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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

08
Jul17

[Por aí] Salvador Sobral no Convento de S. Francisco

Carolina Cruz

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Salvador Sobral tem uma voz inquietante e um talento inquestionável.
Sobral é uma alma revolucionária e isso tem vindo a fazer dele um alvo de críticas positivas e menos positivas.
Creio que Salvador está mais importado em viver aquilo que mais ama fazer, do que agradar a todos. É verdade que ninguém consegue fazê-lo, porque teria uma figura pública de consegui-lo?
Não se considerando uma, Salvador vive com intensidade a música e isso é visível, ele diverte-se à brava com o que faz e isso, na minha humilde opinião, é o mais importante. Afastando-se das máquinas tecnológicas e pedindo ao público para em vez de usá-las, usufruir do seu trabalho e do puro jazz, leva esse mesmo público a apaixonar-se por cada nota musical que, de outra forma, talvez não tivesse tanta atenção.
Com piadas próprias que não são do gosto de toda a gente, Salvador troca tudo o que pode ser mau na sua vida pela coragem de rir e que coragem é preciso ter!
Mas como esta publicação não é para falar do seu coração que sabemos que é fraco digo metaforicamente, mas de forma verdadeira, que é poderosamente forte no que toca à música.
A música é a sua força e isso torna tudo transcende, mágico, inexplicável, ouvir Salvador Sobral ao vivo é como entrar noutra dimensão, é um explodir de sentimentos, apertar o peito, respirar fundo, agradecer e querer mais e mais.
Salvador Sobral faz-se acompanhar por uma banda incrivelmente talentosa, composta por Júlio Resende (piano), André Rosinha (contrabaixo) e Bruno Pedroso (bateria). Uma equipa unida, uma família que faz de quem os vê e escuta um grupo de amigos, como se estivéssemos em sua casa ou num bar bem simpático e acolhedor.
Humildemente Sobral sai muitas vezes para a penumbra para deixar os seus colegas brilharem, como se também ele se colocasse na plateia. O orgulho que ele tem em quem o acompanha é enorme e visível.
Um pianista que é um talento incrível, um contrabaixo doce e uma bateria tocante, uma voz arrepiante que brincam seriamente com o verdadeiro jazz. Aqui, há música pura, sem rodeios, sem questões, sem arranjos.19970629_1614215851923247_765967326_n.jpg
Merecem salas esgotadas, merecem aplausos, merecem sucesso e quando falo em sucesso, falo do intemporal, do que marca para sempre, não do momentâneo, porque o que se faz não é apenas com o corpo, é com tudo, porque como diz uma das novas músicas do cantor e que tão bem o define: “No corpo e na alma estava o coração”, o mesmo coração que bate inteiramente por esta arte.

Tive o prazer de presenciar tudo isto, no passado dia 6 de julho, em Coimbra, no Convento de S. Francisco e agradeço por isso.

 

 

08
Jul17

[Ficção] O meu corpo

Carolina Cruz

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O meu corpo sujo nas tuas mãos. 
Ou serão as tuas mãos sujas no meu corpo? Não tens direito... Não tens direito de me magoares assim, de achares que tenho de estar ciente e sabedora de que eu sou a culpada, que te provoquei, a estas horas, com a roupa que trazia vestida. O tanas. 
As tuas mãos sujas no meu corpo. Não tens o direito, não tens de ser portador do prazer se eu não o quero contigo. Só porque és homem? 
Essas mãos sujas não mandam em mim, esse olhar de "eu mando, tu obedeces" há de morrer, não comigo, contigo. 
As mil facas espetadas no meu coração, sentidas no meu corpo, são embaladas para outra alma, qual a tua...? 
Embora não a tenhas, essas facadas que te dou (agora que prometo matar-te para não morrer por ti) são as imensas dores que toda a vida me deste. 
A violência doméstica não é apenas bater. Há muitas formas de cuidar e muitas formas de dizer "quero que morras", mil formas de se ser maltratado, de sofrer violência. 
O meu corpo sujo, repudiado de ódio e rancor, não existe mais nas tuas mãos. Essas tuas mãos sujas morreram na ação, numa justiça feita pelas minhas mãos carregadas de medo, na busca de proteção, na busca de um futuro sem ti. 
Jamais morrerei por ti, por isso o meu amor-próprio defendeu-se, vi-te morrer nos meus braços e, então, o alívio da minha alma sorriu.
 
 

 

 

 
07
Jul17

[O teu olhar] Fotografar é...

