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Gesto, Olhar e Sorriso

Palavras que têm vida.

03
Mai17

[Completas-me] Com a Melhor Amiga!

Carolina Cruz

Bom dia, queridos sorrisos! Finalmente! - dirão vocês! 
Pois é, desta vez volto ao completas-me com a simpática "Melhor amiga procura-se", para quem não conhece o blog, tem de tratar disso porque serão mais do que melhor bem recebidos (hei, não escrevi mal por erro, foi com intenção!!!), quero dizer vão adorá-la! E espero que gostem tanto dela, como eu gostei deste texto a duas mãos. Vamos ler? 

 

"Chegar aos quarenta e estar solteira nunca esteve nos meus planos, mas também não estava nos meus planos sujeitar-me a uma relação onde quem perdia tudo era eu, desde família, amigos, carreira, etc. eram demasiadas coisas para mudar em tão pouco tempo.
Não sei se tomei a melhor decisão, nunca se sabe, mas hoje ia atrasada para uma reunião na empresa e ao entrar cruzei-me com ele e caiu-me “tudo”, o meu coração parou, não se foi de espanto, se foi de susto. Ele está diferente, até arriscaria que está mais bonito, tremi toda por dentro e talvez por fora também e o pensamento que me ocorreu no momento foi que ainda bem que hoje estou “bem” apresentável.
Nisto chego ao meu gabinete e sento-me na minha secretária e só vejo os meus pensamentos a divagarem em relação a ele: “Será que ele continua com aquele jeitinho de menino rebelde, superior a tudo e a todos, que tanto me conquistou?! O que será feito dele agora?! Estará casado?! Terá filhos?” Onde andará ele?! Continua pelo mundo?!”.
De repente lembrei-me que nós nunca terminamos a nossa relação, apenas as circunstâncias da vida nos afastaram e hoje ao vê-lo parece que me mandaram tudo para os pés… Nisto vou ver a minha agenda e o nome da pessoa com quem ia ter a reunião e qual é o meu espanto é o nome dele.
Respiro fundo e ligo para a rapariga da receção e digo para o mandarem subir…"

 

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Batem à porta, o meu coração acelera.
Levanto-me.
- Bom dia. – diz, de sorriso torto, como sempre foi seu característico. Mantinha-se amável, simpático.
Não me pareceu que ele me tenha reconhecido. E eu agi com a máxima naturalidade, mas questionava-me: “Como não me reconhecera?”.
No entanto, foi no fim de discutirmos variáveis, testes, probabilidades de seguros e questionários dos clientes, que ele questionou-me, tal como eu não tive coragem de o fazer:
- Carla? Já não me reconheces?
Eu sorrio. Era impossível não lembrar… A nossa história, a nossa forma de ir contra o mundo, a favor do nosso amor.
- Claro que sim. Pensei que tu não me reconhecesses.
- Sim estás diferente, mas há pessoas e traços que não se esquecem.
Acho que fiquei mais vermelha que a cor do meu vestido ou do meu batom que usava nesse dia.
Sorri, e tentei disfarçar o que era óbvio – fiquei de novo encantada!
Ele já tinha sido casado durante dez anos, tinha uma filha de 6 anos. Agora encontrava-se livre para amar de novo, e para um café para o qual me convidou nesse dia. Estava diferente, adulto. O que o deixava sexy por entre as memórias que tinha dele.
Fiquei com desejos de o conhecer de novo. Os nossos corpos e as nossas almas já se tinham encontrado outrora, mas será que seriam capazes de amar novamente?
Os cafés começaram a ser regulares, a empatia e as coisas em comum voltaram. Parecíamos dois miúdos ao retorno do primeiro amor, tudo devagarinho, as mãos dadas, o primeiro beijo, o despir, o sentir, o amar de corpo inteiro… e então eu aprendi que nunca é tarde para amar… aos trinta, aos quarenta, aos setenta, aos noventa… o amor não escolhe idades, mas corações, daqueles que sorriem. A vida sabe sempre como nos surpreender!

