse um sonho onde sabia que acordaria, um sonho que antecedia a um pesadelo.
Agora dorme comigo a saudade, acorda comigo a ansiedade de ter de passar mais um dia, sem ti. 
Não podias demorar mais um pouco? Não podias colar um pouco desta amargura que me invade? 
Só te quero a ti, por mais que doa. Só te quero a ti no meu abraço, por mais que tudo pese. Só tu consegues fechar este buraco no meu peito e só tu conseguirias curar o que o tempo não cura.
Vens? Eu sei que não. 
Por isso, ficarei aqui, a sonhar-te.

 

 
04
Jun18

Ficas tão bem em mim.

Carolina Cruz

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Ficas-me tão bem, ficas tão bem em mim. Sob e sobre o meu corpo. Dentro e fora do meu peito. Ao meu lado, do meu lado, na minha mão, com a tua mão na minha.
Ficas tão bem em mim, nessa noite de amor que somos um do outro, nesse dia em que as intimidades fazem parte de uma conversa sem fim.
Olho para ti e nada mais importa, beijo-te com um beijo doce. Olho-te e pergunto: «Prometes-me que vamos ser felizes? Prometes que esta cumplicidade não fugirá por mais que passem os anos? Prometes que seremos sempre um do outro?»
Já que eu não consigo olhar-te e não te ver comigo. Já que não consigo olhar-te e ver-me sem ti. Fazes de mim a pessoa mais feliz do universo, aquela que deseja um mundo e uma vida a teu lado, aquela que nunca se cansa, aquela que te embala num jeito de criança, numa brincadeira séria, num gesto eterno e feliz. 
Não quero libertar o meu coração de ti, não quero força-lo a não te amar mais, ele já não saberia bater sem te amar. 
Por isso promete-me que vamos ser felizes e amarra-me a ti, com amor, a vida toda.
Eu olharei para ti e agradecerei por poder morrer feliz e completa, por sentir que aprendi a amar, contigo.

03
Jun18

[O teu olhar] Momento perfeito

Carolina Cruz

A noite cai. A lua sobe. O frio chega. Mas essa tua beleza não esmorece.
As luzes da aldeia acendem, queria desligá-las para poder olhar-te somente sobre as estrelas, seriamos no escuro um segredo bonito.
Aqui debaixo de todas as luzes que fazem deste lugar poesia, és tu quem brilha mais e isso faz-me acreditar que no escuro me guiarás.
Olho à minha volta e este é o lugar perfeito para iluminar o nosso amor, não o quero escondido, quero gritar ao mundo tudo o que sinto por ti. Que toda a vila ouça que aqui na serra à noite se fez dia!
Ajoelho-me e pergunto-te: «Casas comigo?»
Fecho os olhos, ouço-te sorrir. 
Abraças-me e aceitas a vida a meu lado para sempre.
Perco a rede e o juízo, as luzes sobem e os sonhos... Ai, os sonhos! São reais!

 

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______________________________________

 

Fotografia da autoria de André Veiga 

02
Jun18

Lamento...

Carolina Cruz

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Trabalho todos os dias e lamento. 
Há dias em que, como qualquer trabalhador, sou preguiçosa, há dias em que escolher ser e fazer o meu serviço é díficil.
Há pessoas que dizem que sou má, que sou vingança, mensagem de Deus ou do diabo, há quem me tema e viva a vida toda a temer-me, a sonhar comigo, a ter pesadelos, há também quem me chame e me implore para que eu faça o meu serviço, que lhes leve a alma e lhes deixe o corpo sem vida. 
O meu nome é morte e eu sei que vivo ou morto, já ouviste falar de mim e, na pele ou na de quem amas, me conheces. 
Todos os dias são uma correria e eu sou só uma alma e trabalho tanto.
Lamento que não gostem de mim, que seja injusta, que exista, mas desculpem dizer-vos que sem mim a vida não teria qualquer sentido.
Hoje levo comigo mais de cem pessoas no mundo, pessoas importantes, que foram importantes no mundo de alguém, com histórias para contar, com saudades e lágrimas. 
Custa-me levar esta gente, mas dói também levar aquela criança que tinha tanto para viver, aquele inocente na guerra, o homem perdido de amores, que por amor se matou, quando ainda podia no futuro vivenciar outra grande paixão. Dói levar alguém que não deixa ninguém para se lembrar de si.
Ser a morte de que muitos falam não é fácil e eu lamento isso, faço chorar, por vezes desperto o ódio, a raiva e a vingança, mas desculpem é o meu ser e temam ou não, um dia irei conhecer-vos. Até lá, deixem-me dar-vos um conselho, pois eu nunca sei quando escolho chegar e enquanto eu não chegar, aproveitem! Vivam intensamente, sem me temerem. Vivam porque eu sou a morte e nunca soube, na verdade, viver inteiramente.

