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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

25
Dez17

O meu desejo mais bonito de Natal

Carolina Cruz

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O frio faz-se sentir. A neve teima em não cair.
O inverno, por estes lados, é uma seca. Faz frio que gela, chove a potes, mas neve nem vê-la.
Falta um dia para a véspera de Natal…
Outrora, eu gostava do Natal, oh se gostava! A família reunia-se à volta da mesa, conversava-se, brincava-se na rua, ainda que com frio, mas sempre sem neve. Conversava-se olhos nos olhos, abraçávamo-nos corpo a corpo, tanto que até a alma sentia.
Hoje...
Hoje o Natal não é o mesmo, a família continua a reunir-se sim, mas já não há a tradição dos abraços ou dos beijos dos avós. As crianças já não brincam umas com as outras na rua, os pais não querem que elas apanhem frio, por isso dão-lhes os tablets para a mão, o que faz com que joguem, mas sem ser uns com os outros.
As prendas hoje são sobrevalorizadas pelos mais novos, amuam se não têm o querem e quando é do seu agrado é gabado no Instagram.
As pessoas não se abraçam, não se tocam, por vezes nem sorriem, mas a união existe na felicidade expressa na selfie postada no Facebook.
Tenho vinte anos e não sei viver nesta sociedade consumista das redes sociais, em que um abraço é dado num gif, um “gosto de ti” é enviado por mensagem, as conversas são no Messenger e não cara a cara
Gostava que as pessoas pensassem mais como eu, que dessem valor ao interior e à alma, e não ao que importa hoje: o aspeto exterior e a imagem.
Gostava que as pessoas lessem mais. Se o fizessem entenderiam melhor porque penso e ajo desta forma, tão intensamente.
Dizem que sou esquisito, mas não me importo, nunca me importei com o que os outros pensavam, exceto com o que a Madalena pensa.

 

- Vítor, vem brincar!
- Deixa-me só acabar este capítulo.

 

Tinha nove anos quando nos conhecemos, eu já lia vorazmente, era um leitor assíduo de todos os policiais.
Os livros sempre foram a minha tecnologia favorita.
“Tecnologia?” - perguntam vocês.
Sim, os livros são a plataforma mais interessante que existe, com eles aprendes a falar melhor, a escrever melhor, podes viajar, sofrer, amar, sentir, imaginar, aprender, tudo sem sair do lugar.
Ainda assim, quem mais me faz sonhar é a Madalena. Ela sempre entendeu que ler era o meu vício. Ela não me acha esquisito como todos os outros amigos. Creio que ela também gosta de ler, mas não tanto quanto eu, que isso é impossível.
Eu gosto de ouvi-la falar, gosto de olhar nos seus olhos cor de mel, gosto das pequenas coisas quando estou com ela. Somos amigos, chegados, vizinhos, mas ainda assim não tenho como dizer-lhe que a amo profundamente.

Falta um dia para a véspera de Natal…
E este Natal, não queria receber mais nada além do nosso amor. Bastava-me.
Ainda assim, queria também que neste Natal, as tecnologias não estragassem o momento e que se pudesse trocar uma chamada por um abraço.
Ou isso ou uma máquina do tempo que nos fizesse viajar aos meus natais antigos, mas isso é ficção a mais.

