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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

14
Fev19

[Ficção] Sentir-te

Carolina Cruz

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És eterno. Sempre to disse, mas a verdade é que a presença física cuida de quem está e a falta dela corrói quem fica. 
Fazes-me falta e por mais que eu diga que sou forte e que saiba que olhas por mim… Sabes que não é a mesma coisa, preciso de tocar-te, de sentir a tua pele de seda, os teus cabelos ríspidos e rapados, o teu sorriso que sempre preservaste.
Mas sabes do que é que preciso realmente? De um abraço teu, pois só tu conseguias curar-me as pequenas dores do dia-a-dia. Vinhas com os braços abertos e todos os dissabores eram passageiros por mais graves que pudessem ser. 
É isso que me faz falta. Por mais que eu saiba ou queira acreditar que estás bem e a sorrir daí como sorrias comigo, eu sou uma pequena fracassada sem ti, tudo o que tenho lutado e conquistado é por te ter no pensamento. Porém, nenhum trabalho ou sonho importaria se pudesse trocá-lo pela oportunidade de olhar-te pela última vez e dizer-te que te quero, mesmo quando não me vês.
 
 
 
04
Fev19

[Ficção] Salvador, sê feliz.

Carolina Cruz

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Como é que eu consegui ser tão estúpida? Achava que ia ter-te para sempre. Corrompi tudo o que éramos e cerquei-me na ideia de que, acontecesse o que acontecesse, tu serias sempre meu e eu sempre tua. 
Como tens razão, Salvador, “só pensei em mim”. Como pude eu ser tão visível para os outros e escondida no teu coração? Nas minhas atitudes incorretas para contigo, não fui fiel, não te dei ouvidos. Achava que tudo era demasiado esgotante, os dias em que ficávamos em casa, os dias em que éramos só nós dois, e eu não percebi que isso fazia parte quando se ama alguém… Mas sabes?... Agora que penso que perdi tudo isso, dói-me a alma, de culpa, de desgosto. Pudesse eu voltar atrás, pois tenho a certeza absoluta que não encontrarei alguém como tu, tão certo, tão doce, tão bom, que me ame de coração como tu fizeste. 
Nunca me vou perdoar, isso é uma certeza e que, embora saiba que o mal já esteja feito, quero que pedir-te que sejas feliz, que na dor te lembres que eu jamais mereci a pessoa que eras e que encontrarás alguém que brilhará ao ver-te. Os meus olhos irão sempre chorar, mas não quero pedir que voltes, quero que completes esse pedaço meu que te falta, com ela. 
Sê feliz.
 
 
 
26
Nov18

[Ficção] Fazes-me falta!

Carolina Cruz

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Tenho saudades tuas, meu amigo. Olho para o céu à procura de um sinal teu e ninguém me diz nada. Imagino-te a sonhar, relembro o teu sorriso, a tua gargalhada forte e a lembrança de ti ilumina o meu dia.
Rio sozinho ao lembrar-me quando dizias que eras um pecador, que ninguém iria permitir a tua entrada no céu.
Volto a rir, agora baixinho, penso "por isso é que do céu não há nenhum sinal teu, cabrão!".
Meu, fazes-me falta, tantas vezes to disse em segredo e em vida não poupei dizer-te que eras um amigo às direitas, mesmo quando bebias uns copos e andavas torto, eras um verdadeiro companheiro, não havia mentiras nem meias verdades para ti, és incondicional e para mim jamais morrerás, viverás para sempre no meu coração até ele deixar de bater e quando isso acontecer encontrar-nos-emos por aí!

 

30
Out18

[Ficção] Se me deixar ir?

