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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

14
Mai18

[Ficção] Sou inteira!

Carolina Cruz

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O tempo. Esse maldito jogo onde nos perdemos, onde nem sempre vencemos.
Somos nós, tudo aquilo que vivemos, tudo aquilo que cobrámos à vida. Somos meias palavras, meias verdades, presentes incompletos e futuros incertos.
Somos tudo, somos nada. Somos o meio-termo e eu estou cansada. Cansada de não te viver a cem por cento, de não te poder amar na inquietude em que se deve viver um amor e eu embora não queira de todo perder-te, acho que vivo melhor sem ti.
És a felicidade e o desgosto, mas há tanta coisa em ti que me faz querer-te por perto e tanta coisa em mim também. Sabes o que permanece em mim e que te faz ficar? A baixa autoestima, o medo de não ter mais ninguém, esta falta de amor por mim própria, este tamanho amor por ti.
Queria que o tempo decidisse, queria que ele me oferecesse o melhor, porque eu já não tenho forças para dizer que não te quero mais, mesmo que te ame. 
Por isso, faço-me de forte, engulo as minhas lágrimas e respiro o tempo, olho o futuro e procuro fé no meu ser, sento-me e digo-te com um sorriso nos lábios: Não posso viver pela metade, sou inteira!

09
Mai18

[Ficção] Sem ti.

Carolina Cruz

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Estou cansada, esgotada, amedrontada, ansiosa.
Fervilho, fervo em pouca água, rebento, choro.
Há tempestade no meu corpo, há tensão, há dor por antecipação, há morte.
Sinto o meu corpo a desfalecer, sinto um cansaço extremo, uma dor no peito, um aperto que transborda de amargura.
Não aguento mais, preciso de um sítio seguro, de um porto de abrigo, de conforto, sensatez, tranquilidade.
Porém eu sei que o espaço onde eu queria estar, o lugar que eu queria habitar era nos teus braços, dentro do teu peito, no calor do teu corpo, nas entranhas do teu coração.
Mas eu também sei que é isso que me desgasta, que me cobre com uma mágoa tremenda que quase me mata. E é isso que me mata realmente, é por isso que o meu corpo anda cansado – saber que te amo e saber igualmente que já não me amas de volta! Porquê? Porque é que estava escrito? Porque é que esta dor não podia ser carregada por outro peito? Apetece-me morrer já do que abandonar o meu corpo aos poucos, tudo seria mais tranquilo, menos doloroso, mas fazer o quê se a minha ambiguidade me diz que, apesar de tudo, eu gosto de viver? Tenho apenas de aprender a viver sem ti, mas não sei se consigo, na verdade ainda nem sequer tentei.
Vou tentar, acredita. Mas se não conseguir ficará gravado na minha pele que tentei lutar sem ti e se o meu corpo se perder e a minha alma te olhar por aí, poderás dizer também que nunca desisti dos meus sonhos e que, na verdade, talvez tenha nascido para te amar e pela mesma razão tenha morrido (por ti).

03
Mai18

[Ficção] Não mudas

Carolina Cruz

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Nunca fui a tua primeira opção, em nada. Porque seria agora? Para que é que teimo ainda em ligar e magoar-me a mim própria?
Não há em ti aquela vontade imensa, aquela partilha necessária em me teres contigo.
Há sempre outras prioridades, em amares mais as coisas que realmente achas que te dizem respeito e eu gostava tanto que demonstrasses mais o carinho que acho que ainda tens por mim.
Continuo a dizer-te a mesma coisa: que são as nossas ações que geram outras ações. Tu sabes disso, mas não mudas.
Continuas a implicar, de mansinho, sem as pessoas perceberem, para que, em tudo o que faças possas ficar por cima, mesmo que não demonstres, mesmo que para isso me tenhas de magoar, e de me inferiorizar.
Eu não sou ninguém a menos que tu, não sou. E não penses, contente, que acho isso por me desrespeitares. Não. Nada disso. Apenas me sinto triste por ainda te amar tanto e continuar a ver que, em ti, não há aquela exaltação de me teres por perto, de partilhares momentos comigo como eu teria todo o prazer em partilhar contigo. Não vejo o sorriso interessado como quando falas com os teus amigos, a forma estupenda e alegre como vibras quando assistes futebol e a tua equipa ganha.
Tu não vês que eu estou aqui. Sei que posso ter cometido alguns erros e sabes que nenhuma das minhas palavras entaladas ficaram por dizer, nunca disse aos outros de forma triste, o que nunca te apontei na cara. Eu estou de consciência limpa quando sempre demonstrei interesse em querer-te.
Eu estou de consciência tranquila sim, mas acredita que dói demais preferires estares de costas voltadas do que seres a minha equipa, o meu lugar terra-a-terra e o meu abraço. Dói demais sabes? E digo-te mais, não há nada material ou mensagens que possas escrever que compram o meu coração magoado. Eu só queria que olhássemos no mesmo sentido, que inventássemos histórias e construísses sorrisos comigo, verdadeiros, para podermos juntos ter memórias para contar.
Sem nada não se criam memórias, por isso vou em busca delas. Se eu não serei nunca a tua primeira opção, nem a segunda… então partirei e o meu coração mudará.

