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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

15
Out18

[Ficção] Não me quero levantar

Carolina Cruz

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Cercas-me o pensamento, há dias que não durmo, a cama vazia com o teu cheiro corrói-me a pele, afeta-me como se assim a minha vida não andasse para a frente.
Costumava dizer orgulhosa que gostava muito de ti, mas que se algum dia terminassemos eu viveria bem sem ti. Menti a mim mesma, aos outros. Menti tanto, mas tanto. 
Hoje procuro-te em todo o lado, na pele dos outros, nos sorrisos, nas ruas... Dói-me constantemente esta tua ausência, não sei viver assim. 
Fecho os olhos e ainda consigo ouvir a tua voz dizer-me baixinho que sou a cor dos teus dias e hoje, hoje os nossos dias (ou pelo menos os meus) não passam de um pesadelo, de uma escuridão infinita.
Nem sempre há finais felizes, às vezes o que é verdadeiro também termina e eu nunca viverei bem sem ti.
Deito-me nesta cama em que te sinto e não me quero levantar.

30
Set18

[Ficção] Porque voltas assim?

Carolina Cruz

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Porque é que voltas assim? Depois de tanto tempo? Depois de tantos anos de ausência? Depois de tantas horas de não me quereres, hoje olhas para a mulher que me tornei e sonhas comigo, queres os meus lábios nos teus, queres o beijo que nunca desejaste outrora. Mas hoje queres demorar-te em mim, queres que me prenda a ti. Agora que a minha vida está estável, que encontrei alguém para amar, para ficar, vens e deixas-me assim, como se o tempo não tivesse partido e fôssemos novamente as mesmas crianças que brincam na rua.
Tu sabes que não te resisto. Por mais que o coração doa, por mais que a mente diga que não, cá estou eu nos teus braços a trair o mundo e o meu amor próprio, mas porra, estou nos teus braços e não consigo pensar em mais coisa nenhuma. Arrancas de mim a ousadia e o prazer energúmeno e eu fico estatelada no teu beijo e debaixo do teu corpo. Sei que daqui a algumas horas vou chorar arrependida, porque sei que não queres mais nada a não ser isto, por isso esqueço quem sou e o que fomos no passado, hoje somos apenas dois corpos que se unem e dois corações que secretamente se amam.
Como é possível querer tanto alguém que viveu no nosso passado? Creio que há algo que se chama paixão e se for daquela que move montanhas não há outro sentimento que a supere e pude ver agora que vivi toda a vida contigo no meu pensamento. 
Deixa-me ficar, deixa-me permanecer nesta loucura, nunca o meu coração se sentiu tão vivo! Vem!

17
Set18

[Ficção] Sou filha do mundo!

Carolina Cruz

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Não me abandones, não me prometas mundos e fundos se não me puderes dar aquilo que tanto sonho. Aprendi a gostar de ti, a amar-te talvez um pouco, mas só irei ter a certeza de que é isso que chamam de amor quando não me rejeitares. A minha vida foi feita de perdas e de desilusões, três famílias não me quiseram e eu voltei sempre à estaca zero, a ser de novo recém nascida, querendo os braços de uma mãe, o problema é que não sou mais miúda, tenho doze anos e sei o que é a dor, conheço com sabedoria o facto de não poder agradar a todos, mas não preciso pois não?
Família mesmo que não seja de sangue, deverá entender que todos temos os nossos defeitos e é nos feitios que somos diferentes dos outros animais e somos ser humanos, que nos tornamos especiais ou não.
O facto de ter sido rejeitada toda a vida faz com que tenha medo do amor, não te vou tratar mal, mas até provar que me amas realmente vou ser, talvez, indiferente, mas não ligues, esta é a minha carapaça, não te quero abraçar sem ter a certeza de que é para sempre, sabes? Dói não ficar. Mas ama-me, e amar-me é entender tudo isto, entender que sou filha do mundo, mas posso ser a tua filha também.
 
 
 
23
Jun18

[Ficção] Serás sempre.

