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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

03
Jan19

Se me arrependo?

Carolina Cruz

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Agarro num papel velho e qualquer coisa serve para escrever os meus pensamentos, não posso deixar escapar a sensatez e a inspiração que me move, é tudo demasiado fugaz para não aproveitar toda a inquietude da minha alma.
Porra, porque é que sinto tanto? Por que razão dizem que o meu coração não pertence a este mundo?
Fácil, esse é o meu erro diário, amo, amo muito.
Sinto, sinto tudo na ponta dos dedos, mas não é aí que está a metade do meu ser errante, esse pedaço de mim está no lado esquerdo do peito, que apesar de todas as facadas, apesar de toda a maldade que vê em meu redor, teima em ver o lado mais bonito nas pessoas, a perdoá-las apesar de tudo e sorrir.
Será isso a poesia?
Amar demais faz sofrer, sim... muito, quantas vezes... mas porque o faço? Para me sentir bem e embora doa, eu posso dizer que dei tudo por tudo, deito-me de consciência tranquila porque dei o melhor de mim.
Se me arrependo? Tantas e quantas vezes. Porém, é com as perdas que escrevo, é pelas perdas que choro, mas talvez seja a forma de eu olhar a vida, com amor.
31
Dez18

[Ficção] Amanhã não importa

Carolina Cruz

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Não consigo enganar-me de novo. 
Eu sou tua, eu preciso de ti, eu necessito de ti, ainda que a minha cabeça e o meu bom senso me peçam para me afastar de ti...
O meu corpo pede por ti, deseja-te, mexe-se a implorar-te e cá estou eu de novo, como se fosse a primeira vez, nos teus braços.
A perdoar-te de novo, a ceder a esse amor que eu sei que me tens, essa adoração infinita que regressa sempre por mais erros que cometas ou por mais pessoas que entrem nas nossas vidas.
Porque é que é assim? Porque é que não posso simplesmente abandonar-te e dizer que me sinto em paz sem ti? Sem recordar que existes? Eu sei porquê.
Sou humana, erro imensas vezes, caio no erro outras milhares e amo-te, amo-te como se fosse morrer amanhã e eu sei que também te sentes assim.. Por mais erros que cometas, por mais mágoas que me tragas, eu sei que sorrimos quando nos envolvemos, quando te chamo de idiota e tu dizes que sou a mulher mais bonita do mundo, quando o universo conspira para que fiquemos juntos, independentemente de tudo.
Queres-me? Eu também te quero.
Amanhã não importa. Morreremos juntos hoje... de amor!

29
Dez18

Corre

Carolina Cruz

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És inquieto. 
Pareces uma criança, olhas-me com intensidade, com brilho no olhar, quase que te leio por dentro, creio que vejo um toque de emotividade na tua alma. 
Dou-te a mão e a nossa infância volta! 
É isso o amor, não é? 
Ter a inocência e sabedoria de que sonhar é preciso para se construir um novo dia, reinventar cada momento, aceitar cada defeito e cada desafio, acreditar que os erros fazem parte, e aos pequenos atritos rirmo-nos com eles. Discutir, bater, brigar e fazer as pazes no minuto a seguir. 
É isso mesmo, contigo quero ser criança toda a vida, correr o mundo, contigo a limpar-me as lágrimas quando caio, comigo a dar-te uma palmadinha nas costas quando vences. 
Viver um para o outro, um com o outro, sem mau perder, mas sim com um orgulho próprio de quem se ama: «ela é minha namorada», «eu e ele existimos como um nós». 
É confiar, sem medos, mas não cegamente. É confiar que podemos construir uma relação de amizade infinita e ainda assim amarmo-nos ainda mais. 
Vamos ser crianças toda a vida, pois saberemos dar valor à essência da palavra «amor».
Vamos?
Dá-me a mão! 
Corre! 

