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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

18
Abr18

Lembra-te…

Carolina Cruz

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Ouve-me. 
Sei que sou tua. 
Dou-te o mundo e o outro. Para mim os meus braços são nuvens grandes onde podes descansar o teu corpo e a tua alma. Estarei sempre que precises de mim, de um ombro amigo, de um sorriso ou de chorar todas as lágrimas, mas por favor, faço-te um pedido, dois, três, talvez…
Não me tomes como garantida, não fiques a achar que serei sempre tua, ou boa a vida inteira, se me tomares por garantida e não regares o nosso amor.
Sim, se assim não for de que vale sermos namorados se não formos amigos, loucos como dois irmãos?
Sou da opinião que nunca devemos tomar nada por garantido, tudo nos foge das mãos se não lutarmos!... Até a vida! 
Olha para mim. 
Não quero presentes caros, não preciso de ir todos os dias jantar fora, não quero que deixes de ter o teu tempo, para o ocupares sempre comigo, não é isso.
É dedicares-te, como o Principezinho dedica à sua rosa, é preciso amar todos os dias, como se não houvesse amanhã, como se todos os defeitos não importassem no dia-a-dia, o amor pode superar tudo isso. 
Não supera apenas se achares que o nosso amor é eterno só porque o destino quer! Não! És tu, sou eu, que temos de querer, hoje e todos os dias em que fomos, somos e seremos, duas pessoas que fazem os possíveis e os impossíveis para o amor resultar. 
É isso que devemos fazer em todas as coisas da nossa vida, dedicarmo-nos aos amigos, à família, ao emprego, a tudo o que amamos, porque se não amarmos cada gota do nosso sangue, cada pequeno pedaço de um momento a que dedicamos o nosso tempo, então tudo isso será tempo perdido.
Não sou tua, de todo, se não me prenderes em ti e se não te apaixonares por mim todos os dias, se não me conquistares em todos os segundos em que estamos juntos. Lembra-te disso. Lembra-te que não sou eterna, não sou uma garantia ou medalha. 
Sou humana… tenho sentimentos, gosto de me sentir bem, amada, de ter retorno no sentimento que em nós nasceu, mas que pode um dia morrer…
Lembra-te…
Ouve-me…
Olha para mim…
Sei que sou tua, mas… 
Tu sabes!

15
Abr18

[Ficção] Perco-me em ti.

Carolina Cruz

Perco-me em ti, como o vento se perde nas ondas do mar. 
Há milhões de horas que acordo para ver-te dormir. Dás-me insónias e contigo não as receio. 
Para quê dormir? Se posso sonhar acordado?
Olho-te e a tua serenidade é tão bela que quase me faz chorar e dizem que tenho uma pedra no lugar do coração, vê lá. Vê lá como eu não te resisto, vê lá tu como me fazes sentir.
É no teu colo, dentro do teu coração, que eu não temo a morte, pois morreria todos os dias para alcançar este amor tão nosso, tão genuíno. 
Ninguém escolhe quem ama, mas digo-te que saiu-me a sorte grande, não podia o destino e o meu coração terem escolhido melhor, estou tão bem entregue, sou tão grato à vida por te ter acolhido. 
Olho-te mais uma vez e tenho a certeza: é isto que eu quero para a toda a vida! Porém, tenho de aprender a dormir do teu lado, sorrir em sonhos, apertar-te bem, para acordar melhor!
Contigo, eu não terei medo do que está para vir
Contigo, eu sorrirei.
Serás (sempre) o brilho que me faz sentir!

 

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Photo by Ivy in "We heart it"

14
Abr18

[Ficção] Oh, Margarida!