A véspera de Natal chegou, não houve nenhuma máquina do tempo. No entanto, a ideia genial da minha mãe fez-me viajar a tempos passados, cheguei à cozinha e ela colocara na lareira os nossos primeiros sapatinhos, estavam inundados de mofo, pó e de tamanha nostalgia. Sorri e os meus olhos inundaram-se de água, naquela saudade estavam os meus avós sentados à mesa e cheios de presentes não muito caros, mas de valor.
A tardinha e a noite chegaram num ápice, este ano o Natal pintou-se de cor, a tia proibiu os telemóveis, a mãe optou por contar histórias à lareira como fazia a avó Mena. A história falava de desejos e após a sua leitura, todos nós, juntos e de mãos dadas pedimos um desejo.
Eu escrevi o meu desejo mais bonito de Natal e embrulhei-o com esperança. Eu procurava esse amor perdido num livro como uma história secreta para todo o sempre, uma história de um amor feliz com a Madalena.
A noite passou-se entre canções e jogos de tabuleiro.
A meia-noite finalmente chegou, o meu tio vestiu-se de Pai Natal como fazia o avô João, as crianças voltaram a sonhar e a dar valor aos presentes que aquele velho de barbas brancas lhes tinha vindo dar.
Eu sorria ao olhar para tudo aquilo - livros pequenos, grandes, médios, eram oferecidos a todos os que ali nos presenteavam com a sua presença.
Estaria eu a sonhar?
Sorri, escapuli-me entre a criançada feliz e fui buscar o meu presente ao sapatinho.
Pé ante pé, suspiro atrás de suspiro, também eu tinha um livro como presente, um que já destacava na minha lista há muito tempo e que sempre que ia à Bertrand o devorava com paixão. Quando o abracei e folheei para cheirá-lo, porque sempre tive a tendência de abraçar e cheirar os meus livros, um bilhete caiu ao chão.
Qual não é meu espanto quando vejo que o bilhete era uma carta de amor como nos tempos antigos. Já ninguém escreve cartas de amor.
Continuarei eu a sonhar?

 «Vítor.

Sei que os dias passam e ainda que sejamos vizinhos, que me dês boleia e um sorriso, eu nunca consegui dizer-te que o que sinto por ti vai muito além de um simples abraço ou de um beijo com o coração. Espero por ti na manhã de Natal, às 9h, como nos livros que também eu, secretamente, gosto de ler.

Madalena.»

A rapariga com que eu sempre sonhara, estava ali em palavras, diante dos meus olhos! Era brincadeira, com certeza!
Não queria crer, mas não podia enviar-lhe uma mensagem, as novas tecnologias estavam, felizmente (ou não), proibidas naquela noite.
Fui deitar-me o mais rapidamente possível para acordar mais rápido ainda, pois com certeza eu iria encontrar na manhã de Natal, tudo na mesma, igual a todos os dias em que a Madalena é apenas a minha vizinha e eu um idiota que não sabe dizer que a ama.
Amanhã será um dia igual com os miúdos sem leituras e nas redes sociais.
E eu sem o encontro com o amor da minha vida.
Não queria saber, deitei-me para sonhar e, para acreditar, pelo menos, que tudo aquilo que vivia era realidade.
Deitei-me, dormi ferrado no meu sono feliz durante oito horas longas.
Acordei, era Natal, estava tudo igual, nada tinha acontecido, as crianças não estavam nas ruas, nem a ler, não nevava…
Espera, que carta é esta?
Foi então que percebi, que o meu primeiro desejo era um sonho de Natal tornado realidade.

- Vitor? – disse Madalena vindo ao meu encontro.
- Esta é a minha mais bela história de amor. – disse-lhe.

Pingos de neve finalmente molhavam o nosso rosto que se unia num beijo. Sorri-lhe, ela retribuiu esse sorriso nos seus olhos cor de mel.
Dei-lhe a mão e nunca mais a larguei.
Bem, a não ser para ler um livro!

 

 Fotografia: Méliuz

 

24
Dez17

Feliz Natal! :)

Carolina Cruz

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O que mais gosto no Natal?
O que eu gosto o ano inteiro. Ou melhor, o que deveria ser, para toda a gente, o ano inteiro, porque para mim já é.
Ora... o que gosto no Natal, afinal?
O amor, a união, a família, os pequenos presentes... não os materiais, mas os gestos, a solidariedade, o fazer o bem ao outro, os sorrisos, os encontros, as surpresas, os abraços, os amigos, a música, a alegria.
Detesto o consumismo, a luxuria, a hipocrisia de "é Natal, tempo de paz e união, ajudar os outros" e no dia seguinte voltarmos as costas e voltarmos às palavras frias, 
Chega!
O que eu gosto do Natal, gostava que todos gostassem o ano inteiro.
O que é mais importante afinal? Não são as pequenas coisas?
O dinheiro pode rechear-nos a conta e os presentes do sapatinho, mas que importa se não tivermos saúde? Se não tivermos ao nosso lado quem amamos? O conforto dos que mais gostamos e dos que gostam da nossa companhia o ano inteiro?
Para mim todos os dias é Natal, porque todos os dias festejo com aqueles que amo e os presentei-o com o meu amor, com os meus gestos mais gentis, mais bonitos. 