Carolina Cruz

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Eu sou uma merda!
Acredita que daria o mundo por ti. Esta vida e outra que vivesse, mas sempre que penso em defender-te, em ser o melhor para ti, o melhor para os dois ou para que algo entre nós resulte, sai-me sempre tudo ao lado e faço mais asneiras do que, na verdade, te merecer.
Sou um falhado e falho tantas e tantas vezes contigo, que é isso mesmo: não te mereço.
Porém, o facto de dizer que não te mereço, não significa que não te ame profundamente, que não goste de ti verdadeiramente, simplesmente faço tudo errado.
Eu amo-te, tanto, só quero que entendas isso, e embora eu seja uma besta quadrada que não sabe nada sobre o amor ou relações humanas, amo-te como nunca julguei amar alguém e por saber disso te deixo ir, deixo que partas da minha vida, por saber que serás mais feliz sem mim e sem os meus erros.
E agradeço-te profundamente por ver nos teus olhos a compreensão e o amor que nunca esquecerei. Um dia quem sabe, se tudo não se irá resolver e, quem sabe aí ainda poderei amar-te por completo. Se isso não acontecer, só desejo que encontres alguém que respeite a mulher fenomenal que és, que te ame como a mulher da sua vida, porque eu sei que, apesar de tudo, serás sempre a mulher da minha.

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Photo by Nelsiek in "we heart it"

22
Jun18

[Ficção] Memórias que trago comigo

Carolina Cruz

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Gosto de me sentar contigo, no pequeno muro do telhado. Dizem que é sob as estrelas que os sonhos se concretizam, por isso cá estou eu. Aqui, sentado, sei que algures nesse longínquo lugar me conheces e todo o universo conspira sobre este amor que vai além-fronteiras, além da terra e do presente. 
Como é possível sentir-te aqui? Tão terra a terra, tão bonita, brilhante, presente. Este sentimento que não cessa, que nos mantém jovem e eternos, como quando dávamos as mãos e corríamos pelas avenidas com uma só canção, a de um para sempre com um sorriso. 
São essas memórias que trago comigo e são essas memórias que correm nas minhas lágrimas sempre que te abraço daqui. 
Partiste, mas em cada pedaço de céu, eu vejo o teu olhar e em cada gesto meu, eu tenho coragem de te abraçar, porque sempre fomos assim – terra e céu, areia e mar – por mais tempo e distância que passe, eu não sei não te amar. 

____________________________

Fonte da fotografia: "we heart it"

11
Jun18

[Ficção] Sonhar-te

Carolina Cruz

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Feriste o meu peito. 
Fizeste um rasgo, de um lado ao outro, que não estanca, que não para de sangrar.
Há coisas que nem o tempo consegue curar. 
Vem-me à memória todas aquelas frases bonitas que dizias e todo o calor do teu corpo sobre o meu, palavras fantásticas, esperançosas e momentos eternos que não passaram de uma mentira. 
Hoje ainda me lembro de nós, hoje ainda queria viver-nos, viver essa mentira, porque o conforto da tua pele, o cheiro de todas as coisas, valia a pena, mesmo que fosse um sonho onde sabia que acordaria, um sonho que antecedia a um pesadelo.
Agora dorme comigo a saudade, acorda comigo a ansiedade de ter de passar mais um dia, sem ti. 
Não podias demorar mais um pouco? Não podias colar um pouco desta amargura que me invade? 
Só te quero a ti, por mais que doa. Só te quero a ti no meu abraço, por mais que tudo pese. Só tu consegues fechar este buraco no meu peito e só tu conseguirias curar o que o tempo não cura.
Vens? Eu sei que não. 
Por isso, ficarei aqui, a sonhar-te.

 

 
02
Jun18

Lamento...

Carolina Cruz

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Trabalho todos os dias e lamento. 
Há dias em que, como qualquer trabalhador, sou preguiçosa, há dias em que escolher ser e fazer o meu serviço é díficil.
Há pessoas que dizem que sou má, que sou vingança, mensagem de Deus ou do diabo, há quem me tema e viva a vida toda a temer-me, a sonhar comigo, a ter pesadelos, há também quem me chame e me implore para que eu faça o meu serviço, que lhes leve a alma e lhes deixe o corpo sem vida. 
O meu nome é morte e eu sei que vivo ou morto, já ouviste falar de mim e, na pele ou na de quem amas, me conheces. 
Todos os dias são uma correria e eu sou só uma alma e trabalho tanto.
Lamento que não gostem de mim, que seja injusta, que exista, mas desculpem dizer-vos que sem mim a vida não teria qualquer sentido.
Hoje levo comigo mais de cem pessoas no mundo, pessoas importantes, que foram importantes no mundo de alguém, com histórias para contar, com saudades e lágrimas. 
Custa-me levar esta gente, mas dói também levar aquela criança que tinha tanto para viver, aquele inocente na guerra, o homem perdido de amores, que por amor se matou, quando ainda podia no futuro vivenciar outra grande paixão. Dói levar alguém que não deixa ninguém para se lembrar de si.
Ser a morte de que muitos falam não é fácil e eu lamento isso, faço chorar, por vezes desperto o ódio, a raiva e a vingança, mas desculpem é o meu ser e temam ou não, um dia irei conhecer-vos. Até lá, deixem-me dar-vos um conselho, pois eu nunca sei quando escolho chegar e enquanto eu não chegar, aproveitem! Vivam intensamente, sem me temerem. Vivam porque eu sou a morte e nunca soube, na verdade, viver inteiramente.