Carolina Cruz

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Margarida diz-me: de que te serve dizeres-me que não resultamos por sermos diferentes? Caramba! Achas que não é isso que torna o amor especial? O sentimento maior e a paixão intensa?
Achas que não resulta, porque nunca te dás ao esforço de lutar pelo que se viveu, pelo que sentimos, por aquilo que podemos ser um dia, se quiseres.
Não são as diferenças que nos separam, Margarida. Entende isso. És tu, tu e essa mania que és diferente ou que somos tão longínquos que nunca nos chegamos a amar. E tu sabes, e também sabes que eu sei, que esse amor é tão forte, que só te estás a comprimir nessa dor que te forças a sentir. És tu que complicas esta diferença de estatutos. Qual é o problema de teres menos dinheiro? Qual é o problema se eu vivo melhor ou com mais condições? Que importa tudo o que é material, se o amor é a nossa casa, se o amor é onde pura e simplesmente devemos viver? Amamos e pronto, amamos e vemos o que virá. Amamos, sem medo de sofrer as consequências, amamos sem olharmos a diferenças. Amamos porque gostamos de nos amar. Por que é que não pode ser assim tão simples?
Ama-me e não compliques, Margarida. 
Ama-me que eu espero-te sempre, como espero depois de todas as discussões que temos: de braços abertos e com um olhar desejoso de te beijar!

11
Abr18

[Completas-me] Com a Carolina Franco

Carolina Cruz

Bom dia, sorrisos! 
Pois é, há muito que não fazia esta rúbrica, que eu adoro tanto! Mas está de volta e espero com muitos mais convidados!
Hoje trago-vos um texto a duas mãos forte, daqueles que adoro escrever, que nos deixa inquietos e é tão bom!
Hoje é a simpática Carolina Franco que me acompanha, adorei a sua escrita e foi um prazer escrever com ela. Espero que vocês também gostem!

 

"— Despe-te.
O homem de bigode e cabelo grisalho ordenou, enquanto desapertava a gravata e bebericava o seu whisky. Tremia, como sempre. Há anos que o fazia, mas ao estar na frente de um homem que tinha idade para ser meu avô, continha-me. Tinha medo, todas as noites. Medo que fossem tão brutos a ponto de matarem-me. Não era a primeira vez que acordava num quarto de hospital, depois de dias em coma. Não era a primeira vez que injetavam-me heroína e quase morri de overdose.
— Vá, querida, aproxima-te.
Deixei cair o vestido curto vermelho, no pavimento flutuante que custava mais do que todos os meus serviços, numa semana e sentei-me no seu colo. Desprezava-o. Sentia um nojo imenso. Tresandava a álcool e sexo. Rasgou-me a lingerie e atirou-se juntamente comigo ao chão. Penetrou-me. Arrancou de mim toda a inexistente inocência. Gemia alto. Quando chegou ao clímax parou e retirou aquele pedaço insignificante do meu corpo. Atirou-me duas notas de 20 euros, fechou o zíper das suas calças finas e saiu."

 

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O que eu não faço para ter a minha vida de volta… quanto nojo e sémen há em mim. Ele vai voltar, como voltou tantas noites e eu vomito mal ele sai, queria poder vomitar todo o passado em mim, queria deitar fora todas a minha essência, as minhas entranhas, morrer para voltar a nascer de novo.
Vim para esta vida para ganhar algum, sou uma mulher nova, diziam que eu era bonita, outrora sim eu era, hoje não passo de um trapo que despeja o corpo para se dar a cada diabo que morre por uma boa fornicação e eu que só quero ganhar um vencimento para poder ter o meu filho de volta.
Eu sei que muitos condenam as voltas que a vida dá, a minha escolha, a forma de procurar o meu melhor, mas não fui eu que o escolhi, prometeram-me mundos e fundos, que me davam uma vida melhor noutro país a servir às mesas de gente rica e poderosa, a mesma gente que me lixa e me penetra.
Eu só quero o meu menino de volta, só quero o Guilherme nas minhas mãos e se ele já não me conhecer? Se ele já não me quiser na sua vida?
Tive-o com 16 anos, aos 18 retiraram-mo, arrancaram-mo do colo, mas nunca mo tirarão do coração, do ventre, de cada pedaço do meu corpo, é por ele que me sujeito à morte e se ele não me quiser, eu escolho ficar, escolho a dor, prefiro morrer.

 

 

10
Abr18

Como o poeta...

