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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

11
Abr18

[Completas-me] Com a Carolina Franco

Carolina Cruz

Bom dia, sorrisos! 
Pois é, há muito que não fazia esta rúbrica, que eu adoro tanto! Mas está de volta e espero com muitos mais convidados!
Hoje trago-vos um texto a duas mãos forte, daqueles que adoro escrever, que nos deixa inquietos e é tão bom!
Hoje é a simpática Carolina Franco que me acompanha, adorei a sua escrita e foi um prazer escrever com ela. Espero que vocês também gostem!

 

"— Despe-te.
O homem de bigode e cabelo grisalho ordenou, enquanto desapertava a gravata e bebericava o seu whisky. Tremia, como sempre. Há anos que o fazia, mas ao estar na frente de um homem que tinha idade para ser meu avô, continha-me. Tinha medo, todas as noites. Medo que fossem tão brutos a ponto de matarem-me. Não era a primeira vez que acordava num quarto de hospital, depois de dias em coma. Não era a primeira vez que injetavam-me heroína e quase morri de overdose.
— Vá, querida, aproxima-te.
Deixei cair o vestido curto vermelho, no pavimento flutuante que custava mais do que todos os meus serviços, numa semana e sentei-me no seu colo. Desprezava-o. Sentia um nojo imenso. Tresandava a álcool e sexo. Rasgou-me a lingerie e atirou-se juntamente comigo ao chão. Penetrou-me. Arrancou de mim toda a inexistente inocência. Gemia alto. Quando chegou ao clímax parou e retirou aquele pedaço insignificante do meu corpo. Atirou-me duas notas de 20 euros, fechou o zíper das suas calças finas e saiu."

 

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O que eu não faço para ter a minha vida de volta… quanto nojo e sémen há em mim. Ele vai voltar, como voltou tantas noites e eu vomito mal ele sai, queria poder vomitar todo o passado em mim, queria deitar fora todas a minha essência, as minhas entranhas, morrer para voltar a nascer de novo.
Vim para esta vida para ganhar algum, sou uma mulher nova, diziam que eu era bonita, outrora sim eu era, hoje não passo de um trapo que despeja o corpo para se dar a cada diabo que morre por uma boa fornicação e eu que só quero ganhar um vencimento para poder ter o meu filho de volta.
Eu sei que muitos condenam as voltas que a vida dá, a minha escolha, a forma de procurar o meu melhor, mas não fui eu que o escolhi, prometeram-me mundos e fundos, que me davam uma vida melhor noutro país a servir às mesas de gente rica e poderosa, a mesma gente que me lixa e me penetra.
Eu só quero o meu menino de volta, só quero o Guilherme nas minhas mãos e se ele já não me conhecer? Se ele já não me quiser na sua vida?
Tive-o com 16 anos, aos 18 retiraram-mo, arrancaram-mo do colo, mas nunca mo tirarão do coração, do ventre, de cada pedaço do meu corpo, é por ele que me sujeito à morte e se ele não me quiser, eu escolho ficar, escolho a dor, prefiro morrer.

 

 

04
Fev18

[Completas-me] mais uma vez com a Sofia Alves Cardoso

Carolina Cruz

Pois é, cá estamos de novo. Este "Completas-me" não é um "completas-me" qualquer. Este vem a pedido de muitas pessoas que após lerem o texto da semana passada (a meias com a Sofia) pedirão que repetissemos a dose, e cá está mais um texto a duas mãos. Desta vez comecei eu! Espero que gostem!

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Revejo-me nos teus olhos a chorar e é tão bom! Adoro ver-te assim, inundada de dor… depois de me matares por dentro, me traíres, de voltares para aquele cabrão que te amou sem dor, feito de sorrisos e cenas pirosas, como o amor deve ser, lamechas… como tu gostavas que eu tivesse sido nos dois anos que estivemos juntos. Sempre me mentiste não foi? Sempre o quiseste de volta, não foi minha querida? Hoje, amarrada à minha cama, pedes compaixão. E essa dor com que me devoraste o peito quando para ele voltaste, achas que não doeu? Foste fraca, cedeste a todos os seus caprichos, agora vais ceder aos meus, vais amar-me, ainda que contrariada, vais amar-me e vou lixar-te a vida. Vou mostrar-te como dói o amor que sinto… Vai doer sem compaixão, vou amar sem medos de te magoar. Tu sabes como é… Não é meu amor? Revejo-me nos teus olhos a chorar, na tua boca a gemer, no teu sangue do nariz a escorrer. O que quero de ti afinal? "Não faças perguntas tontas! Tu bem sabes o que eu quero de ti. Quero aquilo que tu nunca me deste: amor. E não quero um amor qualquer, quero o teu amor assolapado, quero o melhor de ti, como se não existisse nada maior neste mundo. Quero que me ames até aos confins do planeta e que te dês a mim completamente. É pedir muito? É pedir muito que me agarres e me abraces, amparando os meus brados e os meus medos? Tu nunca me amaste, pois não? Nunca sentiste um laivo de amor por mim e enganaste-me, mantendo-me aos teus pés. E para quê? Para eu me sentir uma marioneta nas tuas teias inquebráveis? 
Revejo-me nos teus olhos a chorar e é tão bom… É tão bom ver-te como eu me vi há anos, e como me vejo agora. Porque nada disto amaina a minha alma e cala os meus pensamentos ruminantes. Por que é tão difícil? Pensei que provocar-te dor me saberia como água após dias num deserto. Mas não. Toma a faca. Faz o que quiseres."