10
Dez18

[Ficção] Num sonho meu

Carolina Cruz

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Tremo.
Sinto todo o meu corpo a tremer. 
Merda, preciso de ti, preciso tanto de ti, o meu corpo, a minha alma… És como uma droga que preciso de saciar, uma paixão em que preciso de me enamorar.
Perdoa-me meu amor, não imaginas as saudades que tenho tuas, é quase como morrer a cada dia. Preferia perder a vida, que tentar esquecer-te. Esquecer-te dói e é em vão. Os pensamentos cedem e o corpo esse é um poderoso tecido que não engana ninguém. 
Choro por dentro e por fora tudo se evapora, não quero nem existir se nunca te voltar a ter por perto. 
Quero os teus lábios nos meus, o teu corpo quente sobre o meu peito. 
Já te disse que te amo? Talvez me tenha esquecido enumeras vezes de o fazer, mas não imaginas como o arrependimento me toma. 
Quantas vezes me esqueci de dizer que eras uma quimera, que o teu sorriso brilhava em mim, como sempre foi importante a tua presença.
Pois, eu sei, agora é tarde… Mas… Ouve-me apenas, o meu corpo chora a ausência da tua pele, por isso deixa-me fechar os olhos, dar-te a mão, nem que seja um minuto, num sonho meu.

08
Dez18

[Ficção] Ninguém mais!

Carolina Cruz

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Este beijo, entre as ondas. A tua juventude e a minha poesia. 
Se não fosses tu, nunca teria tido a coragem de fazê-lo, beijar-te assim, como quem pede o mundo. 
Conhecer-te desde que me lembro, é saber que esta é a nossa essência, que por mais pessoas que entrassem nas nossas vidas estávamos destinados um ao outro, tão simples e tão complexo como uma fórmula matemática.
Provo do teu beijo e não tenho medo que nos magoemos, não importa que isto seja uma fase, que o nosso amor não passe de amizade, sei que a vida irá ligar-nos para sempre e sei que um dia, nesta ou noutra vida, serás minha mulher, casar-me-ei contigo, serei pai dos teus filhos.
O louro do teu cabelo, o sorriso nos teus olhos fazem-me o rapaz mais feliz do mundo e é isso apenas que importa: o presente. Podíamos ter escolhido outro amor para este Verão, mas temo-nos um ao outro, sempre foste a minha escolha, a minha companhia preferida. 
E neste mar gélido, o quente chegou ao meu corpo, apetece-me mais, quero mais. 
Posso dizer que te amo? Fica um segredo só nosso.
Aqui, entre a areia e o mar. 
Só nós, ninguém mais.

______________________________

Photo by allssian in "We heart it"

07
Dez18

[Ficção] Queria(-te) tanto!

Carolina Cruz

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Queria tanto saber de ti! 
Meu Deus, que louca que sou! Louca por sorrisos rasgados, felizes e sinceros e é isso que me apaixona em ti.
Não te assustes, não é amor ou paixão platónicos, sabes… sou da opinião que também nos apaixonamos pelas pessoas sem nutrir amor, mas admiração.
É isso, é exatamente isso que sinto, admiro-te e pensas tu “mas tu nem sequer me conheces”, pois não, mas consigo sentir com o coração quem são as pessoas de bem e não. Esses olhos dizem-me tudo!
Não imaginas o quanto me motivas e o quanto me fazes feliz sem saber. Vejo em ti um mistério de sonhos doces. Posso conhecer-te? 
Tenho a certeza de que não me engano, que serás fiel à imagem que tenho de ti.

06
Dez18

[Ficção] Demora-te

Carolina Cruz

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Basta! Não consigo ser mais hipócrita, vivendo uma vida de mentira. Se consegues, palmas para ti, eu abandono aqui o meu caminho. Estou cansada de sorrisos falsos, de permanecer quieta ou de procurar atenção onde ela teima em não existir…
Nunca fui de insistir onde não houvesse realidade, onde não existisse cumplicidade, onde tudo fosse um dever - dever amar, dever existir sem viver, sem sentir realmente. 
Não, para mim basta, não quero este amor se não puder dele beber felicidade, se não puder ele ser o melhor de mim, aquilo que me faz levantar todos os dias e que me inquieta. 
Se tu consegues, fica. Desejo-te o melhor, mas abandono-te, não sou obrigada a ficar onde não quero, onde tu estás sem estar, de onde eu parto, sem pena de não ficar.
Ama-te, isso é o mais importante e por ser tão essencial digo adeus à paixão que já não vivemos, para sentir esse amor-próprio, para amar-me como sempre devia ter feito. 
Vou embora, que a vida corre, há tanto para viver, para sentir, sem me prender à tristeza e ao “que tem que ser”. 
Não tem de ser se já não houver magia. Não tem de ser se for por obrigação, farta de obrigações estou eu!
Faz o mesmo, procura-te onde és feliz, encontra-te e demora-te onde o teu coração deseja ficar.
 
