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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

11
Abr18

[Completas-me] Com a Carolina Franco

Carolina Cruz

Bom dia, sorrisos! 
Pois é, há muito que não fazia esta rúbrica, que eu adoro tanto! Mas está de volta e espero com muitos mais convidados!
Hoje trago-vos um texto a duas mãos forte, daqueles que adoro escrever, que nos deixa inquietos e é tão bom!
Hoje é a simpática Carolina Franco que me acompanha, adorei a sua escrita e foi um prazer escrever com ela. Espero que vocês também gostem!

 

"— Despe-te.
O homem de bigode e cabelo grisalho ordenou, enquanto desapertava a gravata e bebericava o seu whisky. Tremia, como sempre. Há anos que o fazia, mas ao estar na frente de um homem que tinha idade para ser meu avô, continha-me. Tinha medo, todas as noites. Medo que fossem tão brutos a ponto de matarem-me. Não era a primeira vez que acordava num quarto de hospital, depois de dias em coma. Não era a primeira vez que injetavam-me heroína e quase morri de overdose.
— Vá, querida, aproxima-te.
Deixei cair o vestido curto vermelho, no pavimento flutuante que custava mais do que todos os meus serviços, numa semana e sentei-me no seu colo. Desprezava-o. Sentia um nojo imenso. Tresandava a álcool e sexo. Rasgou-me a lingerie e atirou-se juntamente comigo ao chão. Penetrou-me. Arrancou de mim toda a inexistente inocência. Gemia alto. Quando chegou ao clímax parou e retirou aquele pedaço insignificante do meu corpo. Atirou-me duas notas de 20 euros, fechou o zíper das suas calças finas e saiu."

 

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O que eu não faço para ter a minha vida de volta… quanto nojo e sémen há em mim. Ele vai voltar, como voltou tantas noites e eu vomito mal ele sai, queria poder vomitar todo o passado em mim, queria deitar fora todas a minha essência, as minhas entranhas, morrer para voltar a nascer de novo.
Vim para esta vida para ganhar algum, sou uma mulher nova, diziam que eu era bonita, outrora sim eu era, hoje não passo de um trapo que despeja o corpo para se dar a cada diabo que morre por uma boa fornicação e eu que só quero ganhar um vencimento para poder ter o meu filho de volta.
Eu sei que muitos condenam as voltas que a vida dá, a minha escolha, a forma de procurar o meu melhor, mas não fui eu que o escolhi, prometeram-me mundos e fundos, que me davam uma vida melhor noutro país a servir às mesas de gente rica e poderosa, a mesma gente que me lixa e me penetra.
Eu só quero o meu menino de volta, só quero o Guilherme nas minhas mãos e se ele já não me conhecer? Se ele já não me quiser na sua vida?
Tive-o com 16 anos, aos 18 retiraram-mo, arrancaram-mo do colo, mas nunca mo tirarão do coração, do ventre, de cada pedaço do meu corpo, é por ele que me sujeito à morte e se ele não me quiser, eu escolho ficar, escolho a dor, prefiro morrer.

 

 

16
Nov17

[Resenha Literária] Ao teu lado

Carolina Cruz

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"Ao teu lado" é o segundo livro da autora Ana Ribeiro.
Após "Um amor inexplicável", o seu romance de estreia, no qual nos apresenta Ana e Miguel como personagens secundárias, Ana traz-nos neste segundo livro Ana e Miguel como personagens principais, permanecendo no espaço do primeiro livro: a pediatria onde Ana é médica e Miguel voluntário e onde contam a sua história de vida e amor aos meninos internados.
Ana e Miguel criam na infância uma amizade para toda a vida: uma promessa que fazem de mãos dadas.
Esta parte do livro - a infância - com os avós, o campo e o Alentejo, é tremendamente doce, a minha passagem preferida do livro, porque nas recordações de Ana e Miguel eu revejo igualmente memórias do meu avô. Há uma inocência bonita e bem caracterizada. 
Porém, como compete a vida, as personagens principais vão crescendo, alterando o seu percurso, criando sonhos, que consequentemente, trazem mudanças e distâncias às suas vidas e à sua amizade.
O desafio deste livro é questionarmo-nos se poderá uma amizade, mesmo que verdadeira, aguentar firme e forte depois de tantas adversidades. Será?
Um livro puro que se sente que foi escrito de alma e coração e no qual Ana, tal como o poeta aconselha, pôs tudo o que é em cada palavra desta história feliz.