24
Jan18

[Completas-me] com Sofia Alves Cardoso

Carolina Cruz

Bom dia, queridos sorrisos. Hoje tenho um prazer imenso de apresentar o "completas-me" com uma pessoa que admiro muito, não só pela sua escrita, mas como pessoa. Adoro a Sofia e vocês também vão adorar, basta acederem à sua página: Sofia Alves Cardoso
O nosso texto, feito a duas mãos, foi mesmo desafiante, espero que gostem: 
 

"Pela enésima vez, relato a minha história. Dissimulo que a chaga não dói e que sou a mais forte das mulheres. O doutor sabe. É um homem de estudos, não obstante eu não confiar em homens há já muito tempo, mas o doutor sabe do que precisa e se eu tiver de rasgar o meu peito e dissolver a minha essência, fá-lo-ei. É assim que vocês fazem as coisas, não é? Reavivando memórias que gostaríamos de manter trancadas a sete chaves. Mas é o seu emprego doutor, eu entendo isso. Não se culpe. Por muitos anos fui uma mulher tola. Mas o meu tempo não é o do doutor. O senhor é uma pessoa formada, com estudos, e conhecedor de leis. Eu não era, nem sou, uma pessoa de muitos conhecimentos e a minha vida foi voltada para a obediência. Eu não era mais que um cãozinho adestrado. Emília, vai ali. Emília, não faças isso. Emília, vais apanhar uma tareia se não fizeres aquilo. O que acha, doutor? Não tenho razão? A questão é o hábito. Novamente, tal como um cãozinho adestrado a minha vida era uma rotina de obediência cega e muda. Porque, naquele tempo doutor, o conhecimento era uma arma mortífera e só os homens tinham acesso, mas isso o senhor sabe. E eu lia muito, na calada da noite, depois do meu pai ter feito o servicinho dele comigo e com as minhas irmãs. E sabia que tudo estava tão errado… A minha irmã mais velha morreu quando eu tinha catorze anos. Ela tinha dezanove. Arranjou um namoradito que o meu pai tratou de assassinar na noite de 13 de Maio, porque, dizia ele, que nós éramos dele. A minha irmã foi enterrada no dia 15 de Maio desse mesmo ano. Juntamente com a sua infância roubada. E eu e a minha irmã Casimira vivemos com a sua fúria mais uns quantos anos até que decidimos contar o que se passava. Doutor, você sabe que naquele tempo não tínhamos o mesmo conhecimento como agora e, por isso, decidimos que na confissão iríamos relatar o que se tinha sucedido. Mas sabe o que recebemos? Uma alta gargalhada que ecoou em toda a igreja. Era impossível que o nosso pai, um devoto cristão que pagava os seus deveres atempadamente, fosse capaz de tal, acusando-nos ainda de almas tolas e devassas cujo perdão deveria ser solicitado junto do Altíssimo. Diga-me, doutor, onde reina a hipocrisia?"

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O meu pai, poderoso homem de simpatia, renegado aparentemente aos desígnios de Deus, desde a morte da nossa mãe, não passou de um completo monstro que matei com as minhas próprias mãos e embora tenha sido em legítima defesa todo a minha alma se remói e se mata desde esse fim de tarde de sol, em que mais uma vez e sem pedir autorização, o meu corpo foi usado e penetrado, com as suas mãos sujas, pela mesma carne e esperma que me fizera nascer, sinceramente preferia nem ter existido. Para não se ser nada, para que é que vale a pena existir? 
Fomos mulheres e nem mulheres fomos, a minha irmã mais velha morreu com um filho no ventre, um filho seu, um irmão nosso... Diga-me, olhe-me nos olhos, veja a sua transparência, o seu vazio, o nada que sou. O que ganhava eu, que sempre amei o meu pai além de todo o ódio, vir dizer em praça pública que ele era o estrume da nossa existência? 
Não há nada mais doloroso do que viver e não se ser nada. E creio que dentro do meu desespero por não nada ser, eu consegui ser o suficiente, amar-me o suficiente, para acabar primeiro com o meu pai do que comigo. 
Agora que posso confiar no doutor. Agora que contei mais uma vez a minha história. Depois de 25 anos a viver na miséria, a ser um pedaço de carne morta ao serviço promíscuo do meu progenitor, eu quero partir, quero ter a força de seguir em frente, de começar se possível uma nova vida. Sei que será difícil nestes meses em que não me posso ausentar do país, mas onde fui todos estes anos? O que vivi? Nada, existi, por isso viver será um começo, enquanto suspiro e sinto o vento no meu rosto. Amanhã virá, e eu acredito que será melhor. O corpo vai demoradamente aos poucos abandonando a dor e nascerá o sorriso que nunca conheci. 
Acredita em mim, doutor?

