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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

10
Abr18

Como o poeta...

Carolina Cruz

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O meu futuro é finito. 
Não sei para que nasci, mas sei que como o Poeta tenho em mim todos os sonhos do mundo. 
E o meu sonho, o meu sonho crepita nas palavras que escrevo.
Não sei se nasci para isto, se todos irão ler o que escrevo, se o sucesso está ao meu alcance. 
Todos sonhamos, todos queremos um pouco de atenção, mas não é por isso que escrevo, mal seria se o fizesse, morreria. 
Morreria, já que morro de amores por esta arte tão inquieta que é viver nas palavras que inteiramente me saem do corpo, que vive nas veias e traz sede às minhas entranhas. 
Não escrevo para que todos me leiam, escrevo porque o faço com o coração. 
Não sei como começou, sei que saiu da mais bonita essência de mim e o que me faz continuar é esta engrenagem de amor por isto. Eu escrevo porque amo a vida, porque quero dar-me a esse amor, transborda-lo, fazê-lo sentir, oferecer aos outros esse amor. Este amor que pela escrita tenho, este amor que me faz ser Poeta como Pessoa, embora não tenha nem metade do seu talento. Este amor que me faz escrever tudo aquilo que não sei dizer através da minha voz, este amor com que amo a vida, pois escrever ajuda-me a perdoar por todos os erros do passado que são imperdoáveis, por todas as pessoas que amei ou magoei. Escrevo por acreditar que há uma razão para tudo acontecer, e escrever é o meu destino. Podia ser uma profissão, mas nunca o será, se o fizer de coração. 
Já sou um homem de meia-idade, já ninguém quer as minhas palavras, talvez me darão valor quando morrer, quando o corpo perder a tinta e a alma apenas puder meditar sem escrever. Talvez aí seja lembrado, talvez aí eu veja na minha escrita sucesso, hoje só vejo vida, hoje nos papéis e nas histórias que escrevo só encontro um coração que bate e uma boca que sorri.

09
Abr18

[Séries] 1986

Carolina Cruz

 

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1986! 

Uma série que se passa nesse mesmo ano! Em plena tensão política, enquanto se escolhe entre Mário Soares e Freitas do Amaral, vive-se uma história de amor entre Tiago, um jovem tímido e filho de um comunista e Marta, uma miúda cheia de sonhos, filha de um apoiante de Freitas. Escusado será dizer que esta desigualdade política irá trazer desavenças e quem sabe impossibilitar esta união entre os dois.
Uma das letras da banda sonora da série diz “nada de novo no ecrã”, e antes de esta série surgir, era o que sentia quando via os canais generalistas. Porém esta criação de Markl sai fora da caixa e merece ser vista. É divertida, original e inteligentemente bem construída, tanto e tão bem, que mesmo quem não viveu nos anos 80 (que é o meu caso) consegue sentir nostalgia em cada pormenor vivido no enredo. 
Nesta série, que nos fala de política, cultura musical, cinematográfica e amor, nota-se claramente o dedinho genial de Markl em cada segundo, na atenção aos pormenores, nas escolhas fenomenais da banda sonora, na caracterização das personagens, na forma de serem, a hipérbole de momentos vivenciados, o toque de cinema e comédia, o real e o surrealismo, o exagero da paixão e a certeza de cada coisa acontece por uma razão.
E eu estou, sem dúvida, muito grata por ele ter feito acontecer esta fabulosa criação!
Tem apenas 13 episódios (só, infelizmente) e podem vê-los a todos na RTP Play, eu vi e soube-me a pouco, por tão mágica ser esta produção portuguesa!
Um bem-haja Markl, toda a equipa e elenco!