25
Abr18

[Ficção] Isso basta-nos

Carolina Cruz

Quarenta anos tem ele. E eu sou uma pequena miúda de vinte para ele, dizem.
Que me importa o que dizem…
Ele é inteligente, atraente, divertido. 
Eu sou para ele o seu dia, a sabedoria, o seu amor.
O que fazer quando o amor nos bate à porta sem pedir?
Amamos.
É essa a essência do ser humano – Amar. Ainda que pela pessoa errada, ainda que doa, amamos e vamos com tudo, com alma, com coração. 
Mas ele não é a minha pessoa errada, nada disso, tudo em nós é certo. 
Pecado é não sentir. 
Ele fez da menina que sou mulher, e eu dou-lhe todos os dias o melhor de mim, trago alegria à sua vida, brilho aos seus olhos e ele acerta o bater do meu coração.
Que importa a nossa idade? Se somos só nós dois? Se não magoamos ninguém à nossa volta? Para quê nos sentirmos culpados? Se o que fazemos é simplesmente amar?
Ele gosta de mim, eu gosto dele. 
Damos as mãos, envolvemo-nos como verdadeiros amantes, protegemo-nos como irmãos, falamos como dois amigos e o destino adora manter-nos fiéis ao amor que proferimos. 
A vida são dois dias. 
Que importa a nossa idade? As diferenças? O que dizem os outros?
Aqueles que olham e criticam, se amassem sabiam que o amor é melhor forma de se ser feliz.
Eu sou, ele é, e isso basta-nos.

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photo by Malika Lambert in "we heart it"

15
Abr18

[Ficção] Perco-me em ti.

Carolina Cruz

Perco-me em ti, como o vento se perde nas ondas do mar. 
Há milhões de horas que acordo para ver-te dormir. Dás-me insónias e contigo não as receio. 
Para quê dormir? Se posso sonhar acordado?
Olho-te e a tua serenidade é tão bela que quase me faz chorar e dizem que tenho uma pedra no lugar do coração, vê lá. Vê lá como eu não te resisto, vê lá tu como me fazes sentir.
É no teu colo, dentro do teu coração, que eu não temo a morte, pois morreria todos os dias para alcançar este amor tão nosso, tão genuíno. 
Ninguém escolhe quem ama, mas digo-te que saiu-me a sorte grande, não podia o destino e o meu coração terem escolhido melhor, estou tão bem entregue, sou tão grato à vida por te ter acolhido. 
Olho-te mais uma vez e tenho a certeza: é isto que eu quero para a toda a vida! Porém, tenho de aprender a dormir do teu lado, sorrir em sonhos, apertar-te bem, para acordar melhor!
Contigo, eu não terei medo do que está para vir
Contigo, eu sorrirei.
Serás (sempre) o brilho que me faz sentir!

 

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Photo by Ivy in "We heart it"

14
Abr18

[Ficção] Oh, Margarida!

