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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

02
Jun18

Lamento...

Carolina Cruz

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Trabalho todos os dias e lamento. 
Há dias em que, como qualquer trabalhador, sou preguiçosa, há dias em que escolher ser e fazer o meu serviço é díficil.
Há pessoas que dizem que sou má, que sou vingança, mensagem de Deus ou do diabo, há quem me tema e viva a vida toda a temer-me, a sonhar comigo, a ter pesadelos, há também quem me chame e me implore para que eu faça o meu serviço, que lhes leve a alma e lhes deixe o corpo sem vida. 
O meu nome é morte e eu sei que vivo ou morto, já ouviste falar de mim e, na pele ou na de quem amas, me conheces. 
Todos os dias são uma correria e eu sou só uma alma e trabalho tanto.
Lamento que não gostem de mim, que seja injusta, que exista, mas desculpem dizer-vos que sem mim a vida não teria qualquer sentido.
Hoje levo comigo mais de cem pessoas no mundo, pessoas importantes, que foram importantes no mundo de alguém, com histórias para contar, com saudades e lágrimas. 
Custa-me levar esta gente, mas dói também levar aquela criança que tinha tanto para viver, aquele inocente na guerra, o homem perdido de amores, que por amor se matou, quando ainda podia no futuro vivenciar outra grande paixão. Dói levar alguém que não deixa ninguém para se lembrar de si.
Ser a morte de que muitos falam não é fácil e eu lamento isso, faço chorar, por vezes desperto o ódio, a raiva e a vingança, mas desculpem é o meu ser e temam ou não, um dia irei conhecer-vos. Até lá, deixem-me dar-vos um conselho, pois eu nunca sei quando escolho chegar e enquanto eu não chegar, aproveitem! Vivam intensamente, sem me temerem. Vivam porque eu sou a morte e nunca soube, na verdade, viver inteiramente.

28
Mai18

[Ficção] O resto dos meus dias

Carolina Cruz

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O meu corpo pede, a minha alma implora, e tu não estás. Adormeço sobre o teu ventre imaginário já que aqui, onde pouso a cabeça, não resta nada de ti a não ser a tua memória e a minha dor por teres partido. 
Ninguém compreende esta saudade que me invade desde que me morreste há mais de vinte anos.
A verdade é que desde partiste, um vazio nasceu, nunca mais soube viver, apenas existir. Tento olhar para trás, perceber que vivia antes de te conhecer, mas não consigo, foste tu que deste cor à minha vida.
Nunca quis mais ninguém, meu amor. A imagem da minha lembrança de ti, faz-me abraçar-te todos os dias. 
Pareço louco, mas ao beijar outro corpo eu sinto que não te sou leal, que traio a mulher da minha vida. 
Dissemos no ato do nosso matrimónio "até que a morte nos separe", mas eu sei, melhor que ninguém, que nem a morte pode separar um grande e verdadeiro amor como o nosso.
Por isso, sento-me aqui, a contar os minutos à espera, sim, esperarei o resto dos meus dias para te abraçar.

 

23
Out17

[Séries] This is Us

Carolina Cruz

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Eu que dizia que nunca veria séries que ainda não tivessem fim anunciado ou brevemente, caí na esparrela de me apaixonar por “This is Us”.
Apaixonar é mesmo esse o termo. Terminei há uns minutos a temporada 1 e não sei como vou aguentar apenas com mais cinco episódios da próxima.
É uma série que nos deixa sempre com a lágrima no canto do olho, e vocês sabem como eu adoro livros, filmes, histórias, séries, que nos deixam a pensar e a refletir. “This is Us” faz-nos exatamente isso: deixa-nos a meditar sobre muitos sentimentos e sentidos – o amor, a morte, o preconceito, as mentiras, as omissões, os erros, as paixões e como o passado mal resolvido nos cobra no presente.
Para quem conhece a série, conhece igualmente a sua sinopse, mas apresento a quem ainda não teve o prazer de a conhecer:
“This is Us” segue um grupo de pessoas únicas e as formas como os seus caminhos se cruzam de forma inesperada. Partilham muita coisa em comum, sobretudo o dia de anos.
É uma história com várias histórias dentro que abordam várias escolhas de vida e de ser.
Entre o passado e o agora, vários temas são abordados de uma forma genial, emocionante e emotiva.
Eu fiquei rendida. Quem ficou também?