Carolina Cruz

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“Fotografar” é um verbo tão idêntico ao de “viver”. É não é? Saborear as pequenas coisas, ver o mundo com os nossos olhos, dar ao mundo a perspetiva daquilo com que sonhamos.
Fotografar é exatamente isso, olhar o mundo, ver a beleza nos pequenos prazeres, numa simples flor, numa casa ornamentada tão diferente do que estamos habituados. Fotografar é como viver: explorar, sentir, absorver… E mais! Muito mais…
Fotografar é retirar de nós memórias, de um passado que foi nosso, de uma realidade inquieta que já não nos pertence… Quando fotografamos vemos o mundo com amor, com interior, com delicadeza na alma, uma fotografia é uma identidade, de nós, dos outros, de quem somos, do que nos rodeia.
Viver e fotografar só podem ser verbos infinitamente e intimamente ligados. Assim como o mundo e os nossos olhos, são realidades pura e simplesmente em concordância com o universo.
As memórias e quem somos, o passado e o presente representados numa simples imagem que nos marca para a vida toda.

 

 

 

Fotografia da autoria da Alexandra Duque, uma talentosa blog, que além de tirar fotografias fantásticas, é simpática e muito querida, ainda não conhecem o seu blog Al-duque? É espetacular, visitem! :)

06
Jul17

[Cinema] Beleza Colateral

Carolina Cruz

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Há três coisas que os seres humanos têm em comum: o amor, o tempo e a morte.
O que dirias se pudesses escrever-lhes? Sim, ao amor, ao tempo e à morte…
Como te sentirias se deles obtivesses uma resposta?
Howard entra numa depressão após acontecer algo trágico na sua vida e ao escrever a estas três realidades com uma tamanha desilusão, desistindo de todas elas e implorando à morte que lhe leve a sua vida, é confrontado por elas, sendo que estas lhe chamam à razão.
Porque embora estas três coisas que nos ligam sejam difíceis de definir, assim como é difícil viver e vencer na vida depois de nos irmos abaixo, merecemos uma segunda oportunidade, merecemos dar uma nova oportunidade àquilo que somos, mas será que Howard está disposto a isso?
“Beleza colateral” é um filme com um elenco excecional, incluindo Will Smith, Kate Winslet e Edward Norton. É um filme que demonstra que todos carregamos uma história, com desilusões e erros, mas também com alegrias e com uma tamanha beleza. Não nos podemos desligar dessa beleza colateral que existe em cada uma das nossas vidas.
Um filme bonito e realista. Um filme que todos deveriamos assistir.
 

05
Jul17

[O teu olhar] A tua bagagem

Carolina Cruz

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Deixa-me ser a tua bagagem. Deixa-me entrar dentro de ti, sentir firmemente a tua pele e dizer-te que serei sempre o melhor de ti. Quero que me digas também, sem dúvidas, sem rodeios “és o melhor de mim” e respeitares todas essas tuas palavras ditas. Não me mintas, eu vou saber se o fizeres.
Se não fores o melhor de mim, nem eu o teu, se não me respeitares por atos, mas somente em palavras, essa bagagem que sou, haverá de ser preenchida por mim, mas para partir. Partir para longe e partir o teu coração, se for preciso, ao reparares que erraste.
Será tarde demais, não terei pena, estarei melhor sozinha.
Não venhas tentar comprar com rosas ou com as flores mais bonitas do mundo, se não vieres para me amar. Tentar comprar-me com algo mais material que sentimentos ou gestos genuínos será em vão, eu não estou à venda, não me podes comprar, nem sou vencida com tão pouco.
Eu já sou uma flor, se me regares serei tua, se conheceres e amares as minhas raízes, cresceremos juntos, de outra forma, na tua vida, eu murcharei e não me terás mais.
 
 

 

 

(A fotografia é tão maravilhosa como a dona. Amante da vida e das suas pequenas coisas, a Titi tem um coração enorme, já a conhecem? Visitem "Em nome do amor")

04
Jul17

[Ficção] O beijo sonhado

Carolina Cruz

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Apaixonei-me por ti como quem sente o vento, sem intenção, foi um sopro do momento.
O beijo foi sonhado por ambos durante horas, dias, meses e talvez apenas isso tenhamos sonhado juntos.
Nunca soubera nada de ti na verdade, acho que criei alguém à imagem do meu amor, no entanto sei que no mais fundo de ti tu me amaste mas não podias ficar.
Quando nos conhecemos eu jurei fazer a coisa certa - deixar que terminasses essa relação que não te fazia feliz.
Um dia vieste em busca dos meus braços, desse beijo há tanto tempo prometido, dizendo estar tudo terminado. Abracei-te como quem beija o mundo do avesso, senti a vibração da minha alma chorar de alegria.
No entanto, chorava também de receio pois não querias mostrar que esse beijo existia a mais ninguém. E debaixo deste céu que nos condena por amarmos demais quem não devemos eu corri, saltando as nuvens da incerteza que em mim me invadia.
Corri em busca da saudade de ti, saudade de uma paixão que foi apenas um sonho maltratado, de um amor que nunca vivi.
Descobri depois que fui apenas um contratempo nesse tempo que deste à tua mulher.
Desligaste do que fui para ti, na tua opinião nem uma palavra mereci.
Sem eu saber voltaste à "amargura" de te sentires preso a um casamento e a um bebé... Um bebé? Tornaste-te para mim repugnante e com orgulho te digo adeus por sentir que apenas um vazio existira em ti nestes meses em que fui a má da fita e não soubera. No entanto sinto saudades do homem decente que nunca foste! Cresce e cria, sê bom... Eu serei melhor sem ti.