05
Dez18

Sinto-me em casa

Carolina Cruz

Nunca senti que pertencesse a um lugar, mas nos teus braços eu sinto-me em casa. 
Há em ti um sentido de segurança, um conforto tão grande e tão bonito que aprendi que o meu espaço favorito é dentro do teu coração, que o meu lugar mais feliz é ao teu lado. 
Nos teus olhos eu vejo a sensatez, a verdade, a coragem. 
És tudo aquilo que desejei num amor, és a minha realidade feita de sonhos e canções. 
Sem ti, perco o chão, pois levei uma vida inteira a pertencer-te e assim desejo que seja sempre, a amar-te a cada dia mais, a cada segundo mais ainda. 
O meu coração é profundamente grato por todos os sorrisos que me dás, por todas as entregas, por todos os gestos que, eternamente, damos diariamente um ao outro. 
O amor é isso mesmo, ver no coração do outro um sorriso inquieto.

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Fotografia do filme "Amor e outras drogas"

04
Dez18

[Ficção] Recordo-me dos teus olhos

Carolina Cruz

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Recordo-me dos teus olhos, pelos quais me apaixonei. 
Os olhos dizem, são o espelho da alma, e os teus eram tão transparentes, tão bonitos, tão verdadeiros e sorriam. Sorriam tanto. Foi tão fácil apaixonar-me por eles.
Porque é que tinham de fazer isto connosco? Porque tinha a vida de acabar com o teu sorriso? Recordo-me todos os dias de ti, da forma como me amaste, como nos amámos. 
Foi tão importante, tão intenso, tão bonito, que na minha vida e no meu coração não consigo que entre mais ninguém, não quero mais ninguém. Continuo a amar-te como se estivesses vivo e continuo acreditar que, se Deus existe, um dia irei voltar a abraçar-te. 
É isso o amor, não é? Acreditar, acima de tudo. Acreditar que é possível, amar além de todo o universo, além daquilo que nos destrói.
Espero pela minha morte todos os dias para poder encontrar-te. 
Algo me diz que estás desse lado para me dar guarida. Sempre foste o meu refúgio e eu amo-te, tanto que nada nem ninguém irá mudar isso.

 

03
Dez18

[O teu olhar] O amor

Carolina Cruz

O amor está no lugar mais bonito, onde tudo se esconde. O amor está nas pequenas coisas da vida e do dia-a-dia que poucos sabem valorizar. O amor está no olhar mais profundo, na lágrima limpa e seca com um beijo, está simplesmente no abraço e na partilha de tudo aquilo que nos faz ser. Quem não nos ama por aquilo que somos, nunca nos irá amar. É na simplicidade de aceitar o outro que o amor surge. A paixão fala-nos apenas do corpo, o amor fala-nos sobre a alma, sobre os sonhos, daquilo que vive no nosso íntimo, na profundidade dos nossos medos e também das nossas vontades.
O amor abraça, a paixão não dura se for somente isso, o amor dói mas perdura, sente-se na pele, porque vai além da nossa maturidade, talvez até e por vezes além da nossa sensatez, leva-nos por caminhos que um dia dissemos “não vamos por aí” ou até por caminhos que nunca sonhámos um dia. Porém, é aí que a magia acontece e que muitas pessoas não veem, o partilhar cada emoção a dois é mais bonito que sonhar sozinho, porque o amor também tem o poder de criar sonhos e plantar um sorriso nos nossos rostos.

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Fotografia: Mi Rodrigues

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