 

 

14
Abr17

14 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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Ela sorriu.
Ele continuou a desabotoar-lhe a túnica, a desapertar-lhe o soutien, a beijar-lhe os seios.
Ela pregou-lhe firmemente as unhas nas suas costas e despiu-lhe a camisa.
E se alguém aparecesse? E se John telefonasse? Que iria ela dizer? De cada vez que Manuel a puxava para si, ela esquecia todas as dúvidas, todas as questões, a sua mente era um mundo à parte do seu corpo.
Fechava os olhos de cada vez que ele lhe tocava. Abrir os olhos era aperceber-se que não estava a sonhar. Então todo o passado estava ali naquele ato tão sonhado, tão imaginado.
- Era isto que tinhas guardado para mim? – disse ela numa gargalhada.
- O tempo amadureceu os nossos corpos, a saudade que eles tinham, tornou este sabor mais forte. Não é melhor que dar as mãos apenas?
Ela riu de novo. Demais. Ele deu-lhe a mão e prendeu-a para si. A sua forma de o ter para si era tão perfeita que não havia dor naquela intensidade, havia prazer inundado de beijos por todo o corpo, de uma pertença que voltava a existir catorze anos depois, dois corpos nus, uma aventura silenciosa e imprudente, duas pessoas traídas, outras duas que ao consumar o ato eram felizes, quase sem culpa, porque toda a vida haviam pertencido uma à outra, como os seus corpos pareciam encaixar-se de forma tão certa um no outro.
Mas será que o destino comemorava com eles? E o mundo lá fora?

 

(Continua...)

10
Abr17

10 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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Sara não sabia se era Manuel ou não, os anos tinham passado, mas não tinha passado assim tanto tempo no seu rosto, as feições estavam iguais. A forma como ele olhou para ela respondendo ao seu olhar surpreso pôde ter a certeza que era Manuel.
John sentiu a rapariga dos seus olhos distanciar-se por momentos.
- A tua paixão platónica passada. – Disse Joel.
- Sim, tu nunca nos enganaste Sara, eramoscrianças mas não burros. – Disse Filipe.
- Who?
- O rapaz que está ali ao balcão. Não lhes ligues. Era apenas o meu professor de teatro.
Não apenas, nem somente, tanta coisa, tantas recordações, tanta emoção ao vê-lo ali, em carne e osso, depois de catorze anos a ser apenas uma lembrança ou sonho.
- Vou cumprimenta-lo. – Disse ela, sem ter bem a certeza se conseguiria.
- Ok. – Disse John dando-lhe um beijo na testa. Estava dividida, mas queria-lhe mostrar que a sua vida seguira em frente, que aquele sonho inacabado não era uma dependência. No entanto, de certa maneira, era. Era mesmo.
Um sorriso envergonhado disse olá a um rosto emocionado.
- Sara? – Os seus olhos pareciam brilhar.
A Sara estava ali depois de tantos desertos, de tantas estradas, de tantos muros, houve uma ponte que a trouxera até ali. Como os anos tinham passado por ela, embora continuasse a ser a rapariga sonhadora e lutadora que aspirava ser, Sara estava uma mulher madura, sedutora, que quebrava de novo o seu coração.
- Posso dar-te um abraço? – Perguntara Manel. Mantinha o seu jeito de intervenção teatral, sempre sincera e genuína.
Sem questionar Sara deu-lhe um abraço apertado! Os seus corpos comunicaram nesse encontro.
- Lembraste dos meus irmãos? – Perguntou desviando o assunto.
- Claro que sim. – Disse Manuel a virar-se para trás e a acenar-lhes. – Vi-os no outro dia, estão uns homens feitos.
Que conversa de chacha quando o que há para dizer é tanto, pensavam ambos, sem saber o que pensava cada um.
- Deixa-me convidar-te para te sentares connosco. – Disse Sara.
- Não posso estou acompanhado. – Disse ele, embicando o rosto em direção a uma rapariga loira, alta e magra, de sorriso bonito.
- Tudo bem. – Disse Sara, um pouco desiludida.
Mas porquê desiludida se também ela estava acompanhada?
- Mas posso convidar-te para tomarmos o pequeno-almoço na segunda de manhã. Que dizes?
- Claro que sim.
Claro que sim, o tempo tinha passado, o amor também, a paixão igualmente. Porque é que não haveriam de ser amigos?