08
Fev17

[Completas-me] com Cátia Madeira

Carolina Cruz

Hoje temos a querida Cátia, do blog "Em busca da felicidade" com um texto a duas mãos que é tudo menos feliz, no entanto, acredito que vos vai apegar do início ao fim. Espero que gostem tanto, como eu gostei desta parceria!

 

"As lágrimas que caem no meu rosto seguem o compasso das ondas que batem fortes na areia da praia. O som que me acalma os pensamentos. O coração. Os sentimentos. Tento acertar o bater do meu coração mas está descontrolado.
A mala a meu lado. Dois tarecos e meio. A saudade cá dentro. O medo de perder quando sei que fui eu que fugi.
Não queria ter virado costas. Pediste que ficasse. Que tudo se resolvia.
Resolvia?
- Às vezes parece que já não nos conhecemos.
- Mas como, se ninguém me conhece melhor que tu?
Como? Se nem eu me conheço como tu sabes o que sou? Como posso achar que já não nos conhecemos.
A minha cabeça. As minha dúvidas. A minha procura pela perfeição.
Não sei se te faço bem. Se sou o melhor para ti.
- És quem eu quero. Deixa-me ser eu a escolher.
Escolhi por ti. Bati a porta e saí.
O caminho não sei como o fiz e dei comigo em frente ao mar. Aquele que me lava a alma. Aquele com que acerto as batidas do meu coração. Aquele que espelha as lágrimas que trago no rosto. Dois mares salgados frente a frente. Um puro, outro ensombrado pela dor de quem escolheu da pior forma. De quem quer voltar atrás mas não tem coragem para isso.
Escolheste vir embora. Agora não podes voltar sem mais nem menos.
A minha mente comanda. O meu coração obedece.

Sinto passos atrás de mim. Como quero que sejas tu. Como quero que me abraces e me digas que tudo vai ficar bem. Que me amas mesmo louca. Que me envolvas nos teus braços. Ponhas o teu casaco sobre os meus ombros e pegues na minha mala.
- Vamos para casa. – dizias – para nossa casa.
E eu ia contigo.
Se me conheces como sei que sabes quem sou, encontras-me aqui. Neste espaço que me acalma as batidas do coração."

 

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Mas não, não eras tu. Nunca serás tu, depois de toda a desilusão que prendi em ti, nunca serei eu de volta ao teu coração. No entanto, no meu coração estarás sempre até ele deixar de bater. Apesar de tudo, amo-te. E o meu coração só deixará de te amar quando tudo terminar.
É isso, é isso mesmo. Quero que ele deixe de bater, já, agora.
As ondas estão revoltas, o mar está bravo, dispo a roupa, tal e qual como gostavas que me despisse para ti, ali estava o meu corpo nu a amar-te como uma louca, como se as ondas fossem a tua cama, como se o mar fosse o meu crematório.
Entrei a medo, a água gelada quebrou o meu corpo quente, naquele inverno frio. Não podia desistir, eu tinha sido fraca toda a vida, mas naquele momento tinha de ser forte, quebrar tudo, quebrar-me a mim. A louca não partira apenas da tua vida, mas do meu corpo também, partira para sempre.
O meu corpo começava a gelar, os meus pés não viam o fundo e eu via o meu fim à vista, estava a conseguir.
Estava prestes a perder os sentidos, quando ouvi uma voz dentro de mim, eras tu, a tua voz doce, que me fazia recuar, mas já não conseguia, os meus olhos já se tinham fechado.
Eras mesmo tu e não uma voz dentro de mim, eras tu que me agarravas, e choravas, só a minha alma te podia ver, o meu corpo já não te podia tocar.
Chegaste tarde demais, e eu parti demasiado cedo. Não devia, desculpa. Hoje choro, mas não serve de nada. Será que se arrependimento matasse, eu voltaria a viver?
Por vezes não entendemos que os nossos atos magoam os outros. Eu marquei-te e magoei-te para a vida toda, deixando partir a minha.
Sei que esse teu corpo é só apenas uma miragem, porque também desejas partir nesse mar, mas pensa em mim, e sempre que quiseres, se isso te liberta, vem lembrar-me, encontra-me aqui, talvez um dia quando houver pozinhos mágicos, eu possa voltar.

  

18
Jan17

[Completas-me] com a Simple Girl

Carolina Cruz

A Simple Girl é uma rapariga extraordinária, fala-nos de sentimentos que nos enchem de vida, e como ela tem dito e revê-se no seu nome, o seu blog é uma simplicidade de desabafos, mas tal como ela eu venero a simplicidade das coisas, e tal como ela acredito que é isso que nos faz felizes. O texto que ela partilha connosco hoje expressa um amor que nunca morre: a amizade. Foi um texto que adorei tanto e que completei de forma tão certa, que nem parece escrito a duas mãos. Querem conferir?

