09
Jul16
Nas margens do rio
Carolina Cruz
Queria sentar-me de novo aqui, nas margens daquele rio, apreciar toda a sua liberdade que canta.
Como gostava de poder ser tão livre como tudo o que nele corre, toda a sua calma, tranquilidade. As lágrimas escorrem-me pelo rosto com um sabor a frustração desgastante que me remói e me apaga.
Queria-te do meu lado, para veres os meus dias passarem contigo, aí sim, eles seriam mais completos e fariam ainda um maior sentido, mas que posso eu fazer? Queria-te roubar e não te perder nunca mais. Quanto falta para te ter comigo para sempre? Agarrar-te e não te deixar ir, não preciso dizer que tenho saudades, era uma fútil expressão de sentimento que se torna a cada dia que passa mais forte.
Longe, vejo o longe passar a meu lado, e o sorriso esboça numa metamorfose inquieta, só aqui não há um custo, só a natureza não nos pesa, não nos pede um custo de vida, mas sim implora-nos para viver.