Carolina Cruz

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Margarida diz-me: de que te serve dizeres-me que não resultamos por sermos diferentes? Caramba! Achas que não é isso que torna o amor especial? O sentimento maior e a paixão intensa?
Achas que não resulta, porque nunca te dás ao esforço de lutar pelo que se viveu, pelo que sentimos, por aquilo que podemos ser um dia, se quiseres.
Não são as diferenças que nos separam, Margarida. Entende isso. És tu, tu e essa mania que és diferente ou que somos tão longínquos que nunca nos chegamos a amar. E tu sabes, e também sabes que eu sei, que esse amor é tão forte, que só te estás a comprimir nessa dor que te forças a sentir. És tu que complicas esta diferença de estatutos. Qual é o problema de teres menos dinheiro? Qual é o problema se eu vivo melhor ou com mais condições? Que importa tudo o que é material, se o amor é a nossa casa, se o amor é onde pura e simplesmente devemos viver? Amamos e pronto, amamos e vemos o que virá. Amamos, sem medo de sofrer as consequências, amamos sem olharmos a diferenças. Amamos porque gostamos de nos amar. Por que é que não pode ser assim tão simples?
Ama-me e não compliques, Margarida. 
Ama-me que eu espero-te sempre, como espero depois de todas as discussões que temos: de braços abertos e com um olhar desejoso de te beijar!

11
Abr18

[Completas-me] Com a Carolina Franco

Carolina Cruz

Bom dia, sorrisos! 
Pois é, há muito que não fazia esta rúbrica, que eu adoro tanto! Mas está de volta e espero com muitos mais convidados!
Hoje trago-vos um texto a duas mãos forte, daqueles que adoro escrever, que nos deixa inquietos e é tão bom!
Hoje é a simpática Carolina Franco que me acompanha, adorei a sua escrita e foi um prazer escrever com ela. Espero que vocês também gostem!

 

"— Despe-te.
O homem de bigode e cabelo grisalho ordenou, enquanto desapertava a gravata e bebericava o seu whisky. Tremia, como sempre. Há anos que o fazia, mas ao estar na frente de um homem que tinha idade para ser meu avô, continha-me. Tinha medo, todas as noites. Medo que fossem tão brutos a ponto de matarem-me. Não era a primeira vez que acordava num quarto de hospital, depois de dias em coma. Não era a primeira vez que injetavam-me heroína e quase morri de overdose.
— Vá, querida, aproxima-te.
Deixei cair o vestido curto vermelho, no pavimento flutuante que custava mais do que todos os meus serviços, numa semana e sentei-me no seu colo. Desprezava-o. Sentia um nojo imenso. Tresandava a álcool e sexo. Rasgou-me a lingerie e atirou-se juntamente comigo ao chão. Penetrou-me. Arrancou de mim toda a inexistente inocência. Gemia alto. Quando chegou ao clímax parou e retirou aquele pedaço insignificante do meu corpo. Atirou-me duas notas de 20 euros, fechou o zíper das suas calças finas e saiu."

 

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O que eu não faço para ter a minha vida de volta… quanto nojo e sémen há em mim. Ele vai voltar, como voltou tantas noites e eu vomito mal ele sai, queria poder vomitar todo o passado em mim, queria deitar fora todas a minha essência, as minhas entranhas, morrer para voltar a nascer de novo.
Vim para esta vida para ganhar algum, sou uma mulher nova, diziam que eu era bonita, outrora sim eu era, hoje não passo de um trapo que despeja o corpo para se dar a cada diabo que morre por uma boa fornicação e eu que só quero ganhar um vencimento para poder ter o meu filho de volta.
Eu sei que muitos condenam as voltas que a vida dá, a minha escolha, a forma de procurar o meu melhor, mas não fui eu que o escolhi, prometeram-me mundos e fundos, que me davam uma vida melhor noutro país a servir às mesas de gente rica e poderosa, a mesma gente que me lixa e me penetra.
Eu só quero o meu menino de volta, só quero o Guilherme nas minhas mãos e se ele já não me conhecer? Se ele já não me quiser na sua vida?
Tive-o com 16 anos, aos 18 retiraram-mo, arrancaram-mo do colo, mas nunca mo tirarão do coração, do ventre, de cada pedaço do meu corpo, é por ele que me sujeito à morte e se ele não me quiser, eu escolho ficar, escolho a dor, prefiro morrer.