Por isso, 
Um feliz Natal!
Sejam felizes, hoje, amanhã e sempre! :)

30
Nov17

[Cinema] O estranho mundo de Jack

Carolina Cruz

O-Estranho-Mundo-de-Jack.jpg

 

O que é que o Halloween tem a ver com o Natal? Parece-me impossível haver comparação entre as trevas e as luzes do pinheirinho.
No entanto, no fantástico mundo do génio Tim Burton todas estas fantasias são possíveis e esse mesmo encontro acontece em "O estranho mundo de Jack".
Este filme "horrorosamente fofinho", foi criado em 1993, mas foi melhorado recentemente.
Jack, o rei abóbora da cidade de Halloween, conhece a cidade do Natal, pela qual se apaixona, desejando assim quebrar a rotina e festejar também ele o Natal!
Descobre como pode ser tão divertido celebrar com amor o Natal nesta cidade onde o horror predomina.
Um filme que aconselho todos a assistir nesta noite de Halloween.

 

25
Dez16

Feliz Natal

Carolina Cruz

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Quando crescemos percebemos que não é cliché dizer que no Natal "o importante é ter saúde", porque é verdade. Quando crescemos percebemos que o Natal é somente uma época, o nascimento de Jesus, porque o Natal, esse do amor, da partilha, da ajuda e da solidariedade deve ser dito e feito ao longo de todo o ano. Por isso, hoje eu sei que ter saúde é o que basta para todo o resto existir - o amor, a partilha, a amizade. E esses gestos, tal como os abraços e as mensagens de gratidão, devem ser festejadas todos os dias, e não só nesta altura de festas.
Assim e como vos desejo amor todo o ano junto dos meus gestos, dos meus olhares e dos meus sorrisos, desejo-vos um Natal Feliz, junto de quem mais amam.
 

 

 
01
Dez16

[Resenha Literária] Quando a neve cai

Carolina Cruz

diariodigital.sapo.pt - p.jpg

 

“Quando a neve cai” é um livro mágico, numa palavra: maravilhoso.
Na minha opinião é o livro ideal para se ler durante a quadra natalícia.
Cruza várias histórias de amor, de três autores, que são simplesmente doces, que nos fazem acreditar não só no espírito natalício como na mudança e na partilha dos sentimentos mais importantes da vida.
São três histórias de amor que se ligam entre si através da fatídica neve que permite que várias aventuras surjam e tornem todo o enredo do livro ainda mais divertido, porque este livro leva-nos a caminhar sobre a eterna juventude.

Adorei, leiam!

 

Foto: diariodigital.sapo.pt 

25
Dez15

Feliz Natal

Carolina Cruz

 

Eu sempre me envolvo em melodias e mais que os efeitos de Natal, eu gosto sim é das canções alegres e calmas, cantadas com a alma, pois parecem inundar-me de uma magia infinita, aquela que todos desejamos nunca terminar. 
Que assim seja sempre, que façamos do Natal não uma quadra, mas um poema completo, todos os dias das nossas vidas. 
Porque o melhor do Natal é tudo aquilo que podemos aproveitar todo o ano: a família, a união, as simples ofertas e amor.

Por isso hoje, vos desejo uma vida cheia de sorrisos e...Um Feliz Natal!!

 

24
Dez15

O Natal contigo

Carolina Cruz

3.jpg

 

 

 

E o Natal volta a ter magia, contigo.
E sabes porquê? Porque contigo a minha vida tem outra cor e cada momento que vivemos é mágico, traz alegria e vida à nossa vida.
Contigo voltei a ser a criança, o meu olhar brilha, o encanto e a troca de mimos é eterna. 
Fazes-me bem, fazes-me abraçar o mundo, a alegria e a vontade de seguir em frente.
A música brilha em nós e deixa o nosso carinho dançar um pouco, um tanto feliz, muito feliz!

 

 

 

 

Feliz Natal :)

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