 

(Continua...)

08
Abr17

8 # Existirá destino sem os sonhos?

Carolina Cruz

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A vinda a Portugal chegara num instante, Sara estava bastante ansiosa e John bastante feliz por partilhar com ela este regresso cheio de emoções.
John falava pouco português, tudo o que sabia, tinha aprendido com Sara. No entanto, não se importava pois a sua amiga sabia suficientemente bem inglês para traduzir o que quer que fosse à sua família ou amigos.
Aquele abraço apertado entre filha e mãe dissera tudo, quanta saudade cabia naquele abraço. Saudade, amor, valores e felicidade, felicidade que corria em lágrimas pelos olhos de ambas.
- Mãe, este é o John.
- Ólá! – Dizia simpático John no seu sotaque português cómico e envergonhado.
- Que bonito filha. – Segredou-lhe a mãe. – Prazer, meu querido!
- É apenas um amigo especial. – Esclareceu Sara de imediato.
- Yes, I am! – Disse John entre gargalhadas que choravam um querer mais.
No entretanto, chegara o pai de Sara, com os olhos rasgados de lágrimas. A cumplicidade de Sara com o pai era, desde que se lembra, muito cúmplice. Não esqueceram nunca como Sara tinha sido o seu suporte com os outros irmãos e a construir uma nova felicidade após todas as desilusões da vida (a morte do pequeno irmão).
Por falar em irmãos, Filipe e Joel estavam enormes, catorze anos tinham passado por eles. Filipe tinha vinte e quatro e Joel vinte. Já não eram mais os seus miúdos pequenos, mimados ou travessos. Eram homens grandes, quase de barba rija e sorriso no rosto, adultos e responsáveis. Bonitos, simpáticos.
Gostaram imediatamente do feeling positivo de John e as suas conversas eram longas. Sendo Natal, estavam ambos de férias, tinham grande disponibilidade e interesse em apresentar os novos cafés da marginal ou os bares onde havia música ao vivo.
Tudo estava a ser perfeito, Sara começara a olhar John com outros olhos, olhos que transmitiam orgulho, seria amor?
Tudo estava a ser perfeito, até ao dia em que a sua mãe, sem nunca ter sabido de nada, mexera com a sua alma, com o seu passado e com o seu coração.
- Sabes quem é que eu vi no outro dia? Diz que está de volta à cidade e que abriu o seu próprio negócio de marketing e relações públicas… O teu professor de teatro, o Manuel.
O Manuel, o apaixonado Manel, estava tão perto de si. Um “a sério?” foi dito, carregado de uma adrenalina entusiasmante e nostálgica. Que faria ela com aquela informação?
 
(Continua...)

 

 
25
Out16

[Simplicidades da vida] Um (re)encontro

Carolina Cruz

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Já dizia André Sardet numa música sua que “um encontro ao fim de um tempo é mais doce que viver” e é verdade, é bom reencontrarmo-nos com quem mais gostamos, um velho amigo, um familiar querido.
Ter uma conversa longa sobre tudo o que acontecera na sua ausência e falar, agir como se nenhum tempo tivesse passado entre nós. 
As saudades sentidas mostraram que se solidificaram os nossos sentimentos e a certeza de que é amizade e companheirismo que nos une e, se for assim, não mais tem fim, será para sempre.