 

"A vida nunca é como queremos ou como planeamos, e aquilo que mais queremos só vai acontecer quando menos esperarmos. Mas às vezes também nos acontecem coisas que não esperávamos e que mais valia não terem acontecido. E uma delas foi o sentimento que criei por ti. Não falo da amizade, que é verdadeira entre nós e em que só nós sabemos como lidar um com o outro. Falo sim desse sentimento que nos faz suspirar, ter borboletas na barriga, que nos assola o coração e que se chama “amor”. Não estava nos meus planos nem muito menos esperava que alguém entrasse na minha vida como tu o fizeste: de repente e apanhando-me completamente desprevenida.
Há coisas que não conseguimos entender e há coisas que não conseguimos explicar. E uma dessas coisas é o amor que sinto por ti, que apareceu do nada, sem eu querer e sem estar minimamente preparada. Ninguém sabe o quanto sofri sozinha ao esconder este sentimento de toda a gente. E porquê? Porque não consigo entender porque é que me apaixonei por ti sabendo de antemão que nunca passaríamos de amizade, porque não consigo explicar o quanto gosto de ti sabendo que não posso gostar desta forma, não além de amigo. Não consigo explicar a ninguém (e não tinha que o fazer) nem entender o como e o porquê de termos a intimidade e a cumplicidade que temos. Nem a mim própria consigo explicar como é que tudo isto aconteceu, como me deixei apaixonar por ti sabendo que isso não podia acontecer.
Mas é sabido que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e graças a esse amigo de todas as horas, o tempo, consegui começar a desapegar-me de ti. Não de uma forma total, mas aos poucos, com calma e gradualmente. Tu que entravas sempre pelo meu pensamento quando não devias agora já não entras tantas vezes. Tu que fazias o meu coração acelerar cada vez que te via, que me aproximava de ti, ou quando simplesmente recebia uma mensagem tua, agora já não o fazes tantas vezes como antes. Talvez tudo isto se deva mesmo ao tempo que cura tudo, ou à distância que nos separa fisicamente pois diz o ditado que "o que os olhos não veem, o coração não sente".
Quando me disseste que não sentias o mesmo que eu, podia ter ficado profundamente afectada. Mas não. Claro que fiquei triste por uns momentos, mas depois recuperei porque independentemente disso tens cumprido a promessa que me fizeste e nada mudou na nossa amizade. Segui em frente e apesar de tudo estou-te muito agradecida por..."

 

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Acreditares que posso seguir em frente, contigo a meu lado. Que embora não seja tua namorada, possa continuar ser a tua melhor amiga.
Eu sei e sei bem, que o tempo curou tudo, mas não sei se é apenas acomodação ao saber o que sentes por mim, porque, na verdade, eu questionei-me muitas vezes se a indiferença do meu pensamento em ti esmorecerá quando tu encontrares alguém e se o fizeres antes de mim.
Há uma parte de mim que dirá que ficarei feliz por ti, que vou querer conhecê-la, que quero que ela te faça muito feliz, porque bem mereces. No entanto, a outra parte, essa parte que o meu coração omite, talvez terá ciúmes, talvez quererá estar no lugar dessa rapariga, talvez chore, talvez sorria para esconder essa mesma tristeza.
Até lá não quero pensar, nem em ti, nem em ninguém, quero esperar que o tempo, esse mesmo que me tem curado, me faça encontrar alguém que possa retribuir esse amor que sentira (que talvez ainda sinta), aquele que nos faz levantar de manhã e agradecer não existir mais ninguém. Talvez quem sabe o destino não nos troque as voltas e nos diga que fomos feitos um para o outro, e se assim for estará escrito, se não for não tinha de acontecer. Disso não tenho certezas, porque só há uma certeza que tenho na vida, ter-te é a minha condição de liberdade e em ter-te, ainda que nesta cumplicidade de apenas amigos, eu sou feliz. Tenho a certeza que essa felicidade nunca terminará, que a nossa amizade será para sempre, venha o que vier.

30
Nov16

[Completas-me] Com a Liz

Carolina Cruz

Hoje trago comigo, para uma escrita a duas mãos, a simpática Liz. Se não sabem quem é a Liz, acho que deviam tratar disso, porque é um amorzinho, das pessoas mais simpáticas que eu conheço pela blogosfera. Tratem de espreitar o seu cantinho "find equilibrium".
Quanto à história que nos apresenta é mesmo a sua forma de ser - doce - vamos conhecer? 'Bora lá então!