Carolina Cruz

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O meu futuro é finito. 
Não sei para que nasci, mas sei que como o Poeta tenho em mim todos os sonhos do mundo. 
E o meu sonho, o meu sonho crepita nas palavras que escrevo.
Não sei se nasci para isto, se todos irão ler o que escrevo, se o sucesso está ao meu alcance. 
Todos sonhamos, todos queremos um pouco de atenção, mas não é por isso que escrevo, mal seria se o fizesse, morreria. 
Morreria, já que morro de amores por esta arte tão inquieta que é viver nas palavras que inteiramente me saem do corpo, que vive nas veias e traz sede às minhas entranhas. 
Não escrevo para que todos me leiam, escrevo porque o faço com o coração. 
Não sei como começou, sei que saiu da mais bonita essência de mim e o que me faz continuar é esta engrenagem de amor por isto. Eu escrevo porque amo a vida, porque quero dar-me a esse amor, transborda-lo, fazê-lo sentir, oferecer aos outros esse amor. Este amor que pela escrita tenho, este amor que me faz ser Poeta como Pessoa, embora não tenha nem metade do seu talento. Este amor que me faz escrever tudo aquilo que não sei dizer através da minha voz, este amor com que amo a vida, pois escrever ajuda-me a perdoar por todos os erros do passado que são imperdoáveis, por todas as pessoas que amei ou magoei. Escrevo por acreditar que há uma razão para tudo acontecer, e escrever é o meu destino. Podia ser uma profissão, mas nunca o será, se o fizer de coração. 
Já sou um homem de meia-idade, já ninguém quer as minhas palavras, talvez me darão valor quando morrer, quando o corpo perder a tinta e a alma apenas puder meditar sem escrever. Talvez aí seja lembrado, talvez aí eu veja na minha escrita sucesso, hoje só vejo vida, hoje nos papéis e nas histórias que escrevo só encontro um coração que bate e uma boca que sorri.

09
Abr18

[Séries] 1986

Carolina Cruz

 

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1986! 

Uma série que se passa nesse mesmo ano! Em plena tensão política, enquanto se escolhe entre Mário Soares e Freitas do Amaral, vive-se uma história de amor entre Tiago, um jovem tímido e filho de um comunista e Marta, uma miúda cheia de sonhos, filha de um apoiante de Freitas. Escusado será dizer que esta desigualdade política irá trazer desavenças e quem sabe impossibilitar esta união entre os dois.
Uma das letras da banda sonora da série diz “nada de novo no ecrã”, e antes de esta série surgir, era o que sentia quando via os canais generalistas. Porém esta criação de Markl sai fora da caixa e merece ser vista. É divertida, original e inteligentemente bem construída, tanto e tão bem, que mesmo quem não viveu nos anos 80 (que é o meu caso) consegue sentir nostalgia em cada pormenor vivido no enredo. 
Nesta série, que nos fala de política, cultura musical, cinematográfica e amor, nota-se claramente o dedinho genial de Markl em cada segundo, na atenção aos pormenores, nas escolhas fenomenais da banda sonora, na caracterização das personagens, na forma de serem, a hipérbole de momentos vivenciados, o toque de cinema e comédia, o real e o surrealismo, o exagero da paixão e a certeza de cada coisa acontece por uma razão.
E eu estou, sem dúvida, muito grata por ele ter feito acontecer esta fabulosa criação!
Tem apenas 13 episódios (só, infelizmente) e podem vê-los a todos na RTP Play, eu vi e soube-me a pouco, por tão mágica ser esta produção portuguesa!
Um bem-haja Markl, toda a equipa e elenco!

 

 

08
Abr18

[Ficção] Olho-o

Carolina Cruz

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Olho para ele e derreto-me.
Olho-o e o meu corpo sabe mais de mim que a minha alma, estremece, aquece, arrepia-se e eu quero-o tanto e nem o conheço.
Ele nem sabe o meu nome. Sinto-me idiota e ainda assim sorrio.
Por que é o amor tão complexo?
Como podemos achar que amamos alguém, que sentimos fogo de paixão se nem uma palavra dissemos a essa pessoa? 
É masoquismo? Dor agradecida? Daquelas que temos prazer em ter ou receber em troca de sermos sonhadores?
Não sei, só sei que há em mim tanto dele e ele nem ousa saber, e ele nem imagina quem sou. 
Ele é durão, dono de si, mas deste lugar de onde ele não sabe que eu existo, eu sei que há nele um humor extraordinário e uma dor que ele esconde nos lábios e faz brilhar o olhar.
Ele é bom, eu sei que é.
Pudesse eu mostrar-lhe quão boa a vida pode ser se o amor o levasse até mim. Até lá, sonharei todas as noites, em que dançamos lado a lado num romance que se perpetua na história, na alma e na essência eterna do que inocentemente acredito que tenhamos sido noutra vida. 
Ai como é bom sonhar! 
Meu Deus, como dói tanto... mas como é, ainda assim, tão bom sentir(-me)!

