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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

10
Abr17

10 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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Sara não sabia se era Manuel ou não, os anos tinham passado, mas não tinha passado assim tanto tempo no seu rosto, as feições estavam iguais. A forma como ele olhou para ela respondendo ao seu olhar surpreso pôde ter a certeza que era Manuel.
John sentiu a rapariga dos seus olhos distanciar-se por momentos.
- A tua paixão platónica passada. – Disse Joel.
- Sim, tu nunca nos enganaste Sara, eramoscrianças mas não burros. – Disse Filipe.
- Who?
- O rapaz que está ali ao balcão. Não lhes ligues. Era apenas o meu professor de teatro.
Não apenas, nem somente, tanta coisa, tantas recordações, tanta emoção ao vê-lo ali, em carne e osso, depois de catorze anos a ser apenas uma lembrança ou sonho.
- Vou cumprimenta-lo. – Disse ela, sem ter bem a certeza se conseguiria.
- Ok. – Disse John dando-lhe um beijo na testa. Estava dividida, mas queria-lhe mostrar que a sua vida seguira em frente, que aquele sonho inacabado não era uma dependência. No entanto, de certa maneira, era. Era mesmo.
Um sorriso envergonhado disse olá a um rosto emocionado.
- Sara? – Os seus olhos pareciam brilhar.
A Sara estava ali depois de tantos desertos, de tantas estradas, de tantos muros, houve uma ponte que a trouxera até ali. Como os anos tinham passado por ela, embora continuasse a ser a rapariga sonhadora e lutadora que aspirava ser, Sara estava uma mulher madura, sedutora, que quebrava de novo o seu coração.
- Posso dar-te um abraço? – Perguntara Manel. Mantinha o seu jeito de intervenção teatral, sempre sincera e genuína.
Sem questionar Sara deu-lhe um abraço apertado! Os seus corpos comunicaram nesse encontro.
- Lembraste dos meus irmãos? – Perguntou desviando o assunto.
- Claro que sim. – Disse Manuel a virar-se para trás e a acenar-lhes. – Vi-os no outro dia, estão uns homens feitos.
Que conversa de chacha quando o que há para dizer é tanto, pensavam ambos, sem saber o que pensava cada um.
- Deixa-me convidar-te para te sentares connosco. – Disse Sara.
- Não posso estou acompanhado. – Disse ele, embicando o rosto em direção a uma rapariga loira, alta e magra, de sorriso bonito.
- Tudo bem. – Disse Sara, um pouco desiludida.
Mas porquê desiludida se também ela estava acompanhada?
- Mas posso convidar-te para tomarmos o pequeno-almoço na segunda de manhã. Que dizes?
- Claro que sim.
Claro que sim, o tempo tinha passado, o amor também, a paixão igualmente. Porque é que não haveriam de ser amigos?

 

(Continua...)

09
Abr17

9 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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- Sim e perguntou por ti.
O coração palpitava cada vez mais, Sara tentava ignorar, mas as suas perguntas pareciam procurar um caminho até ele.
- E onde é a sede? – Questionou Sara.
- É mesmo no centro, junto à pastelaria Sonhos Doces.
- Sei perfeitamente.
- Combinem um pequeno-almoço, o John até fica a conhecê-lo.
“Ok”, pensou alto Sara, não muito entusiasmada com a ideia. Um lado dela pedia para se reencontrarem, para fazer todas as questões ao tempo, a ele, a eles enquanto passado, enquanto presente e sentimentos desvanecidos ou não. Por outro lado, estava feliz, embora pensasse nele, não queria mexer no seu presente. Estava feliz, John era um bom rapaz, adorava a sua família e eles adoravam-no a ele. Ainda assim havia muitas reticências pelo meio, por causa de um começo de algo que não tivera fim e sim, apenas e só, uma despedida, que jamais fora esquecida.
Sempre que lembrava, tentava esquecer de novo. Era sábado, os irmãos tinha-lhes prometido apresentar-lhes novos restaurantes, fariam um roteiro a todos os bares, dos mais novos, aos mais rústicos, passando por clássicos, tabernas e bares com música ao vivo. Não poderia ir ter com Manuel a lado nenhum, não tinha o seu contacto, ao fim-de-semana, decerto, ele não trabalharia. Oh, na volta, já era casado e procura-lo era perda de tempo, e como o tempo nem sempre se esquece, beber e divertir-se ajuda!
Nessa noite, Sara recordou velhos tempos com os irmãos e nessa jornada pelos bares, John foi um companheiro. Entre sorrisos, penaltis e shots, gargalhadas surgiam, assim como olhares enternecedores e lábios com vontade de serem beijados.
Sara era a rapariga ideal de qualquer homem, era astuta, aguçada, inteligente, e em todas as suas qualidades apresentava uma sensualidade tremenda, ninguém lhe resistia, nem mesmo os desconhecidos, que olhavam de alto a baixo, ao verem-na passar.
John estava a conseguir naquela noite o que nunca conseguira em muito tempo. Embora dormissem juntos e fizessem sexo casual, aquela noite estava a ser muito mais do que ele sonhara, especialmente quando, antes de entrarem no último bar, com música ao vivo, Sara descera a calçada às cavalitas de John. Ao descer para o chão no seu olhar acendeu-se um beijo intenso, os seus lábios estavam quentes e a sua língua sabia a álcool, como se estivesse puro ao ponto de lhe queimar a boca e intensificar todo o seu corpo. Nunca antes tivera sido tão intenso, pelo menos com tanto sentimento da parte dela, sedução sempre houve, disso não havia dúvida.
Sara também o sentia, mas quis o destino que nesse bar reencontrasse o seu passado.