 

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"Hoje a cidade estava movimentada. Era dia de mercado pelas ruas e avenidas até ao final da noite. A minha rotina não tinha mudado muito, acordo, corro para o banho e tirei do guarda-roupa um vestido branco com florzinhas azuis, tomo o meu belíssimo pequeno-almoço de domingo e coloco Etta James no aparelho.
Não sei porquê, hoje em especial sentia-me bem. A minha alma estava fresca, o cabelo leve e apetecia-me abraçar o mundo. Estava indecisa o que iria fazer hoje. Arrumei a mala, coloquei a máquina fotográfica na mala, iPod e os fones. Telefonei a uma amiga e ainda demorou a atender. Só apenas à terceira tentativa reforcei que estava a precisar de sair de casa e divertir-me com ela.  
Fomos ao jardim secreto perto do rio, apanhamos rãs e vimos as libélulas a pousar nos arbustos. Saquei logo a máquina fotográfica e deixei a imaginação fluir. O sorriso e a boa disposição da minha amiga é contagiante, colocou ideias divertidas, nela, em mim, no espaço onde nos encontramos. A sensação desta companhia é tornar os momentos inesquecíveis, saber que nunca estamos e nem podemos nos sentir sozinhos na vida
O almoço foi delicioso, as fantásticas sanduiches, o sumo natural de manga e maracujá e o cheesecake de framboesa estava genial. Nunca saboreei desta maneira, cada toque amargo, doce, salgado e consistente de uma trinca. Vi o tempo passar fugazmente e a minha amiga teve que me abandonar e com muita pena minha, fui ao mercado sozinha.
Direcionei-me para os CD’s e livros. Estava pouca gente naquela banca, embora achasse estranho, podia estar a descobrir novos e antigos artigos à vontade. Os preços eram convidativos e Beatles estavam a olhar para mim. Num movimento rápido, virei-me para ir pagar e vejo um homem alto, moreno, vestido de branco e ganga e veio contra mim. As clavículas era familiares, a estrutura do rosto e o olhar. Reencontrei um amor perdido.
Cumprimentou-me, e eu envergonhada retribui com um beijo na cara. Foi o beijo mais singular que já lhe dei, as bocas já se encontraram mas não vejo voltar a acontecer. Insistiu em saber como estava, ofereceu-me o CD e um convite para um café. Já desesperava por um café mas com ele, não sabia como me sentir.
As pernas tremiam, estava ansiosa e gaguejava nas palavras. Ele punha-me nervosa, depois de um ano desencontrado. Nunca mais o procurei. Abandonou-me com um bilhete, fiquei magoada e houve alturas que me revoltava com os meus pensamentos. Não sabia o porquê mas também não tencionava tocar no assunto. A conversa estava simpática e não queria estragar tudo. Acabou o mestrado recentemente em Economia e Administração de Empresas, mudou de cidade, tem um novo projeto que ainda não quis contar e encontrava-se numas mini férias.
Já estava a anoitecer e as luzes pequeninas e brancas iluminaram o mercado, pareciam estrelas maiores que se encontravam por cima de nós, como um céu mais próximo. Caminhávamos enquanto conversávamos e eu gostei disso, fez-me recordar os momentos que vivemos juntos. Ele pára, coloca-se à minha frente, e eu bem mais pequena que ele, olhava para os olhos dele..."

 

E não resistimos de novo, um ao outro, como da primeira vez. Os seus ombros largos abraçavam o meu pequeno e esguio tronco. Abraçá-lo foi respirar os velhos tempos e beijá-lo foi acreditar que todos nós podemos perdoar o nosso passado.
- Desculpa. – Disse-lhe.
Ele sorriu.
- Não precisas de te desculpar. Eu também o quis. Posso ter tido muitos problemas naquela altura, posso ter sido uma besta, posso não ter querido ter-te desta forma, esquivei-me aos sentimentos mais sérios e feri os teus. Mas movi mundos e fundos para te reencontrar, aquele encontrão foi uma desculpa para te voltar a ter nos meus braços. Danças?
- Aqui, na rua? 
- Porque não? Esqueceste-te como olhávamos o céu e imaginávamos todas as estrelas como se fossem o brilhar de uma pista?