 

Photo by Teree in we heart it

10
Jan18

[Completas-me] Com a Elsa

Carolina Cruz

Olá, sorrisos! 
Vocês ainda se lembram desta rúbrica?!
Pois é, está de volta ao blog, desta vez quem me acompanha na escrita é a minha querida Elsa, que é muito simpática e o seu sorriso é maravilhoso! Ainda não conhecem o blog "As teorias da Elsa"?. Tratem já disso porque o seu blog transmite imensa felicidade e conforto a quem o visita. E é mesmo sobre felicidade que escrevemos (juntas) hoje! Espero que gostem!

 

"Todos os dias faço o mesmo percurso na procura do meu eu. Na busca da perfeição interior. No encontro comigo própria. Encontro a felicidade em cada movimento. Encontro a felicidade no cruzamento com os outros. Num pequeno gesto incalculado, esboço um sorriso. Uma satisfação que me completa... O que me preenche são as pessoas. Os seus passos. Os seus sorrisos. As suas vivências. Os seus ensinamentos. Completo-me de pessoas e guardo atitudes. Existem pessoas que me magoam. Afasto-me. Nego a sua existência. Não me completam. Pego nas experiências que me transmitem e absorvo. Tenho um chip sentimental muito sensível. Choro, grito e odeio, mas tudo passa. Eu quero que passe. Quero que apenas os bons sentimentos fiquem. Empurro o que não me interessa até ao precipício e rio maquiavelicamente quando cai. Quero ser feliz. Sou feliz. Eu só sou o que eu quero. Ninguém manda no meu ser. Eu completo-me. Tu completas-me. Existe outro ser. Uma realidade paralela. Um patamar superior. Quem sou eu? Alguém. O que quero ser eu? Feliz! Com quem? Com a metade que me completa. Quem é? És tu. És tu... Um ser imperfeito que vive na perfeição da minha vida. Que estou eu a dizer? Chama-se procura... Vivo numa eterna procura sem sentido. Sou e serei uma eterna insatisfeita e incompleta. Tenho tudo, sempre tive. O que me falta? Nada."

 

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Por isso não me compreendo, sei o que quero, luto por isso, mas ao mesmo tempo há um medo que surge, é um medo que tem nome: amor. E eu amo-te tanto que tenho receio perder-te no tempo das memórias. Porque esta procura incessante de mim, não existe sem ti, mas tu já não estás do meu lado, partiste e desde que partiste eu continuo a minha vida, mas não da mesma forma que me encontraste naquele tempo, porém esse tempo não passou por mim e eu continuo a querer-te como sempre te quis, podes voltar?
Porque quando digo que não me falta nada, eu acredito que ao faltares-me tu, falta-me o coração que bate, falta a vida, falta tudo e eu ainda digo que não me falta nada. Se eu não me percebo porque irias tu perceber-me?
Apetece-me matar a rotina, os gestos, as formas de vida e procurar a constante certeza que é ter-te nos meus braços. Tu és a minha pessoa preferida e sem ti, tenho tudo, mas não tenho nada.

30
Ago17

[Completas-me] Com Liz Pereira

Carolina Cruz

"Completas-me" regressou novamente, desta vez com a maravilhosa Liz Pereira, conhecem? Se não conhecem, deviam tratar de conhecer o seu blog, porque a Liz escreve bem que se farta e é linda, por dentro e por fora!
Hoje, escreve comigo uma história inspiradora e espero estar à altura para ela. Espero igualmente que gostem!

 

