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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

23
Mar18

[ACMA] Um mundo a descobrir!

Carolina Cruz

Mais um mês, mais um post em parceria com o projeto "A Cultura Mora Aqui" e este mês o tema é TECNOLOGIA.
Querem ler o meu texto com este tema? Então vamos lá, espero que gostem!

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Nunca acreditei em mim, confesso. 
Nunca acreditei que eu, Olívia, diagnosticada com Asperger, que me impede de socializar de forma comum, fosse merecedora de um amor, ou que, por alguma razão, nenhum homem se apaixonasse por mim.
Eu que sei falar, mas o meu sempre decidiu  que escrever era sempre a melhor solução, sempre pensei: Quem quer amar alguém que mal se aproxima de nós? Que não nos fala inteiramente?
Foi então que me consciencializei que, como qualquer ser humano, eu Olívia, de quarenta anos, também sou merecedora de um amor para a toda a vida.
Decidi deixar de me esconder atrás da minha síndrome e aderi à maior plataforma social do mundo – o Facebook.
Eu sei que muita gente pensa mal desta plataforma, mas, se tirarmos bom partido dela, é um lugar inspirador onde podemos espalhar a amizade e o amor. As pessoas é que fazem os lugares e muitas das que pisam o mundo espalham ódio e falsos testemunhos. Porém, acredito que pessoas como eu, boas, ainda existem. Por isso, insisti em obrigar-me a entrar neste grande mundo, a conhecer novas pessoas.
Acham idiota que alguém possa encontrar o amor nas redes sociais? Alguém sem segundas intenções? Alguém verdadeiro? 
Eu acredito.
Foi no Facebook que conheci o Gonçalo, um homem que, tal como eu, partilhava o mesmo gosto pela literatura e cinema.
Trocávamos mensagens sobre Fernando Pessoa e Steven Spielberg, sobre o “Principezinho” de Exupéry e sobre Gabriel Garcia Marquez. 
Entre opiniões e críticas, a nossa amizade aumentou de dia para dia.
O dia que eu temia tinha chegado, em que eu lhe tinha de dizer que, apesar de ser inteligente, eu não sabia muito bem socializar com as pessoas como socializava com ele através da internet. Felizmente as redes sociais e as novas tecnologias são uma mais-valia para nós, pessoas com alguma síndrome, mas eu não era a mesma pessoa ao vivo, não aquela que falava com ele por palavras escritas tão naturalmente.

- Tenho de te contar uma verdade sobre mim. – disse-lhe eu.
- Força. – disse-me ele.
- Tenho síndrome de Asperger, não sei se sabes o que é…
- Sei sim. E olha, também tenho uma verdade sobre mim para te contar.
- Diz.
- Sempre tive vergonha de dizer-te. Sofro de paralisia cerebral ligeira.

Sorri. Afinal, tal como eu, ele também guardava segredos com medo da rejeição. O que é uma verdade triste, pois nenhuma pessoa devia esconder-se, nenhuma pessoa devia sentir rejeição por ser diferente.
Através das redes sociais, conheci uma pessoa maravilhosa. Através do Facebook, conheci o meu melhor amigo, o meu amor, o meu companheiro.
Há simplicidade em nós, há verdade, e isso merece o maior respeito do mundo. 
São as pessoas que criam a sociedade, são as pessoas que trazem aos lugares o lado mais feio do mundo, porque, tal como eu comecei a acreditar no amor e na minha capacidade de amar, acreditei que as redes sociais têm o seu lado (muito) bom, que a tecnologia é necessária no nosso dia-a-dia, precisamos de saber, tal como no lado feio das relações, em saber como fazer uso com conta, peso e medida.
E o meu amor é assim, tal como as novas tecnologias, um mundo a descobrir!

 

 

____________________________

 

 

 

Sobre o projeto A Cultura Mora Aqui
 

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Criado pela Ju, do blog Cor Sem Fim, o projeto A Cultura Mora Aqui - ou ACMA, para abreviar - tenciona, tal como tenho vindo a referir nos meses anteriores, trazer a cultura de volta à internet com temas mensais ou bimestrais. Para participarem, só têm de enviar um e-mail com os vossos dados para acma.cultura@gmail.com - aproveito para repetir que não vamos falar sobre outfits, maquilhagem, moda, etc, e que qualquer um de vós pode participar, não sendo obrigatório fazê-lo todos os meses. Para não perderem nenhum post, já podem seguir a página do ACMA no facebook e a Revista.

15
Fev18

[ACMA] Guarda-me para sempre na tua história

Carolina Cruz

Mais um post em conjunto com o projeto "A cultura mora aqui"!
O tema deste mês é TRADIÇÕES E COSTUMES
Decidi escrever sobre o amor proíbido no choque de culturas e tradições. Espero que gostem!

