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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

29
Nov18

[Ficção] Abraçar-te

Carolina Cruz

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Se a vida nos fizer encontrar de novo, tenho a certeza que te vou abraçar como se o tempo não tivesse passado por nós.
Crescemos tanto, mudámos tanto… a vida separou-nos, mas mesmo que chateada, mais com a vida do que contigo, o meu carinho por ti não mudou, não mudou em nada, a mesma amizade, o mesmo amor.
Nem sempre é possível que quando as relações terminem que se fique com alguma ligação, porvezes é necessária a distância e o tempo para colocar tudo no lugar.
Fica na minha mente todas as boas recordações, os momentos que vivemos… Sei que não foi amor eterno, mas foi tão eterno em cada minuto que vivemos. E é por isso que gosto de ti, porque quando nos envolvemos estávamos cientes que podia não ser para sempre, que a atração era mais forte que qualquer amor, que nos dávamos bem, mas que podia ser apenas uma fase na nossa vida. Isso não significa que não sinta a tua falta, sempre foste um bom amigo, um companheiro perfeito.
Nunca ninguém irá ouvir mal de ti da minha boca e nunca ninguém irá perceber porquê, porque é que eu guardarei da nossa história o melhor e não o pior, mas o que fica só preciso eu de saber e sentir. 
Vou abraçar sempre as nossas memórias, com vontade de um dia te voltar a abraçar de novo.

 

07
Mai18

[Cinema] "Aşk tesadüfleri sever"

Carolina Cruz

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Mais um filme pouco conhecido, daqueles que vocês sabem que eu adoro falar-vos e comentar convosco. 
“Aşk tesadüfleri sever”, com tradução em português de “O amor gosta de coincidências” é um filme turco, de 2011, que nos fala sobre o amor, a família e as coincidências da vida e do destino, pelos quais também somos um pouco (ou muito) responsáveis.
E somos responsáveis sim, pelas nossas atitudes, não basta apenas amar, amar somente não interessa, interessa as atitudes, as ações, as palavras ditas com o coração, o sentir mas sobretudo o demonstrar que sentimos.
Acredito que as pessoas não aparecem nas nossas vidas por acaso e não é ao acaso que tudo acontece, mas acontece também porque desejamos que aconteça e por deixarmos que aconteça. Porém também acredito em coincidências e no que toca ao amor podem ser e são muitas vezes surpreendentes. 
“O amor gosta de coincidências” fala-nos ao coração, leva-nos a questionar muita coisa, sobretudo a nossa existência e o seu valor, as relações pessoais e amorosas, o perdão e a dor. Deixa-nos questões fundamentais quando se ama alguém:

 

 

“Quando foi a última vez que tremeste por dentro ao tocares em mim?
Algum lugar te pareceu mais bonito só porque eu estava lá?
Já te sentiste realmente feliz só, e apenas só, porque eu estava contigo?
Um momento fugaz juntos alguma vez significou tudo para ti?”

 


Refletindo assim, o que é verdade, nem sempre amar basta, precisamos de intensificar e cuidar do nosso amor diariamente. Se nada é para sempre, porque não fazer durar e conquistar todos os dias quem amamos e o que desejamos?
Vejam, porque se gostam de filmes que vos fazem pensar, chorar e sorrir de emoção, este é um deles!

 

 

20
Ago17

[O teu olhar] Âncora

Carolina Cruz

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O destino no seu esplendor. 
O destino a ser, a afastar-nos, a mover-nos para direções contrárias.
Não há direito. 
Isto é mentira. 
Não, não é verdade.
Somos duas metades que se completam. 
Duas almas que furam a floresta juntas, que amam a natureza de ser.
Somos dois corpos perdidos no vazio, mas orientados pelo amor.
Não, nada nem ninguém é quimera suficiente que nos possa afastar.
Nem o destino.
Nós é que somos (e sempre fomos) destino. 
Fomos feitos um para o outro, de forma tão certa, tão coerente, tão precisa, tão nossa, desde os confins do tempo.
Somos flores que florescem juntas, somos os mesmos braços, o mesmo coração. 
Somos uma linha de amor como uma bonita trepadeira, que cresce sem esmorecer. 
Jamais nos cortarão os braços e se nos deixarem à deriva, seremos sempre a âncora um do outro, para tudo, para o que der e vier… 
Somos dois corpos dedicados a tudo o que somos.
Somos duas almas a ser (tão completamente) tudo o que somos.
Sem mais nada, sem mais ninguém.
Uma flor, uma âncora, um amor.