«Os primeiros raios de sol que faziam nascer a manhã beijavam lhe o rosto e lembravam-na de que era hora de regressar a casa. Apática e com o coração pesado da desilusão, ela aguardava que a água do duche (da praxe) aquecesse. O banho não a fazia sentir mais limpa e a fonte do seu lucro não lhe trazia qualquer tipo de orgulho. Mas o desespero falava mais alto e, sem querer, ela deu por si a pensar naquela noite. Tudo mudou após aquele encontro e ela não conseguia pensar em mais nada. Mesmo quando dormia, era assombrada por flashbacks daqueles momentos. Se para qualquer pessoa apaixonar-se era um sonho, para ela, era um pesadelo que lhe conferia a incapacidade de imparcialidade de sentimentos exigida na sua profissão. Ela não podia apaixonar-se, não podia desejá-lo daquela forma nem imaginar constantemente que era para ele que se despia, sempre que estava com um novo cliente. Tratou-a como uma mulher e não como um pedaço de carne, cuja única ânsia era atingir o prazer e satisfação sexuais. E isso despertou a sua atenção e o seu coração já há muito adormecido. Ele era diferente e de uma só vez conseguiu despir-lhe não só o corpo mas também a alma. E ela não tinha a certeza de mais nada a não ser da vontade de o voltar a ver e sentir, mesmo que fosse novamente naquele beco. Várias questões flutuavam na sua mente... Seria ele casado? Estaria envolvido em tamanha carência para achar que a sua saída seria recorrer a mulheres como ela? Teria ela sido escolhida ao acaso entre as colegas de profissão? Algo não fazia sentido. Ele não lhe parecia um homem que precisasse de "carinhos pagos". Era bem constituído, bonito e as poucas palavras proferidas denotavam educação. Teria ele sentido o mesmo que ela? Tentava afastar todas as questões e pensamentos da mente. Afinal de contas, paixões não pagam dívidas e era preciso continuar a trabalhar para as poder liquidar. Nenhuma outra mulher pode imaginar a mágoa que enche o seu coração. Estar apaixonada por um homem e ter de se deitar com outros por necessidade financeira, é de facto a maior condenação que ela podia ter, um verdadeiro inferno, que lhe causava um atrito constante entre o corpo e a alma. Na noite seguinte, já no local habitual, o seu coração sobressaltava a cada carro que perto dela abrandava. Queria que fosse ele. Debatia-se com a ideia de estar apaixonada e o seu inconsciente "levava-a" para fora dali, daquela vida, daquela profissão, com ele. Lembrava-se do sonho (que no fundo queria considerar pesadelo) da noite anterior. Lá eles eram um casal normal, com empregos comuns e uma casa, não muito grande, mas acolhedora e onde o amor prosperava. O bater da porta de um carro fê-la voltar à realidade. Era ele! As suas pernas ficaram bambas e a sua face petrificou numa expressão de incredibilidade. A ansiedade era evidente no rosto dele também. E sem dizer uma palavra começou a afastar-se do carro e a caminhar na sua direção...»

 

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Estava ali tão perto, o coração tão fora da boca, os seus corpos tão perto.
- Eu pago todo o dinheiro do mundo, mas esta noite será só e inteiramente minha. – A sua delicadeza, os seus braços na sua cintura, em vez de escolher outro lugar do corpo.
- Não há dinheiro que pague a sua presença.
E seguiram juntos para aquela que, de olhos fechados, era a sua casa, a sua sorte grande.
Repetiram vezes sem conta a noite anterior.
Havia milhares de passados entre eles, outros anos, outros milénios, outras vidas, em que tinham sido família, amigos, amantes, o destino tinha-os outra vez juntado naquela fantasia infinita.
Fantasia. Agora ela sabia o que era trabalhar feliz ou amar um corpo, sem sentir repudio, nojo, tristeza ou solidão.
Ela queria abraça-lo eternamente, queria conhecê-lo melhor que ninguém, queria amá-lo para sempre, sonhar com ele acordada, fantasiando sonhos que eram realidade.
- Quem é você Henrique? Porque me ama tão completamente sem sabê-lo?
Naquela hora, ela ficou a saber que ele era o seu anjo mais protetor, a sua esperança para um lugar melhor. Não era casado, não tinha filhos, era amante da vida, e apaixonou-se por ela na primeira vez quando a vira.
Anteriormente a vergonha tinha tomado conta dele, mas ele estava disposto a mudar-lhe a vida, a fazê-la feliz.
Mas ele tinha um segredo escondido, nunca o revelara, essa era a sua condição, o pedido para ela viver com ele, para trabalhar com ele, para lhe dar uma vida melhor.
Helena só soube quando um dia chegara a casa e Henrique estava a dormir um sono profundo. Apenas três meses tinham passado da sua vida a dois e ele nunca mais acordaria.
Deixou-lhe uma carta. Umas palavras. Um punhado de tristezas. Amá-la tinha sido a sua última missão, o seu último compromisso, o mais valioso.

«Ocultei a minha doença para evitar receios da tua parte. O cancro tomaria conta de mim para sempre, há anos que soube. Porém quando te conheci, quis tomar uma porção de magia, cumprir a missão de amar alguém, de lhe fazer bem, de lhe dar uma vida melhor. Sempre fui teu desde o primeiro momento. O que resta de mim, também o será.
Amar-te-ei sempre.»

Helena recorda com saudades o seu amado anjo, ainda hoje.
Está casada com Luís, tem dois filhos, mas não esquece o bem que ele lhe fez.
Henrique mudou a sua vida.
Se ela não o questionasse, talvez ele ainda hoje receasse. Se ele não tivesse aparecido na sua vida, talvez a solidão mantinha-a encurralada àquela profissão que repugnava.
Helena é gestora de uma loja de roupa, amada por alguém que conhece o seu passado e o respeita.
É preciso que arrisquemos, sem medo, pois a nossa vida pode mudar a cada instante.
O amor vence tudo, não vence?

28
Jun17

[Completas-me] Com Letícia Brito

Carolina Cruz

Bom dia! :)
Hoje estou grata por poder partilhar a escrita com uma pessoa super talentosa de que já vos falei: a Letícia Brito, autora do livro "nos braços do vagabundo". A Letícia é uma querida e foi um prazer partilhar este "completas-me" com ela. Espero que gostem!