 

(fotografia de "intersection")

07
Abr18

[Ficção] Viver no teu olhar.

Carolina Cruz

Aninho-me sobre o teu peito. Deixo-me escorregar pelo teu regaço. Apodero-me da dor e do conforto. Escorre-me sangue nas entranhas, sangro só de pensar neste amor que por mim tens, nessa tua forma cega como tentas colar cada pedaço do meu coração partido. 
Como podes amar-me assim? Mesmo quando no meu desejo mora outra mulher?
Ao pé da tua grandeza, sinto-me pequenino. Sim, mesmo com este tamanho de homem seguro, desfaço-me perante o teu amor.
Os teus olhos conseguem conter todos os sonhos e o mundo inteiro. Aos poucos o meu mundo também vai desbravando vontades, neste sentir tão plenamente. E acredito, acredito solenemente, que poderei ver no teu coração o meu caminho, o que preciso para ser feliz.
Gostava de acreditar nisso, gostava mesmo...
Contigo sinto-me bem, contigo estou em paz, sinto-me, sou inteiro, mesmo que ainda desfeito.
Eu acredito. 
Quero acreditar que nos teus olhos eu receberei o mundo.
Por favor, ama-me para sempre.
Nunca desistas de amar. 
Não sei o que sinto, mas estou aqui.
Ama-me, que eu quero amar-te de volta.
Espera. Que eu esperarei a vida inteira, para viver no teu olhar.

 

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Foto by Evelyn in "We heart it"

06
Abr18

[Ficção] à espera de um abraço teu.

Carolina Cruz

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Agora sou só eu, à espera de um abraço teu.
Por que é que tinha de ser assim? Por que haverias tu de te apaixonares por outro alguém? Sabes o que mais dói? Ser exatamente quando o flor da paixão em mim ardeu, quando o amor em mim implorou para confiar-lhe de novo o meu coração.
Porquê? Por que é que fui tão inocente para me magoar de novo? 
Por que é que te escolhi a ti para acreditar que o amor podia ser de novo uma constante na minha vida?
Eu sei que fui difícil, um tanto fria, mas eu já te amava e não sabia, apenas não queria acreditar, e acreditei... acreditei quando desististe de me amar, de me conquistar.
Ela era mais bonita, mais sexy, mais fácil, certo? Caiu na sintona de ser prazerosa e tu agradeceste. 
Hoje apenas me magoo a mim própria pensando em ti, porque sei que não mereces, porque se sabias que o amor outrora me trouxera traumas não devias ter despertado em mim nem uma pontinha de esperança. Mas tu fizeste-me acreditar que podia ser para sempre, e olha o que fizeste... Desististe por não ser fácil. O amor não é fácil, nunca foi. Tu é que não sabes que para se amar é preciso morrer-se um pouco. Mas tu não morreste, porque és cobarde. Em vez disso, mataste todos os meus sentimentos, a minha vontade de viver, porque antes eu era vida, agora... 
Agora sou só eu, à espera de um abraço teu.

 

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Photo by "Intersection"

05
Abr18

Chora.

Carolina Cruz

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Há dias em que tens de chorar rios para sorrir mares. Conheces a expressão, certo?
É isso que tens de fazer, rapariga!
Chega de te fazeres de forte, quando sabes que estás prestes a desabar.
Hey! Já aguentaste tanto calada, sem derramar uma lágrima... És humana, não obrigues o teu corpo a esmorecer só porque tens de chorar e não o queres fazer.
Por favor, chora. 
Não é que eu te queira ver chorar, mas sei que tu precisas e é tão necessário. 
Também conheces a expressão que é "preciso chuva para florir" não é?
Então chora, se sentes vontade disso, chora.
Não tenhas vergonha. Acredita que não és menos forte por isso, muito pelo contrário, esse teu choro é a prova que demoraste dias a concretizar, a lutar, a travar batalhas contra ti mesma.
Chora, porra!
Chora, que amanhã será melhor.
Acredita e só depois, então, sorri com leveza, apenas e só porque acordaste mais um dia. Não é tão bom?

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