 

(Fotografia da autoria de  Verónica Pedro)

18
Abr17

18 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

“Pois merecemos. E termos um final feliz é aceitar que não temos mais nada a ver um com outro a não ser nas memórias. Iludi-me sim, sonhei muito alto, perdi-me no teu corpo, soube-me bem, senti prazer. No entanto, tenho maior prazer ainda em dizer que me desiludiste, o tempo muda as pessoas. Já não és o meu Manel do passado. Perdoo-te sim, ao fechar os olhos e lembrar que o que passou não passou de uma história terminada. Se eu tinha dúvidas hoje não as tenho mais. Tu adoras a sensação de me teres a teus pés, não a minha pessoa propriamente. Não nego nem duvido que me tenhas amado, mas mudaste. E não é a tua pessoa que eu quero na minha vida. Poderei cumprimentar-te, tomar café quando regressar a Portugal, somente isso. Amizade, nada mais. Perdoo-te sim e agradeço-te por teres-me ajudado a virar a página.
Sê feliz, beijinhos”

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Bloqueou o telemóvel e dirigiu-se à cozinha. John que se encontrava a escorrer a massa, recebeu um abraço. Sara abraçou-lhe as costas. Ele virou-se num repente delicioso.
- Vou dar o meu melhor. Virei a página. Agora, serás a única pessoa que eu hei-de querer ler. Vou fazer por merecer o teu amor. Por inteiro. Sei que dói, mas vamos fazer por isso?
John sorriu, olhou-a e só conseguiu beijá-la.
- I love you. – disse ele.
- Me too.
Sara voltou a Londres, aos recitais de Shakespeare, à enfermagem e nos braços de John manteve o seu sonho. Não há destino se não seguirmos os nossos sonhos, não há destino se os sonhos dos outros mudaram e só um fala de paixão, de amor, ou de futuro. Só existe destino, se ambos quiserem. Sonhos morrem e nascem todos os dias. Os verdadeiros, os nossos, permanecerão.

 

(fim.)

13
Abr17

13 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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Sara estremeceu. Arrepiou-se, era um arrepio bom, desafiador, talvez estivesse a sonhar alto ou a pensar o que não devia. Mas, de outra forma, porque trancaria ele a porta?
- Vivi a minha vida toda à espera deste momento. – disse-lhe ele. – Há uma sede incontrolável de te conquistar de novo.
- Há qualquer coisa em nós que nunca terminou, por isso eu não sei ter outra pessoa. Dou voltas à minha cabeça, mas no meu coração estás sempre lá tu.
- Não foi isso que me pareceu. – disse Manuel.
- Olha quem fala, aquela rapariga loira atiçada! – disse Sara com desdém. - Eu não disse que não tive ou não tenho. Tive e tenho, mas nenhuma será tão especial, nem tão intensa como tu, como o que tivemos.
- O que tivemos? Mãos dadas, um simples beijo? – perguntou Manuel.
- Para mim, vale mais que o sexo mais prazeroso do mundo.
Será que as suas palavras eram verdade? Estaria ele tão mudado assim? Sara não hesitou.
- Diz-me que nunca esqueceste o que tivemos. Ou os meus catorze anos eram uma simples brincadeira para ti?
- Nunca esqueci. Nunca conseguirei pertencer a ninguém sem lembrar que entre nós ficou tanto por fazer, tanto por completar. Foi amor puro o que senti por ti. A minha pergunta foi só mais uma forma de te desafiar. Não mudaste nem um bocadinho, continuas a mesma menina com esses olhos teimosos e sedutores.
- Andei a vida inteira a querer-te nos meus braços, não posso perder-te agora. – disse-lhe ela.
E a razão pela qual ele tinha trancado a porta do gabinete não era um pensamento idiota mas um ato consumado.
Ele pegou-lhe no rosto e ao beijar-lhe delicadamente os lábios deixou acontecer o que há tanto era sonhado pelos dois.
Desceu a sua boca até ao pescoço dela e levemente começou a desabotoar-lhe a túnica que lhe cobria o corpo que ele estava ansioso por tocar, por beijar, por despertar prazer.

 

(Continua...)

05
Abr17

5 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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14 anos passaram desde então, desde esse beijo, dessa despedida. Não se voltaram a encontrar, mas a verdade é que nunca esqueceram, nunca se esqueceram um do outro. Ainda que a vida tenha trazido novas pessoas, novos rumos, aquele beijo fora intenso e o seu amor, ainda que escondido, também. Parece que fora tão intenso e tao escasso que ficara alguma coisa por fazer, por dizer.
Manuel, agora gestor de relações públicas, em Lisboa, continuava a fazer teatro apenas nas horas vagas. Londres foi um sonho, que ele diz até ter sido uma miragem, pois não passou disso, de uma certeza pautada do momento e quando não vemos sucesso ou rendimento no que amamos fazer, o melhor é procurar outra ocupação que nos dê prazer para aliar ao que se chama de paixão. A sua paixão era o teatro, essa arte que continuava a tratar por tu, para aliviar o stress e poder se recordar do seu passado e de Sara, que tanto amou.
Poderá um amor tão forte, que tanto inflama o peito, ser dado como morto?

 

 (Continua...)