 

 

02
Set17

O que somos após tudo terminar?

Carolina Cruz

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Somos lume aceso pronto a arder. 
Somos prato servido para ser pó e além da nossa alma que fica no coração dos outros, daqueles que nos amam, nada seremos após a nossa morte. 
Vimos ao mundo para ser, para ousar ser livre, no entanto há sempre algo que nos prende: a ansiedade, o medo, o tempo finito. 
Não há ninguém que não tema a morte, não existe, usamo-la como segurança dos nossos erros ou um escape para quando já não conseguimos viver com as consequências deles. 
Somos nada que é um tudo para alguém. Amamos, profundamente, loucamente, fazemos coisas impensáveis em busca de nos tornarmos eternos para alguém. 
Mas será essa eternidade executável? Verdadeira? Exata? 
Será que não nos esquecerão quando nada restará se não as memórias, se não o tempo da nossa ausência?
Quem somos depois de partirmos? Qual é a definição do amor após só nos restar a alma? É a alma que ama ou o corpo por inteiro?
Há dias em que viver não me basta, por isso vou à procura de razões a perguntas que nunca serão respondidas... 
Nunca? Será? Eu não deixo de pensar, enquanto não tiver respostas! 
O que somos após tudo terminar?
 
 

 

27
Ago17

[Resenha Literária] Fazes-me falta

Carolina Cruz

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Só me apetece dizer isto: Que livro brilhante de Inês Pedrosa!
Pois é, mas não posso ficar-me apenas por estas palavras, porque tenho mesmo de falar-vos sobre este livro que nos dá tanto que pensar, sobretudo o seguinte...
O ser humano vive tão agitadamente, leva a vida a um ritmo tão acelerado que não paramos para pensar.
A vida muda, as circunstâncias mudam, temos atitudes que nos mudam, que mudam os outros perante nós, nasce ciúme onde não notamos, afastamo-nos das pessoas que amavamos, criamos amores platónicos, discutimos com o verdadeiro amor da nossa vida, mas só quando a morte nos bate à porta, às vezes de forma imprevísivel tomamos conta de tudo isso.
Após a morte de alguém querido, o que somos? Que memórias ficam? Quantas palavras por dizer?
Momentos por viver, gargalhadas por soltar.
Quem somos nós depois da nossa morte? O que resta de nós? O que fica?
"Fazes-me falta" é um livro "contada em duas vezes" - uma mulher que acaba de morrer e uma amigo seu que a vê partir.
Neste livro, estes velhos amigos que permanecem-no após qualquer distância, até a da morte, desvendam o que vai nos seus corações, a desilusão, a amizade, os remorsos, a perda, a falta e o amor, desvendado assim todas as questões feitas anteriormente.
Um livro com uma escrita incrível, simples e tão brilhantemente complexa, com jogos de palavras sentimentos literariamente belos.
Um verdadeiro tesoure este livro!
02
Ago17

[Ficção] Corpo morto e só

Carolina Cruz

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Morreste-me nos braços.
Foi praticamente isso.
Foi exatamente isso que senti.

Fiquei sem ti, fiquei sem chão.
Quem sou eu sem ti? Onde estou? Como sou?
Vagueio-me e deixo-me fugir, andar somente por aí.
Partiste sem uma palavra, uma desculpa ou um perdão.
Eu não merecia isto.
Eu não merecia isto.
Não, repito, não merecia.


Dói-me o peito só de pensar.
Respirar era essencial, agora sinto que nem disso preciso.
Não preciso de nada sem ti, não quero mais nada.


Morreste-me.

Perdes-te, perdi-te, perdemo-nos.
Tudo fomos, nada somos, nada mais seremos.
Tu escolheste, tu partiste, tu foste sem mim.
Tu quiseste, tu viverás bem assim.
Mas então porque me falta o ar desta forma se não mereces?
Não entendo.
Não te entendo.
Não me entenderei nunca por te ter amado assim.
Morro sem nada, vivi com tudo, contigo.
Sou uma levre brisa que assenta no tempo,
Sou pó,
Corpo morto e só.