 

«Foram quarenta comprimidos, exatamente, quarenta. Embora, eu só me recorde dos vinte primeiros. Depois disso, luzes, muitas luzes colocadas em mim, os meus olhos inchados pelas lágrimas, a visão turva. Médicos. Não sei o número exato, mas creio que eram bastantes, estudavam-me como se eu fosse uma raridade, mas eu sei, no profundo de mim, que já assistiram a outras cenas como estas; jovens a tentarem estrangular a vida na flor da idade. Macas. O barulho ensurdecedor de macas a passearem de uma ponta à outra da ala psiquiátrica do hospital. Vozes. Muitas vozes. Algumas que me segredavam ao ouvido que tudo ficaria bem e outras que me gritavam que eu era um caso perdido. Sombras. Muitas sombras. Deambulavam perdidas ou talvez perdida estivesse eu. Rodeavam-me e convidavam-me a seguir com elas. Debati-me durante horas, com um tubo que uma enfermeira rabugenta me enfiou do nariz ao estômago, que me arranhava a garganta, me impedia de falar e consequentemente de respirar. E as sombras estavam lá, tentavam dar-me a mão, sugavam-me as poucas forças que me restavam e ela chegou; um manto negro sobre os ombros, tombava-lhe ao longo do corpo magro e cansado, os olhos negros, tão negros como a noite mais triste que o inverno presenciou no meu peito, os olhos brilhavam, orbitavam, clamavam. Só lhe escutava a voz e via o brilho intenso que emanava dos seus olhos negros, mas a cara, não a vi, talvez fosse o excesso de medicação, talvez fosse efeito do carvão ativado no meu corpo, talvez fosse o sono a pesar, ou qualquer outra coisa. Ela segredou-me ao ouvido: «está na hora», oh se estava, regozijei-me no leito da minha quase-morte por finalmente ter chegado a hora, então por breves momentos, estendi-lhe a mão e caí num sono profundo, não sei se ela me levou, não sei estou a sonhar, não sei se este é o inferno ou o céu. Ouço gritos ao meu redor. Ouço a minha mãe em prantos. Ouço tudo. E não sinto mais nada. Ainda não sei onde estou. Eu queria tanto que esta hora chegasse, mas enquanto balanço nesta linha ténue entre a vida e a morte, eu queria tanto pedir-te perdão.»

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Eu queria realmente pedir-te perdão, mas não sei se ainda vou a tempo… Não sei se vou a tempo de dizer que te amo, que toda a infantilidade que tive foi para te proteger, para não te magoar, para te dizer sem palavras que mereces melhor que eu, melhor que alguém que ao contrário de desejar viver a teu lado, deseja a morte… mas tudo isso foi em vão.
Se eu pudesse voltar atrás no tempo, se eu pudesse ver a vida com outros olhos, agora que a morte quase me toma e eu revejo o que vivi tudo num piscar de olhos, pedir-te-ia para ficares, para me aturares, mesmo quando eu não me entendia. Pedir-te-ia para agarrares nas minhas mãos e me amares com todos os meus defeitos e eu sei, que foi tudo isso que tu fizeste, foi por tudo isso que lutaste e eu deixei-te preso a mim enquanto te soltava e te assaltava com as minhas ideias malucas, disse para tu partires quando eu mesmo queria que ficasses.
Sou ingrata não sou? Burra também, por ter querido ficar sozinha, fui eu que quis, fui eu que nos coloquei nesta situação… Eu só queria sentir a tua mão, poder renascer de novo.
Se eu pudesse sair deste primeiro término, deste pedaço pequeno de morte, eu tratar-me-ia e trataria também de te pedir perdão, de acreditar que a vida é uma bênção e agarraria a tua mão, ouviria contigo aquela música que toca apenas para nós dois…
Mesmo neste instante consigo cantá-la… Neste instante consigo ouvi-la, consigo ouvir-te a cantá-la e pedacinhos de mim florescem, acreditam que a luz que vejo agora não pertence à minha partida, abro os olhos e vejo de novo o mundo e tu dás-me a mão, estás aí, desse lado, do meu lado, a implorar-me que volte para os teus braços, não é um sonho, estou viva, posso-te abraçar, o amor é um milagre, o amor salvou-me, o amor irá salvar-me para sempre.
Agora posso pedir-te perdão, a ti e à vida. E agradecer, ser grata.

03
Mai17

[Completas-me] Com a Melhor Amiga!

Carolina Cruz

Bom dia, queridos sorrisos! Finalmente! - dirão vocês! 
Pois é, desta vez volto ao completas-me com a simpática "Melhor amiga procura-se", para quem não conhece o blog, tem de tratar disso porque serão mais do que melhor bem recebidos (hei, não escrevi mal por erro, foi com intenção!!!), quero dizer vão adorá-la! E espero que gostem tanto dela, como eu gostei deste texto a duas mãos. Vamos ler? 