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- Como memória dos velhos tempos… Aceito. – E sorri. O meu sorriso reviveu tudo de outrora, como se eu tivesse entrado numa máquina do tempo.
Encostei a minha cara ao seu ombro e uma lágrima escorreu-me pelo rosto. Não contive emocionar-me, mesmo sem querer, mesmo sem saber como, aceitei-o de volta, ele colou todos os pedacinhos partidos do meu coração.
Ambos errámos, fomos incorretos um com o outro, mas hoje, hoje se tornou certo e certeza. Não havia tempo, não havia memória, não havia mundo lá fora. Apenas o nosso, apenas nós dois, de novo, um com o outro, um para outro.
Ficámos em silêncio, como se esse silêncio dissesse tudo.
- É acreditável como sempre soube que eras a mulher da minha vida. – Disse ele, por fim, pude olhá-lo nos olhos, nos seus olhos que também choravam, esses olhos que perdoei por amar tanto. – Eu cresci, hoje sei tomar conta das minhas responsabilidades. Saberei tomar conta desse sorriso também.
Olhei para a minha vida de trás para a frente, olhei para aquela manhã de sorriso posto ao acordar, decerto era o meu coração a imaginar este fim de dia, esta história de amor, este começo de uma nova etapa.
E sim, esqueçam essa parte do “viveram felizes para sempre”, porque histórias de amor verdadeiro nunca terminam.

10
Ago16

[Completas-me ] com Andreia Morais

Carolina Cruz

Hoje abri as gavetas da casa encantada da Andreia e consegui (estou muito contente por isso!) que ela partilhasse connosco as suas palavras (mais uma vez fantásticas!), vamos lá lê-las:

 

«Quando entrei desesperada pelo quarto do hospital, guiada pelo barulho das máquinas, senti um baque forte no peito, como se me estivessem a arrancar o coração a frio. Senti o meu corpo a gelar, as pernas a ceder de nervos e as lágrimas a inundarem-me o rosto. O teu coração parara de bater, de vez, apesar de tantas vezes ter pedido para que não o permitisses, e a linha presente na máquina que se encontrava ao pé da tua cama era contínua e fazia um barulho insuportável, que me arrancava mais um pedaço de mim.
Morri por dentro como tu acabaras de morrer, mas a grande diferença é que eu ainda estava de pé e saudável, só precisava de recuperar do choque, já tu acabavas de partir para um lugar de onde não sei morada para te escrever, de onde não terei noticias tuas e onde não te poderei ir visitar, pelo menos por agora. Só me resta esperar que te transformes numa pequena e brilhante estrela, que te posiciones no céu em frente à minha casa e que olhes por mim, pois eu cuidarei de ti da única forma que ainda consigo: amando-te para sempre!

No último ano, a minha vida foi uma autêntica correria…»

 

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Tornei-me na mulher que eu sei que terás todo o orgulho. Fui atrás de todos os sonhos que ficaram pendurados desde que adoeceste. Escrevi sobre ti, falei sobre nós. Dei cor às palavras dos teus momentos mais cinzentos, dei sorrisos à tua dor e uma mensagem especial dando outro sentido a tudo o que acontecera contigo.
Dei a volta ao mundo, para dar esperança a todas as crianças que também perderam a coragem de viver, tu foste forte até ao fim do teu fim, até a cada segundo dessa tua breve vida.
Quero que o meu filho viva no coração de cada mãe que ajudo, de cada jovem que dou esperança. Eu posso não te ter aqui, mas trago-te sempre no meu regaço, onde escrevo o teu amor no meu peito. Sempre foste meu, sempre serás. Não morreste, morremos, mas ainda sobrevivo, com esta força que arranjei para respirar.
Se pudesse morreria contigo, em vez de ti, mas hoje sei que não é possível fazê-lo, que Deus quis tornar-te num anjo e eu o teu mensageiro.
Amo-te, na doçura de um abraço eterno, meu amor maior.

27
Jul16

[Completas-me] com Daniela Barreira

Carolina Cruz

Hoje vamos brindar à menina dos abraços, a nossa querida Daniela, que é um ser humano extraordinário, que nos escreveu este texto para eu completar... espero que gostem do resultado!

 

“Tu não és a minha pessoa. por mais que eu deixe os teus olhos pousarem em mim, em tudo o que sou, por fora e por dentro. por mais que eu me deixe olhar por ti e te olhe também, em segredo. tu não és a minha pessoa. por mais que eu deixe as tuas mãos percorrerem-me os sentidos num arrepio. por mais que eu me deixe ser puxada para ti e te puxe também, em segredo. tu não és a minha pessoa. por mais que eu deixe os teus braços resgatar-me inteira, sem volta a dar. por mais que eu me deixe abraçar até à alma e te abrace assim também, em segredo. tu não és a minha pessoa. por mais que eu deixe a tua respiração tatuar-se em mim. por mais que eu me deixe saber a ti e te deixe saber a mim também, em segredo. tu não és a minha pessoa. por mais que eu deixe que me entres no coração. por mais que eu me deixe invadir por ti e te invada também, em segredo. tu não és a minha pessoa. por mais que, um dia, possas querer fazer-me sentir que o és. mesmo sem querer. tu não és a minha pessoa. é que, por mais que os teus olhos me descubram, as tuas mãos me puxem, os teus braços me resgatem, a tua respiração me viva e tu me invadas o coração, tu não sabes que há pedacinhos do meu coração que tu (já) não vais encontrar."