06
Jul17

[Cinema] Beleza Colateral

Carolina Cruz

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Há três coisas que os seres humanos têm em comum: o amor, o tempo e a morte.
O que dirias se pudesses escrever-lhes? Sim, ao amor, ao tempo e à morte…
Como te sentirias se deles obtivesses uma resposta?
Howard entra numa depressão após acontecer algo trágico na sua vida e ao escrever a estas três realidades com uma tamanha desilusão, desistindo de todas elas e implorando à morte que lhe leve a sua vida, é confrontado por elas, sendo que estas lhe chamam à razão.
Porque embora estas três coisas que nos ligam sejam difíceis de definir, assim como é difícil viver e vencer na vida depois de nos irmos abaixo, merecemos uma segunda oportunidade, merecemos dar uma nova oportunidade àquilo que somos, mas será que Howard está disposto a isso?
“Beleza colateral” é um filme com um elenco excecional, incluindo Will Smith, Kate Winslet e Edward Norton. É um filme que demonstra que todos carregamos uma história, com desilusões e erros, mas também com alegrias e com uma tamanha beleza. Não nos podemos desligar dessa beleza colateral que existe em cada uma das nossas vidas.
Um filme bonito e realista. Um filme que todos deveriamos assistir.
 

04
Jun17

[Séries] 13 reasons why

Carolina Cruz

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Já aqui falei sobre o livro, hoje vou falar da série do Netflix baseada em "Por treze razões".
Na minha opinião, tal como tinha vindo a ouvir das outras pessoas, a série, é sem dúvida, melhor que o livro. Vou passar a explicar porquê.
Enquanto o livro se centra mais em Clay e na descoberta deste sobre as treze razões que levaram a rapariga que amava a acabar com a vida. Na série, conseguimos compreender melhor a envolvência das treze pessoas a quem pertencem as cassetes.
Quero dizer que, durante estes treze episódios conhecemos mais detalhadamente as personagens.
Porém algumas diferenças são visíveis. Na minha opinião, o livro apresenta um Clay que é mais reservado ainda e que, a meu ver, tem muito menos ligação com a Hannah do que o Clay da série.
As razões da Hannah, tal como no livro, começam a ter maior intensidade a meio e conseguimos sentir o seu declínio, porque tal como disse anteriormente conhecemos melhor a forma como ela se relaciona com as outras personagens e como elas são.
É uma série com conteúdo forte e susceptivel e, como o livro, creio que não deve ser visto por todos os jovens. Pode ser um certo despoletar para quem, tal como Hannah, pensa nesse fim.
Também por isso, penso que mais importante do que ser vista pelos jovens, deve ser vista pelos pais e educadores, surgindo como um alerta, para que casos como o de Hannah não aconteçam nas suas vidas.

 

 

23
Mai17

[Ficção] Oh, meu amor!

Carolina Cruz

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Oh, meu amor...
Como o tempo passou!
Já não és mais a menina ladina de tranças, mas esses olhos cor de limão ainda permanecem com o mesmo brilho!
Como o tempo passou por nós...
Erámos meninos e eu vivia no teu coração!
Hoje vives também no meu, num casamento tão bonito.
Não me esqueço nunca como eras rabugenta, como eu me ria com o teu mau feitio. A mulher ciumenta que sempre se preocupou e que, na verdade, sempre amei.
Faltam-me as palavras...
Por ti, tudo quero.
Por ti, tudo fiz, tudo farei.
Por isso morrerei de desgosto ao ver-te partir...
Oh, meu amor...
 

 

14
Mai17

Tu bastas-me.

Carolina Cruz

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Pipocas (um balde cheio), uma série e milhares de sorrisos. Basta-me.
Tu bastas-me.
O teu carinho, o teu conforto, o teu sorriso e o teu amor.
Esse amor que não cessa, esse amor que se constrói a cada dia.
Por isso, no calor da noite, eu só quero que me aconchegues.
Contigo, posso até virar rotina, desde que os nossos beijos sejam sempre iguais, cheios de pedaços gigantes de cumplicidade.
Contigo, tu e eu, para sempre. Até sermos velhinhos.
Tu e a bola, eu e um livro. Mas no fim da noite, ai o fim da noite!
Pipocas (um balde cheio), uma série e milhares de sorrisos!
O que vier depois disso será segredo, será nosso, será amor. Amor para viver, não para mostrar ao mundo. Eu e tu, para sempre. Até sermos velhinhos. Até não conseguirmos amar mais, porque os braços cessam e porque o corpo pesa.
Virá a morte, mas não o esquecimento. Virá a morte, mas não o término. Porque este “para sempre”, vai muito além da eternidade.
Eu e tu, para sempre. Basta-me.

 

 

 

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