 

(Continua...)

08
Abr17

8 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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A vinda a Portugal chegara num instante, Sara estava bastante ansiosa e John bastante feliz por partilhar com ela este regresso cheio de emoções.
John falava pouco português, tudo o que sabia, tinha aprendido com Sara. No entanto, não se importava pois a sua amiga sabia suficientemente bem inglês para traduzir o que quer que fosse à sua família ou amigos.
Aquele abraço apertado entre filha e mãe dissera tudo, quanta saudade cabia naquele abraço. Saudade, amor, valores e felicidade, felicidade que corria em lágrimas pelos olhos de ambas.
- Mãe, este é o John.
- Ólá! – Dizia simpático John no seu sotaque português cómico e envergonhado.
- Que bonito filha. – Segredou-lhe a mãe. – Prazer, meu querido!
- É apenas um amigo especial. – Esclareceu Sara de imediato.
- Yes, I am! – Disse John entre gargalhadas que choravam um querer mais.
No entretanto, chegara o pai de Sara, com os olhos rasgados de lágrimas. A cumplicidade de Sara com o pai era, desde que se lembra, muito cúmplice. Não esqueceram nunca como Sara tinha sido o seu suporte com os outros irmãos e a construir uma nova felicidade após todas as desilusões da vida (a morte do pequeno irmão).
Por falar em irmãos, Filipe e Joel estavam enormes, catorze anos tinham passado por eles. Filipe tinha vinte e quatro e Joel vinte. Já não eram mais os seus miúdos pequenos, mimados ou travessos. Eram homens grandes, quase de barba rija e sorriso no rosto, adultos e responsáveis. Bonitos, simpáticos.
Gostaram imediatamente do feeling positivo de John e as suas conversas eram longas. Sendo Natal, estavam ambos de férias, tinham grande disponibilidade e interesse em apresentar os novos cafés da marginal ou os bares onde havia música ao vivo.
Tudo estava a ser perfeito, Sara começara a olhar John com outros olhos, olhos que transmitiam orgulho, seria amor?
Tudo estava a ser perfeito, até ao dia em que a sua mãe, sem nunca ter sabido de nada, mexera com a sua alma, com o seu passado e com o seu coração.
- Sabes quem é que eu vi no outro dia? Diz que está de volta à cidade e que abriu o seu próprio negócio de marketing e relações públicas… O teu professor de teatro, o Manuel.
O Manuel, o apaixonado Manel, estava tão perto de si. Um “a sério?” foi dito, carregado de uma adrenalina entusiasmante e nostálgica. Que faria ela com aquela informação?
 
(Continua...)

 

 
07
Abr17

7 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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Havia um conjunto de sentimentos em Sara que eram tão confusos que ela não sabia como explicá-los. Embora não esquecesse o seu primeiro amor, Manuel; John (um famoso baterista em Londres, um amigo mais íntimo que os outros) curava um pouco o sopro que Manuel deixara no seu coração.
Era mais amor que amizade, embora não quisessem revelar. Era uma relação como as da nova geração – sem compromissos. Ainda assim, eram inseparáveis, não ficavam um dia sem se falarem ou sem se verem.
Embora fosse sem compromissos – querer estar e ser quando lhes apetecesse – Sara queria apresentar-lhe a sua família, eles já tinham ouvido falar muito nele e John também queria conhecer o forte suporte da amiga. Portanto, dali a vinte dias (já faltava menos de um mês) Sara partiria com John de férias para a cidade natal.
O que sentia, nos braços de John era uma inquietude e, perante a sua presença apenas, calma e proteção, polvilhada com um grande de toque de empatia. No entanto, havia algo que ficara no passado, que estava incompleto, que decerto não a deixava avançar ou acreditar no amor. Muitas vezes questionava-se a si própria. Ela tinha tudo o que queria, porque é que o seu pensamento não mudava?
 