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Porque, na verdade, tu ocupaste um buraquinho que não está totalmente curado, o meu coração ainda não está completo, creio que a partir do momento em que vi morrer meu amor, desde a hora exata da sua última respiração eu não serei mais a mesma, não amarei mais, nem tanto, nem igual ao amor de outrora. Não te pertencerei realmente, não me pertencerás totalmente.
Quero dizer-to. Não quero mentir-te, nem omitir-to. Desculpa, mas ele levou o verdadeiro sentido da lealdade quando partiu, quando falo em ser leal falo em amar por inteiro. Eu já não sei amar-te assim. Não sei, lamento.
Gosto de ti, e muito! De todo o carinho que me dás, da atenção que me dás, do beijo na testa, quando perguntas se está tudo bem, se correu bem o dia.
Peço-te que compreendas, que não és a minha pessoa, que ele foi e o meu coração não deixa que mais alguém o volte a ser. Só a ele pertencerá por completo.
Lamento.

13
Jul16

# Completas-me 7 - com Daniela Marinho

Carolina Cruz

Vamos a mais um texto a duas mãos, especial, bonito que me fez procurar a criatividade ao máximo, como a Daniela faz em todos os seus textos e fotografias, ainda não conhecem? Então visitem "Um dia depois do ano passado" e leiam a nossa história.

 

"Ser gargalhada quando um só sorriso não basta. Ser coragem quando só a vontade não chega. Ser o ir quando o partir se aproxima. Ser o pedaço quando o inteiro é pouco. Ser o vazio porque o copo transborda. Ser a liberdade que nem o espaço permite. Ser o pouco que o "tampouco" não alcança. A espera que não desespera. O futuro que não se atormenta do passado. A casa que habita no miocárdio e aconchega cada ser que faz ter o tempo a seus pés."

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E eu tenho o mundo a teus pés.
Não posso mais, eu não aguento, não posso viver sem ti. Estou cansada de mentir, para mim, para ti, de omitir para os outros, de te querer, sabendo que quero e que me queres. E eu sei que quero um compromisso, que te quero para mim, assumi-lo com todos os detalhes, porque se nasceu amor não é vergonha, é certeza, acontece.
Sei que não queres essa vida que levas, que essa relação já não é para ti, que ela te magoa sob a sua perpétua indiferença e te transporta para o mais cruel dos submundos nesses ciúmes que te aprisiona.
Isso não é amor, e ela não sabe pertencer-te, acha que essas atitudes te fazem só dela, mas eu sei que te afastam e que esse amor morreu no teu coração, pois é a mim que ele pertence.
Por favor, avança, não fiques nesse impasse, mostra que tenho razão, mostra que queres ser meu. E peço-te, fica. Para sempre.

08
Jul16

[Completas-me] Com o Principezinho

Carolina Cruz

Olá meus queridos! Hoje trago-vos o nosso querido e romântico Principezinho para nos trazer uma história sobre os valores morais e materiais, que na minha opinião são os primeiros que realmente merecem a nossa atenção. 
Se concordam, vou adorar o texto feito por nós os dois:

 