04
Abr17

4 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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«Ela é uma pita, Manel!», «tão nova para ti», «isso é proibido», «é menor, isso é pedofilia» - era tudo o que ele ouvia, quando revelava a um amigo mais chegado o seu segredo mais secreto - estar apaixonado por Sara.
Ele sabia que era arriscado, mas queria tanto, que por ele esse amor era vivido em segredo, mas em tantas horas em que a vida se cruzava, conseguiria ele e, também ela, esconder a cumplicidade e o amor que os unia?
Por mais dúvidas ou certezas que tivesse, o destino soube-lhe dizer o que fazer.
Manuel andou dias a pensar nisso e quando julgava que se iria entregar ao seu amor proibido, o destino fê-lo escolher o seu sonho – Manuel fora aceite no casting para fazer parte de um curso em Londres. Ele não tinha como negar aquela oportunidade, embora o seu amor lhe inflamasse o peito, raparigas e novos amores viriam, mas oportunidades de seguir o seu sonho podiam não existir como naquela altura.
Na sexta seguinte seria a última aula que iria dar antes de partir. Ele sabia que magoaria Sara se não lhe dissesse primeiro que a todos os outros, mas se ela ficasse magoada com ele, talvez fosse mais fácil partir. Um pensamento idiota. No entanto, não custava tentar. Resultaria? Sinceramente? Não.
Ao saber, Sara, ficou triste sim, mas entendera na perfeição, não só a escolha dele seguir o seu sonho, como o facto de a ter tratado por igual. Ela sabia que ele não queria confundir o seu próprio coração, especialmente naquela altura, em que iria partir. A atitude dela deu, na verdade, cabo dele. Deu-lhe mais vontade de ficar, de querer o seu abraço. Porque antes de partir, ela quis guardar dele, o melhor e deixar-lhe uma marca do seu amor, que será sempre uma paixão infinita. Então, sem que ele pudesse reagir, agarrou-lhe nas mãos e puxou-as para a sua cintura, pousou as suas nos seus ombros, deslocando uma delas para o seu rosto. Manuel não queria acreditar quando olhou nos seus olhos que se encontravam tão próximos dos seus. A sua boca na dele. 14 anos que não importavam mais, 14 anos que seriam insignificantes, 14 anos que ficaram na sua memória, 14 anos da Sara e 14 anos que passaram desde então.
 

 

(Continua...)

 

 
19
Nov16

O que escrevo é o que sou…

Carolina Cruz

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O que escrevo é o que sou… histórias do meu eu, contadas, perdidas, esquecidas mas gravadas na memória.
Enredos inventados mas com um quê de sabedoria, de conhecimento, de olhares que o meu saber toca e absorve.
Ficções que na verdade são encantos, memórias que não aconteceram, sonhos que morreram, certezas que permanecem em alguém e histórias com o seu quê de verdade em mim.
Escrever é a minha forma de levar a vida, de lhe agradecer e perdoar alguém, de esquecer e pedir desculpas por algo que só o destino teve culpa, estava escrito, tinha de acontecer… e ainda bem que aconteceu, porque algo se sentiu, algo se escreveu.
As palavras são a minha respiração, porque elas me dão vida e eu dou-lhes o meu coração.

13
Nov16

Dança

Carolina Cruz

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Esta é a dança, o mundo que construíste num passo firme, lento, quando tudo em mim morreu, a vida em mim se esqueceu. Mas hoje, hoje a vida é a alegria, o passo rodopiante em torno de um jogo perdido contra o destino, um jogo sobre tudo, sobre ti. Esta é a vida que nunca vivi.
Era a voz, a voz que hoje havia pintado o inferno de branco, onde pairava a paz e a felicidade. Era verdade que sobre as minhas mãos pairava o céu, o mar azul, a frescura. Sim, a frescura tornava a invadir teus olhos e o teu sorriso respirava tranquilidade, longe de tudo, longe da maldade.
Agora, agora o nosso tempo era de ferro, era, vento, tuas palavras que outrora haviam libertado o meu coração, libertaram-me do inferno, da solidão.
Hoje, hoje o meu coração sorri e balança, balança nesta longa dança que vai e não volta, não volta ao lugar escondido na ilusão. Este era o meu sonho, a minha perdição.
A dança não me deixou voltar atrás, àquela tristeza fugaz, ao meu lado lunar porque hoje eu sei que é amar.
Existe algo que em mim me chama, existe uma voz. Hoje não existimos como tu e eu, existimos como nós.

 

Fotografia do filme "O diário da nossa paixão"

06
Nov16

[Ficção] E agora?

Carolina Cruz

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Só queria ter a coragem de te demonstrar aquilo que sinto, de ser capaz de o fazer mas sou uma atriz, sou tão boa atriz que omito tão secretamente o que guarda o meu coração para ti.
São segredos que ficam para mim, mas até quando? É essa incerteza imprópria que me deixa capaz de morder o destino e fazê-lo sem pensar.
A ideia de que tudo pode mudar num segundo dá-me a esperança de ser feliz um dia. Mas… e agora?

 

(fotografia do filme "If I stay)

 

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