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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

15
Set17

Que mundo este.

Carolina Cruz

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As mãos pesam-me.
O cansaço aprisiona-me o corpo.
Dizem que escrever é gritar em silêncio, que as palavras são alma em fervor.
Não é justo, não é justo que o mundo esteja virado do avesso.
Este não é um lugar feliz, está a ser tomado por bárbaros, Deus leva os bons.
Onde está Ele nestas pequenas coisas?
Permaneço cética, perdoe-me quem acredita.
Estou em silêncio, medito e sussurro para apenas os meus pensamentos me ouvirem…
Se Ele existisse porque é que leva os que mais gostamos?
Porque morrem inocentes diariamente nas mãos de quem deveria ir para o inferno?
Sento-me e sinto que não está certo.
Quem somos afinal? Quem trazemos connosco? O que levamos de tudo isto?
De que nos vale sermos bons se partir é o nosso destino?
O mundo não é feito para aqueles que fazem o bem.
É para aqueles que a ruindade amplifica, é para aqueles que vivem de futilidades, de intrigas, de morte, de crime.
Lamento viver neste mundo.
Lamento tanto.
Ainda assim creio em fazer a diferença, creio que um simples sorriso muda um pequeno segundo na vida de alguém.
Eu não vou mudar, porque o mundo muda.
Eu não vou virar costas ao outro e à solidariedade se for em vão.
Se for, vira aprendizagem.
O mundo não é feito para aqueles que fazem o bem.
Ainda assim, eu escolho fazê-lo.

15
Jul17

Ouve-me

Carolina Cruz

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É essa tua simplicidade, esse teu ar genuíno, esse teu sorriso tímido encantador, esse um jeito de sonhar que me conquista.
Chama-me louca, o que quiseres. Ouve. Ouve-me.
Gostava que toda a gente pudesse ser como tu, com esse abraço apertado sem regresso ao feio mundo da inveja, da superioridade, do querer ser ou parecer mais que alguém. 
Nesse abraço de tamanha grandeza tu tens tudo, não precisas de grandes contas no banco, de viagens, de mostrar a onde vais, de passeares a tua vida por aí. 
Não, nesse teu sorriso tu tens todos os sonhos, nesse teu sorriso tu agarras o melhor que podemos ter: as pequenas coisas.
Nesses braços que abraçam o mundo inteiro, eu quero viver. Nesses braços grandes onde a pequenez se torna grandeza e onde eu me torno, para sempre, especial.

 

 

31
Mai17

Sabes a certeza

Carolina Cruz

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Cheiras a mar, sabes a certeza.
Provar-te é degustar profundamente o teu amor.
É sentir a tua pele ardente, com saber e sabor.
É como criar, esperar, sorrir, ser.
Brinco no teu leito e acalmo a minha alma em pequenos pedaços de prazer.
Sentir-me como parte do teu corpo é poder trincar o sonho e mordê-lo com provocação.
Ser-te fiel é tão certo, tão bom.
Podemos ficar nesta doçura toda a vida?
Embora te saiba seduzir. Embora saiba que o que temos não é tudo, que não é sério, eu quero-te para sempre. É por isso que eu te quero para sempre. És a perfeita metade de mim.
Se sei viver sem ti? Não sei se sei. Prefiro ficar na dúvida. Posso?
Envolve-te nos meus braços. Beija o meu peito e aquece-o por dentro, bem no fundo da minha alma.
Anda. Esqueçamos isso.
Tenho-te neste momento, é tudo o que importa. Tudo o que mais quero.

 

 

21
Mar17

[O teu olhar] Negligenciar o amor.

Carolina Cruz

31. Daniela Barreira.JPG

 

O amor está por toda a parte, basta que o procuremos.
O amor é tão simples, porque é que o complicamos?
O amor está num “bom dia” que não dizemos a um estranho, está na simpatia que receamos ter. O amor está em cada pedaço de solidariedade numa calçada fria.
Está no abraço que nos aquece do frio, no sorriso que esboçamos depois de chorar, no alívio da alma depois de fazê-lo.
O amor está em todo o lado, o mundo é que não o escolhe, prefere tirar partido de tudo isso e destruir-se a si próprio. Em vez de dar as mãos, prefere armas, em vez de amar, tortura.
No entanto, nenhum de nós consegue viver sem uma palavra amiga, sem um colo ou um conforto, sem dizer que se gosta de alguém. Eu sei que o mundo anda louco e é por carência de amor.
As pessoas vivem rodeadas de stress, carenciadas de um verdadeiro sentido, habitando o materialismo, negligenciando o amor, sem saber que é, também ele, o ar que respiramos.
Eu chamo amor à paixão pela vida, à amizade, ao verdadeiro amor de pares, à família, ao que fazemos, às pequenas coisas. Sem o amor, nada somos, sem ele, falta-nos algo, como se vivêssemos com um vazio infindável no peito. Sem o amor nada existe, sem o amor nada floresce, nada vive, tudo morre, na calçada fria do desalento.
 
 
 

 

 

(Já conhecem o projeto da Daniela (autora da fotografia)? Tatuar Sorrisos?
Visitem, ficam logo mais felizes, tenho a certeza!)
 

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