30
Mai18

[Ficção] Pedi tempo e perdi...

Carolina Cruz

 

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Pedi tempo ao tempo. Perdi dias, meses, anos até, a confiar-te o meu amor, faltou-me a coragem de dizer-te o que sentia com medo de ser rejeitada. E agora? Agora é tarde demais, não há volta a dar, não há amanhã, não há dia, não há vida em ti. 
Só existe raiva em tudo o que sou. O medo foi-se contigo, o arrependimento dói demais.
Eras o meu melhor amigo e perder a tua amizade era como morrer, perder um pouco do que sou, esse mesmo pedaço da minha essência que partiu contigo. 
Eras tanto de mim, tanto para mim, e embora não soubesse tudo sobre ti, percebi que estavas apaixonado, que havia alguém a fazer bombear o teu coração. Como não percebi que era eu?
Foi preciso partires para ouvir a tua mãe dizer que eu era a menina dos teus olhos, que em ti havia muito mais que um carinho de amigo, havia em ti vontade de mais e medo, também medo. Medo de amar.
E esse amor por mim foi contigo sem se unir com o meu. 
Pergunto-me porque é que o tempo me ensinou da pior forma que não devemos perder tempo, nem dar tempo e coragem ao medo? Que devemos dizer aos outros o que sentimos porque não sabemos o amanhã?
Hoje permanece em mim a tristeza e a esperança que um dia te possa abraçar dizendo-te que nenhuma pessoa que habitou a minha vida teve nem metado do teu significado para mim.
Desculpa só dizer-te agora.
Mas, eu amo-te, amo-te tanto.

28
Mai18

[Ficção] O resto dos meus dias

Carolina Cruz

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O meu corpo pede, a minha alma implora, e tu não estás. Adormeço sobre o teu ventre imaginário já que aqui, onde pouso a cabeça, não resta nada de ti a não ser a tua memória e a minha dor por teres partido. 
Ninguém compreende esta saudade que me invade desde que me morreste há mais de vinte anos.
A verdade é que desde partiste, um vazio nasceu, nunca mais soube viver, apenas existir. Tento olhar para trás, perceber que vivia antes de te conhecer, mas não consigo, foste tu que deste cor à minha vida.
Nunca quis mais ninguém, meu amor. A imagem da minha lembrança de ti, faz-me abraçar-te todos os dias. 
Pareço louco, mas ao beijar outro corpo eu sinto que não te sou leal, que traio a mulher da minha vida. 
Dissemos no ato do nosso matrimónio "até que a morte nos separe", mas eu sei, melhor que ninguém, que nem a morte pode separar um grande e verdadeiro amor como o nosso.
Por isso, sento-me aqui, a contar os minutos à espera, sim, esperarei o resto dos meus dias para te abraçar.

 

14
Mai18

[Ficção] Sou inteira!

Carolina Cruz

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O tempo. Esse maldito jogo onde nos perdemos, onde nem sempre vencemos.
Somos nós, tudo aquilo que vivemos, tudo aquilo que cobrámos à vida. Somos meias palavras, meias verdades, presentes incompletos e futuros incertos.
Somos tudo, somos nada. Somos o meio-termo e eu estou cansada. Cansada de não te viver a cem por cento, de não te poder amar na inquietude em que se deve viver um amor e eu embora não queira de todo perder-te, acho que vivo melhor sem ti.
És a felicidade e o desgosto, mas há tanta coisa em ti que me faz querer-te por perto e tanta coisa em mim também. Sabes o que permanece em mim e que te faz ficar? A baixa autoestima, o medo de não ter mais ninguém, esta falta de amor por mim própria, este tamanho amor por ti.
Queria que o tempo decidisse, queria que ele me oferecesse o melhor, porque eu já não tenho forças para dizer que não te quero mais, mesmo que te ame. 
Por isso, faço-me de forte, engulo as minhas lágrimas e respiro o tempo, olho o futuro e procuro fé no meu ser, sento-me e digo-te com um sorriso nos lábios: Não posso viver pela metade, sou inteira!

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