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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

31
Mar18

[Séries] La casa de Papel

Carolina Cruz

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“La Casa de Papel”, a polémica série espanhola do Netflix que anda nas bocas do mundo. Poucas serão as pessoas que nunca ouviram falar dela.
Fala-nos de um grupo de assaltantes que está prestes a realizar o maior assalto do século, à casa da moeda em Espanha, com o intuito de imprimir biliões de euros. Engendrado ao pormenor, o grupo estuda cada detalhe ao pormenor, mas escusado será dizer que nem todos os passos saem como planeado, ainda assim conseguem desnortear toda a equipa policial e reféns que se envolvem neste caso.
Uma série otimamente bem cotada que tem dominado a maioria dos viciados em séries.
Confesso que inicialmente não percebia o porquê de tanto alarido, cheguei a adormecer em alguns episódios que não me cativavam, não sei explicar porquê, talvez cansaço, talvez falta de interesse. Porém, tenho de me confessar, a partir do penúltimo ou antepenúltimo episódio da primeira temporada rendi-me por completo e agora, já no terceiro episódio da segunda, estou completamente viciada.
Rendi-me à minha implicância extrema com a Tóquio, à comédia do Denver, à humanidade da Nairobi, à autoridade de Berlim e à extrema inteligência e audácia do professor e dos seus estratagemas. São personagens características, conectadas com uma personalidade forte e histórias de vida que nos fazem compreender certos comportamentos ou afeiçoarmo-nos mesmo à pessoa de cada um. Além de que a banda sonora é fenomenal, e conta com um fado português de Piedade Fernandes – “fado boémio”.
Quem está com curiosidade para ver, acho que devem assistir e formar a vossa própria opinião!

 

 

25
Mar18

[Ficção] Por favor!

Carolina Cruz

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A música é calma, maravilhosa como o raiar dos teus cabelos loiros.
Encosta a tua cabeça no meu peito, ponho a mão na tua cintura e deixo-me levar. 
Deixa também, deixa que esta dança aconteça.
Deixa que eu te escreva todas as cartas de amor que nunca te escrevi antes e que tu tanto merecias.
Por favor, perdoa-me.
Deixa que esta dança seja a doença e não a cura, a loucura. Foi um erro usar-te para esquecê-la. 
Não mandamos em quem amamos, pois não?
Anda lá, dá-me uma segunda oportunidade para te mostrar que o que outrora sonhei nos braços dela é realmente passado. 
Por favor, deixar-me entrar nessa dança e não sair mais da tua vida, é aí que quero permanecer, acredita em mim.
Anda, dá um passo para mais perto de mim, anda minha melhor amiga! Venha quem vier, serás sempre a leveza do baile das palavras que escrevo, da música que ouço, a melodia que dançarei eternamente.
Sei que há erros imperdoáveis, mas por favor perdoa-me.
Dança comigo.
Encosta a tua cabeça no meu peito.
Somos só eu e tu. 
Agora.
Para sempre!
Por favor!

 

 

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Photo by alyssa in we heart it

24
Mar18

[Resenha literária] Voltar a ti, de José Rodrigues

Carolina Cruz

«O amor não é sentimento para repousos longos e confiantes, mas, como acontece com todas as coisas intensas deste mundo, é uma das fontes maiores da felicidade humana.»

 