Yoann Boyer, via Unsplash.jpeg

 

Ainda me lembro, como se fosse hoje, o dia em que os nossos olhos se conheceram. 
Os teus olhos verdes apaixonaram-me ao primeiro instante, mas o que soube pouco depois desmoronou qualquer paixão possível de durar.
Quis o destino que nos encontrássemos em Londres, mas não era nossa cidade natal.
A tua vida era inquieta, a tua forma de ser ainda mais.

- Esta é a minha mulher! - disseste semanas mais tarde.

Apertei-lhe a mão e sorri. Que sorriso amargo! 
Quando ela se afastou, disseste baixinho e apertaste a minha mão:

- Não nos amamos.

Soltei um riso penetrante, olhaste à tua volta e abaste-o com um beijo.
Recordei todas as vezes em que nenhuma das nossas diferenças importava, nem as nossas ideologias, religião ou tradições.
O meu corpo era apenas um corpo de mulher que encaixava como um puzzle com todas as peças no teu.
Esse amor poderoso, o sabor do prazer, a delicadeza de um beijo na testa, de um simples sorriso.
Naquela hora em que cruzei o olhar com a tua mulher, pensei e consenti que tudo o que havíamos vivido não passara de um sonho que morrera.
Como tinhas a lata de dizer que não a amavas? Ou de me beijar depois de tudo?
O amor é um verdadeiro lixo e pior que isso, é a cultura deformada de cada lugar, as tradições que não mudam e as mentes que continuam fechadas.
Eu sabia que eras indiano e eu, portuguesa que sonha, acreditei que seria diferente, que a tua família não tinha escolhido pretendente alguma quando nasceras.
Doía-me a certeza de que, mesmo que não a amasses ou me amasses, não poderíamos ficar juntos. Por mais amor que vivêssemos ou sentíssemos, não teria força suficiente para arrebatar qualquer cultura poderosa com tradições enraizadas. 
O que será de nós dois? O que faremos do nosso amor impossível?
Não serei capaz de me subjugar a amar-te escondida.
Quem sabe se noutra vida nos cruzaremos de novo e, com vidas diferentes, poderemos amar-nos tranquilamente.
Não nos podemos magoar, apenas ter esperança de que algures, em tempos que virão, isso aconteça. 
Hoje, aqui, não te posso amar mais, leva o meu beijo contigo e guarda-me para sempre na tua história. 

 

[Foto by Yoann Boyer, via Unsplash]

 

Sobre o projeto A Cultura Mora Aqui
 

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Criado pela Ju, do blog Cor Sem Fim, o projeto A Cultura Mora Aqui - ou ACMA, para abreviar - tenciona, tal como tenho vindo a referir nos meses anteriores, trazer a cultura de volta à internet com temas mensais ou bimestrais. Para participarem, só têm de enviar um e-mail com os vossos dados para acma.cultura@gmail.com - aproveito para repetir que não vamos falar sobre outfits, maquilhagem, moda, etc, e que qualquer um de vós pode participar, não sendo obrigatório fazê-lo todos os meses. Para não perderem nenhum post, já podem seguir a página do ACMA no facebook e a Revista.

18
Jan18

[ACMA] Mudas o mundo sem saber

Carolina Cruz

Mais uma nova surpresa este ano de 2018: textos mensais com o grupo ACMA.
O tema deste mês é MANEIRAS DE MUDAR O MUNDO.
Espero que gostem:

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E tu mudas o mundo sem saber. 
Mudas em cada sorriso que ofereces, em cada olhar na procura de ser diferente, de fazer a diferença. 
Mudas o mundo sem saber e ao sabê-lo queres mudar ainda mais, queres fazer o bem, queres deixar a marca, queres viver inteiramente e abraçar quem te ama, amando a vida, sem deixar nenhum momento em vão ou em paragem. 
Porém tu não sabes que mudas o mundo nas mais pequenas coisas, nas mais pequenas motivações do dia-a-dia. Pelo menos, mudaste aquilo que sou, a minha forma de ser, o meu ver, o meu viver. 
Acreditar em ti e acreditar que me podes dar o melhor de ti, todo o teu amor, esse mesmo amor que tens pela vida, é arriscar viver e viver para mim sempre foi tão agreste. Mas esse amor, essa tua paixão desmedida ensinou-me tanto não a querer sobreviver apenas, mas a querer apaixonar-me por mais um dia feliz.
E das tuas palavras nasceram as minhas e as minhas irão criar esperança, crença, força e sem saber não mudaste apenas a minha vida, mas o mundo que nos rodeia.
É nas pequenas coisas, nos pequenos detalhes de amor que fazemos a diferença, se todas as pessoas que habitam este planeta amassem, acredito que tudo mudaria. 
O amor move o mundo. O teu amor move o meu.

 

 
 
 
 
Sobre o projeto A Cultura Mora Aqui
 

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