 

(Continua...)

 
 

 

06
Abr17

6 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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Sara, com os seus 28 anos, uma mulher lindíssima, cobiçada por tantos, e invejada por tantas.
É uma enfermeira de sucesso, continuando a ser uma pessoa íntegra e boa como sempre fora.
Muito tinha mudado na sua vida e hoje, emigrada em Londres, o seu dia-a-dia era uma verdadeira adrenalina, e embora tenha seguido enfermagem, não largou os palcos, juntando-se a um grupo de declamadores de Shakespeare.
Entre as tragédias e as desgraçadas declamadas às paredes do quarto ou às salas cheias, Sara lembrava-se do seu amor passado, da juventude, da clareza dos seus sentimentos de outrora, que nunca voltara a viver, e pensava como talvez também o seu destino fosse trágico, por não reencontrar esse velho amor.
Ironicamente, Manuel estava em Lisboa a pensar que Sara talvez ainda lá vivesse e Sara atravessava as longas e movimentadas ruas da cidade inglesa sempre julgando que um dia poderá vir a dar de caras com Manuel.
O destino era mesmo traiçoeiro! Ou não seria o destino e sim as escolhas que os tinham separado?

 

(Continua...)

05
Abr17

5 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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14 anos passaram desde então, desde esse beijo, dessa despedida. Não se voltaram a encontrar, mas a verdade é que nunca esqueceram, nunca se esqueceram um do outro. Ainda que a vida tenha trazido novas pessoas, novos rumos, aquele beijo fora intenso e o seu amor, ainda que escondido, também. Parece que fora tão intenso e tao escasso que ficara alguma coisa por fazer, por dizer.
Manuel, agora gestor de relações públicas, em Lisboa, continuava a fazer teatro apenas nas horas vagas. Londres foi um sonho, que ele diz até ter sido uma miragem, pois não passou disso, de uma certeza pautada do momento e quando não vemos sucesso ou rendimento no que amamos fazer, o melhor é procurar outra ocupação que nos dê prazer para aliar ao que se chama de paixão. A sua paixão era o teatro, essa arte que continuava a tratar por tu, para aliviar o stress e poder se recordar do seu passado e de Sara, que tanto amou.
Poderá um amor tão forte, que tanto inflama o peito, ser dado como morto?

 

 (Continua...)

04
Abr17

4 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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«Ela é uma pita, Manel!», «tão nova para ti», «isso é proibido», «é menor, isso é pedofilia» - era tudo o que ele ouvia, quando revelava a um amigo mais chegado o seu segredo mais secreto - estar apaixonado por Sara.
Ele sabia que era arriscado, mas queria tanto, que por ele esse amor era vivido em segredo, mas em tantas horas em que a vida se cruzava, conseguiria ele e, também ela, esconder a cumplicidade e o amor que os unia?
Por mais dúvidas ou certezas que tivesse, o destino soube-lhe dizer o que fazer.
Manuel andou dias a pensar nisso e quando julgava que se iria entregar ao seu amor proibido, o destino fê-lo escolher o seu sonho – Manuel fora aceite no casting para fazer parte de um curso em Londres. Ele não tinha como negar aquela oportunidade, embora o seu amor lhe inflamasse o peito, raparigas e novos amores viriam, mas oportunidades de seguir o seu sonho podiam não existir como naquela altura.
Na sexta seguinte seria a última aula que iria dar antes de partir. Ele sabia que magoaria Sara se não lhe dissesse primeiro que a todos os outros, mas se ela ficasse magoada com ele, talvez fosse mais fácil partir. Um pensamento idiota. No entanto, não custava tentar. Resultaria? Sinceramente? Não.
Ao saber, Sara, ficou triste sim, mas entendera na perfeição, não só a escolha dele seguir o seu sonho, como o facto de a ter tratado por igual. Ela sabia que ele não queria confundir o seu próprio coração, especialmente naquela altura, em que iria partir. A atitude dela deu, na verdade, cabo dele. Deu-lhe mais vontade de ficar, de querer o seu abraço. Porque antes de partir, ela quis guardar dele, o melhor e deixar-lhe uma marca do seu amor, que será sempre uma paixão infinita. Então, sem que ele pudesse reagir, agarrou-lhe nas mãos e puxou-as para a sua cintura, pousou as suas nos seus ombros, deslocando uma delas para o seu rosto. Manuel não queria acreditar quando olhou nos seus olhos que se encontravam tão próximos dos seus. A sua boca na dele. 14 anos que não importavam mais, 14 anos que seriam insignificantes, 14 anos que ficaram na sua memória, 14 anos da Sara e 14 anos que passaram desde então.
 