 

"Chegar aos quarenta e estar solteira nunca esteve nos meus planos, mas também não estava nos meus planos sujeitar-me a uma relação onde quem perdia tudo era eu, desde família, amigos, carreira, etc. eram demasiadas coisas para mudar em tão pouco tempo.
Não sei se tomei a melhor decisão, nunca se sabe, mas hoje ia atrasada para uma reunião na empresa e ao entrar cruzei-me com ele e caiu-me “tudo”, o meu coração parou, não se foi de espanto, se foi de susto. Ele está diferente, até arriscaria que está mais bonito, tremi toda por dentro e talvez por fora também e o pensamento que me ocorreu no momento foi que ainda bem que hoje estou “bem” apresentável.
Nisto chego ao meu gabinete e sento-me na minha secretária e só vejo os meus pensamentos a divagarem em relação a ele: “Será que ele continua com aquele jeitinho de menino rebelde, superior a tudo e a todos, que tanto me conquistou?! O que será feito dele agora?! Estará casado?! Terá filhos?” Onde andará ele?! Continua pelo mundo?!”.
De repente lembrei-me que nós nunca terminamos a nossa relação, apenas as circunstâncias da vida nos afastaram e hoje ao vê-lo parece que me mandaram tudo para os pés… Nisto vou ver a minha agenda e o nome da pessoa com quem ia ter a reunião e qual é o meu espanto é o nome dele.
Respiro fundo e ligo para a rapariga da receção e digo para o mandarem subir…"

 

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Batem à porta, o meu coração acelera.
Levanto-me.
- Bom dia. – diz, de sorriso torto, como sempre foi seu característico. Mantinha-se amável, simpático.
Não me pareceu que ele me tenha reconhecido. E eu agi com a máxima naturalidade, mas questionava-me: “Como não me reconhecera?”.
No entanto, foi no fim de discutirmos variáveis, testes, probabilidades de seguros e questionários dos clientes, que ele questionou-me, tal como eu não tive coragem de o fazer:
- Carla? Já não me reconheces?
Eu sorrio. Era impossível não lembrar… A nossa história, a nossa forma de ir contra o mundo, a favor do nosso amor.
- Claro que sim. Pensei que tu não me reconhecesses.
- Sim estás diferente, mas há pessoas e traços que não se esquecem.
Acho que fiquei mais vermelha que a cor do meu vestido ou do meu batom que usava nesse dia.
Sorri, e tentei disfarçar o que era óbvio – fiquei de novo encantada!
Ele já tinha sido casado durante dez anos, tinha uma filha de 6 anos. Agora encontrava-se livre para amar de novo, e para um café para o qual me convidou nesse dia. Estava diferente, adulto. O que o deixava sexy por entre as memórias que tinha dele.
Fiquei com desejos de o conhecer de novo. Os nossos corpos e as nossas almas já se tinham encontrado outrora, mas será que seriam capazes de amar novamente?
Os cafés começaram a ser regulares, a empatia e as coisas em comum voltaram. Parecíamos dois miúdos ao retorno do primeiro amor, tudo devagarinho, as mãos dadas, o primeiro beijo, o despir, o sentir, o amar de corpo inteiro… e então eu aprendi que nunca é tarde para amar… aos trinta, aos quarenta, aos setenta, aos noventa… o amor não escolhe idades, mas corações, daqueles que sorriem. A vida sabe sempre como nos surpreender!

 

 

02
Mar17

[Completas-me] Com Cátia Cardoso

Carolina Cruz

Hoje, o completas-me veio à quinta-feira, mas o importante é vir e ser bem recebido, partilhado.
Hoje tenho o grande prazer de partilhar a escrita com a talentosa e comunicadora Cátia Cardoso, autora do livro "Linhas Delicadas" (visitem, vão adorar as suas palavras)
Apresentamos um texto simples mas com uma mensagem muito importante: "seguir os sonhos".

 

“É frio o vento. Sopra com cada vez mais força. Os minutos passam e ela permanece no mesmo local. O anoitecer deu-se e ela ali ficou, a contemplar o vão, a fundir-se em pensamentos aleatórios e masoquistas. As lágrimas são cada vez mais espessas e geladas, porém, nada as afaga. Talvez, se tivesse nascido noutro sítio, noutra família, noutro século, noutro contexto... talvez, de uma forma diferente, tudo pudesse ter sido diferente e ela não tivesse de estar agora ali a lamentar-se pela sua pouca sorte.
Não há nada que a conforte. O céu parece preparar-se para que chova. É inverno, estava à espera de quê? Que um sol raiasse e a permitisse ficar ali toda a noite? Começa a chover, porém, ela não procura abrigar-se. Na verdade, nem se move. Permanece estática como se estivesse à espera que alguém lhe dissesse para sair dali e ir abrigar-se. A chuva molha as suas roupas, e funde-se nas lágrimas que lhe atravessam o rosto. Que horas serão? Dez da noite? Meia-noite? Três da madrugada? Perdeu a noção do tempo, e, sem querer, da vida. Está encharcada e parece não se importar com isso. Embora o frio seja cada vez mais incomodativo, nada a faz mover-se. É como se estivesse morta. Morta para a vida. Que outra morte existe, afinal?”