 

 

08
Abr18

[Ficção] Olho-o

Carolina Cruz

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Olho para ele e derreto-me.
Olho-o e o meu corpo sabe mais de mim que a minha alma, estremece, aquece, arrepia-se e eu quero-o tanto e nem o conheço.
Ele nem sabe o meu nome. Sinto-me idiota e ainda assim sorrio.
Por que é o amor tão complexo?
Como podemos achar que amamos alguém, que sentimos fogo de paixão se nem uma palavra dissemos a essa pessoa? 
É masoquismo? Dor agradecida? Daquelas que temos prazer em ter ou receber em troca de sermos sonhadores?
Não sei, só sei que há em mim tanto dele e ele nem ousa saber, e ele nem imagina quem sou. 
Ele é durão, dono de si, mas deste lugar de onde ele não sabe que eu existo, eu sei que há nele um humor extraordinário e uma dor que ele esconde nos lábios e faz brilhar o olhar.
Ele é bom, eu sei que é.
Pudesse eu mostrar-lhe quão boa a vida pode ser se o amor o levasse até mim. Até lá, sonharei todas as noites, em que dançamos lado a lado num romance que se perpetua na história, na alma e na essência eterna do que inocentemente acredito que tenhamos sido noutra vida. 
Ai como é bom sonhar! 
Meu Deus, como dói tanto... mas como é, ainda assim, tão bom sentir(-me)!

 

(fotografia de "intersection")

07
Abr18

[Ficção] Viver no teu olhar.

Carolina Cruz

Aninho-me sobre o teu peito. Deixo-me escorregar pelo teu regaço. Apodero-me da dor e do conforto. Escorre-me sangue nas entranhas, sangro só de pensar neste amor que por mim tens, nessa tua forma cega como tentas colar cada pedaço do meu coração partido. 
Como podes amar-me assim? Mesmo quando no meu desejo mora outra mulher?
Ao pé da tua grandeza, sinto-me pequenino. Sim, mesmo com este tamanho de homem seguro, desfaço-me perante o teu amor.
Os teus olhos conseguem conter todos os sonhos e o mundo inteiro. Aos poucos o meu mundo também vai desbravando vontades, neste sentir tão plenamente. E acredito, acredito solenemente, que poderei ver no teu coração o meu caminho, o que preciso para ser feliz.
Gostava de acreditar nisso, gostava mesmo...
Contigo sinto-me bem, contigo estou em paz, sinto-me, sou inteiro, mesmo que ainda desfeito.
Eu acredito. 
Quero acreditar que nos teus olhos eu receberei o mundo.
Por favor, ama-me para sempre.
Nunca desistas de amar. 
Não sei o que sinto, mas estou aqui.
Ama-me, que eu quero amar-te de volta.
Espera. Que eu esperarei a vida inteira, para viver no teu olhar.

 

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Foto by Evelyn in "We heart it"

06
Abr18

[Ficção] à espera de um abraço teu.

Carolina Cruz

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Agora sou só eu, à espera de um abraço teu.
Por que é que tinha de ser assim? Por que haverias tu de te apaixonares por outro alguém? Sabes o que mais dói? Ser exatamente quando o flor da paixão em mim ardeu, quando o amor em mim implorou para confiar-lhe de novo o meu coração.
Porquê? Por que é que fui tão inocente para me magoar de novo? 
Por que é que te escolhi a ti para acreditar que o amor podia ser de novo uma constante na minha vida?
Eu sei que fui difícil, um tanto fria, mas eu já te amava e não sabia, apenas não queria acreditar, e acreditei... acreditei quando desististe de me amar, de me conquistar.
Ela era mais bonita, mais sexy, mais fácil, certo? Caiu na sintona de ser prazerosa e tu agradeceste. 
Hoje apenas me magoo a mim própria pensando em ti, porque sei que não mereces, porque se sabias que o amor outrora me trouxera traumas não devias ter despertado em mim nem uma pontinha de esperança. Mas tu fizeste-me acreditar que podia ser para sempre, e olha o que fizeste... Desististe por não ser fácil. O amor não é fácil, nunca foi. Tu é que não sabes que para se amar é preciso morrer-se um pouco. Mas tu não morreste, porque és cobarde. Em vez disso, mataste todos os meus sentimentos, a minha vontade de viver, porque antes eu era vida, agora... 
Agora sou só eu, à espera de um abraço teu.

 

_____________________________________

 

Photo by "Intersection"

05
Abr18

Chora.