 

(Fotografia do filme "Amigos coloridos")

28
Set16

[Completas-me] com Vânia de "A duquesa e o gato"

Carolina Cruz

Hoje trago-vos mais um "completas-me"! Confessem lá, já tinham saudades, não já? Também eu! 
Quem nos presenteia com um texto romântico e muito bonito é a nossa querida e simpática Vânia, do blog "A duquesa e o gato" quem consegue resistir a este fantástico blog? E hoje... às suas palavras? Espero que gostem! Aqui vai:

 

"Maria tinha 20 anos. Dona de uns belos e longos cabelos negros e de uns olhos cor de mel. Era tímida mas ao mesmo tempo adorava conhecer pessoas e locais. Tinha saído de uma relação conturbada e quis refugiar-se nos amigos. 
Numa das saídas à noite com o seu grupo, Maria conheceu-o.
Cláudio era moreno, com olhos verdes e lábios finos. Sorria com os olhos e isso encantava-a. 
Foi nessa mesma noite que ele, timidamente, por debaixo da mesa, lhe deu a mão. Trocaram o primeiro beijo quando se despediram nessa mesma noite quente de Primavera.  Maria sentiu pela primeira vez o que realmente eram as ''borboletas na barriga''. Estava apaixonada!
A partir desse dia, Maria e Cláudio nunca mais se largaram... Todos os dias eram diferentes, todos os dias ele a surpreendia. Viveram um conto de fadas durante um ano até que, sem qualquer aviso, Maria recebe uma mensagem de Cláudio. Ele acabara com a relação, dizendo estar apaixonado por outra.
Maria ficou devastada. Soube mais tarde, por amigos, que o seu pai o proibira de namorar com ela por não ser rica.
Durante anos sempre pensou que um dia receberia a sua visita em casa a pedir-lhe perdão ou uma simples mensagem. Tal não aconteceu e Maria decidiu que precisava de seguir em frente. 
Passaram 10 anos e ambos tinham seguido as suas vidas. Encontraram-se numa saída à noite, num bar com karaoke. Os seus olhos cor de mel cruzaram-se mais uma vez com os seus olhos verdes…"

 

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Maria queria correr até ele, era o que dizia o seu coração que há 10 anos não queria mais ninguém, aquela relação marcara-a para sempre, como era possível esquecer?
Era verdade que os seus olhos se tinham cruzado com a mesma intensidade de outrora, que espelhavam o mesmo amor, ou o mesmo encanto que conheceram da primeira vez que se cruzaram.
No entanto, Maria era orgulhosa, Cláudio teimoso. Ela estava mais bonita que há dez anos, os anos pareciam não passar por ela, ele estava calvo, mas igualmente sensual.
Caramba, seria assim tão difícil deixar que o destino acontecesse, agora que ambos não tinham ninguém que condenasse o seu destino?
Alguém tinha de dar o braço a torcer, amores como este, verdadeiro, como o deles, acontecia uma vez na vida, porque é que tinha de ser imperfeito ou impossível?
Maria saiu do bar, lavada em lágrimas, não era assim tão forte para aguentar tal encontro cruzado.
Limpava o rosto, quando começou a tocar “Home” de Simply Red, a música que os ligava a cada segundo de melodia, todos os minutos que viveram pareciam eternos, até mesmo nos anos que viveram afastados. Cláudio queria, naquele segundo, recuperar um por um:

 

“Maria, eu sei que andas por aí. Por favor ouve-me.”

 

Era a sua voz, não mudara nem um timbre que fosse. Maria correra para dentro do bar, como que num ato de desespero.
Os seus olhos voltaram a cruzar-se e tantos segredos queriam contar um ao outro. Ele continuou, sem qualquer receio na voz:

 

“Sei que nenhum louco no seu mais perfeito momento de delírio o faria, mas eu vou fazê-lo, antes que seja tarde demais. Levei dez anos a tentar esquecer-te, não consegui, era o tempo a dizer que o destino ainda faria cruzar nossos caminhos, e eu não posso deixar que nos voltemos a afastar.

Casa comigo. Não aceito um não.”

 

Maria petrificou, chorou como quem abraça o tempo e o abraçou-o como se conhecesse o infinito, o amor não morreu, o amor verdadeiro sempre vence. Hoje, Maria e Cláudio ainda permanecem juntos. Eu acredito no amor para sempre. Eles também.