 

 

08
Abr18

[Ficção] Olho-o

Carolina Cruz

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Olho para ele e derreto-me.
Olho-o e o meu corpo sabe mais de mim que a minha alma, estremece, aquece, arrepia-se e eu quero-o tanto e nem o conheço.
Ele nem sabe o meu nome. Sinto-me idiota e ainda assim sorrio.
Por que é o amor tão complexo?
Como podemos achar que amamos alguém, que sentimos fogo de paixão se nem uma palavra dissemos a essa pessoa? 
É masoquismo? Dor agradecida? Daquelas que temos prazer em ter ou receber em troca de sermos sonhadores?
Não sei, só sei que há em mim tanto dele e ele nem ousa saber, e ele nem imagina quem sou. 
Ele é durão, dono de si, mas deste lugar de onde ele não sabe que eu existo, eu sei que há nele um humor extraordinário e uma dor que ele esconde nos lábios e faz brilhar o olhar.
Ele é bom, eu sei que é.
Pudesse eu mostrar-lhe quão boa a vida pode ser se o amor o levasse até mim. Até lá, sonharei todas as noites, em que dançamos lado a lado num romance que se perpetua na história, na alma e na essência eterna do que inocentemente acredito que tenhamos sido noutra vida. 
Ai como é bom sonhar! 
Meu Deus, como dói tanto... mas como é, ainda assim, tão bom sentir(-me)!

 

(fotografia de "intersection")

07
Abr18

[Ficção] Viver no teu olhar.

Carolina Cruz

Aninho-me sobre o teu peito. Deixo-me escorregar pelo teu regaço. Apodero-me da dor e do conforto. Escorre-me sangue nas entranhas, sangro só de pensar neste amor que por mim tens, nessa tua forma cega como tentas colar cada pedaço do meu coração partido. 
Como podes amar-me assim? Mesmo quando no meu desejo mora outra mulher?
Ao pé da tua grandeza, sinto-me pequenino. Sim, mesmo com este tamanho de homem seguro, desfaço-me perante o teu amor.
Os teus olhos conseguem conter todos os sonhos e o mundo inteiro. Aos poucos o meu mundo também vai desbravando vontades, neste sentir tão plenamente. E acredito, acredito solenemente, que poderei ver no teu coração o meu caminho, o que preciso para ser feliz.
Gostava de acreditar nisso, gostava mesmo...
Contigo sinto-me bem, contigo estou em paz, sinto-me, sou inteiro, mesmo que ainda desfeito.
Eu acredito. 
Quero acreditar que nos teus olhos eu receberei o mundo.
Por favor, ama-me para sempre.
Nunca desistas de amar. 
Não sei o que sinto, mas estou aqui.
Ama-me, que eu quero amar-te de volta.
Espera. Que eu esperarei a vida inteira, para viver no teu olhar.

 

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Foto by Evelyn in "We heart it"

06
Abr18

[Ficção] à espera de um abraço teu.

Carolina Cruz

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Agora sou só eu, à espera de um abraço teu.
Por que é que tinha de ser assim? Por que haverias tu de te apaixonares por outro alguém? Sabes o que mais dói? Ser exatamente quando o flor da paixão em mim ardeu, quando o amor em mim implorou para confiar-lhe de novo o meu coração.
Porquê? Por que é que fui tão inocente para me magoar de novo? 
Por que é que te escolhi a ti para acreditar que o amor podia ser de novo uma constante na minha vida?
Eu sei que fui difícil, um tanto fria, mas eu já te amava e não sabia, apenas não queria acreditar, e acreditei... acreditei quando desististe de me amar, de me conquistar.
Ela era mais bonita, mais sexy, mais fácil, certo? Caiu na sintona de ser prazerosa e tu agradeceste. 
Hoje apenas me magoo a mim própria pensando em ti, porque sei que não mereces, porque se sabias que o amor outrora me trouxera traumas não devias ter despertado em mim nem uma pontinha de esperança. Mas tu fizeste-me acreditar que podia ser para sempre, e olha o que fizeste... Desististe por não ser fácil. O amor não é fácil, nunca foi. Tu é que não sabes que para se amar é preciso morrer-se um pouco. Mas tu não morreste, porque és cobarde. Em vez disso, mataste todos os meus sentimentos, a minha vontade de viver, porque antes eu era vida, agora... 
Agora sou só eu, à espera de um abraço teu.

 

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Photo by "Intersection"

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