31
Mai18

[Resenha Literária] Apaixona-me

Carolina Cruz

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"Apaixona-me" é um livro realmente apaixonante e a sua autora é a querida Ana Silvestre. 
É fácil, tão fácil, na verdade, apaixonarmo-nos pela escrita da Ana e neste livro não é exceção.
Este livro fala-nos sobre a importância do amor nas diferentes relações diárias - as de amizade, de pares e em família. Pois é o amor que nos faz compreender e aceitar as diferenças e os defeitos dos que nos rodeiam e que amamos. É o amor que nos faz perdoar até erros imperdoáveis, por isso, como nos mostra Ana neste livro, é essencial amar para o nosso bem-estar. 
"Apaixona-me" fala-nos da amizade entre duas mulheres com escolhas de vida bastante diferentes. Ana Luísa é uma mulher de família, casada, com dois filhos, enquanto Marta é uma mulher com uma vida sem regras, com casos amorosas e noites por puro e simples prazer, sem se deixar apegar, pois a sua história de vida e a ligação com o pai trouxeram-lhe alguns traumas - um deles a falta de crença no amor, preferindo o sexo casual, embora não se defina como uma pessoa feliz e sonhe secretamente também ela com a sua própria família. 
Não é novidade que sou fã da escrita da Ana, é fluída, de fácil leitura, não sendo menos intensa por isso. Ana escreve sem medos, sem rodeios, fala de problemas e do sexo sem pudor e eu adoro isso, tenho a certeza que também vão adorar! Leiam. 

 

30
Mai18

[Ficção] Pedi tempo e perdi...

Carolina Cruz

 

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Pedi tempo ao tempo. Perdi dias, meses, anos até, a confiar-te o meu amor, faltou-me a coragem de dizer-te o que sentia com medo de ser rejeitada. E agora? Agora é tarde demais, não há volta a dar, não há amanhã, não há dia, não há vida em ti. 
Só existe raiva em tudo o que sou. O medo foi-se contigo, o arrependimento dói demais.
Eras o meu melhor amigo e perder a tua amizade era como morrer, perder um pouco do que sou, esse mesmo pedaço da minha essência que partiu contigo. 
Eras tanto de mim, tanto para mim, e embora não soubesse tudo sobre ti, percebi que estavas apaixonado, que havia alguém a fazer bombear o teu coração. Como não percebi que era eu?
Foi preciso partires para ouvir a tua mãe dizer que eu era a menina dos teus olhos, que em ti havia muito mais que um carinho de amigo, havia em ti vontade de mais e medo, também medo. Medo de amar.
E esse amor por mim foi contigo sem se unir com o meu. 
Pergunto-me porque é que o tempo me ensinou da pior forma que não devemos perder tempo, nem dar tempo e coragem ao medo? Que devemos dizer aos outros o que sentimos porque não sabemos o amanhã?
Hoje permanece em mim a tristeza e a esperança que um dia te possa abraçar dizendo-te que nenhuma pessoa que habitou a minha vida teve nem metado do teu significado para mim.
Desculpa só dizer-te agora.
Mas, eu amo-te, amo-te tanto.

29
Mai18

[Resenha Literária] Amar-te à Meia-Noite

Carolina Cruz

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"Katie Price tem 17 anos e não pode sair de casa durante o dia. 
Sofre de uma doença rara, que transforma cada raio de sol numa arma letal. 
Mas tudo muda quando, uma noite, sai de casa para tocar guitarra na plataforma da estação de comboios e conhece Charlie. 
Antes de a noite terminar, Katie apaixona-se, mas não conta o seu segredo a Charlie. 
Quer viver a sua história de amor perfeita, antes de enfrentar a dura realidade.
Perdida no seu romance de verão noturno, Katie sabe que o amor a guiará."