29
Jun16

[Completas-me] Com Plutão

Carolina Cruz

Hoje, o "Completas-me" é com Plutão, do blog muito especial Um dia em Plutão que de forma brilhante nos fala com o coração, sobretudo sobre o amor. Se não conhecem, façam-no, vale a pena, assim como a leitura deste texto escrito a duas mãos:

 

"Sophie estava de visita a Portugal, a primeira desde há meio ano que partira para Paris. Conseguiu iniciar a especialidade que sempre quisera, cardiologia, desde sempre que gostava de cuidar dos corações dos outros, já o seu ficara sem tratamento. Foi após ter tomado tal decisão que conheceu Afonso, o rapaz que lhe deixara o coração palpitante. Sophie não desistiu da ideia, queria aproveitar a oportunidade profissional, mas o seu coração viajou apertado sabendo que deixara para trás uma história de amor. Eles pareciam perfeitos um para o outro, mas conheceram-se no momento errado. Sophie estava de volta e com certeza que se cruzaria com Afonso nalgum lugar comum ou por algum amigo em comum. Ansiava o reencontro, seis meses fora não apagaram o sentimento por Afonso, no entanto tanta coisa parecia ter mudado."

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Ele estava diferente, parecia que a tinha esquecido, que tinha outra pessoa no seu lugar, enquanto Sophie nunca ocupara o coração, só tratara o dos outros.
Encontraram-se no bar onde iam todas as noites antes de partir e onde o seu grupo de amigos ainda se juntava. António levara a irmã, Sophie, até eles. O grupo estava animado a conversar. Quando viram Sophie fizeram uma enorme festa, à exceção de duas pessoas que de mãos dadas marcavam o seu amor. Afonso e Ana, uma das melhores amigas de Sophie.
“Vergonhoso” pensou, não lhe disseram nada até ao momento, ela merecia uma explicação, mas depois de os ver só lhe apetecia partir de novo para Paris, já tinha visto que cheguasse.
Sem cumprimentar os amigos decentemente, sem pensar, correu para fora do bar e um mau ambiente ficara no ar.
Lá fora chovia como se o mundo fosse desabar e em parte Sophie acreditava que o seu já estava sido derrubado.
Ao perceber a sua atitude, Afonso largando a mão de Ana correra até Sophie.
- Basta! – Disse ele quando a viu, a chorar por entre a chuva, também ele começara a chorar. – Foste tu que quebraste o nosso contacto, que disseste para seguir com a minha vida.
- Sim, desejosa de que quebrasses essa minha vontade de não te querer magoar, desejosa de que dissesses não, que superavamos tudo até a distância.
- Foste egoísta.
- Fui, mas porque te amava, porque não queria que sofresses tanto quanto na despedida.
- Para mim nunca fora uma despedida, era apenas um até já, mas tu quebraste-o...
- Quebrámos os dois..
- Quebraste-me.
- Tanto quanto voltar e ver-te com uma das minhas melhores amigas. Sinto-me traída. Eu merecia uma explicação, eu merecia uma palavra. Sabes quantas noites fiquei sem dormir? A sonhar que voltavas a entrelaçar a minha mão? Tantas. Estupidamente adormecia abraçada a mim própria, fechando os olhos e imaginando seres tu. E voltar e ver-te noutras mãos, é despedaçar-me a esperança que ainda estava em parte completa.
Ele queria tocar-lhe, entrelaçar as suas mãos nas dela, dizer que não estava certo, que ambos tinham sido egoístas, que ele não amava Ana, que apenas via nela o espelho de Sophie.
Eis que o seu choro intensificou, e perante o seu choro, Afonso correu até Sophie e beijou-a como se de um filme se tratasse. Nada mais importava, quem deixavam para trás, as histórias mal contadas, o egoísmo, a dor, a traição que era apenas fruto do tempo.
Apenas o amor permanecia, naquele momento em que as lágrimas se juntaram num só corpo à chuva, milhares de histórias foram recontadas e o amor voltou a florescer junto dos desejos eternos de viver um dia de cada vez, porque a pior distância é a de um coração partido.

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