"Tiago não dormiu em toda a noite. No dia seguinte era o aniversário do grande amor da vida dele. Tinham-se passado já 10 anos desde que tudo terminou entre os dois mas ele continuava a sentir Sofia bem perto dele. 
Ela continuava no seu coração. Viva e bem real. Todos os dias pensava nela. Acompanhava pela imprensa todos os passos que ela dava. Escrevia-lhe todas as noites num diário. Um diário cheio de cartas de amor que provavelmente ela nunca chegaria a ler, pensava ele.
Viveram uma paixão louca e desmedida. Eram um só. Ela costumava dizer-lhe: “aconteça o que acontecer, o nosso amor é eterno e nunca morrerá”. Dizia-o com aqueles brilhantes olhos castanhos que ele tanto amava. Viviam um para o outro. Partilhavam tudo. Compreendiam-se e entendiam-se como ninguém. Eram felizes os dois e nada mais importava. 
Mas, um dia, a vida que os juntou, também os separou. Ele nunca mais se esqueceu daquele Verão que ela foi passar ao Mónaco com uma amiga. Quando voltou, Sofia veio diferente. Para ela, o amor que Tiago lhe dedicava já não lhe bastava. Ela queria uma mansão com piscina, um carro descapotável, um iate e um marido rico que a amasse. Tudo o que Tiago não tinha, nem era. Tiago apenas tinha amor para lhe dar. Nada mais. 
- Tiago, vou viver para o Mónaco.  – Dissera-lhe Sofia com o coração apertado.
- Para o Mónaco? Gostaste mesmo das férias, não foi, paixão? Mas tu és a pessoa mais importante para mim. Amo Portugal, mas vou contigo. Nunca te deixarei sozinha.
- Não estás a perceber Tiago…eu amo-te…mas nesta altura preciso de mais…preciso de coisas que tu não me podes dar.
As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Tiago. Mas ele não conseguia desistir do amor da sua vida.
- O que precisas Sofia? Eu dou-te tudo o que tu quiseres. Eu amo-te. Como nunca amei ninguém em toda a minha vida. E sei como te fazer verdadeiramente feliz. 
- Tiago…esquece-me…esquece-nos…guarda o nosso amor num lugar bem especial no teu coração e tenta ser feliz. Eu vou fazer o mesmo. 
Ela partiu para o Mónaco, casou com um homem rico e famoso e nunca mais se viram nem contactaram. 
Passados todos estes anos, ele nunca a esqueceu. Nessa manhã, cansado de andar às voltas na cama, saiu cedo para ir ao café. Ao passar pelo quiosque reparou numa fotografia de família de Sofia numa revista. Pegou na revista e comprou-a. 
Enquanto tomava café não tirou os olhos daquelas fotografias. Sofia sorria e parecia feliz. Mas aquele não era o sorriso que ele conhecia. Havia nele algo de artificial. O seu olhar já não tinha aquele brilho inconfundível de quem está verdadeiramente feliz e apaixonado. Tiago conhecia Sofia como a palma da sua mão e desejou profundamente estar enganado. Amava-a incondicionalmente e desejava que ela fosse verdadeira e profundamente feliz, com ele ou sem ele. 
Mais abaixo leu que na próxima semana Sofia e o marido iriam passar a próxima semana de férias em Lisboa. Tão perto e tão longe um do outro. O coração de Tiago encheu-se de uma emoção muito forte. Não sabia o que fazer nem o que pensar..."

 

principezinho.pngTiago era humilde, sempre fora, o que em tempos atraíra Sofia, hoje enjoava-a. Tinha-se tornado rica e repugnante.
Ele estava a trabalhar num restaurante muito requintado na baixa de Lisboa, era como há muito não tinha sido bem pago, ou pelo menos mais do que outrora.
O seu coração acelerou quando a viu entrar com a sua família, o mesmo olhar permanecia, o corpo que tanto desejara não mudara com os anos, já o feitio e a formação deixaram Tiago em baixo, fazendo-o acreditar que a partir daquele dia ele a iria esquecer para sempre, ela não merecia que ele pensasse demais e ele merecia ser feliz.
Nesse dia, em que se reencontraram, ele soube que ela o tinha reconhecido, ele estava na mesma, mas estava também invisível aos seus olhos que só de mania se pintavam.
As lágrimas molhavam-lhe os olhos.
- Sofia. – Disse inocentemente, tentando cumprimenta-la.
- Bom dia, já escolhemos. – O seu sorriso era cínico, se ela não estava feliz, também não queria mudar ou então era muito boa atriz.
Tiago paralisou, mas não se rebaixou, já tinha sofrido demais por ela. Já bastava.
- Sim, senhora. Um momento.
No final do almoço, nem uma palavra lhe disse, nem uma mensagem após o reconhecer.
No entanto depois de alguns anos, quando Tiago tinha já a sua vida completa e refeita, onde nos olhos de Alice completara os pedaços destruídos do seu coração, recebeu uma mensagem de Sofia. Há muito que não procurava saber dela, evitava ler as revistas ou conhecer notícias sobre si, mas aquela tinha chegado até ele sem pedir.

 

“Querido Tiago, perdoa-me tudo o que fui para ti, melhor dizer tudo o que não fui.
O meu marido traiu-me e hoje vivo numa casa com os meus filhos, mas um vazio completa-me, não foi isto que eu sonhei, não é isto que quero.
Perdoa-me”

 

Tiago leu a mensagem calmamente e naquele momento era ele quem sorria de forma irónica.
- Que foi querido? – Perguntou Alice.
- Nada meu amor. – Disse dando-lhe um beijo na testa.