_________________________________________

 

É tão bom quando um livro nos deixa sentir na pele a vida dos seus personagens, é tão bom quando nos põe a refletir, a chorar, a rir e a dar valor aos pequenos pormenores de cada dia.
"Amar-te à Meia-Noite" traz-nos exatamente isso, uma reflexão contínua, uma sensação bonita de nos colocarmos na pele de Katie Price ou de Charlie, ou das outras personagens, uma viagem feita com medo e com gargalhadas, tão delicada e bonita como se fossemos nós que estivessemos ali. 
Este livro de Trish Cook é delicadamente doce, faz-nos vibrar e agradecer por termos na nossa vida alguém especial e faz-nos lembrar que, na verdade, isso é o mais importante - alguém com quem partilhar o bom e o mau, os nossos medos e as nossas dores, alguém que não desiste de nós, alguém que está sempre do nosso lado. E, além disso, faz-nos acreditar que o amor vence sempre, que é o amor que nos ajuda a batalhar e a sonhar alto, a concretizar os nossos desejos e a sermos mais fortes e imunes àquilo que nos deita a baixo.
O amor polivilha cada momento de alegria e rega a nossa vida, tornando-a eterna. 
Uma história surpreendente e real.
Um livro que é de leitura obrigatória para todos aqueles que acreditam que o amor move o mundo!


Agora também no cinema! Ainda não vi o filme, mas aconselho sempre a lerem o livro primeiro!

 

28
Mai18

[Ficção] O resto dos meus dias

Carolina Cruz

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O meu corpo pede, a minha alma implora, e tu não estás. Adormeço sobre o teu ventre imaginário já que aqui, onde pouso a cabeça, não resta nada de ti a não ser a tua memória e a minha dor por teres partido. 
Ninguém compreende esta saudade que me invade desde que me morreste há mais de vinte anos.
A verdade é que desde partiste, um vazio nasceu, nunca mais soube viver, apenas existir. Tento olhar para trás, perceber que vivia antes de te conhecer, mas não consigo, foste tu que deste cor à minha vida.
Nunca quis mais ninguém, meu amor. A imagem da minha lembrança de ti, faz-me abraçar-te todos os dias. 
Pareço louco, mas ao beijar outro corpo eu sinto que não te sou leal, que traio a mulher da minha vida. 
Dissemos no ato do nosso matrimónio "até que a morte nos separe", mas eu sei, melhor que ninguém, que nem a morte pode separar um grande e verdadeiro amor como o nosso.
Por isso, sento-me aqui, a contar os minutos à espera, sim, esperarei o resto dos meus dias para te abraçar.

 

23
Mai18

O meu lugar mais bonito

Carolina Cruz

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És o luar, a perfeição de um olhar, o doce da minha vida azeda.
Tens poesia no coração e certeza em cada poro.
És sonho verdadeiro, palpável, inocente e brilhante.
Amo-te, como se deve amar alguém - és livre, livre de querer ou não amar-me de volta. E tu desejas, desejas-me diariamente, de uma forma estupendamente inquieta e não sei como te agradecer.
Expludo de gratidão por te pertencer e orgulhosa por aquilo que construímos juntos. És tão meu também, da minha alma, do meu corpo, de mim, inteiramente.
Já não sei existir sem ti. Olho para trás e não consigo ver o passado sem contar a nossa história!
Oh meu amor!... Vivemos sempre um ao lado do outro, pertencemos ao mesmo coração, à mesma vida sem termos noção disso.
Volto a dizer que agradeço cada pedaço do nosso crepitar, do nosso amanhecer a cada dia. És a luz da minha noite, o meu guia no escuro, o meu lugar mais bonito, a minha casa.
22
Mai18

[Resenha Literária] A cada dia

Carolina Cruz

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"A cada dia" é um livro de David Levithan que nos põe constantemente a refletir sobre assuntos pertinentes que são necessários pôr em discussão, como a homossexualidade, a obesidade, a depressão, entre outros.
Em cada momento e em cada capítulo vivenciado por "A", a personagem principal, ficamos mais recetivos aos outros e a compreendê-los.
"A" também nos mostra que uma pessoa não é o seu corpo, o seu rosto, a forma que se veste, uma pessoa é a sua alma, a sua personalidade, o seu carácter, e não há nada mais bonito ou físico que compense, um bom coração ou uma alma fantástica!
"A" é um ser que muda todos os dias de corpo, habita uma pessoa diferente todos os dias. 
Sempre foi resiliente e resignado à forma como vive. Porém tudo muda quando "A" se apaixona por Rhiannon, começa a desafiar os próprios corpos em que habita e pondo em causa as suas vidas.
Será o amor capaz de sobreviver a tanta fantasia?
Um livro cheio de irrealismo, mas que torna as nossas vidas tão reais.

Em breve sai o filme nos cinemas. Quem já leu o livro?

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