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Após deixar-nos rendidos à beleza de Esmeralda e do seu rio, José Rodrigues traz-nos uma nova história envolvente em "Voltar a ti" preservando tudo o que de melhor há na sua escrita: simplicidade, poesia nas palavras e amor, muito amor, muito amor pela escrita, que oferece a todos aqueles que o lêem. 
"Voltar a ti" fala-nos de Constança, uma jovem engenheira que vive constantemente dividida entre dois mundos - a família, onde é a firmeza e a alegria e o companheiro.
Quando menos espera Constança é obrigada a mudar de vida e a afastar-se do Norte onde tem todas as suas raízes, para ir viver para o Sul. A distância do meio que está habituada traz-lhe saudades, mas traz-lhe também novos desafios que nunca julgou vivenciar. 
Abordando assuntos como o amor, a perda, a desilusão, as memórias e a paixão, José Rodrigues absorve-nos mais uma vez nas suas palavras que nos fazem querer ler sem parar e ao mesmo tempo demorar e aproveitar cada momento descrito. 
Porque como disse, creio eu, na crítica ao livro "O rio de Esmeralda", José Rodrigues torna cada pequeno momento, por vezes tão comum no nosso dia-a-dia, em palavras eternas e em completa poesia, inspiração e reflexão. Na verdade, a vida é feita de "pequenos nadas" tão importantes.
É por isso que gosto tanto (adoro!) a escrita deste autor, porque não existem personagens perfeitas, não há idealismos, não há secretismos de personagens irreais ou pequenos detalhes óbvios. Nada disso! Em cada capítulo, há um conjunto de momentos extraordinários e surpreendentes com personagens cruas, reais, verídicas, como eu e tu, que falham, que sofrem, que sorriem, que vivem o amor e a vida como ela é: díficil, mas com os seus detalhes felizes.
Este é o seu segundo livro editado pela "Coolbooks", mas prevejo que muitos mais virão e eu feliz que assim seja porque, sem sombra de dúvida, José Rodrigues tornou-se num dos meus autores nacionais de eleição.
Aconselho vivamente a lerem-no!

 

 

23
Mar18

[ACMA] Um mundo a descobrir!

Carolina Cruz

Mais um mês, mais um post em parceria com o projeto "A Cultura Mora Aqui" e este mês o tema é TECNOLOGIA.
Querem ler o meu texto com este tema? Então vamos lá, espero que gostem!

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Nunca acreditei em mim, confesso. 
Nunca acreditei que eu, Olívia, diagnosticada com Asperger, que me impede de socializar de forma comum, fosse merecedora de um amor, ou que, por alguma razão, nenhum homem se apaixonasse por mim.
Eu que sei falar, mas o meu sempre decidiu  que escrever era sempre a melhor solução, sempre pensei: Quem quer amar alguém que mal se aproxima de nós? Que não nos fala inteiramente?
Foi então que me consciencializei que, como qualquer ser humano, eu Olívia, de quarenta anos, também sou merecedora de um amor para a toda a vida.
Decidi deixar de me esconder atrás da minha síndrome e aderi à maior plataforma social do mundo – o Facebook.
Eu sei que muita gente pensa mal desta plataforma, mas, se tirarmos bom partido dela, é um lugar inspirador onde podemos espalhar a amizade e o amor. As pessoas é que fazem os lugares e muitas das que pisam o mundo espalham ódio e falsos testemunhos. Porém, acredito que pessoas como eu, boas, ainda existem. Por isso, insisti em obrigar-me a entrar neste grande mundo, a conhecer novas pessoas.
Acham idiota que alguém possa encontrar o amor nas redes sociais? Alguém sem segundas intenções? Alguém verdadeiro? 
Eu acredito.
Foi no Facebook que conheci o Gonçalo, um homem que, tal como eu, partilhava o mesmo gosto pela literatura e cinema.
Trocávamos mensagens sobre Fernando Pessoa e Steven Spielberg, sobre o “Principezinho” de Exupéry e sobre Gabriel Garcia Marquez. 
Entre opiniões e críticas, a nossa amizade aumentou de dia para dia.
O dia que eu temia tinha chegado, em que eu lhe tinha de dizer que, apesar de ser inteligente, eu não sabia muito bem socializar com as pessoas como socializava com ele através da internet. Felizmente as redes sociais e as novas tecnologias são uma mais-valia para nós, pessoas com alguma síndrome, mas eu não era a mesma pessoa ao vivo, não aquela que falava com ele por palavras escritas tão naturalmente.

- Tenho de te contar uma verdade sobre mim. – disse-lhe eu.
- Força. – disse-me ele.
- Tenho síndrome de Asperger, não sei se sabes o que é…
- Sei sim. E olha, também tenho uma verdade sobre mim para te contar.
- Diz.
- Sempre tive vergonha de dizer-te. Sofro de paralisia cerebral ligeira.

Sorri. Afinal, tal como eu, ele também guardava segredos com medo da rejeição. O que é uma verdade triste, pois nenhuma pessoa devia esconder-se, nenhuma pessoa devia sentir rejeição por ser diferente.
Através das redes sociais, conheci uma pessoa maravilhosa. Através do Facebook, conheci o meu melhor amigo, o meu amor, o meu companheiro.
Há simplicidade em nós, há verdade, e isso merece o maior respeito do mundo. 
São as pessoas que criam a sociedade, são as pessoas que trazem aos lugares o lado mais feio do mundo, porque, tal como eu comecei a acreditar no amor e na minha capacidade de amar, acreditei que as redes sociais têm o seu lado (muito) bom, que a tecnologia é necessária no nosso dia-a-dia, precisamos de saber, tal como no lado feio das relações, em saber como fazer uso com conta, peso e medida.
E o meu amor é assim, tal como as novas tecnologias, um mundo a descobrir!