 

(Continua...)

 

 
03
Abr17

3 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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Nesse dia, em que só existia apenas ele e ela, e o mar. Nesse dia em que apenas existia essa luzidia mensagem de amor, o seu coração falou mais alto.
Manuel não conseguiu evitar dar-lhe a mão. Mesmo sem compromissos, sem ligar as palavras que falavam pela boca, sem ligar o corpo inteiro. Apenas deram as mãos e, nesse gesto, nesse pequeno gesto cabia o mundo inteiro.
Quando o entrelaçar das mãos aconteceu, baixaram o olhar e os sorrisos surgiram um pouco a medo. Nenhum dos dois falou, ambos permaneceram em silêncio. Era um pedacinho de certeza, para eles, que não podia ser quebrado.
Por incrível que possa parecer, foram de mãos dadas até ao carro, como se a simplicidade desse gesto durasse toda a vida, sem precisarem de mais nada que os ligasse para sempre. Na despedida trocaram dois beijinhos apenas como dois amigos e cada um seguiu o seu caminho a sorrir e a sonhar. Ele sabia e ela também! Era amor. E agora?
 

 

 (Continua...)

 

 
02
Abr17

2 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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Aquele sorriso derretia-a e, por ele, o seu coração palpitava. Mas o sorriso de quem? A quem pertencia esse sorriso?
Sara pertencia a um clube de teatro.
Às quartas e sextas após as aulas, Sara deslocava-se à companhia de teatro que ficava mesmo ao lado da sua escola.
Sara adorava aquele momento, até porque, na verdade, acabava por ser dos seus poucos momentos de lazer e, sobretudo, de luta pelo seu sonho, esse que sonhava concretizar um dia - ser atriz!
Naquele grupo todos tinham esse gosto, embora o teatro não fosse para todos um sonho, como era para Sara ou para Manuel. Um dos professores que encenava as peças apresentadas e, por quem, o coração de Sara palpitava. Ela sabia que era um amor impossível como os que aconteciam nos filmes, ou nas novelas mais dramáticas.
Manuel tinha 22 anos e Sara apenas 14 anos, era menor, decerto para ele uma miúda.
Quem sabe ele já não tivesse alguém, pensava ela.
No entanto, havia tanto em comum, tanto que os ligava e não era apenas o seu sonho comum.
Às sextas-feiras, quando a mãe saía mais cedo do trabalho e podia ficar com os irmãos, Manuel costumava convidar Sara para um café no bar da praia. Mesmo no inverno, o cheiro a mar consolava as intempéries na vida dela, e ele sabia disso. Gostava de lhe fazer bem, de ajudá-la, de ser seu amigo.
No entanto, aquele olhar, aquele sorriso, diziam muito mais que compaixão, talvez no pensamento dele o prefixo "com" não fosse necessário.
Mas e... se fosse realmente paixão?
 

 

 (Continua...)

 
 
 
 

 

01
Abr17

1 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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14 anos cheios de elegância. Cheios de inteligência. Desde a morte do irmão mais novo que aprendera que a vida devia ser vivida ao minuto, sem medos ou inquietudes que a fizessem desistir do seu sonho: o mundo da representação.
Sara tinha dentro de si um fulgor incomum, era uma miúda que parecia ter um saber muito maior que outra qualquer rapariga de 14 anos.
Os seus catorze era equiparáveis a uns vinte anos, não pelo seu corpo, não pela sua forma de andar ou seduzir, não, nada disso. Mas sim, pela sua forma de comunicar, pela sua presença madura, pelas suas conversas.
Sara era alta, ruiva e realmente bonita. Vinha de uma família de quatro irmãos. Era a irmã mais velha. O mais novo falecera com 3 meses, nascera com uma deficiência cardíaca e não resistira à vida ligada às máquinas, por mais que tenha doído, todos sabiam que a sua vida não seria nem comprida, nem saudável, era sim preciosa, mas partira, o melhor para ele – dizia-o sem medos.
Era ela quem, na ausência do pai e da mãe, que se matavam a trabalhar, cuidava dos outros dois irmãos, Filipe e Joel, de dez e seis anos.
Sara era, apesar das dificuldades da vida, uma menina cheia de sonhos, e alguém mexia com o seu coração grande e forte, mas será que era correspondida?
 

 

(Continua...)
 
 
 

 

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