O amor vive-se nas mais pequenas coisas. O gesto mais pequenino é aquele que ao ser grande bate no peito com força, que nos marca. Não são as coisas que se podem comprar que nos trazem a felicidade. A verdade é que “quem tudo quer, tudo perde”, Sofia não perdeu tudo, mas perdeu o essencial, aquilo que para si poderia ter sido tudo: o amor verdadeiro.

29
Jun16

[Completas-me] Com Plutão

Carolina Cruz

Hoje, o "Completas-me" é com Plutão, do blog muito especial Um dia em Plutão que de forma brilhante nos fala com o coração, sobretudo sobre o amor. Se não conhecem, façam-no, vale a pena, assim como a leitura deste texto escrito a duas mãos:

 

"Sophie estava de visita a Portugal, a primeira desde há meio ano que partira para Paris. Conseguiu iniciar a especialidade que sempre quisera, cardiologia, desde sempre que gostava de cuidar dos corações dos outros, já o seu ficara sem tratamento. Foi após ter tomado tal decisão que conheceu Afonso, o rapaz que lhe deixara o coração palpitante. Sophie não desistiu da ideia, queria aproveitar a oportunidade profissional, mas o seu coração viajou apertado sabendo que deixara para trás uma história de amor. Eles pareciam perfeitos um para o outro, mas conheceram-se no momento errado. Sophie estava de volta e com certeza que se cruzaria com Afonso nalgum lugar comum ou por algum amigo em comum. Ansiava o reencontro, seis meses fora não apagaram o sentimento por Afonso, no entanto tanta coisa parecia ter mudado."

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Ele estava diferente, parecia que a tinha esquecido, que tinha outra pessoa no seu lugar, enquanto Sophie nunca ocupara o coração, só tratara o dos outros.
Encontraram-se no bar onde iam todas as noites antes de partir e onde o seu grupo de amigos ainda se juntava. António levara a irmã, Sophie, até eles. O grupo estava animado a conversar. Quando viram Sophie fizeram uma enorme festa, à exceção de duas pessoas que de mãos dadas marcavam o seu amor. Afonso e Ana, uma das melhores amigas de Sophie.
“Vergonhoso” pensou, não lhe disseram nada até ao momento, ela merecia uma explicação, mas depois de os ver só lhe apetecia partir de novo para Paris, já tinha visto que cheguasse.
Sem cumprimentar os amigos decentemente, sem pensar, correu para fora do bar e um mau ambiente ficara no ar.
Lá fora chovia como se o mundo fosse desabar e em parte Sophie acreditava que o seu já estava sido derrubado.
Ao perceber a sua atitude, Afonso largando a mão de Ana correra até Sophie.
- Basta! – Disse ele quando a viu, a chorar por entre a chuva, também ele começara a chorar. – Foste tu que quebraste o nosso contacto, que disseste para seguir com a minha vida.
- Sim, desejosa de que quebrasses essa minha vontade de não te querer magoar, desejosa de que dissesses não, que superavamos tudo até a distância.
- Foste egoísta.
- Fui, mas porque te amava, porque não queria que sofresses tanto quanto na despedida.
- Para mim nunca fora uma despedida, era apenas um até já, mas tu quebraste-o...
- Quebrámos os dois..
- Quebraste-me.
- Tanto quanto voltar e ver-te com uma das minhas melhores amigas. Sinto-me traída. Eu merecia uma explicação, eu merecia uma palavra. Sabes quantas noites fiquei sem dormir? A sonhar que voltavas a entrelaçar a minha mão? Tantas. Estupidamente adormecia abraçada a mim própria, fechando os olhos e imaginando seres tu. E voltar e ver-te noutras mãos, é despedaçar-me a esperança que ainda estava em parte completa.
Ele queria tocar-lhe, entrelaçar as suas mãos nas dela, dizer que não estava certo, que ambos tinham sido egoístas, que ele não amava Ana, que apenas via nela o espelho de Sophie.
Eis que o seu choro intensificou, e perante o seu choro, Afonso correu até Sophie e beijou-a como se de um filme se tratasse. Nada mais importava, quem deixavam para trás, as histórias mal contadas, o egoísmo, a dor, a traição que era apenas fruto do tempo.
Apenas o amor permanecia, naquele momento em que as lágrimas se juntaram num só corpo à chuva, milhares de histórias foram recontadas e o amor voltou a florescer junto dos desejos eternos de viver um dia de cada vez, porque a pior distância é a de um coração partido.

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