 

 

____________________________

 

 

 

Sobre o projeto A Cultura Mora Aqui
 

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Criado pela Ju, do blog Cor Sem Fim, o projeto A Cultura Mora Aqui - ou ACMA, para abreviar - tenciona, tal como tenho vindo a referir nos meses anteriores, trazer a cultura de volta à internet com temas mensais ou bimestrais. Para participarem, só têm de enviar um e-mail com os vossos dados para acma.cultura@gmail.com - aproveito para repetir que não vamos falar sobre outfits, maquilhagem, moda, etc, e que qualquer um de vós pode participar, não sendo obrigatório fazê-lo todos os meses. Para não perderem nenhum post, já podem seguir a página do ACMA no facebook e a Revista.

16
Mar18

[Cinema] Butterfly dreams

Carolina Cruz

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"Butterfly dreams" é um filme baseado numa história verídica e é dedicado a todos os poetas esquecidos. 
Este filme conta a história de dois jovens que, na segunda guerra mundial, são obrigados a trabalhar nas minas. Tudo parece demasiado pesado, o trabalho ardúo, as doenças, mas é o amor que torna mais leve a vida malvada destes dois amigos.
Ao apaixonarem-se pela mesma rapariga competem entre si qual lhe escreve o melhor poema, por qual é que ela se apaixona primeiro através da poesia. 
Uma história arrebatadora, crua, dolorosa, poética misturada com sorrisos, gargalhadas e uma dose elegante de amor e amizade. 
Um hino e uma homenagem a todos aqueles que lutaram para serem poetas numa época em que a educação era apenas para ricos e a alfabetização era escassa. 
Um filme pouco falado (como os que eu gosto de ver e de vos apresentar) que nos arrebate. 
Está disponível no Netflix Portugal e acho que não deviam perder!

 

 

14
Mar18

[Resenha Literária] P.S. Ainda te amo

Carolina Cruz

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Depois do livro "A todos os rapazes que amei", Jenny Han presenteia-nos com a continuação da história de Lara Jean em "P.S. Ainda te amo", um livro tão fiel ao primeiro que nos deixa de novo sem respiração. 
Após a sua relação com Peter mudar, Lara Jean acredita que este seu primeiro amor pode mudar a sua vida, até porque Peter torna-se naquilo que sempre sonhou, é romântico, querido com a sua irmã mais nova, um verdadeiro companheiro de aventuras e respeita-a acima de tudo. 
Mas será apenas no início? Um engano? A paixão? A relação na sua fase inicial? Será que serão capazes de levar uma relação sem mentiras ou sem se magoarem um ao outro? 
No caminho de Peter e Lara Jean, ainda está Genevieve, a ex-namorada de Peter, mas além dela, John (um dos destinatários de Lara Jean) surge respondendo à carta há muito tempo sem resposta. 
Será que a relação deste casal é forte o suficiente para não se deixar quebrar com todas as pessoas importantes e factos à sua volta?

Um livro que nos faz (pelo menos a mim) afeiçoarmo-nos às personagens, ficar desiludidos com as suas atitudes ou pensamentos, felizes por pequenos detalhes e/ou vinganças. 
Um livro que nos faz ler, ler e ler e querer mais e mais.

Quando é que o terceiro sai em Portugal? Alguém sabe?
Ansiosa.

Até lá, leiam o primeiro e este! Vale mesmo a pena!

13
Mar18

Escritor...