Carolina Cruz

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Sento-me a olhar para o mar. Este ser que me limpa as lágrimas, que me liberta e me traz força. 
Como posso sentir-me assim ao olhá-lo com tanto respeito se foi ele que te levou de mim?
Quando olho para o mar sinto uma breve esperança de que ele te traga de volta.
Oh meu bom marinheiro, levaste contigo o meu coração. Porque não pode o mar levar-me também?
Talvez encontrar-te-ia, talvez além das nossas mortes pudéssemos agora viver, viver este amor, que o mar levou.
Por isso, choro. Porque embora quisesse que ele me levasse consigo, não tenho coragem de partir...
Mas se eu fechar os olhos e me deixar ir?

 
 
(Fotografia de Luiza Lopes)

 

 
19
Out18

[Ficção] Sonhar com ela

Carolina Cruz

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Às vezes sonho e sonhar faz bem. Quantas vezes fecho os olhos e consigo imaginá-la, se fosse viva. Consigo definir-lhe cada linha do rosto, cada traço e cada ruga. Imagino-a a aquecer as suas mãos na lareira olhando o fogo com os seus olhos de lince e até a degustar de cada pedaço doce de brincadeira com os netos.
É sempre assim todas as noites, é por isso que nunca mais consegui ter nada com mais ninguém, ter significava mentir, a ela, a mim mesmo e à pessoa que entrasse na minha vida.

______

Foto: Tumblr

15
Out18

[Ficção] Não me quero levantar

Carolina Cruz

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Cercas-me o pensamento, há dias que não durmo, a cama vazia com o teu cheiro corrói-me a pele, afeta-me como se assim a minha vida não andasse para a frente.
Costumava dizer orgulhosa que gostava muito de ti, mas que se algum dia terminassemos eu viveria bem sem ti. Menti a mim mesma, aos outros. Menti tanto, mas tanto. 
Hoje procuro-te em todo o lado, na pele dos outros, nos sorrisos, nas ruas... Dói-me constantemente esta tua ausência, não sei viver assim. 
Fecho os olhos e ainda consigo ouvir a tua voz dizer-me baixinho que sou a cor dos teus dias e hoje, hoje os nossos dias (ou pelo menos os meus) não passam de um pesadelo, de uma escuridão infinita.
Nem sempre há finais felizes, às vezes o que é verdadeiro também termina e eu nunca viverei bem sem ti.
Deito-me nesta cama em que te sinto e não me quero levantar.

23
Jun18

[Ficção] Serás sempre.

Carolina Cruz

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Eu sou uma merda!
Acredita que daria o mundo por ti. Esta vida e outra que vivesse, mas sempre que penso em defender-te, em ser o melhor para ti, o melhor para os dois ou para que algo entre nós resulte, sai-me sempre tudo ao lado e faço mais asneiras do que, na verdade, te merecer.
Sou um falhado e falho tantas e tantas vezes contigo, que é isso mesmo: não te mereço.
Porém, o facto de dizer que não te mereço, não significa que não te ame profundamente, que não goste de ti verdadeiramente, simplesmente faço tudo errado.
Eu amo-te, tanto, só quero que entendas isso, e embora eu seja uma besta quadrada que não sabe nada sobre o amor ou relações humanas, amo-te como nunca julguei amar alguém e por saber disso te deixo ir, deixo que partas da minha vida, por saber que serás mais feliz sem mim e sem os meus erros.
E agradeço-te profundamente por ver nos teus olhos a compreensão e o amor que nunca esquecerei. Um dia quem sabe, se tudo não se irá resolver e, quem sabe aí ainda poderei amar-te por completo. Se isso não acontecer, só desejo que encontres alguém que respeite a mulher fenomenal que és, que te ame como a mulher da sua vida, porque eu sei que, apesar de tudo, serás sempre a mulher da minha.