Carolina Cruz

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Há dias em que tens de chorar rios para sorrir mares. Conheces a expressão, certo?
É isso que tens de fazer, rapariga!
Chega de te fazeres de forte, quando sabes que estás prestes a desabar.
Hey! Já aguentaste tanto calada, sem derramar uma lágrima... És humana, não obrigues o teu corpo a esmorecer só porque tens de chorar e não o queres fazer.
Por favor, chora. 
Não é que eu te queira ver chorar, mas sei que tu precisas e é tão necessário. 
Também conheces a expressão que é "preciso chuva para florir" não é?
Então chora, se sentes vontade disso, chora.
Não tenhas vergonha. Acredita que não és menos forte por isso, muito pelo contrário, esse teu choro é a prova que demoraste dias a concretizar, a lutar, a travar batalhas contra ti mesma.
Chora, porra!
Chora, que amanhã será melhor.
Acredita e só depois, então, sorri com leveza, apenas e só porque acordaste mais um dia. Não é tão bom?

04
Abr18

[Por aí] No blog do "Pum Pum"

Carolina Cruz

Experiência-Estereofónica-25-Temporada-2-Promo-C

 

Olá sorrisos!
Sei que já venho um bocadinho atrasada, vá uma semana, mas nunca é tarde para divulgar seja o que for, muito menos podcasts tão divertidos como este. 
Pois é, fui convidada pelo blogger "Pum Pum" para o seu podcast "Experiência Estereofónica" para falar um pouco mais sobre mim e o meu blog.

A malta do blogs Sapo já deve ter assistido através da minha querida "Simple Girl", a quem eu devo publicamente um obrigada e um abraço apertadinho, pois ela decidiu fazer-me uma surpresa e divulgou o podcast no qual participei! Obrigada Simple! Desculpa, mas fazendo este post não podia deixar passar isto em branco! :)

Agora voltando ao podcast do blog do "Pum Pum", achei uma experiência muito interessante e sem dúvida que voltava a repetir. 
Nesta conversa falámos sobre a minha nova página de facebook (que já tem um ano, na verdade!), sobre a minha escrita, os seus detalhes, o conteúdo do blog, as séries, filmes assistidos e livros lidos. 
Foi uma conversa bastante interessante e divertida.
Podem conferir tudo em baixo! 
Espero que gostem, porque eu, volto a repetir, adorei o desafio e, mais uma vez, agradeço ao "pum pum" por este convite! Obrigada :)

 

 

02
Abr18

[Resenha Literária - Chiado Editora] Sinto-Te, de Ana Silvestre

Carolina Cruz

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"Sinto-Te", é um livro de Ana Silvestre, uma autora por quem eu tenho um grande carinho e admiração, pois já há algum tempo que tenho vindo a seguir a escrita da Ana e a adoração que tenho pela simplicidade e beleza das suas palavras aguçou-me a vontade de ler este livro, publicado pela Chiado Editora. E, a verdade, é que não me desiludiu nem um bocadinho. 
Os pensamentos da Ana, a sua forma de levar a vida, de descrevê-la e escrêve-la vão muito ao encontro do que sinto. E rendi-me a este livro também por isso. 
"Sinto-Te" fala-nos de Joana, uma rapariga que tem premonições e acredita em sonhos e em sinais. Sonha com o homem da sua vida, mas Joana é um pouco complexada e cheia de segredos, por isso quem a amar e desejar tê-la para a vida toda terá de a desvendar.
Este livro aborda o perdão, o amor - um sentimento que todos presenciamos, mesmo quando levamos a vida a evitá-lo, as simplicidades do dia-a-dia e como elas são tão importantes nos detalhes da vida. Essa vida que não é fácil, que nos dá muitos motivos para chorar ou desistir, mas que ainda assim é bonita e especial quando tocamos nas memórias mais felizes, quando o amor acontece, entre irmãos, entre pares, amigos, familiares. Porque a vida é feita de momentos, sejam ele maravilhosos ou menos bonitos. É preciso deixar o amor acontecer e a vida irá sorrir-nos.
É isso que Ana Silvestre nos mostra neste livro tão doce, tão genuíno, e de fácil leitura! 
Leiam, porque vale mesmo a pena!

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