Carolina Cruz

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Um cálice de vinho do Porto, águas bravas, chuva lá fora, escuridão, noite. 
Qualquer escritor sabe que é nas bravuras da madrugada que a vida nos inquieta, que a solidão chega para abraçar o dia que nada mais é que a luz da escrita, das folhas, das palavras que se cospem para um qualquer papel de rascunho.
O que se escreve é o que corre nas veias, a amargura, o despeito, o fim de um amor, um coração desfeito, a perda e a ficção, tantas vezes baseadas nos próprios acontecimentos diários que nada têm a ver com o que se escreve.
Vive-se constantemente a inventar uma história que não é nossa, um amor que não é real, bem se dizia que um “poeta é sempre um fingidor”, finge o que sente e o que não sente, intrigando-se com o que sentem os outros, inspira porque expira tudo aquilo que crê que lhe vá na alma.
Dorme mal e quando dorme é para se inspirar, para sonhar, para analisar, para viver também nos sonhos que sonha e que quer tornar realidade. 
É difícil compreender um escritor, mas se por ti ele se apaixonar, acredita, na dor que lhe provocas, no amor que lhe tens, na vida e na morte serás eterno. 
Escritor de sentimentos, falácia de pensamentos, grandeza de coração, a inspiração surge, mesmo no ímpeto da escuridão.
 
12
Mar18

A Coimbra.

Carolina Cruz

Ao passado que eu sei que não volta. 
Ao passado que traz nostalgia e milhares de histórias para contar. 
Fecho os olhos e estou de novo nos braços de uma cidade que me abraça diariamente, mas que tem o maior encantamento na capa negra traçada e no calor de um sorriso de estudante. 
Recuso-me a acreditar que todas as memórias morreram, se de lá trago o melhor do mundo, pessoas que ainda abraçam a minha vida e a minha alma. 
De Coimbra, de ser estudante, trago o mundo! Vive no meu sangue, toca-me na alma estes anos em que fui o melhor de mim, onde a persistência me ensinou a agarrar o dia. 
Bem dizem que o sol de Coimbra é diferente de todos os outros, é verdade, brilha com certeza, ilumina-nos o pensamento e é sabedor da consciência e da saudade que é abraçar esta cidade que nos é para sempre a eternidade da nossa existência e juventude.
Um brinde à esperança de cada dia novo, de se viver inteiramente.

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(Fotografia de Notícias de Coimbra)

11
Mar18

Tua a vida toda

Carolina Cruz

Marta Chmielowiec in we heart it.jpg

 

Abraça-me bem.
Abraça-me de forma apertada, como se nada coubesse em ti além do amor.
Ama-me, ama-me desalmadamente como se o mundo fosse terminar amanhã.
Beija-me, como se me tocasses a alma e a despisses. 
Despe-me, sim, despe-me por completo, a alma, o corpo, as entranhas. 
Aperta-me, deseja-me, devora-me, inquieta-me, faz amor comigo.
Quero-te sempre, quero-te como uma louca. 
Isso, elouquece-me. Vive-me. 
Apaixona-te por mim todos os dias.
Incendeia-me o coração até que ele deixe de bater e eu serei tua a vida toda.

 

______

 

Fotografia by Marta Chmielowiec

10
Mar18

[Parte 4] Espera por mim, meu amor

Carolina Cruz

Narin Bamerni  in we heart it.jpg

 

Não ficámos ligados nessa altura, meu amor. Lembras-te? Mas ajudaste-me a mudar, a querer outro rumo. 
Encontrei-te anos mais tarde, eras uma advogada lindíssima, eu apenas um livreiro de porta a porta. Quis o destino que batesse à tua, perpetuando a certeza de que este amor merecia ser vivido. Começaste a comprar livros diariamente, falávamos sobre eles, a amizade crescera de novo e deu de novo lugar ao amor, com maturidade, mas com a mesma jovialidade. 
Casamos tarde, mas o tempo não nos roubou os sonhos, meia-idade é suficiente para amar alguém, nunca é tarde e nunca é demais. Porém, morreste-me, e eu queria mais tempo para olhar-te nos olhos. Mas, eu sei também que, independentemente de fechares os olhos e sucumbires como se a dor da perda não me fizesse morrer também, eu sei que no lugar que Deus escolheu, haveremos de nos encontrar, lá e noutra vida. Ele há-de compensar-nos por toda a distância com que nos fez sofrer.
Por isso, meu amor, espera por mim. Espera por mim, como eu esperei por ti uma vida inteira. E ama-me, ama-me como sempre me amaste, protege-me, hei-de partir em breve também, achas que aguento a vida sem ti? 
Espera por mim. 
Espera por mim, meu amor.

 

 

(Fim)

 

 

 

 

Fotografia: Narin Bamerni  in "we heart it"

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