 

 

03
Jul17

[Cinema] Love Happens

Carolina Cruz

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“Love happens” tem uma mensagem muito importante para todos nós, em especial para aqueles que perderam alguém muito especial.
Por vezes julgamos que ao curar as feridas dos outros também curamos as nossas, mas talvez não, talvez as temperemos com o açúcar metafórico que é ouvir os outros falar dos mesmos problemas, de perdas idênticas. Talvez esqueçamos e as apaziguemos mas não, nunca as curamos, nunca serão esquecidas se não falarmos delas com sinceridade, com lealdade, com amor, senão estaremos constantemente a enganarmo-nos.
Mesmo que nos façamos de fortes ou aos olhos dos outros pareçamos rudes, não é verdade, nós também precisamos de ajuda, de apoio, de uma mão amiga, porque quem não chora, quem não exterioriza o que sente, deixa apodrecer a sua própria alma.
Todos nós, mesmo que digamos que não, mesmo que não queiramos, para vencermos precisamos de ser crus, principalmente connosco mesmos, dizer, consentir e aceitar a verdade e então depois de nos desculparmos por toda a dor, seguimos em frente.
Muitas vezes precisamos de romper esse aperto, de dar espaço ao coração para outra pessoa poder surgir na nossa vida, até porque o amor dói sim, mas também cura.
 
 

 

02
Jul17

[Ficção] Mereço ser feliz

Carolina Cruz

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Houve dias em que o meu coração chorou. Houve dias em que implorou. Mas não pode fazê-lo mais. Lamentar não é para mim. Esperar por ti era, mas não é mais.
Sabes… não posso adorar mais uma ilusão que aos poucos se torna desilusão entre um passo e outro.
Como posso dizer-te que não te quero mais na minha vida? Se tu chegas e dás-me a volta e eu não sei mais o que dizer, volto a dar-te o meu abraço.
Eu falo em palavras, não em gestos, porque este coração parvo adora-te demais e eu não sei dizer-lhe que não.
Mas eu não quero amar-te mais, não quero implorar o teu amor e chorar pelos cantos. Já sei que depois de eu te fazer bem, de eu te oferecer o melhor, de te ajudar a alcançar a vida com olhos de alegria, tu partes assim, com ingratidão para comigo. Esses olhos felizes foram viver a sua vida sem mim, com sorrisos para alguém.
Achas que depois de tudo, mereces que te diga que perdoo? Que te amo da mesma forma?
Cansei de ser a idiota que implora e para quem voltas quando não tens mais ninguém. Fartei-me de sentir-me a mais na tua lista infinita de amigas. Eu pensei que era a mais especial, mas não passei de apenas e só mais uma do teu leque.
Lamento, não serei mais o prato que comes, o chão em que pisas.
Lamento, mas vou quebrar o meu próprio coração anotando-lhe que não dá mais, mereço melhor, mereço esquecer-te, mereço ser feliz.

 

 

01
Jul17

[O teu olhar] O que é o amor?

Carolina Cruz

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Vim buscar-te às minhas memórias.
Vim passear pelos campos onde fui mais corpo que saudade. Onde fui mais pecado que certeza. Mas que importa? Nascemos para marcar a vida um do outro, não para ficarmos juntos.
Nem todas as histórias de amor têm de ter um final feliz.
Eu nem tão pouco sei se era amor.
O que é o amor? Um corpo nu que se apaga entre as cinzas de um casamento morto? Um “quero-te para sempre” nesse amor escondido?
Porquê amor se não cumprimos todas as promessas?
Porquê amor se era proibido? Se era escondido? Vagabundo?
Por que é que o meu corpo se fundiu sobre toda a lezíria estonteante do teu abraço que não perdurou?
Se fosse amor… tu estavas aqui, certo?
Se fosse amor teria resultado.
Não. O amor nem sempre resulta. O amor nem sempre é um mar de rosas. É uma poeira invasiva que nos cega e nos morde os olhos de calor. O amor é uma forma insana de te querer mesmo sem saber quem és ou o que contas.
O amor é não saber porque te amo, é não saber porque ainda guardo estas memórias de ti, se não passaste de uma miragem e de uma sedução que terminou.
Eu fui apenas pele para o teu prazer. Fui corpo para a tua pele sentir. Nada mais que nada. Embora tenhas sido tudo. Para mim, amor. Para mim, fomos enrolados de sorrisos imundos e finitudes capazes de me fazer sonhar.
É amor porque embora não tenha resultado, eu não esqueci.
O meu peito dói como doeu a secura do teu beijo.
Se eu jamais te tivesse amado, eu não permaneceria aqui, à margem de tudo. À tua espera.

 

 

(Fotografia da querida Melanie Moreira, do blog "That Girl", visitem, serão muito bem recebidos!)

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