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Morremos se estagnarmos, morremos se nos acomodarmos, se nos permitimos parar. Nada mais existe em nós, depois de morrerem os sonhos.
Ela sentia-se como que uma alma vã que atravessava o mundo. Já não existiam razões para viver.
Porquê? Porquê aquilo acontecer? Porquê ela? E mais… porque é que ao morrer um sonho, ela morrera também ao invés de lutar por ele? Os sonhos só morrem se desistirmos deles. E ele só tinha morrido porque ela o matara ao não acreditar mais.
Chega de pensar e se… Se ela vivesse em outro lugar, noutro tempo, iria lutar da mesma maneira? Ou melhor, não iria lutar? O que queria ela? Receber tudo de mão beijada? Talvez fosse mais fácil, talvez soubesse bem receber e concretizar tudo o que sempre devera ser seu por direito. Mas não, não teria o mesmo sentido. Tudo é melhor se assim não for, tudo tem um sabor maior depois das quedas, depois de saber que o que temos foi por mérito próprio.
Houve uma voz, que lhe deu essa luz, que lhe disse que ao sentar-se e se lamentar não iria trazer o seu sonho de volta, não ia dar-lhe o que mais queria. Que lamentar só traz pensamentos negativos, dores na alma e moleza do corpo. Sem a força que o alimenta, ela morrerá por completo e sim, assim sendo os seus sonhos também morrerão.
Então ela deu-lhe razão, deu as mãos a esse pensamento positivo e mudou o seu destino.
Terá ela concretizado os seus sonhos? Pelo menos ao pensar de forma diferente, terá tido uma maior chance. 

08
Fev17

[Completas-me] com Cátia Madeira

Carolina Cruz

Hoje temos a querida Cátia, do blog "Em busca da felicidade" com um texto a duas mãos que é tudo menos feliz, no entanto, acredito que vos vai apegar do início ao fim. Espero que gostem tanto, como eu gostei desta parceria!

 

"As lágrimas que caem no meu rosto seguem o compasso das ondas que batem fortes na areia da praia. O som que me acalma os pensamentos. O coração. Os sentimentos. Tento acertar o bater do meu coração mas está descontrolado.
A mala a meu lado. Dois tarecos e meio. A saudade cá dentro. O medo de perder quando sei que fui eu que fugi.
Não queria ter virado costas. Pediste que ficasse. Que tudo se resolvia.
Resolvia?
- Às vezes parece que já não nos conhecemos.
- Mas como, se ninguém me conhece melhor que tu?
Como? Se nem eu me conheço como tu sabes o que sou? Como posso achar que já não nos conhecemos.
A minha cabeça. As minha dúvidas. A minha procura pela perfeição.
Não sei se te faço bem. Se sou o melhor para ti.
- És quem eu quero. Deixa-me ser eu a escolher.
Escolhi por ti. Bati a porta e saí.
O caminho não sei como o fiz e dei comigo em frente ao mar. Aquele que me lava a alma. Aquele com que acerto as batidas do meu coração. Aquele que espelha as lágrimas que trago no rosto. Dois mares salgados frente a frente. Um puro, outro ensombrado pela dor de quem escolheu da pior forma. De quem quer voltar atrás mas não tem coragem para isso.
Escolheste vir embora. Agora não podes voltar sem mais nem menos.
A minha mente comanda. O meu coração obedece.

Sinto passos atrás de mim. Como quero que sejas tu. Como quero que me abraces e me digas que tudo vai ficar bem. Que me amas mesmo louca. Que me envolvas nos teus braços. Ponhas o teu casaco sobre os meus ombros e pegues na minha mala.
- Vamos para casa. – dizias – para nossa casa.
E eu ia contigo.
Se me conheces como sei que sabes quem sou, encontras-me aqui. Neste espaço que me acalma as batidas do coração."

 

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Mas não, não eras tu. Nunca serás tu, depois de toda a desilusão que prendi em ti, nunca serei eu de volta ao teu coração. No entanto, no meu coração estarás sempre até ele deixar de bater. Apesar de tudo, amo-te. E o meu coração só deixará de te amar quando tudo terminar.
É isso, é isso mesmo. Quero que ele deixe de bater, já, agora.
As ondas estão revoltas, o mar está bravo, dispo a roupa, tal e qual como gostavas que me despisse para ti, ali estava o meu corpo nu a amar-te como uma louca, como se as ondas fossem a tua cama, como se o mar fosse o meu crematório.
Entrei a medo, a água gelada quebrou o meu corpo quente, naquele inverno frio. Não podia desistir, eu tinha sido fraca toda a vida, mas naquele momento tinha de ser forte, quebrar tudo, quebrar-me a mim. A louca não partira apenas da tua vida, mas do meu corpo também, partira para sempre.
O meu corpo começava a gelar, os meus pés não viam o fundo e eu via o meu fim à vista, estava a conseguir.
Estava prestes a perder os sentidos, quando ouvi uma voz dentro de mim, eras tu, a tua voz doce, que me fazia recuar, mas já não conseguia, os meus olhos já se tinham fechado.
Eras mesmo tu e não uma voz dentro de mim, eras tu que me agarravas, e choravas, só a minha alma te podia ver, o meu corpo já não te podia tocar.
Chegaste tarde demais, e eu parti demasiado cedo. Não devia, desculpa. Hoje choro, mas não serve de nada. Será que se arrependimento matasse, eu voltaria a viver?
Por vezes não entendemos que os nossos atos magoam os outros. Eu marquei-te e magoei-te para a vida toda, deixando partir a minha.
Sei que esse teu corpo é só apenas uma miragem, porque também desejas partir nesse mar, mas pensa em mim, e sempre que quiseres, se isso te liberta, vem lembrar-me, encontra-me aqui, talvez um dia quando houver pozinhos mágicos, eu possa voltar.