______________________________________

Photo by Nelsiek in "we heart it"

11
Jun18

[Ficção] Sonhar-te

Carolina Cruz

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Feriste o meu peito. 
Fizeste um rasgo, de um lado ao outro, que não estanca, que não para de sangrar.
Há coisas que nem o tempo consegue curar. 
Vem-me à memória todas aquelas frases bonitas que dizias e todo o calor do teu corpo sobre o meu, palavras fantásticas, esperançosas e momentos eternos que não passaram de uma mentira. 
Hoje ainda me lembro de nós, hoje ainda queria viver-nos, viver essa mentira, porque o conforto da tua pele, o cheiro de todas as coisas, valia a pena, mesmo que fosse um sonho onde sabia que acordaria, um sonho que antecedia a um pesadelo.
Agora dorme comigo a saudade, acorda comigo a ansiedade de ter de passar mais um dia, sem ti. 
Não podias demorar mais um pouco? Não podias colar um pouco desta amargura que me invade? 
Só te quero a ti, por mais que doa. Só te quero a ti no meu abraço, por mais que tudo pese. Só tu consegues fechar este buraco no meu peito e só tu conseguirias curar o que o tempo não cura.
Vens? Eu sei que não. 
Por isso, ficarei aqui, a sonhar-te.

 

 
28
Mai18

[Ficção] O resto dos meus dias

Carolina Cruz

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O meu corpo pede, a minha alma implora, e tu não estás. Adormeço sobre o teu ventre imaginário já que aqui, onde pouso a cabeça, não resta nada de ti a não ser a tua memória e a minha dor por teres partido. 
Ninguém compreende esta saudade que me invade desde que me morreste há mais de vinte anos.
A verdade é que desde partiste, um vazio nasceu, nunca mais soube viver, apenas existir. Tento olhar para trás, perceber que vivia antes de te conhecer, mas não consigo, foste tu que deste cor à minha vida.
Nunca quis mais ninguém, meu amor. A imagem da minha lembrança de ti, faz-me abraçar-te todos os dias. 
Pareço louco, mas ao beijar outro corpo eu sinto que não te sou leal, que traio a mulher da minha vida. 
Dissemos no ato do nosso matrimónio "até que a morte nos separe", mas eu sei, melhor que ninguém, que nem a morte pode separar um grande e verdadeiro amor como o nosso.
Por isso, sento-me aqui, a contar os minutos à espera, sim, esperarei o resto dos meus dias para te abraçar.

 

26
Dez17

[Ficção] Deitaste tudo a perder

Carolina Cruz

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Deitaste tudo a perder. 
Eu amava-te, sabias? Desse amor que não se contempla, que se intensifica na dor, que se inquieta na tua presença.
Morri de amores por ti, em vão. 
Deste-me esperança desmedida, abracei-me à ideia de que ia ter-te para sempre, mas tu não ficaste, não quiseste ficar. Disseste não poder, mas a verdade é que não quiseste. 
Não há assim tanta diferença em sermos diferentes, podemos mudar, eu acreditava que nos habituaríamos às diferenças um ao outro, sem saber na verdade que "habituar" é um verbo que não se adequa a uma relação de amor.
Eu respeitava as tuas ideias, porém não as suportava, menti de todas essas vezes que disse habituar-me a isso. Fui-te sincera, confrontei-te com a verdade. E tu disseste que não resultavamos juntos, que o correto era tornarmos o nosso presente num passado. 
Iriamos resultar se fizesses um esforço, mas creio que não se faz um esforço quando se ama e se forçamos é porque, na verdade, não é amor. 
Quando compreendi isso deixei de pensar em pedir mais uma última oportunidade ao que tinhamos tido, fechei o capítulo e abri um livro para contar uma história. 
Assim tornaste-te numa história, tento desenhá-la como se não fosse minha, mas de alguém, porque se eu abrir o meu peito, vão sair lágrimas, saudade e desilusão. Vou inundar o papel que escrevo, inundando por completo a minha sala e também a minha vida. 
Deitaste tudo a perder e eu só te quero esquecer.
Não esquecer que exististe na minha vida, apesar de tudo creio que tenha sido bom, mas quero esquecer apenas (e já é tanto) que não quiseste quem te amou por completo - eu.

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