  

18
Jan17

[Completas-me] com a Simple Girl

Carolina Cruz

A Simple Girl é uma rapariga extraordinária, fala-nos de sentimentos que nos enchem de vida, e como ela tem dito e revê-se no seu nome, o seu blog é uma simplicidade de desabafos, mas tal como ela eu venero a simplicidade das coisas, e tal como ela acredito que é isso que nos faz felizes. O texto que ela partilha connosco hoje expressa um amor que nunca morre: a amizade. Foi um texto que adorei tanto e que completei de forma tão certa, que nem parece escrito a duas mãos. Querem conferir?

 

"A vida nunca é como queremos ou como planeamos, e aquilo que mais queremos só vai acontecer quando menos esperarmos. Mas às vezes também nos acontecem coisas que não esperávamos e que mais valia não terem acontecido. E uma delas foi o sentimento que criei por ti. Não falo da amizade, que é verdadeira entre nós e em que só nós sabemos como lidar um com o outro. Falo sim desse sentimento que nos faz suspirar, ter borboletas na barriga, que nos assola o coração e que se chama “amor”. Não estava nos meus planos nem muito menos esperava que alguém entrasse na minha vida como tu o fizeste: de repente e apanhando-me completamente desprevenida.
Há coisas que não conseguimos entender e há coisas que não conseguimos explicar. E uma dessas coisas é o amor que sinto por ti, que apareceu do nada, sem eu querer e sem estar minimamente preparada. Ninguém sabe o quanto sofri sozinha ao esconder este sentimento de toda a gente. E porquê? Porque não consigo entender porque é que me apaixonei por ti sabendo de antemão que nunca passaríamos de amizade, porque não consigo explicar o quanto gosto de ti sabendo que não posso gostar desta forma, não além de amigo. Não consigo explicar a ninguém (e não tinha que o fazer) nem entender o como e o porquê de termos a intimidade e a cumplicidade que temos. Nem a mim própria consigo explicar como é que tudo isto aconteceu, como me deixei apaixonar por ti sabendo que isso não podia acontecer.
Mas é sabido que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e graças a esse amigo de todas as horas, o tempo, consegui começar a desapegar-me de ti. Não de uma forma total, mas aos poucos, com calma e gradualmente. Tu que entravas sempre pelo meu pensamento quando não devias agora já não entras tantas vezes. Tu que fazias o meu coração acelerar cada vez que te via, que me aproximava de ti, ou quando simplesmente recebia uma mensagem tua, agora já não o fazes tantas vezes como antes. Talvez tudo isto se deva mesmo ao tempo que cura tudo, ou à distância que nos separa fisicamente pois diz o ditado que "o que os olhos não veem, o coração não sente".
Quando me disseste que não sentias o mesmo que eu, podia ter ficado profundamente afectada. Mas não. Claro que fiquei triste por uns momentos, mas depois recuperei porque independentemente disso tens cumprido a promessa que me fizeste e nada mudou na nossa amizade. Segui em frente e apesar de tudo estou-te muito agradecida por..."

 

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Acreditares que posso seguir em frente, contigo a meu lado. Que embora não seja tua namorada, possa continuar ser a tua melhor amiga.
Eu sei e sei bem, que o tempo curou tudo, mas não sei se é apenas acomodação ao saber o que sentes por mim, porque, na verdade, eu questionei-me muitas vezes se a indiferença do meu pensamento em ti esmorecerá quando tu encontrares alguém e se o fizeres antes de mim.
Há uma parte de mim que dirá que ficarei feliz por ti, que vou querer conhecê-la, que quero que ela te faça muito feliz, porque bem mereces. No entanto, a outra parte, essa parte que o meu coração omite, talvez terá ciúmes, talvez quererá estar no lugar dessa rapariga, talvez chore, talvez sorria para esconder essa mesma tristeza.
Até lá não quero pensar, nem em ti, nem em ninguém, quero esperar que o tempo, esse mesmo que me tem curado, me faça encontrar alguém que possa retribuir esse amor que sentira (que talvez ainda sinta), aquele que nos faz levantar de manhã e agradecer não existir mais ninguém. Talvez quem sabe o destino não nos troque as voltas e nos diga que fomos feitos um para o outro, e se assim for estará escrito, se não for não tinha de acontecer. Disso não tenho certezas, porque só há uma certeza que tenho na vida, ter-te é a minha condição de liberdade e em ter-te, ainda que nesta cumplicidade de apenas amigos, eu sou feliz. Tenho a certeza que essa felicidade nunca terminará, que a nossa amizade será para sempre, venha o que vier.

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